Em 2026, estima-se que as fraturas do pé (CID S92) representam aproximadamente 10% de todas as fraturas atendidas em pronto-socorros brasileiros, com maior incidência em adultos jovens praticantes de esportes e idosos com osteoporose. A fratura do 5º metatarso (fratura de Jones) é uma das apresentações mais comuns, correspondendo a cerca de 5% das fraturas do pé.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID S92 e quer saber o que significa? Este artigo explica detalhadamente o CID S92 — “Fratura do pé (exceto tornozelo)” —, abordando sintomas, causas, tratamento, tempo de afastamento e respostas às dúvidas mais comuns. Todo conteúdo é baseado na CID-10 da OMS e nas diretrizes do Ministério da Saúde.
- Código: S92
- Descrição: Fratura do pé (exceto tornozelo)
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: S92.0 (Fratura do calcâneo), S92.1 (Fratura do tálus), S92.2 (Fratura do navicular), S92.3 (Fratura do cubóide), S92.4 (Fratura do cuneiforme), S92.5 (Fratura do metatarso), S92.7 (Fratura de falanges do pé), S92.8 (Outras fraturas do pé), S92.9 (Fratura não especificada do pé)
Paciente: Carlos Oliveira, 34 anos, engenheiro e jogador amador de futebol aos finais de semana.
Queixa principal: Dor intensa no dorso do pé direito após chutar a bola durante uma partida de futebol, com incapacidade de apoiar o pé e edema local imediato.
Avaliação clínica: Ao exame, apresentava edema e equimose na região dorsal do pé, dor à palpação na base do 5º metatarso e crepitação suspeita. Foi solicitada radiografia em AP e perfil, que evidenciou fratura completa da base do 5º metatarso (fratura de Jones), sem desvio significativo.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID S92.5 — Fratura do metatarso, especificamente a base do 5º metatarso (fratura de Jones).
Conduta terapêutica: Foi imobilizado com bota ortopédica (imobilização rígida) e orientado a usar muletas para não apoiar o pé por 6 semanas. Prescrição de analgésicos (paracetamol 750mg 6/6h) e anti-inflamatório (ibuprofeno 600mg 8/8h) por 7 dias, além de aplicação de gelo 3 vezes ao dia por 20 minutos e elevação do membro.
Evolução: Após 6 semanas de imobilização, a radiografia de controle mostrou consolidação óssea satisfatória. Carlos iniciou fisioterapia para recuperação da mobilidade e fortalecimento muscular. Retornou às atividades esportivas leves após 12 semanas, com liberação gradual.
Lição clínica: Fraturas do metatarso, especialmente a de Jones, exigem diagnóstico precoce e imobilização adequada para evitar pseudoartrose. O paciente deve seguir rigorosamente o período de descarga de peso.
O que é o CID S92 na prática médica
O CID S92 corresponde ao grupo de fraturas que ocorrem nos ossos do pé, excluindo as fraturas do tornozelo (classificadas em S82). Na prática clínica, esse código é utilizado para registrar qualquer fratura envolvendo calcâneo, tálus, navicular, cubóide, cuneiformes, metatarsos ou falanges do pé. A classificação é fundamental para a padronização de diagnósticos em prontuários, atestados, guias de exames e autorizações de planos de saúde. O CID S92 permite que médicos, hospitais e seguradoras identifiquem rapidamente o tipo de lesão, facilitando a comunicação e o planejamento do tratamento.
As fraturas do pé são lesões comuns, especialmente em acidentes de trânsito, quedas, esportes de impacto ou traumas diretos. O pé é uma estrutura complexa, composta por 26 ossos e inúmeras articulações, e qualquer fratura pode comprometer a marcha e a qualidade de vida. Por isso, o diagnóstico correto e o tratamento adequado são essenciais. O CID S92 abrange desde fraturas simples e estáveis até fraturas cominutivas e deslocadas que podem exigir cirurgia.
Subcategorias e variantes do CID S92
O CID S92 desdobra-se em diversas subcategorias que especificam o osso fraturado:
- S92.0 – Fratura do calcâneo: O osso do calcanhar, geralmente por quedas de altura. Pode causar deformidade e artrose pós-traumática.
- S92.1 – Fratura do tálus: Osso que conecta o pé à perna; fraturas raras mas graves, com risco de necrose avascular.
- S92.2 – Fratura do navicular: Osso do mediopé, comum em atletas e por sobrecarga.
- S92.3 – Fratura do cubóide: Geralmente associada a outras fraturas do pé.
- S92.4 – Fratura do cuneiforme: Rara, geralmente por trauma de alta energia.
- S92.5 – Fratura do metatarso: Muito comum, especialmente a fratura da base do 5º metatarso (fratura de Jones) e as fraturas por estresse (fratura da marcha).
- S92.7 – Fratura de falanges do pé: Fraturas dos dedos, geralmente por queda de objetos ou esmagamento. As mais frequentes são do hálux e do 5º dedo.
- S92.8 – Outras fraturas do pé: Para fraturas em ossos sesamoides ou múltiplos ossos sem especificação.
- S92.9 – Fratura não especificada do pé: Usada quando o osso exato não é determinado.
Cada subcategoria possui características próprias de tratamento e prognóstico. Por exemplo, a fratura do calcâneo (S92.0) frequentemente requer cirurgia e longo período de reabilitação, enquanto uma fratura simples de falange (S92.7) pode ser tratada com imobilização por 3-4 semanas.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas de uma fratura do pé (CID S92) são geralmente evidentes e incluem:
- Dor intensa e imediata no local da fratura, que piora ao tentar apoiar o pé ou mover os dedos;
- Edema (inchaço) que pode se estender para todo o pé e tornozelo;
- Equimose (hematoma) que aparece horas após o trauma;
- Deformidade visível em casos de fraturas deslocadas (ex.: calcanhar achatado na fratura do calcâneo);
- Dificuldade ou incapacidade de andar — o paciente evita colocar peso sobre o pé;
- Crepitação óssea (sensação de atrito dos fragmentos) ao palpar a área;
- Dor à compressão lateral do pé ou à movimentação passiva dos dedos.
Em fraturas por estresse (comuns em corredores e militares), a dor pode ser insidiosa, surgindo gradualmente durante a atividade e melhorando com o repouso. Muitas vezes, o paciente só procura o médico após semanas de dor persistente.
Causas e fatores de risco
As causas mais frequentes de fraturas do pé (CID S92) são:
- Traumas diretos: Quedas, acidentes automobilísticos, esmagamento por objetos pesados, chutes contra superfícies duras;
- Mecanismo de torção: Entorses graves do pé podem arrancar fragmentos ósseos (fratura-avulsão);
- Sobrecarga repetitiva: Fraturas por estresse em metatarsos, principalmente em corredores, bailarinos e soldados;
- Osteoporose: Ossos fragilizados em idosos aumentam o risco de fraturas mesmo com traumas leves;
- Esportes de impacto: Futebol, basquete, corrida, saltos;
- Uso de calçados inadequados: Sapatos muito apertados ou sem amortecimento podem contribuir para fraturas por estresse.
Fatores de risco incluem idade avançada, sexo feminino (maior prevalência de osteoporose), baixa densidade óssea, tabagismo, doenças metabólicas (diabetes, hipertireoidismo) e uso crônico de corticosteroides.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de uma fratura do pé (CID S92) baseia-se na história clínica, exame físico e exames de imagem:
- Anamnese: O médico pergunta sobre o mecanismo do trauma, intensidade da dor, capacidade de apoiar o pé e sintomas associados;
- Exame físico: Inspeção (edema, equimose, deformidade), palpação (pontos dolorosos, crepitação), avaliação da mobilidade ativa e passiva, verificação de pulso e sensibilidade distal;
- Radiografia: É o exame de primeira linha. São solicitadas incidências anteroposterior, perfil e oblíqua. Permite visualizar a maioria das fraturas, alinhamento e desvio;
- Tomografia computadorizada (TC): Indicada para fraturas complexas do calcâneo, tálus ou articulares, planejamento cirúrgico e avaliação de fragmentos;
- Ressonância magnética (RM): Útil em fraturas por estresse suspeitas, lesões de partes moles ou necrose avascular do tálus;
- Cintilografia óssea: Pode detectar fraturas por estresse precoces, mas é menos usada atualmente com a disponibilidade da RM.
O diagnóstico diferencial inclui entorses graves, luxações, tendinites e fraturas incompletas. Em caso de dúvida, o médico pode solicitar exames complementares ou encaminhar para ortopedista.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID S92 é individualizado conforme a localização, desvio, estabilidade e condições do paciente. As opções variam de conservador a cirúrgico:
Tratamento conservador (não cirúrgico):
- Imobilização com gesso, bota ortopédica ou tala por 4 a 8 semanas, dependendo do osso fraturado;
- Uso de muletas para evitar descarga de peso durante a fase inicial;
- Analgésicos (paracetamol, dipirona) e anti-inflamatórios (ibuprofeno, nimesulida) para controle da dor e edema;
- Crioterapia (gelo) por 15-20 minutos a cada 3-4 horas nas primeiras 48h;
- Elevação do membro acima do nível do coração para reduzir o inchaço;
- Fisioterapia após remoção da imobilização para recuperar amplitude de movimento, força e propriocepção.
Tratamento cirúrgico:
- Indicado para fraturas deslocadas, intra-articulares, cominutivas, abertas ou que não consolidam com tratamento conservador;
- Técnicas: redução aberta e fixação interna com placas e parafusos, ou fixação percutânea com fios de Kirschner;
- Pós-operatório: imobilização por 2 a 6 semanas, seguida de fisioterapia;
- Retirada dos implantes geralmente após 6-12 meses, se houver sintomas.
No caso de fraturas por estresse, o tratamento é basicamente repouso relativo e modificação da atividade esportiva por 6-8 semanas, com retorno gradual.
Quantos dias de atestado médico para CID S92
O número de dias de atestado (afastamento do trabalho) para o CID S92 depende da gravidade da fratura, do tipo de tratamento e da profissão do paciente. Em termos gerais:
- Fratura de falange (dedo) sem desvio: 7 a 14 dias de repouso, com imobilização. Para trabalhos administrativos, pode ser liberado mais cedo com adaptações.
- Fratura de metatarso estável (ex.: 2º ou 3º metatarso): 4 a 6 semanas de imobilização e descarga de peso. Atestado de 30 a 45 dias, podendo ser prorrogado.
- Fratura de Jones (base do 5º metatarso): 6 a 8 semanas de imobilização sem apoio. Atestado médio de 45 a 60 dias.
- Fratura do calcâneo (cirúrgica ou com desvio): 8 a 12 semanas de descarga de peso, com fisioterapia prolongada. Atestado de 60 a 90 dias, podendo chegar a 120 dias em casos complexos.
- Fraturas múltiplas ou com complicações: O afastamento pode ultrapassar 90 dias, com reavaliação periódica.
O médico assistente define o período com base na evolução clínica e radiográfica. O atestado deve ser emitido com o CID e o tempo estimado. Pacientes que exercem atividades físicas intensas (operários, atletas) podem precisar de afastamento maior ou readaptação de função.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico de emergência imediatamente se apresentar:
- Dor intensa e incapacitante após trauma;
- Deformidade evidente do pé (calcanhar desalinhado, dedos tortos);
- Incapacidade total de mover os dedos ou o pé;
- Ferimento aberto com exposição óssea (fratura exposta);
- Dormência, formigamento ou palidez dos dedos (sinais de comprometimento vascular ou nervoso);
- Inchaço progressivo que não melhora com repouso e elevação;
- Febre ou sinais de infecção (calor, rubor, secreção) após a lesão.
Também é importante buscar avaliação ortopédica em até 24-48 horas após o trauma para fraturas suspeitas, mesmo que não haja deformidade evidente, pois o diagnóstico precoce melhora o prognóstico.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção de fraturas do pé (CID S92) envolve medidas gerais e específicas:
- Uso de calçados adequados: Sapatos com bom amortecimento, solado firme e que se ajustem corretamente, especialmente durante atividades esportivas;
- Fortalecimento muscular: Exercícios para panturrilha, tornozelo e pé melhoram a estabilidade e reduzem o risco de fraturas por estresse;
- Alongamento: Antes e depois da atividade física;
- Controle do peso: Obesidade aumenta a carga sobre os pés;
- Prevenção de quedas: Em idosos, usar barras de apoio, tapetes antiderrapantes, boa iluminação;
- Suplementação de cálcio e vitamina D: Para manter a saúde óssea, especialmente em mulheres pós-menopausa;
- Evitar sobrecarga progressiva: Aumentar a intensidade do treino gradualmente (regra dos 10% de incremento semanal).
Após uma fratura, os cuidados contínuos incluem seguir a reabilitação fisioterapêutica, realizar exames de controle conforme orientação e retornar gradualmente às atividades diárias e esportivas somente com liberação médica.
- 01. Nunca ignore uma dor persistente no pé após uma atividade física — pode ser uma fratura por estresse. Procure um ortopedista mesmo que a radiografia inicial seja normal.
- 02. Durante a imobilização, mantenha o pé elevado sempre que possível e aplique gelo por 20 minutos várias vezes ao dia para controlar o inchaço.
- 03. Não interrompa o uso de muletas antes da autorização médica — apoiar o peso precocemente pode deslocar a fratura ou atrasar a consolidação.
- 04. Ao retornar às atividades, use calçados com solado rígido e amortecimento; evite andar descalço por pelo menos 3 meses.
- 05. Realize fisioterapia mesmo após a retirada do gesso — o fortalecimento muscular e a reeducação da marcha são essenciais para evitar recidivas e compensações.
- 06. Mantenha uma alimentação rica em cálcio (leite, queijos, vegetais escuros) e vitamina D (exposição solar moderada ou suplementação) para acelerar a consolidação óssea.
Perguntas Frequentes sobre o CID S92
O CID S92 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo, pois depende da gravidade. Em média, fraturas simples de dedos geram 7-14 dias; fraturas de metatarso estáveis, 30-45 dias; fraturas do calcâneo ou complexas, 60-90 dias ou mais. O médico define o período com base na evolução.
O CID S92 é grave? Pode causar sequelas?
Algumas fraturas do pé, especialmente as intra-articulares do calcâneo e tálus, podem levar a artrose pós-traumática, limitação de movimento e dor crônica se não tratadas adequadamente. Fraturas simples geralmente curam sem sequelas significativas.
Qual a diferença entre CID S92 e CID S82?
O CID S82 classifica fraturas do tornozelo (maléolos, pilão tibial). O CID S92 é exclusivo para fraturas dos ossos do pé: calcâneo, tálus, metatarsos, falanges etc. A localização anatômica determina o código.
Posso dirigir com CID S92 e imobilização?
Não é recomendado, especialmente se a imobilização for no pé direito (pedais) ou se houver uso de muletas. Dirigir com gesso ou bota ortopédica pode comprometer a segurança. Consulte seu médico e a legislação de trânsito local.
Quanto tempo leva para consolidar uma fratura do pé?
Em média, de 6 a 12 semanas para consolidação óssea completa. Fraturas do metatarso curam em 6-8 semanas; as do calcâneo podem levar 12 semanas ou mais. Fatores como idade, tabagismo e doenças ósseas influenciam o tempo.
Fratura do pé (S92) precisa de cirurgia?
Nem sempre. A maioria das fraturas sem desvio é tratada conservadoramente com imobilização. A cirurgia é indicada quando há desvio significativo, fragmentos articulares deslocados, fratura exposta ou falha do tratamento conservador.
O que é a fratura de Jones (CID S92.5)?
É a fratura da base do 5º metatarso, em uma zona de vascularização precária (zona de Watershed). Por isso, tem maior risco de não consolidação (pseudoartrose). O tratamento pode ser conservador (imobilização prolongada) ou cirúrgico (fixação com parafuso).
Crianças com CID S92 precisam de cuidados especiais?
Sim. As fraturas em crianças envolvem placas de crescimento (fises) e podem causar deformidades se não tratadas corretamente. O acompanhamento com ortopedista pediátrico é essencial. O tempo de imobilização costuma ser menor devido à maior capacidade de regeneração.
Posso tomar sol para ajudar na consolidação?
A exposição solar moderada (15-20 minutos/dia) estimula a produção de vitamina D, que auxilia na absorção de cálcio e na saúde óssea. No entanto, não substitui o tratamento médico e a imobilização. Consulte seu médico sobre suplementação.
O CID S92 pode ser usado tanto para fratura recente quanto para fratura antiga?
O código é usado para fraturas agudas. Para fraturas consolidadas ou sequelas, existem outros códigos (ex.: M84.1 – pseudoartrose). O CID S92 deve ser utilizado no momento do diagnóstico ou durante o tratamento ativo da fratura.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Para mais informações, consulte fontes confiáveis como CID10.com.br ou o MedlinePlus.
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