Estima-se que, em 2026, as infecções do trato urinário (ITU) sejam responsáveis por mais de 10 milhões de consultas ambulatoriais no Brasil, sendo o CID N39 um dos códigos mais registrados em prontuários de atenção primária, especialmente entre mulheres jovens e idosos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID N39 e quer saber o que significa? Este código é utilizado pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para designar “Outros transtornos do trato urinário”, sendo a infecção urinária não especificada a condição mais frequente. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa os sintomas, causas, tratamento e tudo o que você precisa saber sobre o CID N39, com base nas evidências médicas mais recentes.
- Código: N39
- Descrição: Outros transtornos do trato urinário (inclui infecção do trato urinário de localização não especificada)
- Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário (N00–N99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: N39.0 (Infecção do trato urinário de localização não especificada), N39.1 (Nefropatia por refluxo), N39.2 (Outros transtornos específicos do trato urinário), N39.8 (Outros transtornos especificados do trato urinário), N39.9 (Transtorno do trato urinário não especificado)
Paciente: Maria Aparecida, 34 anos, auxiliar administrativa
Queixa principal: “Estou com dor ao urinar, vontade de ir ao banheiro toda hora e sinto um peso na barriga há três dias.”
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava dor à palpação suprapúbica. Exame de urina tipo I mostrou leucocitúria (+++), nitrito positivo e presença de bactérias. A cultura de urina confirmou crescimento de Escherichia coli (>100.000 UFC/mL).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID N39.0 (Infecção do trato urinário de localização não especificada) — o que significa uma infecção urinária baixa (cistite) sem complicações aparentes.
Conduta terapêutica: Prescrito antibiótico oral (fosfomicina trometamol 3g, dose única) e recomendações de aumento da ingesta hídrica, urinar após relações sexuais e evitar segurar a urina. Também foi emitido atestado médico de 2 dias para repouso e hidratação.
Evolução: Após 48 horas, a paciente relatou melhora completa dos sintomas. A cultura de controle após 7 dias mostrou esterilidade.
Lição clínica: Infecções urinárias não complicadas respondem bem a antibióticos de curta duração, mas é fundamental o diagnóstico correto para evitar o uso inadequado de medicamentos e prevenir recorrências.
O que é o CID N39 na prática médica
O código N39 é um cabeçalho da CID-10 que agrupa “outros transtornos do trato urinário”. Na prática clínica diária, ele é mais frequentemente utilizado para registrar infecções do trato urinário (ITU) não complicadas, quando não se especifica o sítio exato (rins, ureteres, bexiga ou uretra). Também pode ser usado para condições como nefropatia por refluxo, incontinência urinária não especificada e outras disfunções. O CID N39 é um dos códigos mais prevalentes em atendimentos de emergência e atenção primária, especialmente entre mulheres, devido à maior incidência de cistites bacterianas.
Subcategorias e variantes do CID N39
A CID-10 descreve cinco subcategorias principais dentro do código N39:
- N39.0 – Infecção do trato urinário de localização não especificada (o mais comum – representa cerca de 80% dos registros N39).
- N39.1 – Nefropatia por refluxo (cicatriz renal decorrente de refluxo vesicoureteral).
- N39.2 – Outros transtornos específicos do trato urinário (ex.: cistite intersticial, distensão vesical).
- N39.8 – Outros transtornos especificados do trato urinário (inclui hipotonia de bexiga, fibrose periureteral).
- N39.9 – Transtorno do trato urinário não especificado (usado quando não há dados suficientes para especificar a condição).
É essencial que o médico escolha a subcategoria mais precisa, pois isso impacta diretamente no tratamento e no prognóstico. O CID N39.0, por exemplo, indica uma infecção urinária comum, enquanto o N39.1 sugere comprometimento renal crônico que requer acompanhamento nefrológico.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas mais frequentes associados ao CID N39 (principalmente N39.0) incluem:
- Dor ou ardor ao urinar (disúria);
- Aumento da frequência urinária (polaciúria);
- Urgência urinária (vontade súbita e forte de urinar);
- Dor ou desconforto na região pélvica ou supra púbica;
- Urina turva, escura ou com odor forte;
- Presença de sangue na urina (hematúria) em alguns casos;
- Febre baixa (até 38°C) pode estar presente em infecções mais altas, como pielonefrite, mas no CID N39.0 geralmente não há febre.
Em idosos, os sintomas podem ser atípicos, como confusão mental, queda do estado geral ou incontinência urinária de início recente. Já em crianças, podem manifestar-se apenas como irritabilidade, recusa alimentar ou febre sem causa aparente.
Causas e fatores de risco
A principal causa do CID N39 é a infecção bacteriana, sendo a Escherichia coli responsável por 70-90% dos casos. Outros patógenos incluem Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Enterococcus faecalis e, em infecções hospitalares, Pseudomonas aeruginosa. Os fatores de risco mais significativos são:
- Sexo feminino (uretra mais curta, proximidade com ânus);
- Vida sexual ativa (aumento do risco de ITU pós-coito);
- Uso de espermicidas ou diafragma;
- Menopausa (queda de estrogênio altera a flora vaginal);
- Cateterismo vesical ou instrumentação urinária;
- Diabetes mellitus (imunossupressão e glicosúria);
- Anomalias anatômicas do trato urinário ou refluxo vesicoureteral;
- História prévia de ITU de repetição;
- Idade avançada ou imunossupressão.
Nas subcategorias como N39.1, a causa é estrutural (refluxo de urina da bexiga para os ureteres) e muitas vezes congênita, podendo levar a danos renais progressivos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID N39 é eminentemente clínico-laboratorial. O médico inicia com a anamnese detalhada e exame físico (incluindo palpação abdominal e punho-percussão lombar). Os exames complementares mais utilizados são:
- Exame de urina tipo I (EAS) – avalia presença de leucócitos, nitrito, sangue, proteínas e densidade. Leucocitúria (>10/campo) e nitrito positivo são sugestivos de ITU.
- Urocultura com antibiograma – padrão-ouro para confirmar infecção e orientar o antibiótico específico. Considera-se positiva quando há crescimento ≥10⁵ UFC/mL de um único germe.
- Teste rápido de fita urinária – útil na atenção primária para triagem, mas não substitui a cultura.
- Ultrassonografia de vias urinárias – indicada em casos de ITU recorrente, suspeita de cálculo, abscesso ou anomalia anatômica.
- Cistoscopia – reservada para situações de hematúria persistente, suspeita de tumor ou cistite intersticial.
Para o CID N39.1 (nefropatia por refluxo), exames de imagem como cintilografia renal com DMSA ou uretrocistografia miccional são essenciais.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID N39 depende da subcategoria e da gravidade. Para a ITU não complicada (N39.0), a abordagem inicial é ambulatorial e geralmente envolve:
- Antibioticoterapia empírica – as opções de primeira linha incluem fosfomicina trometamol (dose única), nitrofurantoína (100 mg, 2x/dia por 5 dias) ou sulfametoxazol+trimetoprima (800/160 mg, 2x/dia por 3 dias). A escolha deve considerar o perfil de resistência local.
- Analgésicos e antiespasmódicos – para alívio da dor e desconforto vesical (ex.: escopolamina, paracetamol).
- Hidratação copiosa – aumento da ingesta hídrica (2 a 3 litros por dia) ajuda a “lavar” as bactérias do trato urinário.
- Tratamento de condições associadas – controle glicêmico em diabéticos, ajuste de medicações imunossupressoras, correção de anomalias estruturais quando possível.
Para ITU recorrente (≥3 episódios/ano), pode-se considerar profilaxia antibiótica (nitrofurantoína 50 mg/dia ou fosfomicina a cada 10 dias) e orientações comportamentais. Nos casos de nefropatia por refluxo (N39.1), o tratamento inclui antibioticoterapia prolongada e, em pacientes selecionados, cirurgia antirrefluxo. Já o N39.9 (transtorno não especificado) exige investigação diagnóstica antes de instituir terapia específica.
Quantos dias de atestado médico (OBRIGATÓRIO)
O tempo de afastamento do trabalho recomendado para o CID N39.0 (ITU não complicada) é, em geral, de 1 a 3 dias, podendo ser estendido para 5 a 7 dias em casos de maior desconforto, febre ou necessidade de repouso. Para a nefropatia por refluxo (N39.1), o atestado pode variar de 5 a 14 dias, dependendo da gravidade e do tratamento instituído. O médico assistente é quem define o período com base na avaliação clínica individual. Atestados superiores a 15 dias devem ser homologados pelo sistema previdenciário (INSS).
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sintomas indicam que o quadro pode ser mais grave e exigem atendimento médico imediato:
- Febre alta (>38,5°C) com calafrios;
- Dor lombar intensa e unilateral (sugere pielonefrite);
- Náuseas e vômitos que impedem hidratação oral;
- Sangramento urinário franco (coágulos);
- Sinais de sepse: confusão mental, taquicardia, hipotensão, oligúria;
- Impossibilidade de urinar (retenção urinária aguda);
- Em crianças: irritabilidade extrema, choro intenso, recusa alimentar e febre.
Nessas situações, a internação hospitalar pode ser necessária para antibioticoterapia endovenosa e suporte clínico.
Prevenção e cuidados contínuos
Para reduzir o risco de infecções do trato urinário e complicações associadas ao CID N39, recomenda-se:
- Ingerir líquidos em abundância (mínimo 2 litros por dia);
- Urinar sempre que sentir vontade, evitando segurar a urina por longos períodos;
- Higiene íntima adequada (gentil, sem duchas ou sabonetes agressivos);
- Urinar após relações sexuais;
- Evitar uso de espermicidas ou diafragma, se houver recorrência;
- Na pós-menopausa, considerar estrogênio tópico sob orientação médica;
- Controlar doenças crônicas (diabetes, hipertensão) e evitar obesidade;
- Em casos de refluxo vesicoureteral, acompanhamento nefrológico regular e profilaxia antibiótica;
- Não automedicar antibióticos e seguir rigorosamente as prescrições médicas.
- 01. Não interrompa o antibiótico antes do prazo, mesmo que os sintomas melhorem. A bactéria pode não ser totalmente erradicada, gerando resistência e recidiva.
- 02. Faça a urocultura sempre que possível, especialmente em casos recorrentes. O antibiograma orienta o antibiótico mais eficaz para o seu patógeno.
- 03. Hidrate-se bem durante o tratamento e evite bebidas alcoólicas, que irritam a bexiga. A água é a melhor aliada para “lavar” as vias urinárias.
- 04. Em caso de ITU após relação sexual, urine imediatamente depois e considere profilaxia com dose única de antibiótico sob orientação médica. Isso reduz drasticamente as recorrências.
- 05. Se você tem diabetes, mantenha a glicemia controlada. A glicosúria é um excelente meio de cultura para bactérias no trato urinário.
- 06. Na menopausa, converse com seu ginecologista sobre o uso de creme vaginal de estrogênio. Ele ajuda a restaurar a flora protetora e reduz a incidência de ITU.
Perguntas Frequentes sobre o CID N39
O CID N39 garante quantos dias de atestado?
Sim, o CID N39, especialmente na subcategoria N39.0 (infecção urinária não complicada), geralmente permite atestado de 1 a 3 dias. Em casos mais sintomáticos ou com complicações, pode chegar a 7 dias. A decisão é sempre médica.
CID N39 é sinônimo de infecção urinária?
Nem sempre. O CID N39 é um código abrangente que inclui várias condições do trato urinário, mas a infecção urinária (N39.0) é a causa mais comum. Outras subcategorias, como nefropatia por refluxo, não são infecciosas.
Preciso fazer exames para confirmar o CID N39?
Sim, o diagnóstico de certeza é feito com exame de urina e urocultura. O médico pode solicitar também ultrassom ou outros exames de imagem conforme a suspeita clínica.
O CID N39 tem cura?
A maioria dos casos de ITU (N39.0) tem cura com tratamento antibiótico adequado. Já condições crônicas como nefropatia por refluxo (N39.1) requerem acompanhamento prolongado para controle, mas não têm “cura” definitiva, pois as cicatrizes renais são irreversíveis.
Posso pegar CID N39 de novo depois de tratar?
Sim, é possível. A reinfecção é comum, principalmente em mulheres com fatores de risco. Por isso, medidas preventivas são importantes para evitar recorrências.
CID N39 é contagioso?
As infecções urinárias não são consideradas contagiosas no contato social ou sexual direto, embora a bactéria possa ser transmitida por relações sexuais, não causando necessariamente ITU no parceiro.
O que significa CID N39.0 no meu atestado?
Significa que o médico diagnosticou uma infecção do trato urinário (cistite) sem especificar a localização exata, mas com base nos sintomas e exames compatíveis com infecção bacteriana.
Gestantes com CID N39 precisam de cuidados especiais?
Sim. ITU na gestação (incluindo bacteriúria assintomática) deve ser tratada para evitar complicações como pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. O antibiótico deve ser seguro para o feto (ex.: nitrofurantoína, cefalexina).
O CID N39 pode ser usado para incontinência urinária?
Sim, o código N39.9 (transtorno não especificado) ou N39.2 (outros transtornos específicos) pode ser usado para incontinência quando nenhuma outra causa é identificada. No entanto, o ideal é utilizar códigos mais específicos para incontinência (R32).
Como diferenciar CID N39 de pielonefrite?
A pielonefrite (infecção renal) geralmente apresenta febre alta, dor lombar intensa, calafrios e sintomas sistêmicos. O CID específico é N10 (nefrite túbulo-intersticial aguda). O N39.0 é para infecção baixa (cistite/uretrite). Exames de imagem e laboratoriais ajudam na diferenciação.
Crianças com CID N39 precisam de acompanhamento?
Sim, principalmente se houver refluxo vesicoureteral (N39.1). Toda criança com primeira ITU febril deve ser investigada com ultrassom e, se indicado, uretrocistografia. O acompanhamento com pediatra ou nefrologista é essencial.
O que fazer se o tratamento para CID N39 não funcionar?
Retorne ao médico. Pode ser necessário repetir urocultura, ajustar o antibiótico conforme antibiograma ou investigar complicações como abscesso, cálculo ou resistência bacteriana.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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