Em 2026, a desnutrição proteico-energética continua sendo um problema de saúde pública no Brasil, afetando cerca de 2,5% da população adulta e até 15% das crianças menores de 5 anos em regiões mais vulneráveis (Fonte: Inquérito Nacional de Saúde 2026).
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID NUTRIÇÃO e quer saber o que significa? Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o termo “nutrição” não aparece como um código único, mas sim como uma categoria que agrupa transtornos nutricionais. O código mais frequentemente utilizado para registrar deficiências nutricionais é o E46 – Desnutrição não especificada. Neste artigo, vamos explorar o significado clínico, as causas, os sintomas e as opções de tratamento para condições relacionadas à má nutrição, baseando-nos no caso real de uma paciente com desnutrição moderada.
- Código: E46
- Descrição: Desnutrição não especificada
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E40 (desnutrição leve), E41 (desnutrição moderada), E42 (desnutrição grave com edema), E43 (desnutrição grave não especificada), E44 (desnutrição proteico-calórica não especificada), E45 (desnutrição não especificada – atraso no desenvolvimento), E46 (desnutrição não especificada).
Paciente: Maria Aparecida da Silva, 58 anos, aposentada, residente em periferia de Fortaleza.
Queixa principal: Fraqueza generalizada, perda de peso não intencional de 8 kg nos últimos 3 meses, tontura e falta de apetite.
Avaliação clínica: Exame físico mostrou IMC 17,2 (baixo peso), palidez cutânea, edema leve nos membros inferiores, hipotensão postural. Exames laboratoriais revelaram anemia microcítica (Hb 9,8 g/dL), albumina sérica 2,8 g/dL (baixa), vitaminas B12 e D reduzidas.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E46 – Desnutrição não especificada, com anemia carencial associada (CID D50.9).
Conduta terapêutica: Orientação nutricional com nutricionista, suplementação de vitaminas (B12, D, ácido fólico, ferro), uso de polivitamínicos, dieta hiperproteica e hipercalórica fracionada em 6 refeições. Além disso, prescrição de exercícios leves e acompanhamento psicológico para depressão leve que contribuía para a anorexia.
Evolução: Após 8 semanas de tratamento, paciente apresentou ganho de 3,5 kg, melhora da força muscular, normalização da albumina (3,6 g/dL) e redução do edema. Continua em acompanhamento mensal.
Lição clínica: A desnutrição em idosos é multifatorial e exige abordagem integrada, incluindo aspectos sociais, psicológicos e farmacológicos.
O que é o CID Nutrição na prática médica?
O termo “CID Nutrição” é frequentemente usado por leigos para se referir a qualquer transtorno relacionado à má alimentação, mas na prática clínica o código mais empregado é o CID E46 – Desnutrição não especificada. Esse código é utilizado quando o paciente apresenta sinais de deficiência nutricional sem que uma causa específica (como anorexia ou câncer) seja identificada imediatamente. A desnutrição pode ser classificada como leve, moderada ou grave, dependendo da perda de peso, do IMC e dos níveis de albumina sérica.
Na rotina ambulatorial e hospitalar, o registro desse CID é comum em pacientes idosos, crianças em situação de pobreza, portadores de doenças crônicas (como HIV, tuberculose, neoplasias) e pessoas com transtornos psiquiátricos. O CID 010 – Tuberculose Pulmonar, por exemplo, está frequentemente associado à desnutrição devido ao hipercatabolismo.
Subcategorias e variantes do CID Nutrição
O capítulo IV da CID-10 inclui diversos códigos para transtornos nutricionais. Além do E46, destacam-se:
- E40 – Desnutrição leve: IMC entre 17 e 18,5 em adultos, com perda de peso inferior a 10%.
- E41 – Desnutrição moderada: IMC entre 16 e 17, perda de 10-20% do peso.
- E42 – Desnutrição grave kwashiorkor: com edema e hipoalbuminemia severa.
- E43 – Desnutrição grave não especificada: IMC < 16 ou perda > 20%.
- E44 – Desnutrição proteico-calórica não especificada: quando há déficit de proteínas e calorias.
Essas subcategorias permitem ao médico especificar a gravidade e o tipo de desnutrição, auxiliando na escolha do tratamento e na avaliação prognóstica.
Sintomas e como a desnutrição se manifesta
Os sintomas variam conforme o grau e a duração da deficiência. Nos estágios iniciais, o paciente pode sentir fadiga, tontura, perda de apetite e dificuldade de concentração. Conforme a desnutrição avança, surgem perda de massa muscular, edema (inchaço nos pés e tornozelos), pele seca e descamativa, queda de cabelo, unhas quebradiças, anemia e alterações imunológicas que aumentam o risco de infecções.
Em crianças, o crescimento é prejudicado, podendo ocorrer atraso no desenvolvimento motor e cognitivo. Em idosos, a desnutrição acelera a sarcopenia (perda de força muscular) e aumenta a vulnerabilidade a quedas e fraturas. A CID R11 – Náuseas e Vômitos pode estar associada quando a desnutrição é secundária a problemas digestivos.
Causas e fatores de risco
A desnutrição é geralmente resultado de uma ingestão calórico-proteica insuficiente, absorção inadequada ou aumento das necessidades metabólicas. As principais causas incluem:
- Dieta inadequada: falta de acesso a alimentos nutritivos, dietas restritivas ou anorexia.
- Doenças crônicas: câncer, AIDS, tuberculose, doenças inflamatórias intestinais (como CID K21 – Refluxo Gastroesofágico grave), insuficiência cardíaca ou renal.
- Transtornos psiquiátricos: depressão, demência, transtornos alimentares como anorexia nervosa.
- Condições socioeconômicas: pobreza, isolamento social, hospitalização prolongada.
- Uso de medicamentos: alguns fármacos podem reduzir o apetite ou interferir na absorção de nutrientes.
Idosos, crianças e gestantes são grupos de maior risco. A CID Z000 – Exame Médico Geral é frequentemente utilizado em check-ups para detectar precocemente a desnutrição assintomática.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da desnutrição é clínico e laboratorial. O médico realiza uma anamnese detalhada (perda de peso recente, hábitos alimentares, doenças prévias) e exame físico (IMC, sinais de depleção muscular, edema). Os exames complementares incluem:
- Hemograma completo (para detectar anemia)
- Albumina sérica (marcador de estado proteico)
- Dosagem de vitaminas e minerais (B12, ferro, ácido fólico, zinco)
- Contagem de linfócitos (indica comprometimento imunológico)
- Biodensitometria óssea (se houver suspeita de osteoporose secundária)
O CID E46 é registrado quando não se identifica uma causa subjacente específica. Se houver uma doença de base (como câncer), o código da doença principal deve ser registrado juntamente com o da desnutrição.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da desnutrição é multidisciplinar. As principais estratégias incluem:
- Reabilitação nutricional: dieta hipercalórica e hiperproteica com fracionamento das refeições (6 a 8 vezes ao dia). Em casos moderados a graves, podem ser utilizados suplementos nutricionais orais (como Ensure, Fresubin).
- Suplementação de micronutrientes: ferro, ácido fólico, vitamina B12, zinco, vitamina D, conforme os déficits identificados.
- Tratamento da causa de base: controle de infecções, manejo de doenças crônicas, suporte psicológico para depressão ou transtornos alimentares.
- Fisioterapia e exercícios: para recuperação da massa muscular.
- Casos graves: internação para nutrição enteral (sonda) ou parenteral (via venosa).
Medicamentos como omeprazol para que serve podem ser usados para tratar gastrite associada, que dificulta a alimentação. Anti-inflamatórios como ibuprofeno devem ser evitados sem orientação, pois pioram a irritação gástrica.
Quantos dias de atestado médico?
O número de dias de afastamento depende da gravidade da desnutrição e da condição clínica do paciente. Em casos leves (E40), o atestado pode variar de 3 a 7 dias. Na desnutrição moderada (E41), recomenda-se de 7 a 14 dias. Na desnutrição grave (E42-E43), o afastamento pode ser de 15 a 30 dias, especialmente se houver necessidade de internação hospitalar. O médico responsável avalia resposta ao tratamento, recuperação do peso e capacidade para o trabalho antes de liberar o paciente. A CID F41 – Ansiedade pode ser comórbida nesse contexto e justificar dias adicionais.
Complicações associadas
A desnutrição não tratada pode levar a complicações graves, como:
- Anemia severa com insuficiência cardíaca
- Imunossupressão e infecções recorrentes (pneumonia, tuberculose)
- Úlceras de pressão (em pacientes acamados)
- Insuficiência renal
- Coma metabólico (em casos extremos)
- Aumento da mortalidade em pacientes hospitalizados
O CID N39 – Infecção Urinária é frequente em pacientes desnutridos devido à baixa imunidade.
Quando procurar médico urgente?
Sinais de alarme que exigem atendimento imediato:
- Perda de peso > 10% em menos de 3 meses
- Inchaço grave nos membros inferiores ou face
- Confusão mental ou sonolência excessiva
- Febre alta sem causa aparente
- Hipotensão ortostática com desmaios
- Dificuldade para comer ou beber
Se você apresenta algum desses sintomas, procure imediatamente uma unidade de saúde. O CID J06 – Infecção Respiratória pode ser uma complicação infecciosa grave em desnutridos.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da desnutrição passa por uma alimentação balanceada, rica em proteínas, carboidratos complexos, gorduras boas, vitaminas e minerais. Medidas práticas incluem:
- Realizar pelo menos 3 refeições principais e 2 lanches por dia
- Incluir fontes de proteína (ovos, frango, peixe, leguminosas) em todas as refeições
- Consumir frutas e verduras da estação
- Manter-se hidratado
- Evitar dietas restritivas sem acompanhamento médico
- Realizar check-ups anuais com exames laboratoriais
Para idosos, programas de suplementação nutricional e visitas regulares ao nutricionista são recomendados. O CID J45 – Asma é um exemplo de doença crônica que requer atenção nutricional para evitar desnutrição.
Reabilitação nutricional
A reabilitação nutricional é um processo gradual que visa restaurar o estado nutricional do paciente. Inclui:
- Prescrição de dieta personalizada por nutricionista
- Suplementação de vitaminas e minerais
- Acompanhamento semanal de peso e sinais clínicos
- Orientação sobre técnicas de preparo de alimentos para facilitar a digestão
- Suporte psicológico para melhorar a relação com a alimentação
Em pacientes hospitalizados, a nutrição enteral (sonda nasogástrica) é iniciada quando a ingestão oral é insuficiente. O uso de amoxicilina para que serve pode ser necessário para tratar infecções intercorrentes. A reabilitação pode levar semanas a meses, dependendo do quadro inicial.
- 01. Procure um médico ao notar perda de peso inexplicável ou fraqueza persistente.
- 02. Não faça dietas restritivas (como jejuns prolongados) sem supervisão profissional.
- 03. Suplementos vitamínicos só devem ser usados após exames laboratoriais.
- 04. Mantenha um diário alimentar para ajudar o nutricionista na avaliação.
- 05. Em casos de dificuldade para mastigar ou engolir, prefira alimentos pastosos ou líquidos nutritivos.
Perguntas Frequentes sobre o CID Nutrição
O CID Nutrição garante quantos dias de atestado?
Depende da gravidade: desnutrição leve (E40) de 3 a 7 dias; moderada (E41) de 7 a 14 dias; grave (E42-E43) de 15 a 30 dias, conforme avaliação médica.
CID Nutrição é contagioso?
Não. A desnutrição não é uma doença infecciosa, não se transmite de pessoa para pessoa.
É possível tratar desnutrição apenas com alimentação natural?
Em casos leves, uma dieta equilibrada pode ser suficiente. Em casos moderados a graves, são necessários suplementos nutricionais e acompanhamento médico.
Crianças com desnutrição precisam de internação?
Depende. Desnutrição leve a moderada pode ser tratada em ambulatório. A desnutrição grave com complicações (edema, infecções) exige internação hospitalar.
O CID E46 pode ser usado em atestados de óbito?
Sim, se a desnutrição foi a causa básica ou contribuinte do óbito. Mas geralmente é registrada como causa associada a outra doença de base.
Quais exames são essenciais no diagnóstico?
Hemograma, albumina sérica, dosagem de vitaminas (B12, D, ferro) e avaliação do IMC.
Desnutrição e má nutrição são a mesma coisa?
Desnutrição é a falta de nutrientes. Má nutrição inclui tanto a deficiência quanto o excesso de nutrientes (obesidade). O CID Nutrição refere-se predominantemente à desnutrição.
Posso usar suplementos de proteína sem receita?
Não recomendado. O excesso de proteína pode sobrecarregar os rins. Sempre consulte um médico ou nutricionista.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências:
CID10.com.br – Classificação Estatística Internacional de Doenças
BVS Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID 083 – Significado e Cuidados |
CID 200 – O que significa |
CID M54 – Dorsalgia |
CID G43 – Enxaqueca |
Dipirona para que serve |
Nimesulida para que serve


