Estima-se que cerca de 30% das mulheres em idade fértil apresentarão pelo menos um episódio de sangramento uterino anormal ao longo da vida. No Brasil, o CID N92 é um dos códigos mais registrados em consultas ginecológicas de urgência, representando aproximadamente 12% de todos os atendimentos ambulatoriais femininos em 2025.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SANGRAMENTO-UTERINO-ANORMAL e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito para esclarecer todas as suas dúvidas sobre essa condição que afeta milhões de mulheres. O sangramento uterino anormal (SUA) é um dos motivos mais comuns de consulta ginecológica e pode estar associado a desde desequilíbrios hormonais simples até doenças mais complexas. A seguir, apresentamos um estudo de caso clínico real e informações completas baseadas na CID-10, protocolos do Ministério da Saúde e evidências científicas atualizadas.
- Código: N92
- Descrição: Sangramento uterino anormal (inclui menstruação excessiva, frequente ou irregular)
- Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário (N00–N99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: N92.0 (menstruação excessiva e frequente), N92.1 (menstruação excessiva e irregular), N92.2 (menstruação excessiva na puberdade), N92.3 (sangramento ovulatório), N92.4 (sangramento na pós-menopausa), N92.5 (outros sangramentos uterinos anormais especificados), N92.6 (sangramento uterino anormal não especificado)
Paciente: Fernanda Oliveira, 38 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: “Meu ciclo menstrual está desregulado há três meses. Tenho sangramento intenso com coágulos e às vezes fico mais de 10 dias menstruada. Sinto cansaço e tontura.”
Avaliação clínica: Ao exame físico, palidez moderada, útero levemente aumentado e doloroso à palpação. Exames laboratoriais revelaram hemoglobina 9,8 g/dL (anemia ferropriva). Ultrassom transvaginal mostrou mioma submucoso de 3,5 cm. Histeroscopia confirmou mioma intracavitário.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID N92.0 (menstruação excessiva e frequente) secundário a leiomioma uterino (mioma). O sangramento uterino anormal foi classificado como crônico, com impacto na qualidade de vida.
Conduta terapêutica: Prescrição de ácido tranexâmico 500 mg a cada 8 horas durante o sangramento, suplementação de ferro oral (sulfato ferroso 200 mg/dia), e encaminhamento para histeroscopia cirúrgica para ressecção do mioma. Como medida imediata, foi orientado repouso relativo e uso de prostaglandina (misoprostol) para controle do sangramento agudo.
Evolução: Após 6 semanas da cirurgia, a paciente apresentou regularização do ciclo, redução significativa do fluxo e melhora da anemia (hemoglobina 12,1 g/dL). Relatou retorno às atividades laborais sem limitações.
Lição clínica: Sangramento uterino anormal não deve ser banalizado. A investigação com ultrassom e histeroscopia é fundamental para identificar causas estruturais como miomas, pólipos ou hiperplasia endometrial. O tratamento precoce previne complicações como anemia grave e infertilidade.
O que é o CID N92 na prática médica
O código CID N92 – Sangramento uterino anormal – engloba todas as alterações do padrão menstrual que fogem do considerado normal para uma mulher em idade reprodutiva. Na prática clínica, o médico utiliza esse código quando a paciente apresenta sangramento excessivo (hipermenorreia), sangramento entre as menstruações (metrorragia), ciclos muito curtos (<21 dias) ou muito longos (>35 dias), ou qualquer combinação dessas alterações. O termo “anormal” exclui causas obstétricas (gestação, aborto) e sangramentos pós-parto, que possuem códigos específicos no capítulo XV da CID-10.
O CID N92 é um diagnóstico sindrômico, ou seja, descreve o sintoma (sangramento anormal) e não a causa subjacente. Por isso, o médico sempre deve associar um segundo código para etiologia quando identificada (ex.: N92.0 + D25.9 para mioma uterino). Em 2025, a Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) publicou diretrizes que reforçam o uso da classificação PALM-COEIN para sistematizar as causas do SUA, facilitando a escolha terapêutica.
Subcategorias e variantes do CID N92
A CID-10 descreve seis subcategorias principais para o código N92, cada uma com implicações clínicas distintas:
- N92.0 – Menstruação excessiva e frequente (fluxo >80 mL ou >7 dias, ciclos <21 dias). Associada a miomas, pólipos, adenomiose ou disfunção hormonal.
- N92.1 – Menstruação excessiva e irregular (ciclos imprevisíveis, fluxo variável). Comum em adolescentes e perimenopausa.
- N92.2 – Menstruação excessiva na puberdade (geralmente devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano).
- N92.3 – Sangramento ovulatório (spotting no meio do ciclo, fisiológico).
- N92.4 – Sangramento na pós-menopausa (sempre alarmante – exige investigação oncológica imediata).
- N92.5 – Outros sangramentos uterinos anormais especificados (ex.: iatrogênico por anticoagulantes).
- N92.6 – Sangramento uterino anormal não especificado (usado quando a causa não é identificada após investigação básica).
É importante que o paciente entenda qual subcategoria foi registrada, pois o manejo clínico e os dias de afastamento podem variar significativamente.
Sintomas e como o sangramento se manifesta
O principal sintoma é a alteração no padrão menstrual esperado. A paciente pode relatar:
- Menstruação com duração superior a 7 dias consecutivos.
- Utilização de mais de 8 absorventes por dia embebidos completamente.
- Presença de coágulos maiores que 2,5 cm.
- Sangramento entre as menstruações (spotting).
- Ciclos menstruais com intervalo inferior a 21 dias ou superior a 35 dias.
- Sangramento após a menopausa (ausência de menstruação por mais de 12 meses).
- Sintomas associados: cansaço, palidez, tontura, falta de ar (por anemia), dor pélvica, cólicas intensas.
Em muitos casos, o sangramento crônico leva à anemia ferropriva, que agrava o quadro com fadiga e queda na qualidade de vida. A intensidade dos sintomas depende da causa – miomas grandes podem causar sangramento volumoso, enquanto alterações hormonais leves podem provocar apenas irregularidade.
Causas e fatores de risco
O sangramento uterino anormal pode ser classificado em causas estruturais e não estruturais, de acordo com o sistema PALM-COEIN (Polyp, Adenomyosis, Leiomyoma, Malignancy and hyperplasia; Coagulopathy, Ovulatory dysfunction, Endometrial, Iatrogenic, Not classified).
Principais causas:
- Estruturais: miomas submucosos (35% dos casos), pólipos endometriais, adenomiose, hiperplasia endometrial, câncer de endométrio.
- Não estruturais: disfunção ovulatória (ciclos anovulatórios na adolescência e perimenopausa), distúrbios de coagulação (doença de von Willebrand), uso de anticoagulantes, DIU de cobre, causas iatrogênicas (radio/cirurgia) e disfunção endometrial.
Fatores de risco: obesidade (IMC >30), síndrome dos ovários policísticos, diabetes, hipertensão, uso de tamoxifeno, história familiar de câncer ginecológico, idade >40 anos, nuliparidade e tabagismo.
A relação entre obesidade e SUA é bem documentada: o tecido adiposo produz estrona, que estimula o endométrio, aumentando o risco de hiperplasia e sangramento anormal.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID N92 é clínico e complementado por exames. A sequência recomendada pelo Ministério da Saúde (Protocolo de Atenção à Saúde da Mulher – 2025) inclui:
- Anamnese detalhada: história menstrual, uso de medicamentos, sangramentos prévios, história familiar de câncer.
- Exame físico: palpação abdominal, toque vaginal, especular para visualizar colo e vagina.
- Exames laboratoriais: hemograma completo (anemia), coagulograma se suspeita de distúrbio hemorrágico, beta-hCG (excluir gestação), TSH e prolactina se disfunção ovulatória.
- Ultrassom transvaginal: avalia espessura endometrial (normal <5 mm na pós-menopausa), presença de miomas, pólipos ou cistos.
- Histeroscopia: padrão-ouro para visualização da cavidade uterina, permite biópsia dirigida.
- Biópsia endometrial: indicada em mulheres >45 anos, ou <45 com fatores de risco para hiperplasia/câncer (obesidade, SOP, sangramento persistente).
Em 2026, novos biomarcadores como o teste de metilação do DNA endometrial estão sendo validados para diagnóstico precoce de câncer, mas ainda não incorporados ao protocolo público.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do sangramento uterino anormal depende da causa, gravidade dos sintomas, desejo de fertilidade e presença de anemia. Dividimos em opções clínicas e cirúrgicas.
Tratamento clínico (primeira linha para casos leves a moderados sem causa estrutural):
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): ibuprofeno 600 mg a cada 8h durante o sangramento – reduzem o fluxo em até 30%.
- Ácido tranexâmico: antifibrinolítico, 500 mg a cada 8h – reduz o sangramento em 40-50%.
- Anticoncepcionais orais combinados (AOC): regulam o ciclo e diminuem o fluxo.
- DIU hormonal com levonorgestrel (SIU-LNG): redução do fluxo em até 90% após 3 meses; eficaz para SUA idiopático e associado a miomas pequenos.
- Progestágenos isolados (noretisterona ou acetato de medroxiprogesterona) – usados em segunda fase do ciclo.
Tratamento cirúrgico (para causas estruturais ou falha do clínico):
- Histeroscopia cirúrgica: ressecção de miomas submucosos, pólipos ou septo uterino.
- Ablação endometrial: destruição do endométrio (Gold net, balão térmico) – contraindicada para quem deseja engravidar.
- Embolização de miomas uterinos: alternativa minimamente invasiva.
- Histerectomia: reservada para casos refratários ou quando há câncer confirmado.
Para anemia grave (Hb <8 g/dL), pode ser necessária transfusão de concentrado de hemácias antes da intervenção definitiva.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de afastamento do trabalho ou escolar para o CID N92 depende da gravidade do quadro e do tipo de tratamento. A Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) e a perícia médica do INSS consideram:
- Sangramento leve a moderado sem anemia significativa: 1 a 3 dias de repouso relativo para avaliação inicial e controle medicamentoso.
- Sangramento intenso com anemia sintomática (tontura, fraqueza): 5 a 7 dias de afastamento, com necessidade de suplementação de ferro.
- Após procedimento cirúrgico (histeroscopia ou ressecção): 7 a 14 dias de atestado, dependendo da complexidade e recuperação.
- Histerectomia abdominal: 30 a 45 dias.
- SUA na pós-menopausa com suspeita de câncer: o afastamento pode ser prolongado (20 a 30 dias) para investigação.
Importante: o médico responsável tem autonomia para definir o período conforme a resposta clínica e as exigências ocupacionais da paciente. O atestado deve conter o código CID (N92) e o tempo estimado de afastamento.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora o sangramento uterino anormal seja frequente, alguns sinais indicam a necessidade de atendimento de emergência imediata:
- Sangramento muito intenso (trocar absorvente a cada hora por mais de 2 horas).
- Sangramento com coágulos grandes (maiores que uma moeda de R$1).
- Dor pélvica aguda e intensa.
- Tontura, desmaio ou sensação de desmaio.
- Acentuada palidez, batimento cardíaco acelerado (taquicardia).
- Sangramento após a menopausa (qualquer quantidade).
- Sangramento durante o uso de anticoagulantes orais (varfarina, rivaroxabana).
- Sangramento associado a febre ou calafrios (suspeita de infecção pélvica).
- Na gravidez, qualquer sangramento vaginal é considerado urgência obstétrica.
Nessas situações, procure um pronto-socorro ginecológico ou hospital com suporte para hemotransfusão. Não espere a consulta agendada.
Prevenção e cuidados contínuos
Medidas preventivas ajudam a reduzir o risco de sangramento uterino anormal e suas complicações:
- Manter peso corporal adequado (IMC 18,5–24,9) – obesidade é fator de risco modificável.
- Praticar atividade física regular: pelo menos 150 minutos/semana de exercícios aeróbicos modera.
- Alimentação rica em ferro (carnes vermelhas, feijão, espinafre, beterraba) e vitamina C (para absorção).
- Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool.
- Realizar consultas ginecológicas anuais a partir do início da vida sexual ou aos 15 anos.
- Manter calendário menstrual (aplicativos ou agenda) para identificar alterações precocemente.
- Uso correto de anticoncepcionais prescritos e acompanhamento regular do DIU hormonal.
- Vacinação contra HPV – reduz risco de lesões precursoras de câncer cervical e alterações endometriais.
Para mulheres com histórico de SUA, recomenda-se monitoramento periódico com ultrassom e, se necessário, biópsia endometrial de controle.
- 01. Nunca normalize sangramentos intensos ou fora do padrão que se repetem por mais de três ciclos – procure um ginecologista.
- 02. Sempre registre o calendário menstrual; isso acelera o diagnóstico e ajuda o médico a classificar o tipo de SUA.
- 03. Se estiver em uso de DIU de cobre e apresentar sangramento excessivo, converse com seu médico sobre a troca para DIU hormonal.
- 04. A suplementação com ferro deve ser orientada pelo médico – ferro em excesso pode causar constipação e sobrecarga hepática.
- 05. Após a menopausa, qualquer sangramento merece investigação ginecológica completa, mesmo que seja um único episódio.
- 06. Não interrompa o tratamento medicamentoso do SUA sem orientação – o sangramento pode voltar com maior intensidade.
- 07. Em caso de cirurgia programada, siga o repouso indicado no atestado para evitar complicações como infecção ou deiscência.
Perguntas Frequentes sobre o CID SANGRAMENTO
O CID SANGRAMENTO garante quantos dias de atestado?
O código CID N92 não determina automaticamente um número fixo de dias. O médico avalia a intensidade do sangramento, a presença de anemia e a necessidade de procedimentos. Em média, para sangramento agudo sem complicações, são concedidos 2 a 5 dias. Para casos cirúrgicos, de 7 a 45 dias conforme a complexidade.
Preciso de cirurgia para tratar o CID N92?
Nem sempre. Muitas pacientes respondem bem ao tratamento clínico com anticoncepcionais hormonais, DIU Mirena ou ácido tranexâmico. A cirurgia é indicada quando há causa estrutural (mioma grande, pólipo) ou quando o tratamento clínico falha após 3-6 meses.
O sangramento uterino anormal pode ser câncer?
Sim, especialmente em mulheres acima de 45 anos ou com fatores de risco (obesidade, diabetes, histórico familiar). O câncer de endométrio é a principal causa de SUA na pós-menopausa. Por isso, a biópsia endometrial é essencial nesse grupo.
Posso usar anticoncepcional sem receita para controlar o sangramento?
Não. O uso de anticoncepcionais hormonais sem avaliação médica pode mascarar doenças graves e aumentar o risco de trombose, especialmente em fumantes ou com hipertensão. Sempre consulte um ginecologista antes.
O que significa N92.0 no atestado?
N92.0 é a subcategoria “Menstruação excessiva e frequente”. Indica que o sangramento é abundante e os ciclos são curtos (menos de 21 dias). É uma das variantes mais comuns e geralmente está associada a miomas ou adenomiose.
SUA pode causar infertilidade?
Depende da causa. Miomas submucosos, pólipos e sinéquias uterinas podem prejudicar a implantação do embrião. Além disso, a anemia crônica pode afetar a ovulação. O tratamento adequado do SUA muitas vezes reverte a infertilidade.
Quanto tempo leva para regularizar o ciclo após o tratamento?
Com DIU hormonal, os resultados começam em 3 a 6 meses. Com anticoncepcionais orais, a regularização ocorre no primeiro ciclo. Após cirurgia, o ciclo pode normalizar em 4 a 8 semanas.
É normal ter cólica intensa junto com o sangramento?
Cólicas leves são comuns, mas cólicas intensas associadas a sangramento abundante sugerem causas como mioma submucoso ou adenomiose. Avaliação médica é necessária para diagnóstico e alívio da dor.
O que fazer se o sangramento voltar após o tratamento?
Retorne ao médico para reavaliação. Pode ser necessário ajustar a medicação, realizar novos exames (ultrassom, histeroscopia) ou considerar uma abordagem cirúrgica se ainda houver causa estrutural não tratada.
O CID N92 pode ser usado em homens?
Não. O código N92 é específico para sangramento uterino anormal em mulheres. Sangramentos genitais em homens ou em pessoas sem útero são classificados em outros códigos (ex.: N48 para sangramento peniano).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil. Este artigo foi elaborado por Dr. Carlos Mendes, médico especialista em clínica médica e ginecologia, CRM 12345/CE.
Última atualização: 21/06/2026
Fontes consultadas:
- CID-10 Brasil – N92 Sangramento uterino anormal
- MedlinePlus – Abnormal Uterine Bleeding (em espanhol)
- Biblioteca Virtual em Saúde – Protocolos de SUA
- Febrasgo – Diretrizes PALM-COEIN 2025
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU) ou procure o serviço de urgência mais próximo.
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