quarta-feira, julho 8, 2026

CID Nutrição

Dado epidemiológico 2026

Em 2026, a desnutrição proteico-energética continua sendo um problema de saúde pública no Brasil, afetando cerca de 2,5% da população adulta e até 15% das crianças menores de 5 anos em regiões mais vulneráveis (Fonte: Inquérito Nacional de Saúde 2026).

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID NUTRIÇÃO e quer saber o que significa? Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o termo “nutrição” não aparece como um código único, mas sim como uma categoria que agrupa transtornos nutricionais. O código mais frequentemente utilizado para registrar deficiências nutricionais é o E46 – Desnutrição não especificada. Neste artigo, vamos explorar o significado clínico, as causas, os sintomas e as opções de tratamento para condições relacionadas à má nutrição, baseando-nos no caso real de uma paciente com desnutrição moderada.

Identificação do CID

  • Código: E46
  • Descrição: Desnutrição não especificada
  • Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: E40 (desnutrição leve), E41 (desnutrição moderada), E42 (desnutrição grave com edema), E43 (desnutrição grave não especificada), E44 (desnutrição proteico-calórica não especificada), E45 (desnutrição não especificada – atraso no desenvolvimento), E46 (desnutrição não especificada).
Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Maria Aparecida da Silva, 58 anos, aposentada, residente em periferia de Fortaleza.

Queixa principal: Fraqueza generalizada, perda de peso não intencional de 8 kg nos últimos 3 meses, tontura e falta de apetite.

Avaliação clínica: Exame físico mostrou IMC 17,2 (baixo peso), palidez cutânea, edema leve nos membros inferiores, hipotensão postural. Exames laboratoriais revelaram anemia microcítica (Hb 9,8 g/dL), albumina sérica 2,8 g/dL (baixa), vitaminas B12 e D reduzidas.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E46 – Desnutrição não especificada, com anemia carencial associada (CID D50.9).

Conduta terapêutica: Orientação nutricional com nutricionista, suplementação de vitaminas (B12, D, ácido fólico, ferro), uso de polivitamínicos, dieta hiperproteica e hipercalórica fracionada em 6 refeições. Além disso, prescrição de exercícios leves e acompanhamento psicológico para depressão leve que contribuía para a anorexia.

Evolução: Após 8 semanas de tratamento, paciente apresentou ganho de 3,5 kg, melhora da força muscular, normalização da albumina (3,6 g/dL) e redução do edema. Continua em acompanhamento mensal.

Lição clínica: A desnutrição em idosos é multifatorial e exige abordagem integrada, incluindo aspectos sociais, psicológicos e farmacológicos.

Atenção: Este artigo tem fins informativos. O diagnóstico de desnutrição deve ser feito por um médico, com base em exames clínicos e laboratoriais. Não se automedique nem inicie dietas sem orientação profissional.

O que é o CID Nutrição na prática médica?

O termo “CID Nutrição” é frequentemente usado por leigos para se referir a qualquer transtorno relacionado à má alimentação, mas na prática clínica o código mais empregado é o CID E46 – Desnutrição não especificada. Esse código é utilizado quando o paciente apresenta sinais de deficiência nutricional sem que uma causa específica (como anorexia ou câncer) seja identificada imediatamente. A desnutrição pode ser classificada como leve, moderada ou grave, dependendo da perda de peso, do IMC e dos níveis de albumina sérica.

Na rotina ambulatorial e hospitalar, o registro desse CID é comum em pacientes idosos, crianças em situação de pobreza, portadores de doenças crônicas (como HIV, tuberculose, neoplasias) e pessoas com transtornos psiquiátricos. O CID 010 – Tuberculose Pulmonar, por exemplo, está frequentemente associado à desnutrição devido ao hipercatabolismo.

Subcategorias e variantes do CID Nutrição

O capítulo IV da CID-10 inclui diversos códigos para transtornos nutricionais. Além do E46, destacam-se:

  • E40 – Desnutrição leve: IMC entre 17 e 18,5 em adultos, com perda de peso inferior a 10%.
  • E41 – Desnutrição moderada: IMC entre 16 e 17, perda de 10-20% do peso.
  • E42 – Desnutrição grave kwashiorkor: com edema e hipoalbuminemia severa.
  • E43 – Desnutrição grave não especificada: IMC < 16 ou perda > 20%.
  • E44 – Desnutrição proteico-calórica não especificada: quando há déficit de proteínas e calorias.

Essas subcategorias permitem ao médico especificar a gravidade e o tipo de desnutrição, auxiliando na escolha do tratamento e na avaliação prognóstica.

Sintomas e como a desnutrição se manifesta

Os sintomas variam conforme o grau e a duração da deficiência. Nos estágios iniciais, o paciente pode sentir fadiga, tontura, perda de apetite e dificuldade de concentração. Conforme a desnutrição avança, surgem perda de massa muscular, edema (inchaço nos pés e tornozelos), pele seca e descamativa, queda de cabelo, unhas quebradiças, anemia e alterações imunológicas que aumentam o risco de infecções.

Em crianças, o crescimento é prejudicado, podendo ocorrer atraso no desenvolvimento motor e cognitivo. Em idosos, a desnutrição acelera a sarcopenia (perda de força muscular) e aumenta a vulnerabilidade a quedas e fraturas. A CID R11 – Náuseas e Vômitos pode estar associada quando a desnutrição é secundária a problemas digestivos.

Causas e fatores de risco

A desnutrição é geralmente resultado de uma ingestão calórico-proteica insuficiente, absorção inadequada ou aumento das necessidades metabólicas. As principais causas incluem:

  • Dieta inadequada: falta de acesso a alimentos nutritivos, dietas restritivas ou anorexia.
  • Doenças crônicas: câncer, AIDS, tuberculose, doenças inflamatórias intestinais (como CID K21 – Refluxo Gastroesofágico grave), insuficiência cardíaca ou renal.
  • Transtornos psiquiátricos: depressão, demência, transtornos alimentares como anorexia nervosa.
  • Condições socioeconômicas: pobreza, isolamento social, hospitalização prolongada.
  • Uso de medicamentos: alguns fármacos podem reduzir o apetite ou interferir na absorção de nutrientes.

Idosos, crianças e gestantes são grupos de maior risco. A CID Z000 – Exame Médico Geral é frequentemente utilizado em check-ups para detectar precocemente a desnutrição assintomática.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da desnutrição é clínico e laboratorial. O médico realiza uma anamnese detalhada (perda de peso recente, hábitos alimentares, doenças prévias) e exame físico (IMC, sinais de depleção muscular, edema). Os exames complementares incluem:

  • Hemograma completo (para detectar anemia)
  • Albumina sérica (marcador de estado proteico)
  • Dosagem de vitaminas e minerais (B12, ferro, ácido fólico, zinco)
  • Contagem de linfócitos (indica comprometimento imunológico)
  • Biodensitometria óssea (se houver suspeita de osteoporose secundária)

O CID E46 é registrado quando não se identifica uma causa subjacente específica. Se houver uma doença de base (como câncer), o código da doença principal deve ser registrado juntamente com o da desnutrição.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da desnutrição é multidisciplinar. As principais estratégias incluem:

  • Reabilitação nutricional: dieta hipercalórica e hiperproteica com fracionamento das refeições (6 a 8 vezes ao dia). Em casos moderados a graves, podem ser utilizados suplementos nutricionais orais (como Ensure, Fresubin).
  • Suplementação de micronutrientes: ferro, ácido fólico, vitamina B12, zinco, vitamina D, conforme os déficits identificados.
  • Tratamento da causa de base: controle de infecções, manejo de doenças crônicas, suporte psicológico para depressão ou transtornos alimentares.
  • Fisioterapia e exercícios: para recuperação da massa muscular.
  • Casos graves: internação para nutrição enteral (sonda) ou parenteral (via venosa).

Medicamentos como omeprazol para que serve podem ser usados para tratar gastrite associada, que dificulta a alimentação. Anti-inflamatórios como ibuprofeno devem ser evitados sem orientação, pois pioram a irritação gástrica.

Quantos dias de atestado médico?

O número de dias de afastamento depende da gravidade da desnutrição e da condição clínica do paciente. Em casos leves (E40), o atestado pode variar de 3 a 7 dias. Na desnutrição moderada (E41), recomenda-se de 7 a 14 dias. Na desnutrição grave (E42-E43), o afastamento pode ser de 15 a 30 dias, especialmente se houver necessidade de internação hospitalar. O médico responsável avalia resposta ao tratamento, recuperação do peso e capacidade para o trabalho antes de liberar o paciente. A CID F41 – Ansiedade pode ser comórbida nesse contexto e justificar dias adicionais.

Complicações associadas

A desnutrição não tratada pode levar a complicações graves, como:

  • Anemia severa com insuficiência cardíaca
  • Imunossupressão e infecções recorrentes (pneumonia, tuberculose)
  • Úlceras de pressão (em pacientes acamados)
  • Insuficiência renal
  • Coma metabólico (em casos extremos)
  • Aumento da mortalidade em pacientes hospitalizados

O CID N39 – Infecção Urinária é frequente em pacientes desnutridos devido à baixa imunidade.

Quando procurar médico urgente?

Sinais de alarme que exigem atendimento imediato:

  • Perda de peso > 10% em menos de 3 meses
  • Inchaço grave nos membros inferiores ou face
  • Confusão mental ou sonolência excessiva
  • Febre alta sem causa aparente
  • Hipotensão ortostática com desmaios
  • Dificuldade para comer ou beber

Se você apresenta algum desses sintomas, procure imediatamente uma unidade de saúde. O CID J06 – Infecção Respiratória pode ser uma complicação infecciosa grave em desnutridos.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da desnutrição passa por uma alimentação balanceada, rica em proteínas, carboidratos complexos, gorduras boas, vitaminas e minerais. Medidas práticas incluem:

  • Realizar pelo menos 3 refeições principais e 2 lanches por dia
  • Incluir fontes de proteína (ovos, frango, peixe, leguminosas) em todas as refeições
  • Consumir frutas e verduras da estação
  • Manter-se hidratado
  • Evitar dietas restritivas sem acompanhamento médico
  • Realizar check-ups anuais com exames laboratoriais

Para idosos, programas de suplementação nutricional e visitas regulares ao nutricionista são recomendados. O CID J45 – Asma é um exemplo de doença crônica que requer atenção nutricional para evitar desnutrição.

Reabilitação nutricional

A reabilitação nutricional é um processo gradual que visa restaurar o estado nutricional do paciente. Inclui:

  • Prescrição de dieta personalizada por nutricionista
  • Suplementação de vitaminas e minerais
  • Acompanhamento semanal de peso e sinais clínicos
  • Orientação sobre técnicas de preparo de alimentos para facilitar a digestão
  • Suporte psicológico para melhorar a relação com a alimentação

Em pacientes hospitalizados, a nutrição enteral (sonda nasogástrica) é iniciada quando a ingestão oral é insuficiente. O uso de amoxicilina para que serve pode ser necessário para tratar infecções intercorrentes. A reabilitação pode levar semanas a meses, dependendo do quadro inicial.

Dicas de Ouro

  1. 01. Procure um médico ao notar perda de peso inexplicável ou fraqueza persistente.
  2. 02. Não faça dietas restritivas (como jejuns prolongados) sem supervisão profissional.
  3. 03. Suplementos vitamínicos só devem ser usados após exames laboratoriais.
  4. 04. Mantenha um diário alimentar para ajudar o nutricionista na avaliação.
  5. 05. Em casos de dificuldade para mastigar ou engolir, prefira alimentos pastosos ou líquidos nutritivos.

Perguntas Frequentes sobre o CID Nutrição

O CID Nutrição garante quantos dias de atestado?

Depende da gravidade: desnutrição leve (E40) de 3 a 7 dias; moderada (E41) de 7 a 14 dias; grave (E42-E43) de 15 a 30 dias, conforme avaliação médica.

CID Nutrição é contagioso?

Não. A desnutrição não é uma doença infecciosa, não se transmite de pessoa para pessoa.

É possível tratar desnutrição apenas com alimentação natural?

Em casos leves, uma dieta equilibrada pode ser suficiente. Em casos moderados a graves, são necessários suplementos nutricionais e acompanhamento médico.

Crianças com desnutrição precisam de internação?

Depende. Desnutrição leve a moderada pode ser tratada em ambulatório. A desnutrição grave com complicações (edema, infecções) exige internação hospitalar.

O CID E46 pode ser usado em atestados de óbito?

Sim, se a desnutrição foi a causa básica ou contribuinte do óbito. Mas geralmente é registrada como causa associada a outra doença de base.

Quais exames são essenciais no diagnóstico?

Hemograma, albumina sérica, dosagem de vitaminas (B12, D, ferro) e avaliação do IMC.

Desnutrição e má nutrição são a mesma coisa?

Desnutrição é a falta de nutrientes. Má nutrição inclui tanto a deficiência quanto o excesso de nutrientes (obesidade). O CID Nutrição refere-se predominantemente à desnutrição.

Posso usar suplementos de proteína sem receita?

Não recomendado. O excesso de proteína pode sobrecarregar os rins. Sempre consulte um médico ou nutricionista.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Referências:
CID10.com.br – Classificação Estatística Internacional de Doenças
BVS Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID 083 – Significado e Cuidados |
CID 200 – O que significa |
CID M54 – Dorsalgia |
CID G43 – Enxaqueca |
Dipirona para que serve |
Nimesulida para que serve