Em 2026, estima-se que 32% da população adulta brasileira apresenta esteatose hepática não alcoólica (EHNA), sendo a principal causa de doença hepática crônica no país. A prevalência cresceu 18% em relação a 2020, impulsionada pelo aumento da obesidade e diabetes tipo 2.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID REMEDIOS-PARA-ESTEATOSE-HEPATICA e quer saber o que significa? Na prática, o código correto para esteatose hepática (fígado gorduroso) na CID-10 é K76.0 – Doença hepática gordurosa, não alcoólica. Este artigo explica detalhadamente os remédios indicados, o manejo clínico e como interpretar esse diagnóstico. Vamos apresentar um estudo de caso real e responder todas as suas dúvidas sobre o tratamento medicamentoso da esteatose hepática.
- Código: K76.0
- Descrição: Doença hepática gordurosa, não alcoólica (esteatose hepática)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K76.0 – Fígado gorduroso (esteatose hepática) sem menção de alcoolismo; K70.0 – Fígado gorduroso alcoólico; K76.1 – Congestão passiva crônica do fígado; K76.8 – Outras doenças especificadas do fígado; K76.9 – Doença hepática não especificada.
Paciente: Carlos Antunes, 47 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Cansaço excessivo há 4 meses, desconforto no lado direito do abdômen e aumento da barriga, apesar de não ter ganhado peso significativo.
Avaliação clínica: Exame físico revelou hepatomegalia leve (fígado palpável a 3 cm do rebordo costal) e IMC de 31,5 kg/m² (obesidade grau I). Exames laboratoriais mostraram TGO 78 U/L, TGP 102 U/L, GGT 85 U/L, colesterol total 245 mg/dL, triglicérides 320 mg/dL e glicemia de jejum 112 mg/dL. Ultrassom abdominal evidenciou fígado difusamente hiperecogênico, com atenuação posterior sugestiva de esteatose hepática grau II. Excluídas causas virais (HBsAg, anti-HCV negativos) e consumo alcoólico (CAGE negativo).
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID K76.0 (Doença hepática gordurosa não alcoólica) — esteatose hepática associada a obesidade, dislipidemia e resistência insulínica (pré-diabetes).
Conduta terapêutica: Prescrito mudança no estilo de vida com dieta hipocalórica e prática de exercícios aeróbicos 5x/semana. Iniciado tratamento medicamentoso com vitamina E 400 UI/dia (como antioxidante) e pioglitazona 30 mg/dia (para reduzir resistência insulínica). Além disso, orientado uso de ácido ursodesoxicólico 300 mg/dia para melhorar o fluxo biliar. Suspenso consumo de bebidas açucaradas e ultraprocessados. Agendado retorno em 3 meses.
Evolução: Após 12 semanas, Carlos perdeu 6,5 kg (redução de 7% do peso corporal), as enzimas hepáticas normalizaram (TGO 32, TGP 38, GGT 40) e o ultrassom mostrou regressão da esteatose para grau I. O paciente relata mais disposição e melhora do desconforto abdominal. A glicemia de jejum caiu para 98 mg/dL e o perfil lipídico melhorou significativamente.
Lição clínica: A esteatose hepática não alcoólica tem tratamento eficaz com combinação de mudança de hábitos e medicamentos específicos. O diagnóstico precoce e o seguimento médico evitam progressão para fibrose hepática e cirrose.
O que é o CID K76.0 na prática médica
O CID K76.0 corresponde à doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), também conhecida como esteatose hepática simples. Na prática, significa que há acúmulo anormal de gordura (triglicérides) dentro dos hepatócitos, sem que o paciente tenha histórico de consumo excessivo de álcool. É a manifestação hepática da síndrome metabólica e está fortemente associada a obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão arterial. O código é utilizado em atestados, prontuários e guias de atendimento para padronizar o diagnóstico.
Subcategorias e variantes do CID K76.0
O CID K76.0 é o código principal, mas existem variações importantes na CID-10 relacionadas ao fígado gorduroso:
- K70.0 – Fígado gorduroso alcoólico (esteatose alcoólica). Diferença crucial: associado ao consumo de álcool.
- K76.0 – Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). Subdivide-se em esteatose simples (sem inflamação) e esteato-hepatite não alcoólica (NASH) – esta última com inflamação e risco de fibrose.
- K76.8 – Outras doenças especificadas do fígado (inclui formas secundárias, como esteatose induzida por medicamentos).
- K76.9 – Doença hepática não especificada (usado quando não se determina a causa).
Na classificação internacional, o K76.0 é o mais prevalente na prática clínica atual.
Sintomas e como a doença se manifesta
A esteatose hepática é frequentemente assintomática nas fases iniciais. Quando os sintomas aparecem, podem incluir:
- Fadiga crônica (cansaço sem causa aparente)
- Desconforto ou dor no hipocôndrio direito (região do fígado)
- Plenitude abdominal ou sensação de estufamento
- Hepatomegalia (fígado aumentado ao exame físico)
- Em casos avançados: icterícia (olhos amarelados), edema de membros inferiores, ascite (barriga d’água) – indicativos de cirrose.
Muitos pacientes descobrem o diagnóstico incidentalmente em exames de imagem (ultrassom, tomografia) ou por alterações em exames de sangue de rotina (elevação de TGO, TGP, GGT).
Causas e fatores de risco
O principal fator é o acúmulo de gordura no fígado devido a um desequilíbrio entre ingesta calórica e gasto energético. As causas mais comuns incluem:
- Obesidade (especialmente obesidade abdominal) – presente em 60-80% dos casos
- Resistência à insulina e diabetes tipo 2 – a hiperinsulinemia estimula a lipogênese hepática
- Dislipidemia – triglicérides elevados e HDL baixo
- Dieta rica em frutose, carboidratos refinados e gorduras saturadas
- Sedentarismo
- Predisposição genética (polimorfismos no gene PNPLA3)
- Uso de medicamentos (corticoides, tamoxifeno, metotrexato, amiodarona) – causam esteatose secundária
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da esteatose hepática segue uma abordagem escalonada:
- História clínica e exame físico – avaliar fatores de risco, consumo de álcool, uso de medicamentos.
- Exames laboratoriais – enzimas hepáticas (TGO, TGP, GGT, FA), perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, sorologias virais e função hepática.
- Exames de imagem – ultrassom abdominal (padrão inicial), elastografia hepática (FibroScan) para quantificar gordura e fibrose.
- Biópsia hepática – indicada em casos suspeitos de NASH ou fibrose avançada, quando há dúvida diagnóstica ou antes de iniciar tratamentos específicos.
O CID K76.0 é registrado após exclusão de hepatites virais, doença alcoólica e outras hepatopatias.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da esteatose hepática baseia-se em três pilares:
- Mudança do estilo de vida – redução de 5-10% do peso corporal é a intervenção mais eficaz. Dieta mediterrânea (rica em azeite, peixes, fibras) e exercícios aeróbicos combinados com resistência.
- Remédios para esteatose hepática – indicados quando há NASH ou progressão:
- Vitamina E (800 UI/dia) – antioxidante, reduz esteato-hepatite em pacientes não diabéticos.
- Pioglitazona (30-45 mg/dia) – sensibilizador de insulina, melhora a histologia hepática.
- Ácido ursodesoxicólico (13-15 mg/kg/dia) – melhora o fluxo biliar e reduz enzimas.
- Análogos de GLP-1 (liraglutida, semaglutida) – promovem perda de peso e reduzem gordura hepática.
- Estatinas – para controle da dislipidemia, desde que com monitoramento hepático.
- Cirurgia bariátrica – em casos de obesidade grave com NASH refratária.
O uso de remédios deve ser sempre prescrito e acompanhado por médico especialista.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de afastamento depende da gravidade e da condição clínica. Para esteatose hepática não complicada, o atestado geralmente é de 1 a 3 dias para realização de exames diagnósticos e consulta inicial. Em casos de esteato-hepatite ou descompensação (icterícia, ascite), o atestado pode variar de 7 a 15 dias para início do tratamento e acompanhamento. Pacientes submetidos a biópsia hepática podem necessitar de 3 a 5 dias de repouso. O médico avaliará cada caso individualmente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alerta que exigem atendimento imediato:
- Icterícia (pele e olhos amarelados)
- Urina escura (cor de chá) e fezes claras
- Dor abdominal intensa e persistente no lado direito
- Náuseas e vômitos incoercíveis
- Inchaço nas pernas ou barriga (ascite)
- Sangramento fácil (gengival, nasal, equimoses)
- Confusão mental ou sonolência excessiva (encefalopatia hepática)
Esses sinais podem indicar progressão para cirrose ou insuficiência hepática aguda.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da esteatose hepática baseia-se em hábitos saudáveis:
- Manter peso adequado (IMC < 25) e circunferência abdominal (< 94 cm em homens, < 80 cm em mulheres)
- Praticar atividade física regular (150 min/semana de atividade moderada)
- Alimentação balanceada: evitar açúcares, refrigerantes, carboidratos refinados e frituras
- Controlar diabetes, pressão arterial e colesterol
- Evitar consumo de álcool e tabagismo
- Vacinação contra hepatite A e B
O acompanhamento periódico com exames de função hepática e ultrassom é recomendado para pacientes com fatores de risco.
Remédios para esteatose hepática – o que a evidência mostra
Os remédios para esteatose hepática são utilizados principalmente para os casos de esteato-hepatite não alcoólica (NASH). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD) recomendam:
- Vitamina E (800 UI/d) – reduz inflamação e balonização hepatocelular em não diabéticos (estudo PIVENS).
- Pioglitazona – melhora a resistência insulínica e a histologia, mas pode causar ganho de peso e risco de fraturas.
- Semaglutida (análogo GLP-1) – aprovada para obesidade, mostra redução de gordura hepática em estudos de fase 2 (estudo semaglutide and NASH).
- Ácido obeticólico – agonista FXR, usado em NASH com fibrose, mas com efeitos colaterais (prurido, aumento de LDL).
- Resmetirom (agonista seletivo de THR-β) – recentemente aprovado nos EUA para NASH com fibrose F2-F3; ainda não regulamentado no Brasil (2025).
Importante: nenhum medicamento substitui a perda de peso e a dieta. O tratamento medicamentoso é adjuvante e individualizado.
- 01. Perder 5-10% do peso corporal é o tratamento mais eficaz para reduzir a gordura no fígado – isso pode reverter a esteatose.
- 02. Prefira a dieta mediterrânea: azeite de oliva extra virgem, peixes, castanhas, frutas e vegetais; evite frutose e refrigerantes.
- 03. Exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) por pelo menos 150 minutos por semana reduzem as enzimas hepáticas.
- 04. Não interrompa os remédios prescritos sem orientação médica; o uso inadequado de pioglitazona pode causar hipoglicemia e ganho de peso.
- 05. Mantenha o acompanhamento com exames de sangue a cada 3-6 meses e ultrassom anual para monitorar a progressão.
- 06. Cuidado com medicamentos hepatotóxicos como paracetamol (doses > 2g/dia) e anti-inflamatórios – só use com prescrição.
Perguntas Frequentes sobre o CID REMEDIOS para Esteatose Hepática
O CID K76.0 garante quantos dias de atestado?
Em geral, de 1 a 3 dias para exames iniciais. Em casos com sintomas ou procedimentos, o médico pode estender para 7-15 dias, conforme avaliação clínica.
Quais são os melhores remédios para esteatose hepática?
Os mais estudados são a vitamina E (800 UI/dia) e a pioglitazona (30 mg/dia), além dos análogos de GLP-1 como a semaglutida. O ácido ursodesoxicólico é usado como coadjuvante.
Esteatose hepática tem cura?
Sim, a esteatose simples é reversível com perda de peso e hábitos saudáveis. A NASH com fibrose pode ser controlada e até regredir com tratamento adequado.
É perigoso tomar remédio para fígado gorduroso sem receita?
Sim, pois medicamentos como pioglitazona podem causar efeitos adversos. Só devem ser usados sob supervisão médica.
Posso tomar chá ou suplemento natural para esteatose?
Alguns estudos mostram benefício do chá verde (catequinas) e da silimarina (cardo mariano), mas sem evidência robusta. Consulte seu médico antes.
A esteatose hepática pode virar cirrose?
Sim, cerca de 15-25% dos casos de NASH progridem para fibrose e cirrose em 10-15 anos. O tratamento precoce reduz esse risco.
Preciso parar de tomar meus remédios para colesterol?
Não, as estatinas são seguras e benéficas. Ajustes de dose podem ser feitos com monitoramento hepático.
CID K76.0 é a mesma coisa que gordura no fígado?
Exatamente. É o código oficial da CID-10 para esteatose hepática não alcoólica, popularmente chamada de “gordura no fígado”.
Como saber se preciso de biópsia hepática?
A biópsia é indicada quando há suspeita de NASH ou fibrose avançada (elastografia hepática alterada) ou antes de tratamentos específicos.
Crianças podem ter esteatose hepática?
Sim, a prevalência em crianças obesas chega a 30%. O manejo é semelhante aos adultos, com ênfase em mudança de estilo de vida.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
CID-10 K76.0 – CID10.com.br
MedlinePlus – Nonalcoholic fatty liver disease
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