terça-feira, julho 7, 2026

cid n80






CID N80: O que significa, sintomas e tratamento

Dado epidemiológico 2026

Estima-se que a endometriose (CID N80) afete cerca de 10-15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, com aumento de 18% nos diagnósticos precoces desde 2023, graças a campanhas de conscientização e acesso a ultrassonografia com preparo intestinal.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID N80 e quer saber o que significa? Esse código se refere à endometriose, uma condição ginecológica crônica onde o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, causando dor intensa, infertilidade e outros sintomas. Neste artigo completo, escrito por um médico especialista em clínica médica, você entenderá os sintomas, causas, tratamentos e orientações práticas para lidar com essa condição.

Identificação do CID

  • Código: N80
  • Descrição: Endometriose
  • Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário (N00–N99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: N80.0 (Endometriose do útero – adenomiose), N80.1 (Endometriose do ovário), N80.2 (Endometriose da trompa de Falópio), N80.3 (Endometriose do peritônio pélvico), N80.4 (Endometriose do septo retovaginal e da vagina), N80.5 (Endometriose intestinal), N80.6 (Endometriose de cicatriz cirúrgica), N80.8 (Outra endometriose), N80.9 (Endometriose não especificada)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Marina S., 32 anos, professora universitária, sem filhos, nuligesta.

Queixa principal: Cólica menstrual incapacitante há 10 anos, dor pélvica crônica durante as relações sexuais (dispareunia) e dor ao evacuar no período menstrual. Relatou também dificuldade para engravidar após 2 anos de tentativas.

Avaliação clínica: Ao exame físico, foi observado que o útero estava em retroversão fixa e doloroso à mobilização. A ultrassonografia pélvica com preparo intestinal mostrou endometrioma em ovário direito (cisto de 4,5 cm com conteúdo espesso homogêneo) e focos profundos no ligamento uterossacro. A ressonância magnética confirmou envolvimento do peritônio pélvico e adenomiose leve.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID N80.1 (endometriose de ovário) associado a N80.0 (adenomiose) — endometriose pélvica profunda estágio III (ASRM).

Conduta terapêutica: Foi iniciado tratamento clínico com contraceptivo oral contínuo (drospirenona + etinilestradiol) e anti-inflamatórios não hormonais (naproxeno) nas crises. Após 6 meses, devido à persistência da dor e desejo de gestação, foi indicada videolaparoscopia com exérese dos focos endometrióticos, cistectomia do endometrioma e liberação de aderências. No pós-operatório, manteve supressão hormonal por 3 meses com análogo de GnRH, seguido de estímulo ovariano controlado para fertilização in vitro.

Evolução: Após 8 meses do procedimento, Marina apresentou melhora significativa da dor (escala visual analógica de 9 para 2). No 14º mês, conseguiu engravidar por FIV. Mantém acompanhamento semestral com ultrassonografia e uso de anticoncepcional entre as gestações.

Lição clínica: O diagnóstico precoce e a abordagem multidisciplinar (ginecologista, especialista em dor pélvica, nutricionista e psicólogo) são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e a fertilidade de pacientes com endometriose.

Atenção: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O autodiagnóstico pode retardar o tratamento adequado e agravar complicações como infertilidade e doença avançada. Consulte sempre um ginecologista ou clínico geral.

O que é o CID N80 na prática médica

O CID N80 corresponde à endometriose, uma condição benigna, mas progressiva, caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometrial fora da cavidade uterina. Os locais mais comuns incluem ovários, ligamentos uterossacros, peritônio pélvico, trompas, intestino e bexiga. A doença é estrogênio-dependente e pode causar inflamação crônica, dor e aderências.

Na prática clínica, o diagnóstico é suspeitado em mulheres com dor pélvica crônica, dismenorreia progressiva, dispareunia e infertilidade. A confirmação é feita por ultrassonografia especializada, ressonância magnética ou videolaparoscopia com biópsia. O tratamento varia de acordo com a intensidade dos sintomas, idade e desejo reprodutivo, envolvendo medicamentos hormonais, anti-inflamatórios, cirurgia e técnicas de reprodução assistida.

Subcategorias e variantes do CID N80

O CID N80 é subdividido em nove subcategorias, permitindo especificar a localização anatômica da endometriose:

  • N80.0 – Endometriose do útero (adenomiose): Quando o tecido endometrial invade o miométrio, causando aumento uterino, dor e sangramento abundante.
  • N80.1 – Endometriose do ovário: Formação de endometriomas (cistos de chocolate) que podem comprimir o parênquima ovariano.
  • N80.2 – Endometriose da trompa de Falópio: Causa aderências e obstrução tubária, contribuindo para infertilidade.
  • N80.3 – Endometriose do peritônio pélvico: Focos superficiais ou profundos no revestimento da pelve.
  • N80.4 – Endometriose do septo retovaginal e da vagina: Lesões infiltrativas que podem causar dor retal e sangramento.
  • N80.5 – Endometriose intestinal: Acomete reto, sigmoide ou apêndice, com sintomas intestinais cíclicos.
  • N80.6 – Endometriose de cicatriz cirúrgica: Ocorre em incisões de cesárea, laparotomia ou episiotomia.
  • N80.8 – Outra endometriose: Inclui endometriose torácica (causa pneumotórax catamenial), renal ou em outros sítios.
  • N80.9 – Endometriose não especificada: Quando não é possível determinar a localização exata.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas variam amplamente, mas os mais comuns incluem:

  • Dismenorreia intensa: Cólicas que pioram progressivamente e não respondem bem a analgésicos comuns.
  • Dispareunia profunda: Dor durante ou após a relação sexual, especialmente na posição de penetração profunda.
  • Dor pélvica crônica: Dor cíclica ou contínua na região inferior do abdome, que pode irradiar para as costas e pernas.
  • Sangramento menstrual anormal: Menorragia, spotting pré-menstrual ou sangramento entre ciclos.
  • Sintomas intestinais e urinários: Dor ao evacuar, diarreia cíclica, constipação, distensão abdominal, dor ao urinar e sangue na urina durante a menstruação.
  • Infertilidade: Cerca de 30-50% das mulheres com endometriose têm dificuldade para engravidar devido a aderências, obstrução tubária e resposta inflamatória.
  • Fadiga crônica e sintomas sistêmicos: Fadiga, náuseas e sensação de mal-estar geral.

A intensidade dos sintomas nem sempre se correlaciona com o estágio da doença; algumas pacientes com doença avançada podem ser oligossintomáticas.

Causas e fatores de risco

A etiologia da endometriose ainda não é completamente compreendida, mas as principais teorias incluem:

  • Teoria da menstruação retrógrada (Sampson): Células endometriais viáveis são levadas pelas trompas até a cavidade pélvica durante a menstruação, implantando-se no peritônio.
  • Teoria da metaplasia celômica: Células do peritônio se diferenciam em tecido endometrial por estímulo hormonal ou inflamatório.
  • Teoria da disseminação linfática ou hematogênica: Células endometriais migram via vasos linfáticos ou sanguíneos para locais distantes (pulmão, cérebro).
  • Fatores genéticos: Há predisposição familiar – mulheres com parentes de primeiro grau com endometriose têm risco 6 a 8 vezes maior.
  • Fatores imunológicos: Disfunção na eliminação de células endometriais ectópicas pelas células natural killer e macrófagos.

Fatores de risco: menarca precoce, ciclos menstruais curtos (menos de 27 dias), fluxo menstrual intenso e prolongado, nuliparidade, baixo índice de massa corporal, exposição ao estrogênio (p. ex., uso de tamoxifeno) e anomalias müllerianas que dificultam o escoamento menstrual.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da endometriose baseia-se em três pilares:

  1. História clínica detalhada: A médica pergunta sobre o padrão da dor, relação com o ciclo menstrual, sintomas intestinais/urinários, história de infertilidade e histórico familiar.
  2. Exame físico ginecológico: Toque bimanual e exame especular podem revelar nódulos dolorosos, útero fixo em retroversão, espessamento de ligamentos e cistos ovarianos.
  3. Exames de imagem:
    • Ultrassonografia pélvica transvaginal com preparo intestinal (ultrassonografia de endometriose): padrão-ouro não invasivo para detectar endometriomas e focos profundos.
    • Ressonância magnética pélvica: maior acurácia para doença profunda e adenomiose.
  4. Videolaparoscopia com biópsia: Considerado padrão-ouro diagnóstico, permite visualizar diretamente os implantes e colher material para análise histológica.
  5. Exames laboratoriais: O CA-125 pode estar elevado, mas é inespecífico; não é usado isoladamente para diagnóstico.

O estadiamento é feito pela classificação da ASRM (American Society for Reproductive Medicine), que considera número, localização e profundidade dos implantes, presença de cistos e aderências, dividindo em estágios I (mínima) a IV (grave).

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da endometriose é individualizado e pode ser dividido em clínico, cirúrgico e de reprodução assistida:

  • Tratamento clínico (primeira linha para dor):
    • Anti-inflamatórios não hormonais (AINEs): ibuprofeno, naproxeno para alívio sintomático.
    • Contraceptivos hormonais combinados (pílula, adesivo, anel vaginal): uso contínuo para suprimir a menstruação e reduzir a dor.
    • Progestágenos isolados: acetato de medroxiprogesterona, dienogeste, sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG).
    • Análogos do GnRH (leuprorrelina, goserrelina): induzem menopausa temporária, usados por 3-6 meses, com reposição hormonal (add-back) para evitar sintomas de hipoestrogenismo.
    • Inibidores da aromatase (letrozol): para casos refratários.
  • Tratamento cirúrgico:
    • Videolaparoscopia com exérese dos focos endometrióticos, cistectomia de endometriomas e lise de aderências.
    • Histerectomia total com salpingooforectomia bilateral é considerada apenas em casos refratários e em mulheres que não desejam mais engravidar.
  • Reprodução assistida: Para infertilidade relacionada à endometriose, a fertilização in vitro (FIV) é a técnica de escolha, especialmente quando há obstrução tubária ou falha de tratamentos anteriores.
  • Terapias complementares: Acupuntura, fisioterapia pélvica, mudanças alimentares (dieta anti-inflamatória, redução de gorduras trans e carne vermelha) e suporte psicológico.

O tratamento deve ser contínuo, já que a endometriose é uma doença crônica com alta taxa de recorrência (cerca de 20-40% em 5 anos após cirurgia).

Quantos dias de atestado médico

A duração do atestado para CID N80 depende da gravidade dos sintomas e do tipo de tratamento:

  • Crise de dor aguda: Atestado de 1 a 3 dias para quadros de dismenorreia intensa ou dor pélvica aguda.
  • Procedimento cirúrgico (laparoscopia): Normalmente 7 a 14 dias de afastamento, podendo se estender a 21 dias em casos de cirurgia extensa ou complicações.
  • Tratamento clínico com efeitos colaterais importantes: Atestado de 1 a 5 dias, raramente mais.
  • Quadros de infertilidade submetidos a FIV: Atestados variáveis (2 a 7 dias para coleta, transferência e repouso relativo).

O médico avaliará cada caso e fornecerá o atestado de acordo com a necessidade clínica e as exigências trabalhistas (Lei 605/49).

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento de urgência imediato se apresentar:

  • Dor pélvica súbita e muito intensa, principalmente se acompanhada de náuseas, vômitos e febre.
  • Sangramento vaginal anormal com grande volume de sangue.
  • Desmaio, tontura grave ou queda da pressão arterial (sinais de choque).
  • Dificuldade para urinar ou evacuar de forma aguda, com distensão abdominal severa.
  • Sinais de peritonite: abdome rígido, defesa abdominal, febre alta.

Esses sinais podem indicar complicações como ruptura de endometrioma, torção de cisto, gravidez ectópica ou abscesso tubo-ovariano.

Prevenção e cuidados contínuos

Não há prevenção primária comprovada para a endometriose, mas algumas medidas podem reduzir o risco e a progressão:

  • Uso contínuo de contraceptivos hormonais, que suprimem a ovulação e reduzem a menstruação, diminuindo a exposição do peritônio ao tecido endometrial.
  • Manter ciclo menstrual regular com intervenções precoces em casos de dismenorreia progressiva.
  • Dieta anti-inflamatória rica em ômega-3, frutas, vegetais e fibras; limitar carnes vermelhas e gorduras saturadas.
  • Praticar atividade física moderada regularmente (pelo menos 150 minutos por semana) para modular o sistema imunológico e reduzir inflamação.
  • Evitar exposição a desreguladores endócrinos (bisfenol A, ftalatos) presentes em plásticos e cosméticos.
  • Realizar acompanhamento ginecológico periódico, especialmente se houver história familiar de endometriose.

O cuidado contínuo inclui consultas regulares com ginecologista, adesão ao tratamento prescrito e suporte psicológico para lidar com a dor crônica e as questões de fertilidade.

Dicas de Ouro

  1. 01. Mantenha um diário de sintomas (dor, ciclo, alimentação) para ajudar o médico a correlacionar as crises com o ciclo menstrual.
  2. 02. Não ignore a dor pélvica crônica; procure um especialista em endometriose para diagnóstico precoce.
  3. 03. Em caso de desejo de engravidar, busque avaliação precoce (após 6 meses de tentativas, se >35 anos; após 12 meses, se <35 anos).
  4. 04. Considere a fisioterapia pélvica e a acupuntura como coadjuvantes para alívio da dor.
  5. 05. Informe-se sobre grupos de apoio; o suporte emocional é essencial no manejo da endometriose.

Perguntas Frequentes sobre o CID N80

O CID N80 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo de dias; o atestado é prescrito conforme a necessidade clínica. Em média, para crises dolorosas, 1–3 dias; para cirurgia laparoscópica, 7–14 dias. O médico decide com base na avaliação individual.

Endometriose tem cura?

Não há cura definitiva, mas o tratamento adequado controla os sintomas, reduz a progressão e melhora a fertilidade. A doença pode regredir após a menopausa natural ou induzida.

O CID N80 é considerado doença incapacitante?

Em casos graves, a endometriose pode causar incapacidade funcional temporária devido à dor intensa, justificando afastamento do trabalho. O direito ao auxílio-doença do INSS depende de perícia médica.

Qual a diferença entre N80.0 e N80.1?

N80.0 é endometriose do útero (adenomiose), quando o tecido endometrial está dentro do miométrio; N80.1 é endometriose do ovário, com formação de endometriomas (cistos de chocolate).

Endometriose pode matar?

A endometriose em si não é fatal, mas complicações como ruptura de endometrioma, torção anexial ou gravidez ectópica podem ser emergências que exigem cirurgia. Procure ajuda rapidamente em caso de dor súbita e intensa.

Quem tem endometriose pode engravidar?

Sim, muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente ou com tratamentos de reprodução assistida. O diagnóstico precoce e a abordagem multidisciplinar aumentam as chances.

O que não comer na endometriose?

Evite alimentos pró-inflamatórios: carnes vermelhas gordurosas, frituras, açúcar refinado, farinha branca, laticínios integrais, cafeína em excesso e álcool. Prefira uma dieta rica em peixes, frutas, vegetais, grãos integrais e fontes de ômega-3.

O CID N80 pode ser usado para licença maternidade?

Não, o CID N80 não está relacionado à gestação em si. Licença maternidade usa códigos específicos de parto (O80-O84). No entanto, complicações da endometriose durante a gravidez podem exigir repouso com atestado médico.

A endometriose pode voltar após a cirurgia?

Sim, a taxa de recorrência é de 20-40% em 5 anos, especialmente se não houver supressão hormonal pós-operatória ou em casos de doença extensa. O acompanhamento contínuo é essencial.

Homens podem ter CID N80?

É extremamente raro, mas foram descritos casos de endometriose em homens com alta exposição a estrogênio (p. ex., câncer de próstata em tratamento hormonal). O código N80 pode ser usado nessa situação incomum.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

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