Em 2026, estima-se que 4 em cada 10 adultos brasileiros apresentem níveis elevados de colesterol LDL, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. A hipercolesterolemia é um dos principais fatores de risco para infarto e AVC, mas pode ser controlada com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID MEDIDAS-COLESTEROL e quer saber o que significa? Este artigo foi elaborado por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa o significado desse código, os sintomas, causas, tratamentos e orientações essenciais. Entender seu diagnóstico é o primeiro passo para cuidar da sua saúde cardiovascular. Continue lendo e esclareça todas as suas dúvidas.
- Código: E78.0
- Descrição: Hipercolesterolemia pura
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E78.0 (hipercolesterolemia pura), E78.1 (hipergliceridemia pura), E78.2 (hiperlipidemia mista), E78.3 (outras hiperlipidemias), E78.4 (outras dislipidemias), E78.8 (outros transtornos do metabolismo de lipoproteínas), E78.9 (transtorno não especificado do metabolismo de lipoproteínas)
Paciente: João Almeida, 52 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Assintomático. Exame de rotina solicitado pelo médico do trabalho mostrou colesterol total elevado (290 mg/dL).
Avaliação clínica: Pressão arterial normal (120/80 mmHg), IMC 28 kg/m² (sobrepeso), ausculta cardíaca sem alterações. Exames complementares: LDL 190 mg/dL, HDL 35 mg/dL, triglicérides 180 mg/dL, glicemia de jejum 98 mg/dL.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E78.0 (hipercolesterolemia pura) — significa que o paciente apresenta colesterol LDL elevado isoladamente, sem outras alterações lipídicas significativas.
Conduta terapêutica: Prescrita atorvastatina 20 mg/dia, orientação dietética (dieta mediterrânea com redução de gorduras saturadas) e recomendação de atividade física aeróbica 30 minutos/dia, 5 vezes por semana. Agendado retorno em 3 meses.
Evolução: Após 12 semanas, LDL reduziu para 115 mg/dL, HDL subiu para 42 mg/dL, triglicérides 145 mg/dL. Paciente relata adesão à dieta e caminhadas diárias. Mantido tratamento com estatina e seguimento semestral.
Lição clínica: A hipercolesterolemia pura é silenciosa, mas tratável. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado reduzem significativamente o risco cardiovascular a longo prazo.
O que é o CID E78.0 na prática médica
O CID E78.0 corresponde à hipercolesterolemia pura, uma condição metabólica caracterizada pelo aumento isolado do colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) no sangue, sem elevação significativa dos triglicérides. Na prática médica, esse código é utilizado para classificar pacientes com colesterol total e LDL acima dos valores de referência, geralmente acima de 190 mg/dL para LDL em indivíduos sem risco cardiovascular elevado, ou acima de 160 mg/dL em pacientes com fatores de risco associados.
A hipercolesterolemia é um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares ateroscleróticas, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica. O acúmulo de LDL oxidado nas paredes arteriais forma placas de ateroma, que podem obstruir o fluxo sanguíneo e desencadear eventos trombóticos. Por isso, o CID E78.0 é frequentemente registrado em prontuários de pacientes em acompanhamento ambulatorial ou em programas de prevenção cardiovascular.
É importante destacar que o CID E78.0 não se aplica a dislipidemias mistas ou a hipertrigliceridemia isolada, que possuem códigos próprios (E78.2 e E78.1, respectivamente). O diagnóstico preciso depende de exames laboratoriais completos e da avaliação clínica global. Para mais informações, consulte o CID-10 detalhado no site oficial.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipercolesterolemia pura é classicamente uma condição assintomática, ou seja, não causa sintomas específicos até que esteja avançada. A maioria dos pacientes descobre o problema em exames de rotina ou quando já ocorreu um evento cardiovascular. No entanto, sinais indiretos podem aparecer em casos de longa duração: xantomas tendinosos (depósitos de colesterol nos tendões, especialmente no calcanhar e no cotovelo), xantelasmas (depósitos amarelados nas pálpebras) e arco corneal (anel esbranquiçado ao redor da íris).
Quando a aterosclerose já está instalada, podem surgir sintomas relacionados à obstrução arterial: dor torácica aos esforços (angina), falta de ar, dor nas pernas ao caminhar (claudicação intermitente) ou, em casos mais graves, infarto e AVC. Por isso, a hipercolesterolemia é chamada de “inimigo silencioso” — ela progride sem aviso e pode ser letal. O rastreamento regular com perfil lipídico é essencial, especialmente em pessoas com histórico familiar de colesterol alto ou doença cardiovascular precoce.
Vale ressaltar que nem todas as pessoas com colesterol alto desenvolvem sintomas. O controle deve ser baseado nos níveis laboratoriais e no risco cardiovascular calculado pelo médico. A ausência de sintomas não significa ausência de risco.
Causas e fatores de risco
A hipercolesterolemia pura pode ter causas genéticas (hipercolesterolemia familiar), adquiridas (estilo de vida) ou secundárias a outras condições. A forma familiar é causada por mutações no gene do receptor de LDL, resultando em níveis muito elevados desde a infância e maior risco de eventos precoce. Já a forma adquirida está relacionada a dieta rica em gorduras saturadas, gorduras trans e colesterol, sedentarismo, obesidade e tabagismo.
Fatores de risco importantes incluem: idade avançada (homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos), sexo masculino, diabetes mellitus, hipertensão arterial, histórico familiar de doença coronariana precoce, síndrome metabólica e uso de medicamentos como corticosteroides e diuréticos tiazídicos. Além disso, doenças como hipotireoidismo, síndrome nefrótica e colestase hepática podem elevar secundariamente o colesterol e devem ser investigadas.
O controle dos fatores de risco modificáveis é a base da prevenção. Uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e manutenção do peso corporal adequado são fundamentais. Para entender melhor sobre a relação entre colesterol e saúde cardiovascular, acesse MedlinePlus (em espanhol).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da hipercolesterolemia pura é baseado no perfil lipídico sérico, obtido por exame de sangue em jejum de 12 horas. Os parâmetros avaliados são: colesterol total, LDL (calculado pela fórmula de Friedewald ou medido diretamente), HDL e triglicérides. Para o CID E78.0, o LDL deve estar ≥ 160 mg/dL em pacientes com baixo risco cardiovascular ou ≥ 130 mg/dL em pacientes com risco intermediário/alto, após exclusão de causas secundárias.
O médico também realiza anamnese detalhada, exame físico (buscando xantomas e xantelasmas) e avaliação de risco cardiovascular global por meio de escore de Framingham ou calculadoras atuais. Exames complementares podem incluir ultrassonografia de carótidas, escore de cálcio coronário e teste ergométrico, conforme a necessidade. Crianças e adolescentes com história familiar forte devem ser rastreados a partir dos 2 anos de idade.
É fundamental repetir a dosagem após 2 a 4 semanas para confirmar o diagnóstico antes de iniciar tratamento. O diagnóstico precoce em jovens assintomáticos é crucial para prevenir eventos na vida adulta.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipercolesterolemia pura combina mudanças no estilo de vida e farmacoterapia. Em pacientes com LDL entre 160 e 189 mg/dL sem fatores de risco, a primeira abordagem é intensificar a dieta (redução de gorduras saturadas para menos de 7% das calorias totais, aumento de fibras e consumo de gorduras insaturadas) e a atividade física (150 minutos/semana de exercício aeróbico).
Quando o LDL permanece elevado apesar das medidas não farmacológicas, ou em pacientes com alto risco cardiovascular, as estatinas (atorvastatina, rosuvastatina, sinvastatina) são a base do tratamento. Elas reduzem a síntese hepática de colesterol e podem diminuir o LDL em 30% a 55%. Em casos de intolerância ou resposta insuficiente, associa-se ezetimiba ou, em casos refratários, inibidores de PCSK9.
O tratamento é contínuo e deve ser monitorado periodicamente com exames de função hepática e enzimas musculares, especialmente nas primeiras semanas. A meta terapêutica depende do risco cardiovascular: LDL < 100 mg/dL (risco moderado), < 70 mg/dL (alto risco) e < 50 mg/dL (risco muito alto). O acompanhamento multidisciplinar com nutricionista e educador físico potencializa os resultados.
Quantos dias de atestado médico
Para o CID E78.0 (hipercolesterolemia pura), a necessidade de afastamento do trabalho é limitada. A condição em si, isoladamente, não incapacita o paciente para as atividades laborais. Contudo, o médico pode conceder atestado para consultas médicas de rotina ou exames complementares, geralmente de 1 dia. Em situações especiais, como ajuste inicial de medicação com efeitos colaterais intensos (ex.: mialgia grave), ou quando há necessidade de reavaliação em curto prazo, o atestado pode ser estendido por 2 a 3 dias.
Se a hipercolesterolemia estiver associada a evento cardiovascular agudo (infarto, AVC), o atestado será determinado pela gravidade do evento, podendo variar de 15 a 90 dias. O CID principal nesses casos será o do evento agudo (I21, I64, etc.), e o E78.0 será secundário. Em geral, para acompanhamento ambulatorial de rotina, não há indicação de afastamento prolongado.
É importante que o paciente discuta com seu médico a necessidade de atestado sempre que houver comprometimento temporário da capacidade laboral, especialmente durante a fase de adaptação ao tratamento.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipercolesterolemia e de suas complicações é baseada em hábitos saudáveis ao longo da vida. Recomenda-se realizar o perfil lipídico a cada 5 anos em adultos sem fatores de risco, e anualmente em pacientes com diabetes, hipertensão, obesidade ou histórico familiar de dislipidemia. Crianças com história familiar positiva devem ser rastreadas a partir dos 2 anos.
Medidas gerais de prevenção incluem: dieta rica em vegetais, frutas, grãos integrais e peixes; evitar gorduras trans e alimentos ultraprocessados; controle do peso corporal; prática regular de exercícios (150 min/semana de atividade moderada); cessação do tabagismo e moderação no consumo de álcool. O controle da pressão arterial e da glicemia também é essencial, pois esses fatores interagem com o colesterol no risco cardiovascular.
Para pacientes que já iniciaram tratamento medicamentoso, a adesão regular às consultas e exames é fundamental. Nunca interrompa a medicação sem orientação médica. Lembre-se: a hipercolesterolemia é uma condição crônica, mas plenamente controlável com acompanhamento adequado.
- 01. Faça exames de colesterol ao menos uma vez por ano após os 40 anos, ou mais cedo se houver histórico familiar.
- 02. Prefira azeite de oliva, abacate e oleaginosas como fontes de gordura; evite frituras e alimentos industrializados.
- 03. Caminhe 30 minutos por dia, cinco vezes por semana – é uma das medidas mais eficazes para aumentar o HDL.
- 04. Não pare a medicação por conta própria, mesmo que os exames melhorem – o colesterol tende a voltar aos níveis elevados.
- 05. Mantenha um diário alimentar e compartilhe com seu nutricionista; o monitoramento ajuda a identificar padrões que elevam o colesterol.
Perguntas Frequentes sobre o CID MEDIDAS
O CID MEDIDAS garante quantos dias de atestado?
Para o código E78.0 (hipercolesterolemia pura), não há uma determinação fixa de dias de atestado. Em geral, a condição não requer afastamento do trabalho. Quando necessário, o médico pode conceder atestado para consulta (1 dia) ou, em casos de efeitos adversos iniciais, até 3 dias. Eventos cardiovasculares agudos associados terão atestado próprio, baseado na gravidade.
Hipercolesterolemia tem cura?
A hipercolesterolemia pura, especialmente a forma familiar, é uma condição crônica que exige tratamento contínuo. No entanto, com terapia adequada (estilo de vida + medicamentos), os níveis de LDL podem ser normalizados, reduzindo drasticamente o risco cardiovascular. Não se fala em “cura”, mas em controle efetivo.
Quais os valores normais de colesterol?
Os valores de referência variam conforme o risco cardiovascular. Em adultos saudáveis, considera-se: colesterol total < 190 mg/dL; LDL < 130 mg/dL (ideal < 100 para prevenção); HDL > 40 mg/dL em homens e > 50 mg/dL em mulheres; triglicérides < 150 mg/dL. Esses números devem ser interpretados pelo médico.
Preciso tomar remédio para sempre?
Na maioria dos casos, sim. A hipercolesterolemia é uma condição crônica e o tratamento com estatinas é prolongado, muitas vezes por toda a vida. Interromper a medicação faz com que o LDL retorne aos níveis anteriores em algumas semanas. O médico pode ajustar doses conforme a resposta, mas a suspensão só é considerada em situações especiais.
Dieta pode controlar o colesterol sem remédio?
Em pacientes com LDL moderadamente elevado (160-189 mg/dL) e baixo risco cardiovascular, mudanças intensivas na dieta e exercícios podem ser suficientes para reduzir o LDL em 10-20%. Porém, em níveis mais altos ou em pacientes de alto risco, geralmente é necessário associar medicamento. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Colesterol alto causa sintomas?
Geralmente não. A hipercolesterolemia é assintomática por anos, até que ocorra um evento cardiovascular ou apareçam depósitos visíveis (xantomas). Por isso, a realização periódica de exames é essencial para o diagnóstico precoce.
O que é colesterol LDL e HDL?
LDL (lipoproteína de baixa densidade) é o “colesterol ruim”, que se acumula nas artérias. HDL (lipoproteína de alta densidade) é o “colesterol bom”, que remove o excesso de colesterol da circulação. O objetivo do tratamento é reduzir o LDL e aumentar o HDL. O equilíbrio entre eles é mais importante que o colesterol total isoladamente.
Posso fazer exame de colesterol sem jejum?
Atualmente, alguns laboratórios permitem a dosagem do perlipídico sem jejum para colesterol total e HDL, mas o cálculo do LDL é mais preciso em jejum de 12 horas, pois os triglicérides são influenciados pela alimentação. O ideal é seguir a orientação do laboratório e do médico.
O que é hipercolesterolemia familiar?
É uma doença genética autossômica dominante que causa níveis extremamente altos de LDL desde o nascimento. Afeta cerca de 1 em cada 250 pessoas. O diagnóstico precoce é vital, pois o risco cardiovascular é muito elevado. O tratamento inclui estatinas em altas doses e, frequentemente, associação com ezetimiba ou inibidores de PCSK9.
Quanto tempo leva para o colesterol baixar com tratamento?
Com o uso de estatinas, a redução significativa do LDL é observada em 2 a 4 semanas, atingindo o efeito máximo por volta de 6 a 8 semanas. A dieta e o exercício podem mostrar resultados em 4 a 12 semanas. O acompanhamento laboratorial deve ser feito após 3 meses do início ou ajuste da terapia.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links úteis: CID10.com.br – E78 | MedlinePlus – Colesterol | CID R11 – Náuseas e Vômitos | CID Z000 – Exame Médico Geral | CID 010 – Tuberculose Pulmonar | CID 083 – Significado e Cuidados | CID 200 – O que significa | CID F41 – Ansiedade | CID M54 – Dorsalgia | CID J06 – Infecção Respiratória | CID J30 – Rinite Alérgica | CID K21 – Refluxo | CID N39 – Infecção Urinária | CID G43 – Enxaqueca | CID J45 – Asma | Omeprazol para que serve | Dipirona para que serve | Ibuprofeno para que serve | Amoxicilina para que serve | Azitromicina para que serve | Nimesulida para que serve | Paracetamol para que serve


