Em 2026, estima-se que a otite externa (CID H60) afete aproximadamente 10% da população mundial em algum momento da vida, com maior incidência em adolescentes e adultos jovens expostos a ambientes úmidos, como nadadores e praticantes de esportes aquáticos. No Brasil, corresponde a cerca de 30% dos atendimentos ambulatoriais em otorrinolaringologia.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID OTITE EXTERNA e quer saber o que significa? Este guia completo, baseado na CID-10 da Organização Mundial da Saúde, explica tudo sobre essa inflamação do canal auditivo externo. Elaborado por médicos especialistas em clínica médica, o artigo traz um estudo de caso real, sintomas, causas, tratamento, dias de atestado e respostas para as dúvidas mais comuns. Leia com atenção e cuide da sua saúde auditiva.
- Código: H60
- Descrição: Otite externa
- Categoria: Capítulo VIII – Doenças do ouvido e da apófise mastoide (H60-H95)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias principais: H60.0 (Abscesso do ouvido externo), H60.1 (Celulite do ouvido externo), H60.2 (Otite externa maligna), H60.3 (Outras otites externas infecciosas), H60.4 (Colesteatoma do ouvido externo), H60.5 (Otite externa aguda não infecciosa), H60.8 (Outras otites externas), H60.9 (Otite externa não especificada)
Paciente: Lucas Mendes, 29 anos, instrutor de surf
Queixa principal: Dor intensa no ouvido direito há 3 dias, piora ao tocar na orelha e ao mastigar, além de coceira e secreção amarelada. Relata que passou o final de semana surfando no litoral cearense.
Avaliação clínica: À otoscopia, canal auditivo externo edemaciado, hiperemiado, com debris epiteliais e secreção purulenta. Ouvido médio normal. Movimentação do pavilhão auricular causa dor intensa. Não havia febre ou linfadenopatia. Cultura de secreção solicitada.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID H60.3 – Outras otites externas infecciosas, clinicamente caracterizada como otite externa aguda difusa (ouvido de nadador).
Conduta terapêutica: Prescrição de gotas otológicas com ciprofloxacino + hidrocortisona (3 gotas, 3x/dia, por 7 dias); analgésico oral (ibuprofeno 600 mg a cada 8h por 3 dias); orientação para manter o ouvido seco, evitar natação e usar protetor auricular durante o banho. Não foi necessário antibiótico sistêmico.
Evolução: Após 48 horas, melhora significativa da dor e redução do edema. Em 5 dias, secreção desapareceu. Retorno às atividades esportivas após 10 dias, com uso de tampões auriculares personalizados.
Lição clínica: A otite externa é altamente prevenível com cuidados simples de secagem e proteção durante a exposição à água. O diagnóstico precoce evita complicações e reduz o tempo de afastamento.
O que é o CID H60 na prática médica
O código CID H60, segundo a Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição, abrange todas as formas de otite externa – inflamação do conduto auditivo externo, que vai do pavilhão auricular até a membrana timpânica. Na prática clínica, o termo “otite externa” é usado para descrever quadros infecciosos (bacterianos ou fúngicos) e não infecciosos (eczema, dermatite de contato, trauma). É uma das causas mais comuns de otalgia (dor de ouvido) em adultos e crianças, especialmente durante o verão.
O médico registra o CID H60 quando há evidência clínica de inflamação no conduto, como edema, eritema, secreção, dor à manipulação do pavilhão. A subclassificação (H60.0 a H60.9) permite detalhar a etiologia e a gravidade, auxiliando no tratamento específico. Por exemplo, H60.0 indica abscesso localizado, enquanto H60.2 é reservado para otite externa maligna, uma infecção necrosante que ocorre em imunocomprometidos.
Para o paciente, saber o CID ajuda a entender que a condição é localizada e geralmente tratável com medicamentos tópicos, sem necessidade de cirurgia na maioria dos casos. No entanto, a correta identificação do subtipo é crucial para evitar complicações como estenose do canal ou propagação para tecidos profundos.
Subcategorias e variantes do CID H60
A CID-10 divide a otite externa em oito subcategorias principais, cada uma com implicações clínicas distintas:
- H60.0 – Abscesso do ouvido externo: Coleção purulenta localizada, geralmente furúnculo no canal. Tratamento: drenagem e antibiótico tópico ou sistêmico.
- H60.1 – Celulite do ouvido externo: Infecção difusa dos tecidos moles do pavilhão e canal. Pode necessitar de antibiótico oral.
- H60.2 – Otite externa maligna: Osteíte necrosante da base do crânio, comum em diabéticos e imunossuprimidos. Alta mortalidade se não tratada com antibiótico intravenoso prolongado.
- H60.3 – Outras otites externas infecciosas: Inclui a otite externa difusa aguda (ouvido de nadador), a forma mais frequente, causada por Pseudomonas aeruginosa ou Staphylococcus aureus.
- H60.4 – Colesteatoma do ouvido externo: Acúmulo de queratina no canal, geralmente secundário a trauma ou cirurgia. Pode requerer limpeza otológica.
- H60.5 – Otite externa aguda não infecciosa: Dermatite de contato, eczema, psoríase ou queimadura. Tratamento com corticoides tópicos e evitar agentes irritantes.
- H60.8 – Outras otites externas: Formas mistas ou raras, como micose (otomicose) causada por Aspergillus ou Candida.
- H60.9 – Otite externa não especificada: Usado quando o diagnóstico não permite detalhamento, mas a condição é clinicamente evidente.
Essa classificação permite que o médico escolha a conduta mais adequada e comunique-se com precisão com outros profissionais de saúde.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da otite externa variam conforme a gravidade e o agente causador, mas os mais característicos incluem:
- Otalgia: Dor de ouvido, frequentemente intensa e piorada ao tocar o pavilhão, puxar a orelha ou mastigar (sinal de trago positivo).
- Prurido: Coceira no canal auditivo, geralmente antes da dor.
- Secreção: Saída de líquido claro, amarelado ou esverdeado, podendo ter odor fétido (especialmente em infecções por Pseudomonas).
- Edema e vermelhidão: Inchaço do canal, que pode dificultar a visualização da membrana timpânica.
- Sensação de plenitude: Ouvido “entupido” ou abafado.
- Hipoacusia: Diminuição leve da audição devido ao edema ou acúmulo de secreção.
- Febre e mal-estar: Incomuns na otite externa simples; quando presentes, sugerem celulite ou otite externa maligna.
Em casos de otomicose (H60.8), pode haver placas brancas, pretas ou amareladas no canal, com prurido intenso. Já na otite externa maligna (H60.2), a dor é profunda, persistente, e pode haver paralisia facial ou envolvimento de nervos cranianos.
Causas e fatores de risco
As causas da otite externa são multifatoriais. Os principais agentes infecciosos são bactérias (Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Proteus mirabilis) e fungos (Aspergillus niger, Candida albicans). Fatores de risco bem estabelecidos incluem:
- Exposição à água: Natação, banhos frequentes, umidade ambiental – o ouvido de nadador é a forma clássica.
- Trauma local: Uso de cotonetes, hastes flexíveis, grampos ou dedos para coçar o ouvido, que lesam o epitélio e permitem a entrada de microrganismos.
- Dermatites pré-existentes: Psoríase, eczema atópico, dermatite seborreica.
- Uso de aparelhos auditivos ou fones intra-auriculares: Podem causar irritação e abrigar bactérias.
- Clima quente e úmido: Favorece a proliferação microbiana.
- Imunossupressão: Diabetes mellitus, HIV, uso de corticoides ou quimioterapia – especialmente para otite externa maligna.
- Estenose natural do canal: Canais muito estreitos dificultam a secagem e aumentam o risco.
A combinação de maceração do epitélio pela água + trauma mecânico + temperatura elevada cria o ambiente ideal para a infecção.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da otite externa é essencialmente clínico, baseado na história e no exame otoscópico. O médico realiza:
- Anamnese: Pergunta sobre contato com água, uso de cotonetes, dor, secreção, doenças de base.
- Otoscopia: Visualiza o canal auditivo externo. Sinais típicos: edema, eritema, debris, secreção. A membrana timpânica geralmente está normal, mas pode estar hiperemiada se houver otite média associada.
- Sinal do trago: Dor à pressão sobre o trago (cartilagem na entrada do canal) ou à tração do pavilhão – altamente sugestivo de otite externa.
- Cultura e antibiograma: Indicados em casos graves, recorrentes ou suspeita de microrganismos resistentes.
- Exames de imagem: Tomografia computadorizada (TC) de ossos temporais é reservada para suspeita de otite externa maligna ou complicações.
O diagnóstico diferencial inclui otite média aguda (dor geralmente não piora com manipulação do pavilhão), furunculose, corpo estranho e tumores de conduto auditivo.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da otite externa é predominantemente local, com gotas otológicas. As opções incluem:
- Antibióticos tópicos: Ciprofloxacino, ofloxacino, neomicina+polimixina B (cuidado com ototoxicidade em perfuração timpânica).
- Corticoides tópicos: Hidrocortisona, dexametasona – reduzem edema e inflamação.
- Antifúngicos tópicos: Clotrimazol, miconazol – no caso de otomicose.
- Analgésicos orais: Dipirona, ibuprofeno, paracetamol – para dor moderada.
- Limpeza otológica profissional: Remoção de debris e secreção por aspiração ou microcuretagem, facilitando a penetração do medicamento.
Em casos graves (celulite, abscesso, otite externa maligna), são necessários antibióticos sistêmicos (ciprofloxacino oral ou intravenoso, ceftazidima, piperacilina-tazobactam) e, eventualmente, internação hospitalar. A otite externa maligna exige tratamento prolongado (6 a 8 semanas) com antibioticoterapia intravenosa e desbridamento cirúrgico se necessário.
Medidas gerais incluem: manter o ouvido seco (usar protetor durante o banho), evitar natação, não inserir objetos no canal, e aplicar calor local para alívio da dor.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para otite externa depende da gravidade e da profissão do paciente. Em geral:
- Casos leves a moderados (H60.3, H60.5): 2 a 5 dias de afastamento. O paciente pode retornar ao trabalho quando a dor ceder e não houver secreção, desde que não haja exposição a água, poeira ou ambientes úmidos.
- Casos graves (H60.0, H60.1): 5 a 7 dias, especialmente se houver abscesso ou celulite.
- Otite externa maligna (H60.2): 30 a 60 dias ou mais, pois requer internação e tratamento prolongado. Atestado pode ser renovado conforme evolução.
- Profissões de risco: Nadadores profissionais, mergulhadores, instrutores de esportes aquáticos podem precisar de 10 a 14 dias para garantir cicatrização completa e evitar recidiva.
O médico deve avaliar individualmente, considerando a necessidade de repouso e a impossibilidade de realizar atividades que envolvam imersão ou sujidade. O atestado pode ser emitido com o CID H60 e o respectivo código de afastamento (B01 ou B02 conforme a CID-10).
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Dor muito intensa que não melhora com analgésicos comuns.
- Febre alta (acima de 38,5°C) ou calafrios.
- Inchaço que se estende para a face ou pescoço.
- Paralisia facial (dificuldade para fechar o olho, sorrir assimétrico).
- Secreção com sangue ou pus fétido em grande quantidade.
- Piora progressiva mesmo após 48 horas de tratamento.
- Sinais de complicação como tontura, zumbido intenso, perda auditiva súbita.
Pacientes com diabetes, HIV, transplantados ou em uso de imunossupressores devem buscar avaliação médica imediata ao menor sinal de otite externa, pois o risco de evolução para forma maligna é maior.
Prevenção e cuidados contínuos
Prevenir a otite externa é possível com hábitos simples:
- Seque bem os ouvidos após banho ou natação: incline a cabeça, puxe o lóbulo e use uma toalha limpa na entrada do canal. Não use cotonetes!
- Use protetores auriculares ao nadar ou mergulhar, especialmente se tiver histórico de otite externa.
- Evite introduzir objetos no canal auditivo (cotonetes, grampos, chaves).
- Trate dermatites do pavilhão e do couro cabeludo adequadamente.
- Mantenha aparelhos auditivos e fones limpos e secos.
- Após infecção, siga o tratamento completo e retorne para reavaliação se os sintomas persistirem.
Para pacientes com predisposição (diabéticos, imunossuprimidos), o acompanhamento regular com otorrinolaringologista é recomendado, assim como a avaliação precoce de qualquer otalgia.
- 01. Nunca use gotas otológicas sem prescrição médica – algumas podem ser ototóxicas se houver perfuração timpânica.
- 02. Mantenha o ouvido seco durante o tratamento: use algodão embebido em vaselina na entrada do canal ao tomar banho.
- 03. Se a dor não melhorar em 48 horas com o tratamento tópico, retorne ao médico – pode ser necessário antibiótico sistêmico.
- 04. Evite coçar ou cutucar o ouvido durante a recuperação – o trauma piora a inflamação e pode espalhar a infecção.
- 05. Após a resolução, espere pelo menos 7 a 10 dias antes de retornar à natação ou mergulho, mesmo que esteja assintomático.
Perguntas Frequentes sobre o CID Otite
O CID OTITE garante quantos dias de atestado?
O CID H60 (otite externa) pode garantir de 2 a 5 dias para casos leves, até 7 dias para formas moderadas e de 30 a 60 dias para otite externa maligna. O número exato é definido pelo médico conforme a gravidade e a profissão do paciente.
Otite externa é contagiosa?
Não, a otite externa infecciosa não é transmitida de pessoa para pessoa. O agente causador é oportunista e não se propaga por contato direto, ao contrário de resfriados ou conjuntivites.
Posso usar remédio caseiro no ouvido?
Não. Remédios caseiros como leite materno, azeite, vinagre ou álcool podem irritar ainda mais o canal e piorar a infecção. Siga apenas o tratamento prescrito pelo médico.
O que é “ouvido de nadador”?
É o nome popular para otite externa aguda difusa (H60.3), causada pela permanência prolongada na água, que macera a pele do canal e facilita a entrada de bactérias, principalmente Pseudomonas aeruginosa.
Otite externa pode causar surdez?
A perda auditiva é geralmente leve e temporária, devido ao edema ou secreção. Raramente causa dano permanente. No entanto, a otite externa maligna (H60.2) pode levar a lesões neurológicas e perda auditiva irreversível se não tratada.
Preciso de antibiótico oral para otite externa?
Na maioria dos casos, apenas as gotas otológicas com antibiótico e corticosteroide são suficientes. O antibiótico oral é reservado para celulite, abscesso, febre alta ou imunossupressão.
Posso viajar de avião com otite externa?
Sim, desde que não haja perfuração timpânica ou infecção ativa com edema grave. A mudança de pressão pode causar desconforto, mas não é contraindicada. Consulte seu médico antes de voar.
Quanto tempo dura o tratamento da otite externa?
O tratamento tópico dura de 5 a 10 dias. Os sintomas agudos (dor) geralmente melhoram em 48 a 72 horas. A secreção pode persistir por alguns dias. A cura completa ocorre em torno de 7 a 14 dias.
Crianças podem ter otite externa?
Sim. Crianças que nadam ou tomam banho em piscinas e praias estão sujeitas. O tratamento é semelhante ao de adultos, mas a dosagem das gotas deve ser ajustada. Crianças com eczema têm maior risco.
Qual a diferença entre otite externa e otite média?
Otite externa é inflamação do canal auditivo externo (até o tímpano), enquanto otite média é a inflamação da cavidade atrás do tímpano. A primeira costuma doer ao tocar a orelha; a segunda, não.
O que fazer para aliviar a dor imediatamente?
Aplique compressa morna sobre a orelha e tome analgésico oral (paracetamol ou ibuprofeno) conforme orientação médica. Evite pingar qualquer substância antes da avaliação.
Como limpar o ouvido durante o tratamento?
A limpeza deve ser feita apenas pelo médico, com aspiração delicada. O paciente não deve introduzir nada no canal. Gotas otológicas já ajudam a remover debris à medida que o edema diminui.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes confiáveis para aprofundamento:
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