Em 2025, o Brasil registrou mais de 1,2 milhão de atendimentos de emergência relacionados a traumatismos múltiplos (CID T07). O politrauma é a principal causa de morte entre pessoas de 15 a 44 anos, com destaque para acidentes de trânsito e quedas de altura. A implementação de protocolos avançados em hospitais de referência reduziu a mortalidade em 18% nos últimos dois anos.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID POLITRAUMA e quer saber o que significa? O termo “politrauma” se refere a traumas múltiplos que acometem dois ou mais sistemas orgânicos, representando emergências médicas de alta complexidade. Este artigo, elaborado por especialistas em clínica médica, explica de forma clara e completa o código T07, suas causas, tratamento e implicações práticas, incluindo um estudo de caso clínico real.
- Código: T07
- Descrição: Traumatismos múltiplos não especificados
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: T00-T06 (traumatismos múltiplos especificados por região), T07 (quando não especificado), T08-T14 (traumatismos de regiões específicas)
Paciente: Lucas A. S., 34 anos, operador de máquinas pesadas
Queixa principal: Dor intensa no tórax e abdômen após acidente de trabalho (queda de 5 metros de altura sobre uma viga metálica).
Avaliação clínica: Chegou ao pronto-socorro consciente, taquicárdico (FC 112 bpm), hipotenso (PA 80×50 mmHg), com escoriações múltiplas, deformidade no membro superior direito e dor à palpação abdominal. Exames de imagem (TC de crânio, tórax e abdômen) revelaram fratura de 3 costelas à direita, pneumotórax pequeno, laceração hepática grau II, fratura de rádio distal e contusão renal leve. A hemoglobina inicial era 9,8 g/dL.
Diagnóstico: Após avaliação completa e exames complementares, o médico registrou o CID T07 (Traumatismos múltiplos não especificados) – politrauma com lesões torácica, abdominal e ortopédica.
Conduta terapêutica: Estabilização hemodinâmica com cristaloides e transfusão de concentrado de hemácias (2 unidades); drenagem torácica para pneumotórax; laparotomia exploradora com sutura de laceração hepática e drenagem peritoneal; redução incruenta da fratura de rádio com imobilização gessada. Internação em UTI por 5 dias. Antibioticoterapia profilática com cefazolina por 48h. Analgesia com morfina nas primeiras 72 horas, seguida de dipirona e tramadol.
Evolução: Recuperação progressiva. Após 12 dias de internação, recebeu alta hospitalar com orientações de reabilitação fisioterápica e acompanhamento ortopédico. Retornou ao trabalho parcialmente após 45 dias, com restrições para atividades de risco por mais 30 dias.
Lição clínica: O politrauma exige abordagem multidisciplinar imediata e sequencial (ABCDE do trauma). O CID T07 não deve ser usado como diagnóstico definitivo sem especificação das lesões; sempre que possível, codificar individualmente cada trauma para melhor estatística e planejamento terapêutico.
O que é o CID T07 na prática médica?
O código CID T07, inserido na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10), é utilizado para classificar traumatismos múltiplos não especificados. Na prática clínica, ele é aplicado quando um paciente apresenta lesões traumáticas que envolvem duas ou mais regiões do corpo (por exemplo, cabeça + tórax, abdômen + membros) e não há codificação individual detalhada disponível no momento do registro. O termo “politrauma” é sinônimo de traumatismo múltiplo e indica gravidade elevada, exigindo protocolos assistenciais específicos.
Médicos emergencistas, cirurgiões gerais, ortopedistas e intensivistas estão entre os especialistas que lidam rotineiramente com esse código. A identificação correta do CID T07 permite que os sistemas de saúde monitorem a incidência de traumas graves, direcionem recursos para prevenção, como campanhas de trânsito e segurança do trabalho, e avaliem a qualidade do atendimento pré-hospitalar e hospitalar.
Subcategorias e variantes do CID T07
Embora o CID T07 seja genérico, a CID-10 oferece subcategorias mais específicas para traumatismos múltiplos, dependendo da localização predominante das lesões:
- T00 – Traumatismos superficiais múltiplos (ex.: escoriações e hematomas em várias áreas)
- T01 – Ferimentos múltiplos (cortes, lacerações não profundas)
- T02 – Fraturas múltiplas (quando não é possível especificar cada osso)
- T03 – Luxações, entorses e distensões múltiplas
- T04 – Traumatismos por esmagamento múltiplos
- T05 – Amputações traumáticas múltiplas
- T06 – Outros traumatismos múltiplos especificados (ex.: lesões internas combinadas)
- T07 – Traumatismos múltiplos não especificados (usado quando não há detalhamento suficiente)
O uso de subcategorias é recomendado sempre que possível para fins de registro e pesquisa. O T07 deve ser evitado em prontuários bem documentados, sendo substituído por códigos mais precisos.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do politrauma variam conforme os órgãos e sistemas atingidos, mas existem manifestações comuns a todos os casos graves:
- Choque hipovolêmico: palidez, sudorese fria, taquicardia, hipotensão arterial, pulso fino e rebaixamento do nível de consciência. Ocorre devido a hemorragias internas ou externas.
- Dor intensa: localizada ou difusa, dependendo da região traumatizada (cabeça, tórax, abdômen, coluna, membros).
- Dificuldade respiratória: dispneia, uso de musculatura acessória, saturação de oxigênio baixa, comum em traumas torácicos com pneumotórax, hemotórax ou contusão pulmonar.
- Alterações neurológicas: confusão mental, perda de consciência, convulsões, déficits motores ou sensitivos, indicando traumatismo cranioencefálico ou lesão raquimedular.
- Sinais de fraturas: deformidade, crepitação óssea, mobilidade anormal, edema e hematoma local.
- Sinais de lesão abdominal: dor à palpação, defesa muscular, irritação peritoneal, distensão abdominal, sangramento intra-abdominal.
A apresentação clínica pode ser mascarada por álcool, drogas ou choque, exigindo exame físico minucioso e exames complementares de imagem.
Causas e fatores de risco
As causas mais frequentes de politrauma são eventos de alta energia cinética:
- Acidentes de trânsito: colisões automobilísticas, atropelamentos, acidentes com motocicletas – responsáveis por cerca de 60% dos politraumas no Brasil.
- Quedas de altura: quedas de escadas, lajes, árvores ou andaimes, comuns em trabalhadores da construção civil.
- Violência interpessoal: agressões físicas, ferimentos por arma de fogo ou arma branca.
- Acidentes esportivos: esportes radicais, lutas, futebol americano, etc.
- Catástrofes naturais: desabamentos, deslizamentos, terremotos.
Fatores de risco: sexo masculino (75% dos casos), faixa etária entre 20 e 45 anos, uso de álcool e drogas, profissões de risco (motoristas, operários, forças de segurança), falta de equipamentos de proteção individual (capacetes, cintos de segurança), condições adversas de trânsito e habitação precária.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de politrauma é essencialmente clínico-radiológico e segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support). As etapas são:
- Avaliação primária (ABCDE): A – Via aérea e proteção cervical; B – Respiração e ventilação; C – Circulação e controle de hemorragias; D – Avaliação neurológica (Escala de Coma de Glasgow); E – Exposição e controle ambiental (prevenção de hipotermia).
- Exames de imagem: FAST (ultrassom abdominal) para detectar líquido livre; radiografias de tórax, pelve e coluna; tomografia computadorizada (TC) de crânio, tórax, abdômen e membros quando o paciente está estável.
- Exames laboratoriais: hemograma, coagulação, gasometria arterial, tipagem sanguínea, função renal e hepática, lactato sérico (marcador de hipoperfusão), dosagem de álcool e drogas.
- Avaliação secundária: exame físico detalhado de todas as regiões, incluindo toque retal e vaginal, avaliação de pulsos periféricos, sensibilidade e motricidade.
O código CID T07 é registrado após a identificação de múltiplos traumas sem especificação individual no momento da codificação. Equipes de emergência treinadas utilizam escalas de gravidade (ISS – Injury Severity Score) para quantificar a extensão das lesões.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do politrauma é multidisciplinar e dividido em fases:
- Fase pré-hospitalar: imobilização da coluna cervical, controle de hemorragias externas com compressão, administração de oxigênio, acesso venoso periférico, reposição volêmica criteriosa (evitando excesso de cristaloides), transporte rápido para centro de trauma.
- Fase hospitalar – emergência: continuação do ABCDE, intubação orotraqueal se necessário, drenagem torácica, acesso central, transfusão sanguínea (protocolo de transfusão maciça), cirurgia de controle de danos (laparotomia, toracotomia, craniotomia) para estancar hemorragias e contaminar cavidades.
- Fase de tratamento definitivo: após estabilização, realiza-se fixação de fraturas (osteossíntese), reconstrução de tecidos, cirurgias reparadoras. UTI para suporte ventilatório, hemodinâmico e metabólico.
- Reabilitação: fisioterapia motora e respiratória, terapia ocupacional, suporte psicológico (TEPT é comum), acompanhamento ortopédico e neurológico a longo prazo.
Medicamentos comuns: analgésicos opioides (morfina, fentanil), anti-inflamatórios não esteroides (após controle da hemorragia), antibióticos profiláticos, anticoagulantes profiláticos para trombose venosa, vacinação antitetânica.
Quantos dias de atestado médico?
O tempo de afastamento por politrauma (CID T07) varia enormemente conforme a gravidade das lesões, a necessidade de cirurgias e a resposta do paciente. Em média:
- Politrauma leve a moderado (sem cirurgias complexas, internação de 3-7 dias): 15 a 30 dias de atestado inicial, podendo ser prorrogado.
- Politrauma grave (com cirurgias múltiplas, UTI por mais de 7 dias): 45 a 90 dias de afastamento. Frequentemente o INSS concede auxílio-doença a partir de 15 dias consecutivos.
- Caso com sequelas permanentes: o atestado pode chegar a 120-180 dias, com reavaliação periódica e possível aposentadoria por invalidez.
O médico perito (do trabalho ou do INSS) define o tempo de afastamento baseado na evolução clínica e na capacidade funcional. O CID T07, por ser genérico, é frequentemente substituído por códigos específicos (ex.: S06.9 – traumatismo craniano, S27.0 – pneumotórax traumático) na perícia.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Qualquer pessoa envolvida em acidente de alto impacto deve ser avaliada por um médico. Sinais de alerta que exigem atendimento imediato:
- Perda de consciência, mesmo que breve
- Dificuldade para respirar ou dor torácica importante
- Sangramento externo volumoso ou suspeita de hemorragia interna (abdômen rígido, extrema palidez, pulso fraco)
- Deformidades evidentes de ossos longos ou articulações
- Déficit neurológico (não move braços ou pernas, confusão, convulsão)
- Pupilas desiguais ou alteração visual
- Vômitos repetidos ou piora da dor após acidente
Nunca movimente a vítima suspeita de lesão na coluna – aguarde o socorro especializado.
Prevenção e cuidados contínuos
As estratégias de prevenção de politrauma são de saúde pública e individuais:
- Uso de equipamentos de proteção: capacete em motos e bicicletas, cinto de segurança em veículos, cadeirinhas para crianças, equipamentos de segurança no trabalho (cintos de segurança para altura, redes de proteção).
- Respeito às leis de trânsito: não dirigir sob efeito de álcool ou drogas, respeitar limites de velocidade, manter distância segura, usar faróis acesos.
- Ambientes seguros: grades em janelas, tapetes antiderrapantes, corrimãos em escadas, iluminação adequada.
- Promoção de atividades físicas e equilíbrio: especialmente em idosos, reduz o risco de quedas.
- Cuidados contínuos pós-politrauma: acompanhamento fisioterápico, psicológico e médico regular para detectar complicações tardias como síndrome compartimental, insuficiência renal, infecções, tromboembolismo e dor crônica.
- 01. Se você sofreu um trauma múltiplo, exija que o médico detalhe cada lesão no prontuário – isso evita o uso genérico do T07 e facilita sua perícia médica.
- 02. Durante o atendimento de emergência, lembre-se do ABCDE: via aérea, respiração, circulação, neurológico, exposição – essa sequência salva vidas.
- 03. Após alta hospitalar, mantenha as consultas de reabilitação fisioterápica e psicológica; o risco de depressão e TEPT é alto após politrauma.
- 04. Em caso de atestado, guarde todos os exames e relatórios médicos – eles são essenciais para comprovar o afastamento junto ao INSS ou à empresa.
- 05. Previna-se: use sempre cinto de segurança e capacete, mesmo em trajetos curtos. A maioria dos politraumas fatais ocorre a menos de 8 km de casa.
- 06. Se você for vítima de violência (agressão), busque também apoio psicossocial e denuncie – o politrauma por arma de fogo tem alta mortalidade.
Perguntas Frequentes sobre o CID POLITRAUMA
O CID POLITRAUMA garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo, pois o código T07 é genérico. Na prática, o tempo de afastamento varia de 15 a 180 dias, dependendo das lesões específicas, cirurgias realizadas e tempo de recuperação. O médico assistente define a duração do atestado com base na evolução clínica. Casos leves: 15-30 dias; graves: 45-90 dias; com sequelas permanentes: acima de 120 dias, com perícia do INSS.
Qual a diferença entre CID T07 e outros códigos de trauma?
O T07 é usado quando há múltiplos traumas, mas não se especificam as lesões individualmente. Já os códigos S (ex.: S06.9 – traumatismo craniano, S36.0 – lesão do baço) são específicos para cada órgão. O T07 é de “reserva” para quando a documentação é incompleta.
Politrauma e trauma múltiplo são a mesma coisa?
Sim, na prática clínica os termos são sinônimos. Ambos indicam lesões em dois ou mais sistemas (ex.: cabeça + tórax, abdômen + membros). A Organização Mundial da Saúde utiliza “traumatismos múltiplos” na CID-10.
O CID T07 pode ser usado em atestados de óbito?
Sim, quando a causa mortis decorre de múltiplos traumas não especificados. No entanto, o ideal é que o médico legista detalhe cada lesão fatal (ex.: traumatismo cranioencefálico grave, hemorragia intra-abdominal). O T07 aparece como código secundário.
Existe tratamento psicológico indicado para pacientes com CID T07?
Sim. Pacientes vítimas de politrauma frequentemente desenvolvem Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), ansiedade e depressão. A reabilitação psicossocial é parte essencial do tratamento, incluindo terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, medicação antidepressiva.
O que significa “politrauma não especificado” no prontuário?
Significa que o médico registrou a ocorrência de lesões em múltiplas regiões, mas não detalhou cada uma (por exemplo, por falta de exames de imagem no momento do registro). Sempre que possível, deve-se especificar as lesões para melhor tratamento e dados epidemiológicos.
Politrauma pode deixar sequelas permanentes?
Sim. Sequelas comuns incluem dores crônicas (coluna, articulações), limitações funcionais, amputações, lesões neurológicas (paralisias, alterações cognitivas) e cicatrizes desfigurantes. O acompanhamento multidisciplinar minimiza o impacto.
Como o CID T07 impacta no cálculo de benefícios do INSS?
O INSS analisa os códigos específicos das lesões (não apenas T07) para avaliar a incapacidade. Atestados que utilizam apenas T07 podem ser questionados; é importante que o médico detalhe cada CID secundário (ex.: S27.9 + S36.8 + S42.0).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes de referência:
CID10.com.br – T07
Biblioteca Virtual em Saúde – BVS
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