Estima-se que em 2026 cerca de 38% dos adultos brasileiros apresentem hipertensão arterial (pressão alta), condição que lidera os fatores de risco para infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Apenas 1 em cada 3 pacientes mantém a pressão controlada adequadamente.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SAUDE-DO-CORACAO e quer saber o que significa? Na prática, não existe um único código chamado “Saúde do coração”, mas diversos códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) que abrangem condições cardíacas. Neste artigo, usaremos o CID I10 (Hipertensão essencial) como exemplo representativo, pois a pressão alta é a porta de entrada para a maioria das doenças cardiovasculares. Entenda o que esse código indica, como afeta sua saúde e quais os próximos passos.
- Código: I10
- Descrição: Hipertensão essencial (primária)
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório (I00-I99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: I10.0 (Hipertensão essencial maligna), I10.1 (Hipertensão essencial benigna), I10.9 (Hipertensão essencial não especificada)
Paciente: João Antunes, 52 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Cefaleia occipital matinal, tontura ao levantar e cansaço excessivo há 3 meses
Avaliação clínica: PA aferida em consulta: 162/102 mmHg em dois momentos; FC 88 bpm; IMC 31 kg/m²; fundoscopia mostrou estreitamento arteriolar; ECG com sobrecarga ventricular esquerda; exames laboratoriais com creatinina 1,3 mg/dL (levemente elevada) e glicemia de jejum 98 mg/dL
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID I10 (Hipertensão essencial) — condição crônica caracterizada por níveis pressóricos persistentemente elevados, sem causa secundária identificável.
Conduta terapêutica: Iniciou-se terapia com Losartana 50 mg/dia, associada a medidas não farmacológicas: redução de sódio (≤2 g/dia), perda de peso (meta −7% do peso inicial), caminhada 30 min/dia e cessação do tabagismo (paciente fumava 15 cigarros/dia). Foi fornecido atestado médico de 5 dias para adequação inicial e exames complementares.
Evolução: Após 8 semanas, PA média domiciliar 138/86 mmHg. O paciente perdeu 4 kg, reduziu o tabagismo para 3 cigarros/dia e relatou melhora da cefaleia. Ajustou-se a dose de Losartana para 100 mg/dia. Atestado de retorno ao trabalho após o 5º dia, com monitoramento mensal.
Lição clínica: O diagnóstico precoce da hipertensão e a abordagem combinada (medicamentosa + mudança de estilo de vida) são capazes de prevenir lesões em órgãos-alvo como coração, cérebro e rins. Mesmo pacientes assintomáticos devem manter acompanhamento regular.
O que é o CID I10 na prática médica?
O CID I10, oficialmente denominado “Hipertensão essencial (primária)”, é o código mais frequentemente utilizado em consultas e prontuários para registrar o diagnóstico de pressão alta sem causa orgânica identificada. Na prática clínica, representa cerca de 90% dos casos de hipertensão. Os 10% restantes são hipertensões secundárias (CID I15) decorrentes de doenças renais, endócrinas ou uso de medicamentos. O CID I10 é fundamental para o rastreamento epidemiológico, planejamento terapêutico e justificativa de afastamento laboral quando a pressão se mostra descontrolada.
Subcategorias e variantes do CID I10
A CID-10 descreve subcategorias para o I10, embora na prática o código genérico seja o mais usado. As subcategorias incluem:
- I10.0 – Hipertensão essencial maligna: caracterizada por pressão muito elevada (≥180/120 mmHg) associada a lesão aguda de órgãos-alvo (retinopatia, encefalopatia, insuficiência renal). É uma emergência hipertensiva.
- I10.1 – Hipertensão essencial benigna: evolução lenta e progressiva, sem lesão orgânica evidente no momento do diagnóstico. É a forma mais comum.
- I10.9 – Hipertensão essencial não especificada: quando não há detalhamento sobre o grau ou a presença de lesão.
Essas subcategorias orientam a urgência do tratamento e o prognóstico. Na rotina ambulatorial, o médico especifica o estágio (1, 2 ou 3) conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, mas o CID permanece I10.
Sintomas e como a hipertensão se manifesta
Embora seja conhecida como “assassina silenciosa”, a hipertensão pode apresentar sintomas inespecíficos quando os níveis pressóricos estão muito elevados ou quando há comprometimento de órgãos-alvo. Os mais comuns incluem:
- Cefaleia pulsátil, especialmente occipital, ao despertar
- Tontura ou sensação de cabeça leve
- Zumbido nos ouvidos
- Palpitações ou taquicardia
- Fadiga inexplicável
- Epistaxe (sangramento nasal) – raro, mas possível em crises hipertensivas
- Turvação visual (em hipertensão maligna)
É importante destacar que a maioria dos hipertensos não apresenta sintomas até que a pressão atinja níveis muito elevados ou ocorra uma complicação como infarto, AVC ou insuficiência renal. Por isso, a aferição periódica da pressão é essencial.
Causas e fatores de risco
A hipertensão essencial é uma condição multifatorial. Os principais fatores de risco são:
- Genéticos: histórico familiar positivo para hipertensão
- Idade: risco aumenta progressivamente após os 40 anos
- Sexo: homens têm maior prevalência até os 60 anos; após, mulheres se equiparam
- Obesidade: excesso de peso, especialmente obesidade abdominal (circunferência >94 cm em homens, >80 cm em mulheres)
- Sedentarismo: inatividade física contribui para rigidez vascular e ganho de peso
- Dieta rica em sódio: consumo elevado de sal (acima de 5 g/dia) aumenta a pressão em indivíduos sensíveis
- Tabagismo e álcool: ambos danificam o endotélio vascular e elevam a pressão
- Estresse crônico: ativa o sistema nervoso simpático e eleva a PA
- Apneia obstrutiva do sono: causa hipóxia intermitente e picos pressóricos noturnos
Na hipertensão secundária (CID I15), as causas incluem doenças renais, estenose de artéria renal, feocromocitoma, síndrome de Cushing e uso de medicamentos como corticoides, AINEs ou descongestionantes nasais.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da hipertensão essencial (CID I10) segue critérios bem estabelecidos:
- Aferição da pressão arterial: realizada com técnica padronizada (esfigmomanômetro calibrado, manguito adequado, paciente sentado, repouso de 5 minutos). Valores ≥140/90 mmHg em duas ou mais medições em dias diferentes confirmam o diagnóstico.
- Monitorização residencial (MRPA): o paciente mede a pressão em casa por 5-7 dias, fornecendo média mais fidedigna.
- Monitorização ambulatorial (MAPA): aparelho portátil por 24 horas, útil para excluir hipertensão do avental branco e avaliar padrão noturno.
- Exames complementares: para avaliar lesão de órgãos-alvo e fatores de risco associados – hemograma, creatinina, potássio, glicemia, lipidograma, ácido úrico, sumário de urina, eletrocardiograma e fundoscopia.
- Investigação de causas secundárias: em pacientes jovens (<30 anos), hipertensão resistente ou suspeita clínica, solicitam-se exames de imagem (ultrassonografia renal, angiotomografia), dosagens hormonais (renina, aldosterona, cortisol) e testes de rastreio para apneia do sono.
O médico registra o CID I10 no prontuário e no atestado, especificando o estágio (1, 2 ou 3) e a presença ou ausência de lesão em órgãos-alvo.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipertensão essencial baseia-se em pilares complementares:
- Modificações do estilo de vida (primeira linha): redução do sódio (≤2 g/dia), dieta DASH (rica em frutas, vegetais, laticínios magros e grãos integrais), perda de peso (5-10% em obesos), atividade física aeróbica (≥150 min/semana), cessação do tabagismo e moderação do álcool (≤1 dose/dia para mulheres, ≤2 para homens).
- Tratamento farmacológico: indicado para PA ≥140/90 mmHg (ou ≥130/80 mmHg em pacientes de alto risco). As principais classes são:
- Diuréticos tiazídicos (ex: Hidroclorotiazida)
- Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA – ex: Captopril)
- Bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA – ex: Losartana)
- Bloqueadores de canais de cálcio (BCC – ex: Anlodipino)
- Betabloqueadores (ex: Atenolol) – usados em situações específicas
- Combinações: muitos pacientes necessitam de dois ou mais medicamentos. A terapia combinada (ex: Losartana + Anlodipino) é preferível a doses altas de monoterapia.
- Tratamento de comorbidades: controle de diabetes, dislipidemia e insuficiência renal é fundamental para reduzir o risco cardiovascular global.
O acompanhamento é mensal até atingir a meta pressórica (geralmente <140/90 mmHg ou <130/80 mmHg para diabéticos e portadores de doença renal), e depois trimestral/semestral.
Quantos dias de atestado médico?
O número de dias de atestado para o CID I10 varia conforme a situação clínica:
- Hipertensão estágio 1 (sem lesão de órgão-alvo): geralmente não há necessidade de afastamento. Se o paciente precisar de ajuste inicial de medicação, pode-se conceder 1 a 2 dias para observação e orientação.
- Hipertensão estágio 2 ou 3: 3 a 7 dias para iniciar tratamento, realizar exames complementares e garantir que a pressão esteja em níveis seguros antes do retorno ao trabalho, especialmente se a atividade laboral envolver risco (ex: motoristas, operadores de máquinas).
- Crise hipertensiva (emergência): internação hospitalar e afastamento mínimo de 7 a 14 dias, com reavaliação antes da alta.
- Hipertensão maligna (I10.0): afastamento prolongado, geralmente 15 a 30 dias, com acompanhamento multidisciplinar.
Na prática, o médico avaliará a resposta ao tratamento, a presença de sintomas e o tipo de trabalho. Atestados superiores a 15 dias exigem perícia médica pelo INSS. Consulte sempre seu médico para definir o período adequado ao seu caso.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Situações que requerem atendimento médico imediato (emergência hipertensiva):
- Pressão arterial ≥180/120 mmHg (crise hipertensiva)
- Dor torácica, falta de ar ou palpitações intensas
- Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo
- Dificuldade para falar ou compreender
- Perda súbita da visão ou visão embaçada
- Convulsão ou rebaixamento do nível de consciência
- Dor de cabeça intensa e progressiva, especialmente com náuseas e vômitos
- Urina escura ou diminuição do volume urinário (pode indicar lesão renal aguda)
- Taquicardia ou bradicardia com sintomas de má perfusão (tontura, desmaio)
Pacientes com hipertensão conhecida devem procurar o serviço de urgência sempre que a pressão domiciliar ultrapassar 180/110 mmHg por mais de 15 minutos ou se surgirem sintomas neurológicos, cardíacos ou renais.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipertensão e de suas complicações é uma responsabilidade diária. Medidas eficazes incluem:
- Monitoramento regular: aferir a pressão pelo menos uma vez por ano em adultos (ou a cada 3-6 meses se houver fatores de risco).
- Alimentação equilibrada: adotar a dieta DASH, rica em potássio, magnésio e fibras; limitar sódio a 2 g/dia.
- Controle do peso: manter IMC <25 kg/m² e circunferência abdominal adequada.
- Atividade física: mínimo 150 minutos de exercício aeróbico moderado por semana (caminhada, bicicleta, natação).
- Abandono do tabagismo e moderação do álcool.
- Gerenciamento do estresse: técnicas de relaxamento, meditação, sono adequado (7-8 horas).
- Adesão ao tratamento: tomar a medicação prescrita sem interrupções, mesmo quando a pressão aparentar normal.
- Consultas de rotina: acompanhamento com clínico geral ou cardiologista, com exames periódicos (ECG, creatinina, potássio, glicemia, lipidograma).
A hipertensão bem controlada permite vida longa e ativa com baixo risco cardiovascular.
- 01. Compre um aparelho de pressão automático validado e meça a pressão em casa, sempre no mesmo horário (manhã e noite), com a técnica correta.
- 02. Reduza o sal gradualmente: use ervas, limão e especiarias para temperar; evite embutidos, enlatados e molhos prontos.
- 03. Nunca pare o anti-hipertensivo por conta própria; a interrupção pode provocar um “efeito rebote” com picos pressóricos perigosos.
- 04. Associe a medicação a um hábito diário (ex: após escovar os dentes) para não esquecer.
- 05. Caminhe 30 minutos após o almoço ou jantar; o exercício pós-prandial ajuda a reduzir a pressão sistólica.
- 06. Controle também o colesterol, a glicemia e o peso — o risco cardiovascular é uma soma de fatores.
- 07. Em viagens, leve sua medicação em quantidade suficiente e mantenha a rotina de horários, mesmo com fuso horário.
- 08. Informe seu médico sobre qualquer outro medicamento que esteja tomando (inclusive fitoterápicos e suplementos).
Perguntas Frequentes sobre o CID Saúde do Coração
O CID I10 garante quantos dias de atestado?
Em geral, de 1 a 7 dias para ajuste inicial de tratamento, podendo chegar a 14 dias em crises hipertensivas. Para hipertensão estágio 1, muitos pacientes não necessitam de afastamento. O médico define conforme a resposta clínica e o tipo de atividade laboral.
Hipertensão tem cura?
A hipertensão essencial não tem cura definitiva, mas é totalmente controlável com tratamento contínuo. Muitos pacientes conseguem manter a pressão normal apenas com mudanças no estilo de vida, especialmente nos estágios iniciais. A suspensão da medicação só deve ser feita sob orientação médica.
Posso usar chá ou remédio natural para substituir o medicamento?
Não. Nenhum chá, suplemento ou terapia alternativa tem eficácia comprovada para substituir os anti-hipertensivos. Alguns (como chá de hibisco ou alho) podem ter leve efeito adjuvante, mas nunca devem ser usados como tratamento principal. Sempre consulte seu médico.
Qual a diferença entre hipertensão essencial (I10) e secundária (I15)?
Na hipertensão essencial, não se encontra uma causa específica; é a forma mais comum (90%). Na secundária, a pressão alta é consequência de outra doença (renal, vascular, endócrina) ou de medicamentos. A secundária tem maior chance de cura quando a causa é tratada.
O que significa hipertensão estágio 1, 2 e 3?
É a classificação baseada nos níveis pressóricos: Estágio 1 (PA sistólica 140-159 ou diastólica 90-99 mmHg), Estágio 2 (160-179 ou 100-109 mmHg) e Estágio 3 (≥180 ou ≥110 mmHg). Quanto maior o estágio, maior o risco cardiovascular e a urgência de tratamento.
Preciso de exames de imagem para diagnosticar hipertensão?
Na maioria dos casos, não. Apenas quando há suspeita de hipertensão secundária (pacientes jovens, hipertensão resistente, alterações no exame físico ou laboratorial). O diagnóstico é basicamente clínico e baseado em medições repetidas da pressão.
Atestado por hipertensão pode ser negado pelo empregador?
Não. O atestado médico é um documento legal que comprova a necessidade de afastamento. O empregador deve aceitá-lo. Discriminação por doença crônica é ilegal. Em caso de dúvida, o empregador pode solicitar perícia médica da empresa ou do INSS para afastamentos prolongados.
Hipertensão na gravidez é o mesmo CID I10?
Não. A hipertensão gestacional tem códigos específicos no capítulo de gravidez (O10-O16). O CID I10 é para hipertensão crônica pré-existente. Na gestação, o diagnóstico é classificado como hipertensão crônica, pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, com CID próprio.
O CID I10 pode ser usado para doenças do coração diferentes da pressão alta?
Não. O I10 refere-se exclusivamente à hipertensão essencial. Para outras doenças cardíacas existem códigos específicos: I20 (angina), I21 (infarto), I50 (insuficiência cardíaca), I48 (fibrilação atrial), entre outros. Cada condição tem seu CID.
Como faço para obter um atestado com CID I10?
Você precisa consultar um médico (clínico geral, cardiologista ou médico do trabalho) que fará o diagnóstico e emitirá o atestado com o CID e o período de afastamento. O médico deve explicar o diagnóstico e o plano terapêutico.
Posso dirigir com hipertensão?
Sim, desde que a pressão esteja controlada (idealmente <140/90 mmHg) e não haja sintomas como tontura ou visão turva. Se você teve crise hipertensiva ou iniciou medicação nova que possa causar tontura, evite dirigir por alguns dias até a adaptação. Sempre siga a orientação médica.
Qual a meta de pressão para quem tem diabetes ou doença renal?
Nesses casos, a meta é mais rigorosa: geralmente <130/80 mmHg, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Diabetes. O tratamento deve ser intensificado para reduzir o risco de progressão da lesão renal e de eventos cardiovasculares.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Para mais informações, consulte CID10.com.br e MedlinePlus (em espanhol). Veja também nossos artigos relacionados: CID R11 – Náuseas e Vômitos, CID Z000 – Exame Médico Geral, CID 010 – Tuberculose Pulmonar, CID 083 – Significado e Cuidados, CID 200 – O que significa, CID F41 – Ansiedade, CID M54 – Dorsalgia, CID J06 – Infecção Respiratória, CID J30 – Rinite Alérgica, CID K21 – Refluxo, CID N39 – Infecção Urinária, CID G43 – Enxaqueca, CID J45 – Asma, Omeprazol para que serve, Dipirona para que serve, Ibuprofeno para que serve, Amoxicilina para que serve, Azitromicina para que serve, Nimesulida para que serve, Paracetamol para que serve.


