Estima-se que mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivam com algum grau de perda auditiva; destas, cerca de 430 milhões apresentam perda moderada a profunda. No Brasil, a prevalência de deficiência auditiva atinge aproximadamente 5% da população adulta, sendo a perda neurossensorial bilateral (CID H90.5) uma das causas mais comuns em idosos e em exposição ocupacional a ruído.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SAUDE-AUDITIVA e quer saber o que significa? O termo “CID Saúde Auditiva” não é um código único, mas abrange diversas classificações relacionadas à perda auditiva. Este artigo foca no CID H90.5 – Perda auditiva neurossensorial, bilateral – uma das condições mais frequentes na prática clínica. Vamos explicar de forma clara e completa o que essa classificação representa, como é feito o diagnóstico, quais os tratamentos e o que esperar em termos de afastamento do trabalho.
- Código: H90.5
- Descrição: Perda auditiva neurossensorial, bilateral
- Categoria: Capítulo VIII – Doenças do ouvido e da apófise mastoide (H60-H95)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: H90.0 (Perda auditiva condutiva, bilateral), H90.1 (Perda auditiva condutiva, unilateral), H90.2 (Perda auditiva condutiva, não especificada), H90.3 (Perda auditiva neurossensorial, unilateral), H90.4 (Perda auditiva neurossensorial, não especificada), H90.5 (Perda auditiva neurossensorial, bilateral), H90.6 (Perda auditiva mista, bilateral), H90.7 (Perda auditiva mista, unilateral), H90.8 (Perda auditiva mista, não especificada)
Paciente: João Batista, 58 anos, operador de máquinas pesadas em indústria metalúrgica há 32 anos
Queixa principal: Dificuldade crescente para ouvir conversas em ambientes ruidosos, zumbido bilateral constante nos últimos 6 meses e sensação de “ouvido tampado” pela manhã
Avaliação clínica: Otorrinolaringologista realizou otoscopia (condutos normais), audiometria tonal e vocal e imitanciometria. Audiometria revelou perda neurossensorial simétrica de grau moderado a severo em altas frequências (4-8 kHz), com limiar médio de 55 dB NA em ambas as orelhas. Imitanciometria com curva tipo A (normal), confirmando integridade da orelha média.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID H90.5 — Perda auditiva neurossensorial bilateral, provavelmente induzida por ruído ocupacional (PAIR).
Conduta terapêutica: Prescrição de aparelhos de amplificação sonora individuais (AASI) bilaterais, adaptação por fonoaudiólogo, aconselhamento sobre proteção auditiva (protetores tipo concha com NPR mínimo de 25 dB), encaminhamento para Programa de Conservação Auditiva (PCA) na empresa e tratamento do zumbido com terapia sonora enriquecida e, se necessário, medicação para ansiedade associada.
Evolução: Após 4 semanas, o paciente adaptou-se aos AASI, relatando melhora significativa na comunicação e redução do zumbido em 60%. Retorno ao trabalho com restrição de exposição a ruído acima de 85 dB(A) sem protetor. Atestado inicial de 14 dias para adaptação e consultas.
Lição clínica: A perda auditiva neurossensorial bilateral por exposição ocupacional é irreversível, mas tratável com reabilitação auditiva. O diagnóstico precoce e o uso consistente de proteção auditiva podem evitar a progressão. Todo trabalhador exposto a ruído deve realizar audiometria anual.
O que é o CID H90.5 na prática médica
O CID H90.5 classifica a perda auditiva neurossensorial bilateral, ou seja, a diminuição da acuidade auditiva que atinge ambos os ouvidos e resulta de lesão no ouvido interno (cóclea) ou no nervo auditivo. Diferentemente da perda condutiva (que afeta o ouvido externo ou médio), a neurossensorial geralmente é irreversível, pois as células ciliadas da cóclea não se regeneram.
Na prática clínica, o H90.5 é frequentemente utilizado em casos de:
- Presbiacusia (perda auditiva associada ao envelhecimento);
- Perda auditiva induzida por ruído (PAIR);
- Perda auditiva pós-infecciosa (meningite, citomegalovírus);
- Perda auditiva ototóxica (medicamentos como aminoglicosídeos, quimioterápicos);
- Perda auditiva hereditária não sindrômica.
O registro correto do CID H90.5 é fundamental para o planejamento terapêutico, concessão de benefícios previdenciários (auxílio-doença, aposentadoria por invalidez) e afastamento do trabalho.
Subcategorias e variantes do CID H90
A família H90 abrange todos os tipos de perda auditiva, divididos em condutiva, neurossensorial e mista. As subcategorias mais relevantes são:
- H90.0 – Perda auditiva condutiva bilateral (ex.: otosclerose, otite média crônica);
- H90.1 – Perda auditiva condutiva unilateral;
- H90.3 – Perda auditiva neurossensorial unilateral;
- H90.5 – Perda auditiva neurossensorial bilateral (foco deste artigo);
- H90.6 – Perda auditiva mista bilateral (componente condutivo e neurossensorial);
- H90.7 – Perda auditiva mista unilateral.
Para a perda neurossensorial bilateral, o CID H90.5 é o mais utilizado, mas pode haver necessidade de detalhamento adicional (ex.: H90.5 + H91.8 para zumbido associado).
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da perda auditiva neurossensorial bilateral (H90.5) desenvolvem-se gradualmente, exceto em casos de perda súbita. Os principais sinais incluem:
- Dificuldade para compreender conversas, especialmente em ambientes ruidosos;
- Necessidade de aumentar o volume da TV ou rádio;
- Zumbido (tinnitus) bilateral, geralmente descrito como apito ou chiado;
- Sensação de “ouvido abafado”;
- Isolamento social, ansiedade e depressão secundárias;
- Nos idosos, associação com declínio cognitivo.
Na PAIR, a perda é inicialmente nas altas frequências (4-6 kHz), poupando as frequências da fala, mas com a progressão afeta também médias e baixas frequências.
Causas e fatores de risco
As causas da perda auditiva neurossensorial bilateral incluem:
- Exposição ao ruído: ocupacional (indústria, construção, música) ou recreativo (fones de ouvido em volume alto por tempo prolongado);
- Envelhecimento (presbiacusia): processo degenerativo natural a partir dos 50 anos;
- Ototóxicos: medicamentos como gentamicina, vancomicina, cisplatina, diuréticos de alça e alguns anti-inflamatórios;
- Infecções: meningite bacteriana, citomegalovírus, caxumba, toxoplasmose;
- Doenças sistêmicas: diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças autoimunes;
- Trauma acústico: explosões, exposição súbita a ruído intenso;
- Fatores genéticos: mutações em genes como GJB2, SLC26A4, MT-RNR1.
Os principais fatores de risco modificáveis são a exposição ao ruído e o uso inadequado de medicamentos ototóxicos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da perda auditiva neurossensorial bilateral (H90.5) é essencialmente clínico e audiológico:
- Anamnese: queixa de hipoacusia, zumbido, histórico de exposição a ruído, uso de medicamentos, doenças prévias;
- Otoscopia: para descartar causas condutivas (cera, perfuração timpânica, otite);
- Audiometria tonal liminar: determina os limiares auditivos por via aérea e óssea; na perda neurossensorial, os limiares ósseos e aéreos estão igualmente elevados;
- Logoaudiometria: avalia a capacidade de reconhecer a fala;
- Imitanciometria: confirma função normal da orelha média (curva tipo A);
- Exames complementares: potencial evocado auditivo (PEATE) para investigação retrococlear, exames de imagem (TC de ossos temporais ou RM) em casos selecionados.
O diagnóstico diferencial inclui perda condutiva, doença de Ménière, neurinoma do acústico e perda auditiva mista.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da perda auditiva neurossensorial bilateral (H90.5) é multidisciplinar e divide-se em:
- Reabilitação auditiva: uso de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) – dispositivos que amplificam seletivamente as frequências comprometidas. A adaptação é feita por fonoaudiólogo e requer acompanhamento regular;
- Implante coclear: indicado para perdas severas a profundas que não se beneficiam de AASI. Consiste em eletrodos inseridos na cóclea que estimulam diretamente o nervo auditivo;
- Tratamento do zumbido: terapia sonora enriquecida, técnicas de habituação (TRT), medicações (clonazepam, nortriptilina) em casos refratários;
- Proteção auditiva: uso de protetores auriculares (plugues ou conchas) para evitar progressão, especialmente em trabalhadores expostos;
- Tratamento da causa base: suspensão de ototóxicos, controle de diabetes/HAS, corticoides na perda súbita;
- Apoio psicológico e terapia cognitivo-comportamental: para lidar com o impacto social e emocional.
Não existe cura para a lesão celular, mas a reabilitação auditiva proporciona qualidade de vida e previne o isolamento social.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de afastamento por CID H90.5 depende do quadro clínico e da necessidade de adaptação/reabilitação:
- Perda auditiva crônica estável (diagnóstico de rotina): geralmente não exige afastamento; o paciente mantém o trabalho com proteção auditiva e adaptação de AASI. Pode ser concedido atestado de 1 a 2 dias para consultas e exames.
- Perda auditiva súbita (emergência): requer afastamento inicial de 7 a 14 dias para tratamento com corticoides e repouso auditivo. Se houver melhora, pode ser prorrogado por até 30 dias. Caso contrário, encaminhamento para reabilitação.
- Pós-operatório de implante coclear: afastamento de 4 a 6 semanas para cicatrização e ativação do implante.
- Adaptação de AASI: 2 a 5 dias para consultas de adaptação e treinamento auditivo.
O atestado deve ser emitido pelo médico conforme a avaliação individual, respeitando as normas da empresa e as diretrizes do INSS. Para perda auditiva ocupacional (PAIR), o afastamento pode ser prolongado se houver necessidade de readaptação profissional.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Situações que exigem atendimento médico imediato (emergência):
- Perda auditiva súbita (instalação em horas a 3 dias) – considerar surdez súbita neurossensorial, tratável com corticoides nas primeiras 72h;
- Zumbido pulsátil (sincrônico com batimentos cardíacos) – pode indicar causa vascular;
- Vertigem intensa associada a perda auditiva – suspeitar de doença de Ménière ou neurite vestibular;
- Dor intensa no ouvido com secreção purulenta – sinais de infecção grave;
- Perda auditiva após trauma craniano ou exposição a explosão;
- Paralisia facial associada (possível neoplasia ou infecção).
Mesmo na perda gradual, se houver impacto significativo na comunicação ou sintomas depressivos, a consulta com otorrinolaringologista deve ser agendada para evitar agravamento.
- 01. Nunca ignore a perda auditiva gradual; o diagnóstico precoce com audiometria permite intervenção antes que a perda se torne incapacitante.
- 02. Use protetores auriculares sempre que exposto a ruídos acima de 85 dB(A) – em shows, obras, indústrias, trânsito intenso. Prefira protetores tipo concha com vedação adequada.
- 03. Evite uso de cotonetes ou objetos pontiagudos no ouvido; a cera deve ser removida apenas por profissional, sob pena de lesão do canal ou tímpano.
- 04. Ao usar fones de ouvido, limite o volume a 60% da capacidade máxima e faça pausas de 10 minutos a cada hora (regra 60/60).
- 05. Mantenha controle de doenças crônicas (diabetes, hipertensão) e evite automedicação com antibióticos ototóxicos – consulte sempre o médico.
- 06. A reabilitação auditiva com AASI melhora a qualidade de vida em mais de 80% dos casos; não deixe o preconceito impedir o tratamento.
- 07. Realize audiometria de rotina a cada 2 anos após os 50 anos e anualmente se for trabalhador exposto a ruído.
Perguntas Frequentes sobre o CID H90.5
O CID H90.5 garante quantos dias de atestado?
Em média, para quadros crônicos não complicados, não há necessidade de afastamento. Para perda súbita, o atestado inicial é de 7 a 14 dias, podendo ser prorrogado até 30 dias conforme evolução. Em casos de adaptação de AASI, 2 a 5 dias podem ser necessários. O médico responsável define o período.
CID H90.5 é considerado deficiência auditiva?
Sim, a perda neurossensorial bilateral (H90.5) é considerada deficiência auditiva quando o grau de perda atinge critérios estabelecidos pela OMS (perda moderada a profunda, limiar médio > 40 dB na melhor orelha). O paciente pode solicitar benefícios como isenção de impostos, passe livre e auxílio-doença.
O CID H90.5 tem cura?
Não, a perda auditiva neurossensorial bilateral é irreversível, pois as células ciliadas da cóclea não se regeneram. No entanto, o tratamento com AASI ou implante coclear permite reabilitação auditiva e melhora significativa da comunicação.
Qual a diferença entre H90.5 e H90.3?
H90.5 refere-se à perda neurossensorial bilateral (ambos os ouvidos). H90.3 é a perda neurossensorial unilateral (apenas um ouvido). A bilateral geralmente causa maior impacto na comunicação e é mais frequente em PAIR e presbiacusia.
Posso trabalhar com perda auditiva bilateral?
Sim, desde que o ambiente de trabalho seja adaptado e o paciente utilize AASI e/ou proteção auditiva. Para trabalhadores expostos a ruído, é obrigatório o uso de protetores e o acompanhamento do Programa de Conservação Auditiva. Em casos de perda severa, pode ser necessária readaptação profissional.
O CID H90.5 pode ser reversível em crianças?
Em crianças, a perda auditiva neurossensorial bilateral geralmente é permanente. No entanto, a detecção precoce (teste da orelhinha) permite intervenção com próteses auditivas ou implante coclear, possibilitando o desenvolvimento da fala e linguagem.
Como é feito o diagnóstico diferencial entre H90.5 e H90.0?
Através da audiometria com via óssea e aérea: no H90.5 (neurossensorial) ambos os limiares estão elevados; no H90.0 (condutivo) há gap entre via aérea (elevada) e via óssea (normal). A imitanciometria também ajuda: na condutiva, as curvas são anormais (tipo B ou C); na neurossensorial, são normais (tipo A).
O CID H90.5 dá direito a aposentadoria por invalidez?
Sim, se a perda auditiva for bilateral, severa a profunda e irreversível, e impossibilitar o exercício de qualquer atividade laboral. O INSS avalia a incapacidade através de perícia médica e exige comprovação audiológica. Em geral, a aposentadoria por invalidez é concedida apenas nos casos mais graves.
Qual tratamento o SUS oferece para CID H90.5?
O SUS disponibiliza consultas com otorrinolaringologista, audiometria, adaptação de AASI (através dos Centros de Reabilitação Auditiva) e implante coclear para pacientes com critérios específicos (perda severa/profunda bilateral). O acesso é regulado pelas centrais de marcação de cada município.
Como prevenir a progressão do H90.5?
Evitar exposição a ruído intenso, usar protetores auriculares, controlar doenças crônicas (diabetes, HAS), evitar medicamentos ototóxicos sem orientação e realizar audiometria periódica. O uso de AASI também ajuda a preservar as habilidades auditivas restantes.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Fontes e referências:
CID-10 – Perda auditiva neurossensorial (H90) – cid10.com.br
Hearing Loss – MedlinePlus (em inglês)
Biblioteca Virtual em Saúde – BVS
Artigos relacionados no nosso site:
CID R11 – Náuseas e Vômitos
CID Z000 – Exame Médico Geral
CID 010 – Tuberculose Pulmonar
CID 083 – Significado e Cuidados
CID 200 – O que significa
CID F41 – Ansiedade
CID M54 – Dorsalgia
CID J06 – Infecção Respiratória
CID J30 – Rinite Alérgica
CID K21 – Refluxo
CID N39 – Infecção Urinária
CID G43 – Enxaqueca
CID J45 – Asma
Omeprazol para que serve
Dipirona para que serve
Ibuprofeno para que serve
Amoxicilina para que serve
Azitromicina para que serve
Nimesulida para que serve
Paracetamol para que serve


