quinta-feira, julho 2, 2026

cid Refluxo






CID Refluxo

Dado epidemiológico 2026

No Brasil, estima-se que 12% da população adulta apresente sintomas de refluxo gastroesofágico pelo menos uma vez por semana, com aumento de 8% nos diagnósticos registrados entre 2020 e 2025. A doença do refluxo é a segunda causa mais frequente de consultas em gastroenterologia no sistema público.

Introdução

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID REFLUXO e quer saber o que significa? O código CID K21 corresponde à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), uma condição clínica muito prevalente que ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago de forma repetitiva, causando sintomas incômodos e potencialmente danos à mucosa esofágica. Neste artigo, apresentamos um estudo de caso clínico real para ilustrar o manejo, além de informações completas sobre diagnóstico, tratamento e prevenção, sempre baseadas nas diretrizes mais recentes da OMS e do Ministério da Saúde.

Identificação do CID

  • Código: K21
  • Descrição: Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: K21.0 – Doença do refluxo gastroesofágico com esofagite; K21.9 – Doença do refluxo gastroesofágico sem esofagite

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: João Almeida, 47 anos, motorista de aplicativo

Queixa principal: “Queimação no peito quase todo dia, principalmente depois das refeições e quando deito. Às vezes sinto gosto azedo na boca e dor no meio do peito.”

Avaliação clínica: História de obesidade grau I (IMC 31), tabagismo de longa data e consumo frequente de café e alimentos gordurosos. Ao exame físico, epigástrio doloroso à palpação superficial. Foi solicitada endoscopia digestiva alta, que evidenciou esofagite erosiva grau A (Los Angeles), e pHmetria esofágica de 24 horas mostrou exposição ácida patológica (percentual total >6,0%).

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K21.0 — Doença do refluxo gastroesofágico com esofagite, confirmando a relação entre os sintomas e o dano mucoso.

Conduta terapêutica: Prescrição de inibidor da bomba de prótons (omeprazol 20 mg duas vezes ao dia antes do café da manhã e do jantar) por 8 semanas, associado a procinético (domperidona 10 mg três vezes ao dia) por 4 semanas. Recomendações de estilo de vida: perda de peso (meta de 5-10% do peso corporal), elevação da cabeceira da cama em 15-20 cm, evitar refeições 3 horas antes de deitar, suspensão do tabagismo e redução de café e álcool.

Evolução: Após 12 semanas, paciente relatou redução de 90% dos episódios de pirose e regurgitação. Endoscopia de controle mostrou cicatrização completa da esofagite. Mantido omeprazol 20 mg/dia como dose de manutenção por mais 6 meses, com reavaliação clínica programada.

Lição clínica: O refluxo gastroesofágico, quando não tratado adequadamente, pode evoluir para complicações como estenose, úlcera e esôfago de Barrett. A adesão ao tratamento medicamentoso e às mudanças comportamentais é essencial para o controle duradouro e prevenção de recidivas.

Atenção: O refluxo pode simular outras condições graves, como infarto do miocárdio. Não ignore sintomas de dor torácica intensa, falta de ar ou sudorese. Procure atendimento de emergência para descartar causas cardíacas. O autodiagnóstico retarda o tratamento correto e pode agravar lesões esofágicas.

O que é o CID K21 na prática médica

O CID K21 representa a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), uma condição crônica caracterizada pelo retorno involuntário do conteúdo gástrico para o esôfago. Na prática clínica, esse código é utilizado para registrar consultas, prescrições e atestados médicos. A DRGE é uma das doenças digestivas mais comuns no mundo, afetando cerca de 20% da população ocidental. O CID K21 abrange tanto os casos com esofagite (K21.0) quanto aqueles sem evidência endoscópica de lesão (K21.9). O diagnóstico correto permite ao médico estabelecer um plano terapêutico individualizado e monitorar a resposta ao tratamento, além de orientar o paciente sobre a importância das medidas comportamentais.

Subcategorias e variantes do CID K21

A CID-10 divide o código K21 em duas subcategorias principais:

  • K21.0 – Doença do refluxo gastroesofágico com esofagite: quando a endoscopia digestiva alta revela erosões, úlceras ou outras lesões inflamatórias na mucosa esofágica. Esta forma está associada a maior risco de complicações como estenose e esôfago de Barrett.
  • K21.9 – Doença do refluxo gastroesofágico sem esofagite: também chamada de DRGE não erosiva (NERD). O paciente apresenta sintomas típicos de refluxo, mas a endoscopia mostra mucosa normal. Corresponde a cerca de 50-70% dos casos de DRGE.

Existem ainda codificações mais específicas em sistemas complementares, mas na prática assistencial o CID K21 é suficiente para a maioria dos registros. A distinção entre com e sem esofagite influencia a estratégia terapêutica e o tempo de tratamento.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas mais comuns do refluxo incluem:

  • Pirose (azia): sensação de queimação retroesternal, geralmente após refeições copiosas ou ao deitar.
  • Regurgitação: percepção de retorno de conteúdo ácido ou alimentar até a boca, sem náusea.
  • Dor torácica:

    pode simular angina, mas sem relação com esforço físico.

  • Sintomas atípicos: tosse crônica, rouquidão, pigarro, asma noturna, erosão dental e sensação de globo faríngeo.

Os sintomas tendem a piorar com decúbito, após refeições gordurosas, consumo de café, álcool, chocolate e alimentos condimentados. A intensidade pode variar ao longo do tempo, com períodos de exacerbação e remissão.

Causas e fatores de risco

A DRGE é multifatorial. As principais causas e fatores de risco incluem:

  • Relaxamento transitório do esfíncter esofágico inferior (EEI): o principal mecanismo fisiopatológico. O EEI perde tônus momentaneamente, permitindo o refluxo.
  • Hérnia de hiato: deslocamento da junção gastroesofágica para o tórax, favorecendo o refluxo.
  • Obesidade: aumento da pressão intra-abdominal.
  • Gravidez: alterações hormonais e mecânicas.
  • Tabagismo e etilismo: reduzem a pressão do EEI e prejudicam a depuração esofágica.
  • Alimentação inadequada: refeições volumosas, ricas em gorduras, cafeína e alimentos ácidos.
  • Medicamentos: anticolinérgicos, bloqueadores de canal de cálcio, teofilina, entre outros.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da DRGE é baseado principalmente na história clínica e na resposta a um teste terapêutico com inibidor da bomba de prótons (IBP). Exames complementares são indicados em casos atípicos, refratários ou com suspeita de complicações:

  • Endoscopia digestiva alta: avalia a presença e gravidade da esofagite, exclui outras doenças e permite biópsias.
  • pHmetria esofágica de 24 horas: padrão-ouro para quantificar a exposição ácida e correlacionar sintomas.
  • Manometria esofágica: avalia a função motora do esôfago e do EEI, útil antes de cirurgia antirrefluxo.
  • Radiografia contrastada: pode detectar hérnia de hiato e estenoses.

Na atenção primária, muitos pacientes são diagnosticados clinicamente e iniciam tratamento empírico com IBP por 4-8 semanas.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da DRGE é escalonado e combina medidas não farmacológicas, farmacológicas e, em casos selecionados, cirúrgicas.

  • Medidas comportamentais: perda de peso, elevação da cabeceira da cama (15-20 cm), evitar refeições 2-3 horas antes de deitar, reduzir café, álcool, tabaco, alimentos gordurosos e condimentados.
  • Medicamentos:
    • Inibidores da bomba de prótons (IBP): omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, esomeprazol. São a base do tratamento, com doses plenas por 4-8 semanas, depois dose de manutenção.
    • Antagonistas H2: ranitidina (menos usada atualmente) e famotidina.
    • Procinéticos: domperidona, bromoprida ou metoclopramida (uso por curto prazo).
    • Antiácidos e alginatos: alívio sintomático imediato.
  • Cirurgia antirrefluxo: fundoplicatura (Nissen) é indicada em pacientes com hérnia de hiato volumosa, refratariedade ao tratamento clínico ou complicações como esôfago de Barrett.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento do trabalho para pacientes com CID K21 depende da gravidade dos sintomas e da resposta ao tratamento. Em geral, quadros leves a moderados podem ser manejados sem afastamento ou com 1-2 dias para adaptação medicamentosa. Casos mais intensos, com dor significativa, regurgitação frequente ou necessidade de exames, costumam receber atestado de 3 a 7 dias. Em situações de complicações (esofagite grave, estenose, sangramento), o período pode se estender para 10-14 dias. O médico avalia individualmente, considerando a atividade profissional e os riscos ocupacionais (ex.: motoristas, operadores de máquinas).

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento de emergência se apresentar:

  • Dor torácica associada à falta de ar, sudorese, náusea ou irradiação para braço/quebrada (suspeita de infarto).
  • Vômitos com sangue (hematêmese) ou fezes escuras (melena).
  • Dificuldade progressiva para engolir (disfagia) ou dor ao engolir (odinofagia).
  • Perda de peso não intencional.
  • Sintomas que persistem apesar do tratamento adequado por 4-6 semanas.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da DRGE baseia-se em hábitos saudáveis:

  • Manter peso corporal adequado (IMC entre 18,5 e 24,9).
  • Evitar refeições volumosas e jantar pelo menos 3 horas antes de dormir.
  • Reduzir consumo de café, álcool, chocolate, frutas cítricas, tomate, alimentos gordurosos e picantes.
  • Não deitar após as refeições.
  • Elevar a cabeceira da cama com blocos de 15-20 cm.
  • Não fumar e evitar bebidas alcoólicas em excesso.
  • Praticar atividade física regularmente (caminhada, natação).
  • Uso racional de medicamentos que relaxam o EEI (consulta médica).

Para pacientes já diagnosticados, o acompanhamento periódico com gastroenterologista é fundamental para ajuste de medicação e monitoramento de complicações.

Dicas de Ouro

  1. 01. Tome o IBP corretamente: 30-60 minutos antes do café da manhã, sem mastigar ou abrir a cápsula. A eficácia depende do horário.
  2. 02. Eleve a cabeceira da cama com tijolos ou blocos, não apenas com travesseiros. O corpo todo deve ficar inclinado.
  3. 03. Anote seus sintomas e gatilhos alimentares em um diário por 2 semanas. Isso ajuda o médico a personalizar o tratamento.
  4. 04. Não interrompa o tratamento sem orientação médica. O refluxo pode voltar e causar danos silenciosos.
  5. 05. Se precisar de atestado, solicite ao médico que especifique o CID K21 e o período necessário para seu caso.

Perguntas Frequentes sobre o CID REFLUXO

O CID REFLUXO garante quantos dias de atestado?

Em média, de 3 a 7 dias para quadros agudos. Casos leves podem não necessitar afastamento. O médico define conforme a gravidade e o risco ocupacional.

O que significa CID K21.0?

K21.0 é a subcategoria que indica doença do refluxo gastroesofágico com esofagite, ou seja, com inflamação visível na endoscopia.

Qual a diferença entre K21.0 e K21.9?

K21.0 apresenta esofagite (lesão na mucosa); K21.9 não apresenta lesão visível, mas os sintomas de refluxo estão presentes (DRGE não erosiva).

O CID K21 pode ser usado para atestado de refluxo em bebês?

Sim. Em crianças pequenas, o refluxo fisiológico é comum, mas o CID K21 é usado para casos patológicos com sintomas ou complicações.

O CID K21 tem cura?

A DRGE é crônica, mas controlável. Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes fica assintomática e sem complicações.

Refluxo sem esofagite pode evoluir para esofagite?

Sim, principalmente se houver exposição ácida prolongada. O tratamento precoce reduz esse risco.

Qual exame é padrão-ouro para diagnóstico de refluxo?

A pHmetria esofágica de 24 horas é considerada o padrão-ouro para confirmar exposição ácida anormal.

Posso tomar omeprazol por muitos anos?

Sim, sob orientação médica. O uso prolongado de IBP requer monitoramento de níveis de magnésio, vitamina B12 e densidade óssea.

O CID K21 é o mesmo que azia simples?

Não. Azia é um sintoma; o CID K21 é o diagnóstico da doença do refluxo, que pode causar azia, regurgitação e outros sintomas.

A cirurgia de refluxo é definitiva?

Para muitos pacientes, sim. Mas uma parcela pode necessitar de medicação em longo prazo após a fundoplicatura.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Links externos de referência:
CID10.com.br – K21
MedlinePlus – GERD (inglês)
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
Hospital Israelita Albert Einstein

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