No Brasil, cerca de 7,2% das crianças e adolescentes em idade escolar apresentam critérios diagnósticos para o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), segundo dados atualizados do Ministério da Saúde. O uso de medicamentos para TDAH cresceu 34% entre 2020 e 2025, refletindo maior acesso ao diagnóstico e tratamento.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID MEDICAMENTOS-PARA-TDAH e quer saber o que significa? Na prática clínica, o código correto para o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é F90.0 (CID-10), e os medicamentos fazem parte do plano terapêutico. Este artigo explica, por meio de um estudo de caso real, tudo o que você precisa saber sobre o diagnóstico, o tratamento medicamentoso e os cuidados necessários.
- Código: F90.0
- Descrição: Transtorno da atividade e da atenção (TDAH)
- Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias:
- F90.0 – Transtorno da atividade e da atenção (TDAH tipo combinado)
- F90.1 – Transtorno hipercinético com transtorno de conduta
- F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos
- F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado
Paciente: Lucas M., 9 anos, estudante do 4º ano do ensino fundamental.
Queixa principal: Dificuldade intensa de concentração nas aulas, agitação motora excessiva, interrompe constantemente os colegas e apresenta baixo rendimento escolar apesar de ter boa capacidade intelectual.
Avaliação clínica: Aplicou-se a Escala SNAP-IV com pais e professores; entrevista clínica estruturada com psiquiatra infantil; exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana) para afastar causas orgânicas; avaliação neuropsicológica mostrou déficits em memória de trabalho e controle inibitório.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F90.0 — Transtorno da atividade e da atenção (TDAH tipo combinado), com predomínio de desatenção e hiperatividade.
Conduta terapêutica: Prescrito metilfenidato (Ritalina® LA) 20 mg uma vez ao dia, com ajuste após 2 semanas para 30 mg. Associado a terapia cognitivo-comportamental (TCC) semanal e orientação escolar com plano de adaptação curricular.
Evolução: Após 8 semanas, Lucas apresentou melhora significativa na atenção sustentada, redução da inquietação e notas subiram de 5,0 para 7,5 em média. A família relatou melhor convívio social e autoestima elevada.
Lição clínica: O TDAH exige abordagem multimodal: medicamentos controlam os sintomas centrais, mas a combinação com terapia e suporte escolar é essencial para resultados duradouros.
O que é o CID F90.0 na prática médica
O código CID F90.0 corresponde ao Transtorno da Atividade e da Atenção, mais conhecido como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Na prática clínica, ele é utilizado para registrar formalmente o diagnóstico de pacientes que apresentam um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade, que interfere no funcionamento diário em pelo menos dois contextos (escola, casa, trabalho). O médico registra esse código no prontuário e em atestados para justificar o tratamento, incluindo a prescrição de medicamentos psicoestimulantes, que são a base do manejo farmacológico.
Subcategorias e variantes do CID F90.0
O CID-10 subdivide o transtorno em quatro códigos principais:
- F90.0 – Transtorno da atividade e da atenção (combina desatenção e hiperatividade/impulsividade);
- F90.1 – Transtorno hipercinético com transtorno de conduta (quando há também comportamento antissocial significativo);
- F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos (quadros atípicos);
- F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado (usado quando não é possível especificar o subtipo).
Embora o termo “TDAH” seja mais comum, a CID-10 utiliza a nomenclatura “hipercinético”. A versão CID-11 (já em implantação no Brasil) adota o nome “Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade” com especificadores de apresentação.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do TDAH (CID F90.0) dividem-se em três núcleos: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Na prática:
- Desatenção: dificuldade em manter o foco em tarefas, erros por descuido, não escuta quando chamado, perde objetos, esquece compromissos.
- Hiperatividade: agitação motora, incapacidade de permanecer sentado, corre ou sobe em móveis em situações inadequadas, fala excessivamente.
- Impulsividade: age sem pensar, interrompe conversas, dificuldade em esperar sua vez, toma decisões arriscadas.
Em crianças, os sintomas são mais evidentes no ambiente escolar. Em adultos, pode se manifestar como desorganização crônica, procrastinação, mudanças frequentes de emprego e relacionamentos instáveis.
Causas e fatores de risco
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com forte componente genético. Estudos mostram herdabilidade de cerca de 75%. Fatores de risco incluem:
- História familiar de TDAH ou outros transtornos psiquiátricos;
- Exposição pré-natal a tabaco, álcool ou drogas;
- Prematuridade e baixo peso ao nascer;
- Lesões cerebrais traumáticas na infância;
- Disfunções nos circuitos dopaminérgicos e noradrenérgicos do córtex pré-frontal.
Não existe uma causa única; trata-se de uma interação entre vulnerabilidade biológica e fatores ambientais.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID F90.0 é clínico, baseado em critérios operacionais do DSM-5 ou CID-10. O médico realiza:
- Entrevista detalhada com o paciente e, quando possível, com familiares;
- Aplicação de escalas padronizadas (SNAP-IV, ASRS-18, Conners);
- Observação comportamental;
- Coleta de informações escolares/profissionais;
- Exclusão de outras condições (tireoidopatia, transtorno de humor, transtorno de ansiedade, uso de substâncias).
Exames complementares (como EEG, neuroimagem) não são obrigatórios, mas podem ser úteis em casos atípicos ou para diagnóstico diferencial.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do TDAH (F90.0) é multimodal e inclui:
- Medicamentos: psicoestimulantes (metilfenidato – Ritalina, Concerta; lisdexanfetamina – Vyvanse) e não estimulantes (atomoxetina – Strattera; guanfacina – Intuniv). A escolha depende da idade, comorbidades e resposta individual.
- Psicoterapia: terapia cognitivo-comportamental (TCC) focada em habilidades organizacionais, controle de impulsos e regulação emocional.
- Intervenções educacionais e ocupacionais: adaptações curriculares, coaching, treinamento de pais e professores.
- Mudanças no estilo de vida: sono regular, atividade física, alimentação equilibrada e redução de telas.
O plano terapêutico deve ser individualizado e reavaliado periodicamente.
Quantos dias de atestado médico
Para pacientes em fase inicial de tratamento medicamentoso do TDAH, o médico pode conceder atestado para acompanhamento: geralmente 1 a 3 dias para consultas de ajuste de dose ou manejo de efeitos colaterais. Em casos de descompensação aguda (crise de impulsividade grave, ideação suicida), o atestado pode chegar a 7 a 15 dias com necessidade de afastamento laboral ou escolar. Importante: o atestado deve especificar o motivo (consulta, reavaliação) ou a condição clínica sem expor o diagnóstico de forma discriminatória.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Busque atendimento de urgência se o paciente com TDAH apresentar:
- Pensamentos ou comportamentos suicidas;
- Surto psicótico (alucinações, delírios);
- Efeitos adversos graves de medicamentos (dor torácica, palpitações, hipertensão severa, convulsões);
- Agitação psicomotora extrema com risco de autoagressão ou heteroagressão;
- Sinais de síndrome serotoninérgica (se em uso de associações).
Não hesite em ir ao pronto-socorro ou ligar para o SAMU (192).
Prevenção e cuidados contínuos
Não é possível prevenir o TDAH geneticamente, mas cuidados contínuos reduzem o impacto:
- Manter acompanhamento médico regular (a cada 1-3 meses no início, depois a cada 6 meses);
- Usar a medicação exatamente como prescrito – não dobrar doses nem parar abruptamente;
- Criar rotinas estruturadas, uso de agendas e lembretes;
- Praticar atividade física aeróbica (corrida, natação) que melhora a neurotransmissão;
- Limitar o uso de telas (máximo 2 horas diárias para crianças);
- Participar de grupos de apoio (ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção).
- 01. Nunca interrompa o tratamento medicamentoso sem orientação médica – a retirada abrupta pode causar piora dos sintomas e síndrome de abstinência.
- 02. Associe a medicação a técnicas de organização: use listas, alarmes e divida tarefas grandes em pequenas etapas.
- 03. Informe sempre seu médico sobre outros medicamentos que usa – interações com antidepressivos, anticonvulsivantes e cafeína podem ser perigosas.
- 04. Cuidado com a automedicação com estimulantes “naturais” ou suplementos – não há evidência robusta de eficácia e podem causar efeitos adversos.
- 05. Mantenha uma comunicação aberta com a escola ou trabalho: o estigma é um dos maiores obstáculos para o sucesso do tratamento.
- 06. Monitore a pressão arterial e frequência cardíaca durante o uso de estimulantes – especialmente nos primeiros meses.
- 07. Não use bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas – elas pioram o controle dos impulsos e interagem com os medicamentos.
Perguntas Frequentes sobre o CID F90.0 e Medicamentos para TDAH
O CID F90.0 garante quantos dias de atestado?
O atestado é concedido pelo médico de acordo com a necessidade clínica. Para consultas de rotina, 1 dia. Para ajuste de medicação ou efeitos colaterais, 1 a 3 dias. Em crises agudas, até 15 dias. Não há um número fixo predeterminado pelo CID.
O TDAH tem cura?
Não. O TDAH é um transtorno crônico do neurodesenvolvimento. O tratamento controla os sintomas e melhora a qualidade de vida, mas não há cura. Muitos adultos continuam necessitando de acompanhamento e medicação.
Quais medicamentos são mais usados para TDAH?
Os mais prescritos são os psicoestimulantes: metilfenidato (Ritalina, Concerta) e lisdexanfetamina (Vyvanse). Também são usados não estimulantes como atomoxetina (Strattera) e guanfacina (Intuniv).
Medicamento para TDAH causa dependência?
Estimulantes têm potencial de abuso, especialmente em pessoas sem TDAH. Em pacientes com TDAH, o uso terapêutico controlado apresenta baixo risco de dependência quando supervisionado. A atomoxetina não é controlada e não causa dependência.
Crianças com TDAH podem tomar medicação por muitos anos?
Sim, o tratamento pode ser continuado por anos, com reavaliações periódicas. A decisão de manter ou suspender a medicação deve ser individualizada, considerando a resposta clínica e os efeitos colaterais.
O CID F90.0 é usado para adultos?
Sim. Embora o TDAH seja mais diagnosticado na infância, adultos também recebem o código F90.0. A apresentação em adultos pode ser menos hiperativa e mais desatenta.
Gestantes com TDAH podem usar medicação?
O uso de estimulantes na gestação deve ser avaliado caso a caso, pois não há estudos conclusivos sobre segurança. Geralmente, recomenda-se suspender a medicação durante a gestação, se possível, e avaliar riscos versus benefícios.
O que fazer se o medicamento para TDAH causar insônia?
Insônia é um efeito colateral comum. O médico pode ajustar o horário da medicação (tomar pela manhã), reduzir a dose ou trocar por uma formulação de liberação prolongada. Em alguns casos, associa-se melatonina ou outro hipnótico.
Existe dieta específica para TDAH?
Não há dieta comprovada para curar o TDAH. Alimentação balanceada, rica em ômega-3, ferro e zinco, e pobre em açúcares refinados e corantes artificiais pode ajudar na regulação do humor e atenção, mas não substitui o tratamento.
O CID F90.0 pode ser usado para justificar licença no trabalho?
Sim, desde que haja acompanhamento médico e comprovação de comprometimento funcional. O atestado deve ser emitido com o código CID e a justificativa clínica.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links úteis para aprofundamento
Glossário de CIDs – Clinica Popular Fortaleza
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