Em 2026, estima-se que mais de 700 milhões de casos de otite média aguda ocorram globalmente a cada ano, sendo a principal causa de consultas pediátricas e de prescrição de antibióticos em crianças menores de 5 anos no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID OTITE-MÉDIA e quer saber o que significa? A otite média é uma inflamação do ouvido médio, geralmente de origem infecciosa, que causa dor, febre e, em alguns casos, perda auditiva temporária. Neste artigo completo no formato de estudo de caso clínico, explicamos tudo sobre o código CID H66, suas subcategorias, sintomas, tratamentos e o que esperar do processo de recuperação. Continue lendo para entender seu diagnóstico de forma clara e prática.
- Código: H66 (Otite média supurada e não especificada)
- Descrição: Otite média – processo inflamatório que afeta a mucosa do ouvido médio, podendo ser agudo, subagudo ou crônico, com ou sem supuração.
- Categoria: Capítulo VIII – Doenças do ouvido e da apófise mastoide (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias principais: H66.0 (Otite média supurada aguda), H66.1 (Otite média supurada subaguda), H66.2 (Otite média supurada crônica), H66.3 (Otite média não supurada), H66.4 (Otite média não supurada crônica), H66.9 (Otite média não especificada)
Paciente: Laura Mendes, 3 anos, estudante da educação infantil
Queixa principal: A mãe relata que Laura acordou durante a noite chorando, segurando a orelha direita, com febre de 38,5°C e irritabilidade intensa. Nos últimos 2 dias apresentou coriza e tosse leve.
Avaliação clínica: Ao exame otoscópico, a médica observou membrana timpânica direita hiperemiada, abaulada e com perda dos pontos de referência. Sinais de efusão no ouvido médio. Timpanometria confirmou mobilidade reduzida. Não havia secreção no conduto auditivo externo. Exames laboratoriais mostraram leucocitose com desvio à esquerda.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID H66.0 — Otite média supurada aguda, caracterizada por quadro viral prévio que evoluiu para infecção bacteriana do ouvido médio.
Conduta terapêutica: Prescrição de amoxicilina 50 mg/kg/dia por 10 dias, associada a ibuprofeno para controle da dor e febre (10 mg/kg a cada 6‑8 horas). Recomendou‑se repouso relativo, evitar contato com fumaça de cigarro e manter a hidratação. Foi emitido atestado médico de 5 dias para acompanhamento em casa.
Evolução: Após 48 horas de tratamento, Laura já apresentava melhora significativa da dor e febre. No 7º dia, a otoscopia mostrou resolução completa do quadro, com membrana timpânica normal. A audição retornou ao normal em 2 semanas.
Lição clínica: A otite média aguda frequentemente segue infecções virais das vias aéreas superiores. O diagnóstico precoce e o tratamento antibiótico adequado evitam complicações como perfuração timpânica e mastoidite. Crianças com histórico de infecções recorrentes podem se beneficiar da vacinação pneumocócica e da imunoprofilaxia contra influenza.
O que é o CID H66 na prática médica
O código CID H66 abrange as otites médias de caráter inflamatório-infeccioso que acometem o ouvido médio, espaço localizado atrás da membrana timpânica. Na prática clínica, esse diagnóstico é um dos mais comuns em consultórios pediátricos e em pronto‑atendimentos, especialmente nos meses de outono e inverno. A otite média pode ser classificada como aguda (início súbito, duração inferior a 3 semanas), subaguda (3 semanas a 3 meses) ou crônica (persistente por mais de 3 meses). A presença de supuração (secreção purulenta) ou não define as subcategorias.
O CID H66 é utilizado quando há evidência clínica de efusão no ouvido médio associada a sinais inflamatórios agudos (dor, febre, hiperemia timpânica). Diferencia‑se da otite média com efusão (OME) – que é assintomática – e da otite externa (inflamação do conduto auditivo externo). A correta codificação é essencial para o registro epidemiológico, para a prescrição de antibióticos e para a emissão de atestados médicos.
Subcategorias e variantes do CID H66
O CID‑10 detalha as seguintes subcategorias para otite média:
- H66.0 – Otite média supurada aguda: Forma clássica com início abrupto de dor, febre e abaulamento timpânico. Comum em crianças pequenas, geralmente precedida por infecção viral.
- H66.1 – Otite média supurada subaguda: Quadro de instalação mais lenta, com duração entre 3 semanas e 3 meses. Pode ocorrer após tratamento inadequado da forma aguda.
- H66.2 – Otite média supurada crônica: Infecção persistente por mais de 3 meses, frequentemente associada a perfuração timpânica e otorreia crônica. Pode levar à destruição ossicular e perda auditiva.
- H66.3 – Otite média não supurada: Inflamação do ouvido médio sem secreção purulenta evidente. Muitas vezes cursa com efusão (líquido) e sensação de plenitude auricular.
- H66.4 – Otite média não supurada crônica: Derrame persistente por mais de 3 meses, podendo causar retração timpânica e colesteatoma. Requer acompanhamento otorrinolaringológico.
- H66.9 – Otite média não especificada: Usada quando o médico não define o caráter supurado ou a cronicidade, geralmente em situações de emergência ou falta de recursos diagnósticos complementares.
É importante que o profissional registre a subcategoria mais específica para orientar o tratamento e o prognóstico.
Sintomas e como a doença se manifesta
A otite média apresenta um espectro de sintomas que variam conforme a idade do paciente e a fase da doença. Em lactentes e crianças pequenas, os sinais mais comuns são:
- Irritabilidade e choro intenso, especialmente à noite
- Febre (geralmente acima de 38°C)
- Manusear ou puxar a orelha afetada
- Dificuldade para mamar ou se alimentar
- Vômitos e diarreia (inespecíficos, mas frequentes)
Em crianças maiores e adultos, predominam:
- Dor de ouvido (otalgia) de forte intensidade, latejante
- Sensação de ouvido tampado e diminuição da audição
- Febre baixa a moderada
- Secreção amarelada ou esverdeada (otorreia) se houver perfuração timpânica
- Tontura ou vertigem (menos comum)
Nos casos crônicos, a queixa principal pode ser perda auditiva progressiva, otorreia intermitente e desconforto constante. A otite média com efusão (não supurada) pode ser assintomática, sendo detectada em exames de rotina.
Causas e fatores de risco
A otite média tem origem multifatorial. A causa imediata é a disfunção da tuba auditiva (tuba de Eustáquio), que normalmente equaliza a pressão entre o ouvido médio e o ambiente. Quando essa tuba fica obstruída – por edema, secreção ou congestão – ocorre acúmulo de líquido e proliferação bacteriana.
Principais causas e fatores de risco:
- Infecções virais prévias (resfriado, gripe, rinossinusite) – responsáveis por cerca de 80% dos casos
- Bactérias: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae (não tipável), Moraxella catarrhalis
- Tabagismo passivo e exposição à poluição
- Frequência a creches e ambientes coletivos
- Uso de chupeta e mamadeira em decúbito
- Anomalias craniofaciais (fissura palatina, Síndrome de Down)
- Imunodeficiências e alergias respiratórias
- História familiar de otite média recorrente
- Aleitamento materno menor que 6 meses (fator protetor é o aleitamento prolongado)
Em adultos, a otite média crônica está frequentemente associada a perfuração timpânica não cicatrizada, colesteatoma ou barotrauma (mergulho, voo).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da otite média é essencialmente clínico, baseado na história e no exame otoscópico. O médico utiliza um otoscópio para visualizar a membrana timpânica e avaliar:
- Hiperemia (vermelhidão) e abaulamento
- Perda do triângulo luminoso e dos pontos de referência
- Nível hidroaéreo ou bolhas atrás da membrana
- Mobilidade reduzida à insuflação (otoscopia pneumática)
Exames complementares podem ser solicitados em casos duvidosos ou complicados:
- Timpanometria: avalia a complacência da membrana timpânica e a pressão no ouvido médio. Padrão plano (tipo B) sugere efusão.
- Reflectometria acústica: método rápido para detectar efusão em crianças pequenas.
- Audiometria: indicada em suspeita de perda auditiva ou otite crônica.
- Cultura de secreção (otorreia): útil para guiar antibioticoterapia em falhas terapêuticas.
- Exames de imagem (TC de mastoide): reservados para suspeita de mastoidite, abscesso ou colesteatoma.
O diagnóstico diferencial inclui otite externa, corpo estranho no conduto, cerume impactado, disfunção da ATM e, em crianças, dentição.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da otite média depende da idade, da gravidade dos sintomas e da presença de complicações. As diretrizes atuais (2025-2026) preconizam:
1. Otite média aguda não complicada:
- Alívio sintomático: analgésicos e antitérmicos (ibuprofeno ou paracetamol) por 48-72 horas. Evitar anti‑inflamatórios em crianças menores de 6 meses.
- Antibiótico: indicado para crianças menores de 2 anos com diagnóstico definitivo, crianças maiores com sintomas moderados a graves, ou quando há falha da conduta expectante em 48-72 horas. A primeira escolha é amoxicilina (50-90 mg/kg/dia, dividida a cada 8-12 horas, por 10 dias em menores de 2 anos e 5-7 dias em maiores). Para alérgicos, usa‑se azitromicina ou clindamicina.
- Conduta expectante: para crianças acima de 2 anos com sintomas leves e otoscopia duvidosa, pode‑se observar por 48-72 horas com analgesia.
2. Otite média crônica supurada:
- Antibióticos tópicos (ciprofloxacino ou ofloxacino gotas) após limpeza otorrinolaringológica
- Evitar gotas ototóxicas (neomicina, gentamicina) se houver perfuração
- Cirurgia (timpanoplastia, mastoidectomia) indicada quando houver colesteatoma, destruição ossicular ou falha do tratamento clínico
3. Otite média com efusão (não supurada):
- Observação por 3 meses, pois 60% se resolvem espontaneamente
- Colocação de tubo de ventilação (timpanostomia) em casos persistentes com perda auditiva ou risco de atraso de linguagem
4. Medidas gerais: repouso, hidratação, evitar exposição ao fumo, alimentação leve. Não usar gotas otológicas sem orientação, especialmente em casos suspeitos de perfuração.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para otite média varia conforme a gravidade, a idade do paciente e a resposta ao tratamento. Em geral:
- Otite média aguda em crianças: 3 a 5 dias de afastamento das atividades escolares e recreativas. O retorno pode ocorrer quando a febre cede e a dor diminui.
- Otite média aguda em adultos: 2 a 4 dias, podendo se estender até 7 dias em casos mais graves que exijam repouso laboral.
- Otite média crônica ou complicada: o tempo pode variar de 7 a 14 dias, especialmente se houver necessidade de cirurgia ou internação.
O médico deve reavaliar o paciente ao final do período previsto e ajustar o atestado conforme a evolução clínica. Para trabalhadores formais, o atestado deve conter o CID (H66) e o período de afastamento. Pacientes em regimes especiais (motoristas profissionais, operadores de máquinas) podem precisar de períodos maiores devido ao risco de vertigem ou tontura.
Observação: Crianças com otite média recorrente (3 ou mais episódios em 6 meses) podem se beneficiar de avaliação otorrinolaringológica e, eventualmente, da colocação de tubos de ventilação, o que pode gerar atestados mais longos para procedimentos cirúrgicos.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a maioria das otites médias tenha evolução benigna, alguns sinais indicam a necessidade de atendimento médico imediato:
- Febre alta persistente (>39°C) por mais de 48 horas mesmo com antitérmicos
- Dor intensa que não melhora com analgesia adequada
- Secreção purulenta abundante pelo ouvido (otorreia) – possível perfuração timpânica
- Vermelhidão, inchaço ou dor atrás da orelha (suspeita de mastoidite)
- Paralisia facial súbita ou assimetria facial
- Vertigem intensa, náuseas e vômitos persistentes
- Sonolência excessiva, confusão mental ou rigidez de nuca (sinais meníngeos)
- Piora da audição após o início do tratamento
- Criança menor de 3 meses com qualquer sinal de infecção
Nessas situações, procure um pronto‑socorro ou um otorrinolaringologista. A demora no tratamento pode levar a complicações graves e sequelas auditivas.
- 01. Nunca use gotas otológicas sem prescrição, especialmente se houver suspeita de perfuração timpânica. Gotas inadequadas podem causar lesão coclear irreversível.
- 02. Complete todo o ciclo de antibiótico prescrito, mesmo que os sintomas melhorem em 48 horas. A interrupção precoce favorece a resistência bacteriana e a recidiva.
- 03. Para aliviar a dor, compressas mornas (não quentes) sobre a orelha podem ser usadas em crianças e adultos, sempre com cuidado para não queimar a pele.
- 04. Mantenha a vacinação em dia: as vacinas pneumocócica conjugada (PCV13) e contra influenza reduzem significativamente os episódios de otite média. A vacina contra o vírus sincicial respiratório (RSV) também está associada à redução de casos em lactentes.
- 05. Evite exposição ao fumo do tabaco. O tabagismo passivo é um dos principais fatores de risco para otite média recorrente, especialmente em crianças.
- 06. Em crianças menores de 2 anos, prefira amamentação exclusiva até os 6 meses e evite o uso de chupeta e mamadeira em posição deitada, fatores que favorecem a disfunção tubária.
- 07. Após um episódio de otite média aguda, agende uma reavaliação com otorrinolaringologista em 4 a 6 semanas para confirmar a resolução completa e evitar sequelas auditivas.
Perguntas Frequentes sobre o CID OTITE
O CID H66 garante quantos dias de atestado?
Em média, 3 a 5 dias para crianças e 2 a 4 dias para adultos, podendo chegar a 7-14 dias em casos crônicos ou complicados. O médico ajusta o período conforme a gravidade e a resposta ao tratamento.
Otite média é contagiosa?
Não. A otite média em si não é contagiosa, mas os vírus e bactérias que a causam podem ser transmitidos por gotículas respiratórias. Por isso, crianças com infecção respiratória ativa devem evitar contato próximo com outras crianças até a melhora dos sintomas.
Crianças são mais afetadas que adultos?
Sim. Crianças entre 6 meses e 2 anos apresentam a maior incidência devido à tuba auditiva mais curta, horizontal e menos funcional. Estima-se que 80-90% das crianças terão pelo menos um episódio de otite média antes dos 3 anos.
Posso viajar de avião com otite média?
Não é recomendado durante a fase aguda devido ao risco de dor intensa e barotrauma. Se for inevitável, utilize descongestionantes nasais (sob orientação médica) e oriente a criança a mamar ou chupar uma chupeta durante a descida. Em casos crônicos com perfuração, o voo costuma ser seguro.
Otite média pode causar perda auditiva?
Sim. A perda auditiva é geralmente temporária nas formas agudas, durando de algumas semanas a 3 meses. Na otite crônica supurada, a perda pode ser permanente se houver destruição dos ossículos ou lesão coclear. O acompanhamento audiológico é essencial.
Antibiótico é sempre necessário?
Não. Crianças acima de 2 anos com sintomas leves e diagnóstico incerto podem ser monitoradas por 48-72 horas com analgesia (conduta expectante). O antibiótico é obrigatório em menores de 2 anos, casos graves, imunocomprometidos ou quando não há melhora no período de observação.
Otite média crônica precisa de cirurgia?
Depende. Nos casos com perfuração timpânica persistente, colesteatoma ou destruição ossicular, sim. A timpanoplastia é o procedimento mais comum. Para otite média com efusão resistente, a colocação de tubo de ventilação (timpanostomia) é indicada quando há perda auditiva ou infecções recorrentes.
Qual a diferença entre otite média e otite externa?
Na otite média, a inflamação ocorre no ouvido médio (atrás da membrana timpânica), geralmente causada por disfunção tubária e infecção respiratória. Na otite externa (ouvido de nadador), a inflamação é no conduto auditivo externo, geralmente por contato com água contaminada ou manipulação local. Os tratamentos são distintos.
Otite média pode voltar?
Sim. Até 40% das crianças apresentam recorrência dentro de um ano, especialmente se fatores de risco como tabagismo passivo, alergias e creche não forem controlados. Nesse caso, investigue com otorrinolaringologista a necessidade de profilaxia (antibiótico em baixas doses, vacinas ou cirurgia).
Como aliviar a dor em casa?
Analgésicos orais (paracetamol ou ibuprofeno) são a primeira linha. Compressas mornas sobre a orelha podem ajudar. Nunca coloque objetos no ouvido, nem óleos ou gotas sem orientação médica. Mantenha a cabeça elevada ao dormir para facilitar a drenagem.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil (2025-2026).
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links externos:
CID10.com.br – H66 Otite média supurada e não especificada
MedlinePlus – Infecciones del oído (em espanhol)
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