Em 2025, a conjuntivite infecciosa respondeu por mais de 40% dos atendimentos oftalmológicos de urgência no Brasil. Estima-se que, em 2026, cerca de 6 milhões de brasileiros terão pelo menos um episódio agudo de conjuntivite, sendo a faixa etária de 0 a 14 anos a mais afetada.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SAUDE-OCULAR e quer saber o que significa? Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a saúde ocular abrange diversos códigos, sendo o H10 (Conjuntivite) um dos mais frequentes. Este artigo explica detalhadamente o significado do CID H10, suas variantes, sintomas, tratamentos e repercussões práticas, como a necessidade de afastamento do trabalho. Baseado em evidências científicas e protocolos do Ministério da Saúde, você terá um guia completo para entender e lidar com essa condição.
- Código: H10
- Descrição: Conjuntivite (inclui formas agudas, crônicas e outras especificações)
- Categoria: Capítulo VII – Doenças do olho e anexos (H00-H59)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: H10.0 (Conjuntivite mucopurulenta), H10.1 (Conjuntivite aguda atópica), H10.2 (Outras conjuntivites agudas), H10.3 (Conjuntivite crônica), H10.4 (Conjuntivite blefaroconjuntivite), H10.5 (Conjuntivite de outra origem), H10.8 (Outras conjuntivites), H10.9 (Conjuntivite não especificada)
Paciente: Maria Aparecida, 28 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Vermelhidão intensa nos olhos, secreção amarelada e sensação de areia há 2 dias, piora pela manhã.
Avaliação clínica: À biomicroscopia, hiperemia conjuntival +++, quemose discreta, secreção mucopurulenta abundante. Cultura de secreção ocular positiva para Staphylococcus aureus sensível à moxifloxacino.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID H10.0 (Conjuntivite mucopurulenta) — infecção bacteriana aguda da conjuntiva.
Conduta terapêutica: Colírio de moxifloxacino 0,5% (1 gota a cada 4 horas) por 7 dias, compressas frias e higiene palpebral com soro fisiológico. Afastamento do trabalho por 4 dias até redução da secreção.
Evolução: Após 48 horas, melhora significativa da hiperemia e secreção. Ao sétimo dia, exame oftalmológico normal. Alta sem sequelas.
Lição clínica: Em conjuntivites bacterianas, o uso de colírios antibióticos tópicos é eficaz, mas nunca se deve usar corticoides sem prescrição médica, pois podem agravar infecções virais ou fúngicas.
O que é o CID H10 na prática médica
O código CID H10 refere-se à conjuntivite, uma inflamação da conjuntiva – membrana transparente que reveste a parte interna das pálpebras e a superfície do globo ocular. Na prática clínica, é um dos diagnósticos oftalmológicos mais comuns, correspondendo a cerca de 30% das consultas de urgência ocular. O H10 inclui desde formas leves e autolimitadas até infecções que exigem tratamento específico. O médico registra esse código no prontuário e no atestado para padronizar o diagnóstico, permitir o rastreio epidemiológico e justificar o afastamento do trabalho ou escola.
É essencial diferenciar a conjuntivite de outras doenças oculares como ceratite, uveíte ou glaucoma agudo, que apresentam riscos visuais graves. Por isso, o exame com lâmpada de fenda e a avaliação da acuidade visual são passos obrigatórios. O CID H10 abrange também conjuntivites crônicas, que podem estar associadas a blefarite, olho seco ou exposição a agentes irritantes.
Subcategorias e variantes do CID H10
O CID H10 desdobra-se em subcategorias que especificam o tipo de conjuntivite:
- H10.0 – Conjuntivite mucopurulenta: geralmente bacteriana, com secreção amarelo-esverdeada.
- H10.1 – Conjuntivite aguda atópica: relacionada a alergias, com forte prurido e hiperemia.
- H10.2 – Outras conjuntivites agudas: inclui conjuntivites virais (adenovírus, enterovírus) e irritativas.
- H10.3 – Conjuntivite crônica: inflamação persistente, muitas vezes associada a blefarite ou disfunção das glândulas de Meibômio.
- H10.4 – Blefaroconjuntivite: inflamação que atinge simultaneamente pálpebras e conjuntiva.
- H10.5 – Conjuntivite de outra origem: como a causada por clamídia, trauma químico ou radiação.
- H10.8 – Outras conjuntivites: formas raras (ex.: conjuntivite por herpes zoster).
- H10.9 – Conjuntivite não especificada: usada quando não se determina a etiologia exata.
Essa classificação é vital para direcionar o tratamento e prever a evolução. Por exemplo, a H10.0 bacteriana responde bem a antibióticos tópicos, enquanto a H10.1 alérgica requer anti-histamínicos e estabilizadores de mastócitos.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da conjuntivite variam conforme a etiologia, mas os sinais cardinais incluem:
- Hiperemia (olho vermelho): vasos conjuntivais dilatados, dando aspecto avermelhado.
- Secreção: aquosa (viral), mucopurulenta (bacteriana) ou leitosa (alérgica).
- Prurido (coceira): muito intenso na conjuntivite alérgica.
- Sensação de corpo estranho (areia): comum em todas as formas.
- Edema palpebral: pálpebras inchadas, principalmente pela manhã.
- Fotofobia: sensibilidade à luz, mais frequente se houver envolvimento corneano.
- Crostas nos cílios: secreção ressecada após o sono.
Na conjuntivite viral (H10.2), muitas vezes há linfadenopatia pré-auricular e sintomas gripais. Já a bacteriana (H10.0) costuma ser unilateral e rapidamente purulenta. A forma alérgica (H10.1) é bilateral, sazonal e associada a rinite. A conjuntivite crônica (H10.3) pode apresentar apenas vermelhidão discreta, sensação de peso e irritação persistente.
Causas e fatores de risco
As causas da conjuntivite são classificadas em infecciosas e não infecciosas:
- Bacterianas: Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae, Neisseria gonorrhoeae (em recém-nascidos).
- Virais: adenovírus (mais comum), enterovírus, herpes simplex, varicela-zóster.
- Alérgicas: pólen, ácaros, mofo, pelos de animais, cosméticos, colírios com conservantes.
- Irritativas: fumaça, cloro de piscina, vento, corpos estranhos, uso excessivo de lentes de contato.
- Outras: clamídia (tracoma), toxoplasmose, doenças autoimunes (artrite reativa, síndrome de Sjögren).
Fatores de risco incluem: idade (crianças e idosos), ambiente escolar ou creche, imunossupressão, uso de lentes de contato, exposição a agentes irritantes e contato próximo com pessoas infectadas. A conjuntivite bacteriana geralmente é contagiosa nas primeiras 24-48 horas de tratamento.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da conjuntivite é eminentemente clínico, baseado na história e no exame oftalmológico. O médico realiza:
- Anamnese: início, lateralidade, tipo de secreção, presença de prurido, contato com pessoas doentes, uso de lentes de contato, alergias conhecidas.
- Exame de acuidade visual: para descartar comprometimento da córnea ou glaucoma.
- Biomicroscopia (lâmpada de fenda): avalia hiperemia, secreção, quemose, folículos ou papilas na conjuntiva tarsal.
- Coloração com fluoresceína: para detectar ceratite ou úlcera de córnea.
- Cultura e antibiograma: indicado em casos graves, recorrentes ou refratários ao tratamento empírico.
- Testes alérgicos: se suspeita de conjuntivite alérgica crônica.
Em serviços de pronto-atendimento, o diagnóstico sindrômico é suficiente na maioria dos casos, mas a distinção entre viral e bacteriana é crucial para evitar uso desnecessário de antibióticos. A presença de secreção purulenta e linfadenopatia sugere etiologia bacteriana, enquanto secreção aquosa e prurido intenso apontam para viral ou alérgica.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da conjuntivite depende da causa:
- Bacteriana: colírios antibióticos de amplo espectro – moxifloxacino 0,5%, tobramicina 0,3%, ou garamicina por 5-7 dias. Em casos graves, pode-se associar pomada noturna. O uso de corticoides tópicos é contraindicado na fase ativa de infecção bacteriana.
- Viral: na maioria dos casos, o tratamento é sintomático (compressas frias, lágrimas artificiais, higiene). Em infecções por herpes, usa-se aciclovir tópico. A conjuntivite adenoviral é autolimitada em 1-3 semanas.
- Alérgica: anti-histamínicos tópicos (olopatadina, cetotifeno), estabilizadores de mastócitos, compressas frias. Casos refratários podem necessitar de corticoides tópicos de curta duração.
- Irritativa: remoção do agente causal, lágrimas artificiais sem conservantes e repouso visual.
- Crônica/blefaroconjuntivite: higiene palpebral, compressas mornas, lubrificantes e, se necessário, antibióticos tópicos direcionados.
Medidas gerais incluem: afastamento social até melhora da secreção, não compartilhar toalhas ou maquiagem, lavar as mãos frequentemente e evitar uso de lentes de contato durante o quadro.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de atestado para conjuntivite (CID H10) depende da gravidade e do tipo de trabalho exercido. Em geral, recomenda-se:
- Conjuntivite bacteriana leve a moderada: 2 a 4 dias de afastamento, pois a transmissibilidade cai 24-48 horas após início do antibiótico.
- Conjuntivite viral: 3 a 7 dias, já que o período de contágio pode durar até 2 semanas. O paciente deve ficar em casa até que a secreção aquosa diminua.
- Conjuntivite alérgica: geralmente não é contagiosa; o atestado é dado para repouso e tratamento, variando de 1 a 3 dias conforme sintomas.
- Conjuntivite bacteriana grave ou com ceratite associada: 5 a 10 dias, podendo ser maior se houver complicações.
Profissionais que lidam com público, crianças ou alimentos devem permanecer afastados por todo o período de secreção ativa. O médico avaliará cada caso individualmente. O CID H10 justifica o atestado e deve constar no documento, garantindo respaldo legal.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora muitas conjuntivites sejam benignas, alguns sinais indicam necessidade de avaliação urgente:
- Dor ocular intensa ou profunda.
- Fotofobia acentuada (dificuldade de manter os olhos abertos com luz).
- Diminuição da acuidade visual (visão embaçada ou turva).
- Secreção purulenta muito espessa ou com sangue.
- Úlcera ou mancha branca na córnea (suspeita de ceratite).
- Edema palpebral importante que impede a abertura dos olhos.
- Piora dos sintomas após 48 horas de tratamento prescrito.
- Presença de linfonodos cervicais ou pré-auriculares dolorosos associados.
Além disso, recém-nascidos, imunossuprimidos, usuários de lentes de contato e pacientes com histórico de herpes ocular devem ser avaliados precocemente. A demora pode levar a complicações como ceratite infecciosa, úlcera de córnea, glaucoma ou perda visual permanente.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da conjuntivite envolve medidas simples e eficazes:
- Higiene das mãos: lavar com água e sabão frequentemente, especialmente após tocar os olhos ou contato com pessoas doentes.
- Não compartilhar objetos pessoais: toalhas, lençóis, fronhas, maquiagem, óculos de sol, colírios.
- Uso correto de lentes de contato: higienização adequada, não dormir com lentes, substituir conforme orientação, evitar uso durante inflamação.
- Evitar coçar os olhos: pode introduzir microrganismos ou agravar alergias.
- Proteção contra alérgenos: usar óculos de sol, manter ambientes limpos e arejados, evitar exposição a pólen em épocas de alta.
- Vacinação: vacina contra sarampo, rubéola e varicela previne conjuntivites virais associadas.
- Cuidados no trabalho e escola: afastamento temporário durante o período contagioso.
Para conjuntivites crônicas, o acompanhamento oftalmológico regular é fundamental. O tratamento de condições associadas como blefarite, olho seco e alergias sistêmicas reduz a recorrência.
- 01. Nunca use colírios com corticoides sem prescrição – eles podem agravar infecções virais e bacterianas.
- 02. Durante uma conjuntivite, evite usar maquiagem nos olhos e descarte produtos utilizados antes da infecção.
- 03. Higienize as mãos antes e depois de aplicar colírios; não toque a ponta do frasco no olho.
- 04. Se você usa lentes de contato, descarte as lentes e o estojo após uma conjuntivite bacteriana ou viral.
- 05. Mantenha o atestado médico especificando o CID H10 para justificar faltas ao trabalho ou escola; o tempo de afastamento varia de 2 a 7 dias.
Perguntas Frequentes sobre o CID SAUDE
O CID H10 garante quantos dias de atestado?
O CID H10 (conjuntivite) justifica, em média, 3 a 5 dias de atestado. Na forma bacteriana leve, 2-4 dias; na viral, 3-7 dias. O médico define com base na intensidade dos sintomas e no risco de contágio.
Conjuntivite é contagiosa?
Sim, as formas bacterianas e virais são altamente contagiosas, especialmente nas primeiras 48 horas. O contato com secreções oculares e superfícies contaminadas transmite a doença.
Posso ir trabalhar ou estudar com conjuntivite?
Não, enquanto houver secreção ativa. O afastamento é recomendado para evitar disseminação e permitir repouso ocular. Consulte seu médico para obter o atestado.
Qual a diferença entre conjuntivite viral e bacteriana?
A viral geralmente começa com olho vermelho, secreção aquosa e linfadenopatia; a bacteriana apresenta secreção purulenta espessa e costuma ser unilateral. O tratamento é diferente, por isso o diagnóstico oftalmológico é essencial.
Existe vacina para conjuntivite?
Não há vacina específica para conjuntivite, mas a vacinação contra sarampo, rubéola e varicela reduz o risco de conjuntivites virais associadas. A vacina contra adenovírus não está disponível no Brasil.
Conjuntivite pode causar cegueira?
Raramente, se não tratada adequadamente. Complicações como ceratite, úlcera de córnea ou glaucoma secundário podem ocorrer. O tratamento precoce evita sequelas permanentes.
O que fazer se o colírio antibiótico não melhorar em 2 dias?
Retorne ao médico. Pode haver resistência bacteriana, superinfecção fúngica ou etiologia viral. Uma cultura com antibiograma pode ser necessária para ajustar a terapia.
Posso usar colírios de vendas livres para conjuntivite?
Não é recomendado. Muitos colírios vendidos sem prescrição contêm vasoconstritores ou anti-inflamatórios que mascaram os sintomas e podem piorar a infecção. Sempre consulte um oftalmologista.
Conjuntivite alérgica é contagiosa?
Não, a conjuntivite alérgica não é contagiosa. Ela resulta de uma reação do sistema imunológico a alérgenos, não de microrganismos.
Como prevenir a transmissão dentro de casa?
Lave as mãos com frequência, não compartilhe toalhas ou fronhas, limpe superfícies com álcool 70%, evite contato direto com as secreções e mantenha o paciente em isolamento relativo enquanto houver secreção.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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