Estima-se que cerca de 15% das crianças em idade escolar apresentem algum transtorno do desenvolvimento psicológico, sendo o atraso de linguagem e os transtornos do espectro autista (TEA) os mais frequentes. No Brasil, a demanda por avaliação neuropsicológica cresceu 40% entre 2020 e 2025, refletindo o aumento da conscientização e do diagnóstico precoce.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID Psicologia-do-Desenvolvimento e quer saber o que significa? Esse termo não corresponde a um código único da CID-10, mas sim a um campo de estudo e a um conjunto de condições que afetam o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Na prática clínica, os médicos utilizam códigos específicos do capítulo V (Transtornos Mentais e Comportamentais), como F80-F89, para registrar atrasos ou desvios no desenvolvimento psicológico. Este artigo esclarece o significado, os principais diagnósticos envolvidos, sintomas, tratamento e orientações práticas para pacientes e familiares.
- Código: F89 (Transtorno do Desenvolvimento Psicológico não Especificado) – usado como referência para “psicologia do desenvolvimento” na prática ambulatorial
- Descrição: Transtorno do Desenvolvimento Psicológico não Especificado. A categoria F89 é frequentemente empregada quando há evidências de alterações no desenvolvimento cognitivo, da linguagem, da motricidade ou das habilidades sociais, mas sem critérios completos para um subtipo específico.
- Categoria: Capítulo V – Transtornos Mentais e Comportamentais (F00-F99); Bloco F80-F89 – Transtornos do Desenvolvimento Psicológico
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: F80 (transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem), F81 (transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares), F82 (transtorno específico do desenvolvimento motor), F83 (transtorno misto do desenvolvimento), F84 (transtornos globais do desenvolvimento – inclui autismo), F88 (outros transtornos do desenvolvimento psicológico) e F89 (não especificado).
Paciente: Lucas, 4 anos, pré-escolar
Queixa principal: Atraso na fala e dificuldade de interação social, segundo relato da mãe. Lucas não forma frases com mais de duas palavras e evita contato visual com outras crianças.
Avaliação clínica: Realizada anamnese detalhada, aplicação do M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) e encaminhamento para avaliação fonoaudiológica e neuropsicológica. Exame físico neurológico sem alterações focais. Audiometria normal.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F89 — Transtorno do Desenvolvimento Psicológico não Especificado, devido a atraso global do desenvolvimento compatível com transtorno do espectro autista leve, ainda sem critérios formais para F84.0.
Conduta terapêutica: Terapia fonoaudiológica 2x/semana, terapia ocupacional para integração sensorial, orientação parental para estimulação domiciliar e acompanhamento psiquiátrico infantil para avaliação de necessidade de medicação (risperidona, se agitação).
Evolução: Após 6 meses de intervenção, Lucas apresentou melhora na comunicação com uso de frases curtas e redução de comportamentos repetitivos. O contato visual ainda é limitado, mas houve progresso significativo na interação com os pais.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e a intervenção multidisciplinar são cruciais para o prognóstico em transtornos do desenvolvimento. O CID F89 permite iniciar tratamento mesmo sem especificação completa, evitando atrasos terapêuticos.
O que é o CID Psicologia do Desenvolvimento na prática médica
O termo “CID Psicologia do Desenvolvimento” não existe como código único na Classificação Internacional de Doenças. Na rotina clínica, os médicos utilizam o código F89 (Transtorno do Desenvolvimento Psicológico não Especificado) quando há evidências de que o paciente apresenta alterações significativas no desenvolvimento cognitivo, da linguagem, da coordenação motora ou das habilidades sociais, mas sem preencher todos os critérios para um diagnóstico mais específico (como autismo, dislexia ou TDAH). É uma “porta de entrada” para iniciar intervenções enquanto se aguarda avaliação especializada.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos do desenvolvimento psicológico representam uma parcela crescente dos atendimentos na atenção básica. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o uso de instrumentos de triagem como o Denver II e o M-CHAT em consultas de puericultura, permitindo detecção precoce e encaminhamento para serviços especializados.
Leia também: CID F41 – Ansiedade e CID G43 – Enxaqueca.
Subcategorias e variantes do CID Psicologia do Desenvolvimento
O bloco F80-F89 abrange diversas condições. Conheça as principais subcategorias:
- F80 – Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem (ex: dislalia, gagueira, atraso fonológico).
- F81 – Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (dislexia, discalculia, disortografia).
- F82 – Transtorno específico do desenvolvimento motor (dispraxia, atraso motor).
- F83 – Transtorno misto do desenvolvimento (combinação de atrasos em várias áreas).
- F84 – Transtornos globais do desenvolvimento, incluindo o autismo (F84.0 – autismo infantil, F84.1 – autismo atípico, F84.5 – síndrome de Asperger).
- F88 – Outros transtornos do desenvolvimento psicológico.
- F89 – Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificado.
Cada subcategoria exige critérios clínicos específicos. O médico deve registrar o código mais apropriado conforme a avaliação.
Sintomas e como a condição se manifesta
Os sintomas variam conforme a área afetada. Os mais comuns incluem:
- Linguagem: atraso na fala, vocabulário reduzido, dificuldade em formar frases.
- Interação social: evitar contato visual, dificuldade em fazer amigos, preferência por brincar sozinho.
- Comportamento: movimentos repetitivos (balançar, girar), rigidez a mudanças, interesses restritos.
- Motricidade: atraso em engatinhar, andar, dificuldade com coordenação fina (recortar, desenhar).
- Aprendizagem: dificuldade em ler, escrever ou calcular, mesmo com inteligência normal.
Os sinais podem ser percebidos já nos primeiros anos de vida. Quanto mais precoce a identificação, melhores as chances de intervenção efetiva.
Causas e fatores de risco
As causas são multifatoriais e incluem:
- Genéticas: mutações, síndromes (X frágil, Down), histórico familiar de transtornos do desenvolvimento.
- Ambientais: exposição pré-natal a álcool, drogas, infecções (rubéola, citomegalovírus), prematuridade, baixo peso ao nascer.
- Neurológicas: lesões cerebrais, alterações na conectividade neural.
- Fatores psicossociais: privação afetiva, estimulação inadequada, ambientes empobrecidos.
É importante ressaltar que transtornos do desenvolvimento não são causados por vacinas ou erros educacionais, embora mitos ainda circulem.
Saiba mais sobre CID J45 – Asma e CID N39 – Infecção Urinária.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em história detalhada, observação comportamental e aplicação de escalas padronizadas. O médico pode solicitar avaliações complementares:
- Fonoaudiológica: para avaliar linguagem receptiva e expressiva.
- Neuropsicológica: para medir funções cognitivas (atenção, memória, raciocínio).
- Terapia ocupacional: para avaliar integração sensorial e motricidade.
- Exames laboratoriais e de imagem: para descartar condições orgânicas (triagem genética, EEG, ressonância cerebral).
O CID F89 é utilizado quando ainda não há especificação completa, mas o paciente claramente necessita de acompanhamento. O diagnóstico pode ser refinado ao longo do tempo.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento é multidisciplinar e individualizado. As principais abordagens incluem:
- Terapia comportamental: Análise Aplicada do Comportamento (ABA) para autismo e outros transtornos.
- Fonoaudiologia: estimulação da linguagem e comunicação alternativa quando necessário.
- Terapia ocupacional: integração sensorial, treino de habilidades motoras e atividades de vida diária.
- Psicoterapia: para manejo emocional e apoio familiar.
- Medicamentoso: em casos selecionados, para comorbidades (ansiedade, TDAH, agressividade). Ex: metilfenidato, risperidona, fluoxetina. Sempre sob prescrição médica.
- Orientação parental: grupos de apoio, psicoeducação e treinamento para estimulação em casa.
O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível. O SUS oferece atendimento em CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) e serviços de reabilitação.
Quantos dias de atestado médico são concedidos?
O número de dias de atestado para o CID F89 ou outros códigos do desenvolvimento depende da gravidade e da necessidade de acompanhamento. Em geral, para consultas iniciais e exames diagnósticos, o médico pode conceder de 1 a 3 dias. Para tratamentos regulares (terapias 2 a 3 vezes por semana), o atestado pode ser de meio período ou dias alternados, conforme orientação médica. Pacientes com crises comportamentais ou agravos podem receber até 15 dias consecutivos. A legislação brasileira permite até 15 dias de atestado sem necessidade de perícia médica (INSS). Casos prolongados exigem avaliação pericial.
Na prática, o médico avalia a funcionalidade do paciente e emite atestado com CID correspondente. Por exemplo, um paciente com autismo grave pode ter direito a licença de longo prazo para acompanhamento. Consulte sempre o médico assistente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sintomas exigem avaliação imediata:
- Regressão de habilidades (a criança falava e parou de falar).
- Crises de agressividade ou automutilação.
- Convulsões ou movimentos anormais.
- Perda de contato com a realidade (alucinações, delírios).
- Sinais de depressão grave (isolamento total, recusa alimentar).
- Suspeita de violência ou negligência.
Nesses casos, o paciente deve ser levado ao pronto-socorro ou ao CAPSi. O diagnóstico precoce de condições de risco pode salvar vidas.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora nem todos os transtornos do desenvolvimento possam ser prevenidos, algumas medidas reduzem riscos e melhoram o prognóstico:
- Pré-natal adequado: evitar álcool, drogas, controlar infecções e doenças crônicas.
- Estimulação precoce: leitura, conversa, brincadeiras desde o nascimento.
- Acompanhamento pediátrico regular com marcos do desenvolvimento.
- Vacinação em dia (prevenção de infecções que podem afetar o SNC).
- Intervenção precoce ao primeiro sinal de atraso.
- Apoio psicológico para a família.
- Inclusão escolar com suporte educacional individualizado.
O cuidado contínuo envolve reavaliações periódicas para ajustar condutas conforme a evolução do paciente.
Veja também: CID M54 – Dorsalgia e CID J06 – Infecção Respiratória.
- 01. Observe os marcos do desenvolvimento: aos 2 anos, a criança deve formar frases de duas palavras. Qualquer atraso merece investigação.
- 02. Confie em seu instinto: se você acha que algo não vai bem com o desenvolvimento do seu filho, insista na avaliação médica. Os pais geralmente estão certos.
- 03. Busque um serviço multidisciplinar: pediatra do desenvolvimento, neuropediatra, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional juntos traçam o melhor plano.
- 04. Documente tudo: guarde relatórios, exames e atestados. Eles são essenciais para direitos como BPC/Loas e adaptações escolares.
- 05. Não se isole: grupos de apoio de pais (presenciais ou online) compartilham experiências e informações valiosas.
Perguntas Frequentes sobre o CID Psicologia do Desenvolvimento
O CID Psicologia do Desenvolvimento garante quantos dias de atestado?
Não existe um número fixo, pois depende do quadro clínico. Para consultas e avaliações iniciais, o atestado costuma ser de 1 a 3 dias. Para tratamentos regulares, podem ser concedidos atestados de meio período. Crises mais graves podem gerar até 15 dias consecutivos. Consulte seu médico para orientação específica.
O CID F89 é a mesma coisa que autismo?
Não exatamente. O F89 é uma categoria inespecífica. O autismo (transtorno global do desenvolvimento) é codificado como F84.0 ou F84.5. No entanto, o F89 pode ser usado temporariamente até que o diagnóstico de autismo seja confirmado.
Crianças com CID F89 têm direito à educação especial?
Sim. A Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) garante atendimento educacional especializado (AEE) para alunos com transtornos do desenvolvimento. O diagnóstico médico (qualquer código F80-F89) é suficiente para solicitar adaptações na escola.
É possível que o CID F89 seja substituído por outro código depois?
Sim. O CID F89 é frequentemente um “diagnóstico provisório”. Com o avanço das avaliações (neuropsicológica, genética), o médico pode especificar, por exemplo, F80.0 (transtorno de linguagem) ou F84.0 (autismo).
O tratamento para transtornos do desenvolvimento é coberto pelo SUS?
Sim. O SUS oferece acompanhamento nos CAPSi, serviços de reabilitação e programas de estimulação precoce. Medicamentos de uso contínuo (como metilfenidato) são distribuídos gratuitamente mediante prescrição médica.
Quais exames são necessários para diagnosticar um transtorno do desenvolvimento?
Não há exame laboratorial definitivo. O diagnóstico é clínico. Podem ser solicitados: audiometria, avaliação oftalmológica, EEG (se suspeita de epilepsia), ressonância magnética (em casos selecionados) e testes genéticos (painel para autismo).
Adultos podem receber o diagnóstico de transtorno do desenvolvimento?
Sim. Muitos adultos são diagnosticados tardiamente com TEA, TDAH ou dislexia. O código F89 pode ser usado nesses casos, e o tratamento é adaptado para a vida adulta (terapia cognitivo-comportamental, medicação).
O CID Psicologia do Desenvolvimento é usado em atestados para trabalho?
Sim, principalmente quando o transtorno impacta a capacidade laboral. Códigos como F89, F84 ou F90 (TDAH) podem fundamentar afastamentos, licenças e readaptações profissionais.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Consulte o CID F89 no site cid10.com.br |
MedlinePlus – Developmental Disabilities |
BVS – Transtornos do Desenvolvimento
CID R11 – Náusea e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID 010 – Tuberculose Pulmonar |
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