No Brasil, as doenças ocupacionais representam cerca de 2,5 milhões de casos anuais (Ministério da Saúde, 2025). O código Z57 (exposição a fatores de risco ocupacionais) é o mais registrado em afastamentos do trabalho por causas respiratórias e dermatológicas, com um aumento de 12% nos últimos dois anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SAUDE-OCUPACIONAL e quer saber o que significa? Na prática clínica, esse registro está vinculado ao código Z57 da CID-10, que abrange exposições ocupacionais a agentes nocivos. Este artigo explica, com base em evidências científicas e na rotina ambulatorial, os significados, sintomas, tratamento e os dias de afastamento recomendados para cada subcategoria.
- Código: Z57
- Descrição: Exposição a fatores de risco ocupacionais
- Categoria: Capítulo XXI – Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com serviços de saúde (Z00-Z99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Z57.0 (exposição ao amianto), Z57.1 (exposição à poeira de sílica), Z57.2 (exposição a poeiras minerais), Z57.3 (exposição a poeiras orgânicas), Z57.4 (exposição a radiações), Z57.5 (exposição a temperaturas extremas), Z57.6 (exposição a vibrações), Z57.7 (exposição a agentes biológicos), Z57.8 (exposição a outros fatores), Z57.9 (exposição não especificada)
Paciente: Roberto Almeida, 44 anos, trabalhador em marmoraria há 16 anos
Queixa principal: falta de ar progressiva aos esforços, tosse seca persistente e dor torácica ocasional
Avaliação clínica: espirometria com padrão restritivo leve (CVF 78% do previsto), radiografia de tórax com opacidades nodulares difusas e teste de função pulmonar com capacidade de difusão reduzida. Coleta de histórico ocupacional detalhada.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID Z57.2 (exposição a poeira de sílica) associado ao quadro de silicose crônica (CID J61).
Conduta terapêutica: afastamento imediato da exposição, uso de broncodilatadores (fenoterol + ipratrópio 4x/dia), oxigenioterapia domiciliar se SatO₂ < 90% e encaminhamento ao programa de reabilitação pulmonar. Prescrição de corticosteroide inalatório (budesonida 800 µg/dia) por 8 semanas.
Evolução: após 12 semanas de afastamento e reabilitação, o paciente apresentou melhora de 30% na distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos. Retorno gradual ao trabalho com uso permanente de máscara PFF2 e monitoramento trimestral.
Lição clínica: a silicose é irreversível, mas o diagnóstico precoce e a remoção do agente podem estabilizar a doença. Todo trabalhador exposto a poeira mineral deve realizar espirometria anualmente.
O que é o CID Z57 na prática médica
O CID Z57 faz parte do capítulo XXI da CID-10 e é utilizado para registrar a exposição do paciente a fatores de risco presentes no ambiente de trabalho. Ele não descreve uma doença em si, mas sim uma condição que pode levar ao adoecimento. Na prática clínica, esse código é frequentemente associado a doenças ocupacionais como a silicose (J61), asbestose (J60) e dermatites de contato (L25). O médico lança o Z57 como diagnóstico adicional para indicar a causa externa, essencial para a notificação ao Ministério da Saúde e para a emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).
Subcategorias e variantes do CID Z57
O CID Z57 possui 10 subcategorias, cada uma relacionada a um agente ocupacional específico:
- Z57.0 – Exposição ao amianto: comum em trabalhadores da construção civil, indústria naval e fabricação de telhas.
- Z57.1 – Exposição à poeira de sílica: presente em mineração, corte de granito, mármore e jateamento de areia.
- Z57.2 – Exposição a poeiras minerais: inclui poeira de carvão, caulim e outras. Associado à pneumoconiose do trabalhador de minas.
- Z57.3 – Exposição a poeiras orgânicas: comum em trabalhadores rurais (bagaço de cana, grãos). Pode causar pneumonite de hipersensibilidade.
- Z57.4 – Exposição a radiações: radiação ionizante (profissionais de saúde, radiologia) e não ionizante (soldadores).
- Z57.5 – Exposição a temperaturas extremas: calor excessivo (fundições, padarias) ou frio intenso (câmaras frias).
- Z57.6 – Exposição a vibrações: uso contínuo de britadeiras, motosserras, podendo levar à síndrome de vibração mão-braço.
- Z57.7 – Exposição a agentes biológicos: profissionais de saúde, laboratórios, coleta de lixo. Risco de hepatites, tuberculose, COVID-19.
- Z57.8 – Exposição a outros fatores: substâncias químicas não listadas, como solventes, chumbo, mercúrio.
- Z57.9 – Exposição não especificada: usado quando o agente não é identificado na primeira avaliação.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas dependem do agente e do órgão alvo. Nas exposições respiratórias (Z57.0 a Z57.3), os sinais incluem tosse seca crônica, dispneia progressiva, sibilos e dor torácica. Nas exposições dérmicas (solventes, radiação), aparecem dermatites, queimaduras e lesões ulceradas. A exposição a vibrações (Z57.6) provoca parestesia, perda de força e fenômeno de Raynaud. Agentes biológicos (Z57.7) podem cursar com febre, linfadenopatia e pneumonias recorrentes. A evolução costuma ser lenta e insidiosa, o que atrasa o diagnóstico.
Causas e fatores de risco
As causas são ambientais e ocupacionais: inalação de poeiras minerais ou orgânicas, contato com radiação, exposição a temperaturas extremas, vibrações ou agentes biológicos. Os fatores de risco incluem trabalhos sem equipamentos de proteção individual (EPIs), jornadas extensas, ventilação inadequada, falta de treinamento e ausência de exames admissionais e periódicos. Setores como construção civil, mineração, metalurgia, agricultura e saúde concentram os maiores índices.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico-ocupacional. O médico deve colher história ocupacional detalhada (cargo, funções, tempo de exposição, uso de EPIs). Exames complementares incluem espirometria, radiografia de tórax (padrão OIT para pneumoconioses), exames de função pulmonar, testes de provocação brônquica e exames de imagem como TC de alta resolução. Para exposição a metais pesados, dosagem sanguínea ou urinária. A avaliação de um médico do trabalho ou pneumologista é essencial.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento baseia-se em quatro pilares:
- Afastamento da exposição – medida mais importante. O paciente deve ser removido do ambiente agressor temporária ou definitivamente.
- Suporte farmacológico – broncodilatadores, corticoides inalatórios, oxigenioterapia se hipoxemia, antibióticos para infecções secundárias.
- Reabilitação pulmonar – fisioterapia respiratória, exercícios aeróbicos supervisionados, orientação nutricional.
- Tratamento de doenças específicas – para silicose, uso de broncodilatadores e vacinação (influenza, pneumococo); para asbestose, oxigenioterapia e prevenção de câncer.
Casos de exposição química podem demandar quelação (chumbo) ou medidas de descontaminação. Todo paciente deve ser notificado ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento depende da gravidade da exposição e da doença instalada. Para exposição aguda sem sintomas (Z57.9), recomenda-se 3 a 5 dias de afastamento para avaliação. Para silicose ou asbestose diagnosticada, o atestado inicial pode variar de 15 a 30 dias, prorrogável conforme resposta ao tratamento. Na média, a literatura e os protocolos do Ministério da Saúde indicam de 7 a 14 dias para quadros leves-moderados, e 30 a 60 dias para casos graves com hipoxemia. O médico deve reavaliar semanalmente. Em todas as situações, é obrigatória a emissão da CAT e o registro do CID Z57 como secundário.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alerta que exigem atendimento imediato: falta de súbita de ar, dor torácica intensa, tosse com sangue, febre alta (≥38,5°C) associada a exposição a agentes biológicos, ou perda súbita de força em membros (exposição a metais pesados). Pacientes com pneumoconiose conhecida devem buscar emergência se houver piora progressiva da dispneia em horas ou se houver cianose. A exposição aguda a altas concentrações de poeira ou gás tóxico também é urgência.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção é a principal estratégia. Medidas incluem:
- Uso correto e contínuo de EPIs (máscaras PFF2 ou PFF3, protetores auriculares, luvas, botas).
- Ventilação geral e local exaustora nos ambientes de trabalho.
- Exames admissionais, periódicos e demissionais com espirometria.
- Rodízio de funções para reduzir tempo de exposição.
- Programas de educação continuada sobre riscos ocupacionais.
- Vacinação para hepatite B, influenza, pneumococo e tuberculose (BCG) em profissionais de saúde.
- Controle médico regular com médico do trabalho a cada 6 meses.
- 01. Guarde todos os atestados e exames admissionais/periódicos – eles são a prova do nexo ocupacional.
- 02. Ao receber o CID Z57, exija que o médico descreva o agente específico (Z57.0, Z57.1, etc.) para garantir o direito ao afastamento e benefícios previdenciários.
- 03. Nunca retorne ao trabalho sem a liberação do médico, mesmo com melhora dos sintomas – a exposição contínua pode agravar o quadro.
- 04. Em casos de exposição a poeira mineral, realize uma espirometria anualmente, mesmo sem sintomas.
- 05. Se houver dúvida sobre o diagnóstico, solicite segunda opinião em um serviço de medicina do trabalho ou pneumologia.
Perguntas Frequentes sobre o CID Saúde Ocupacional
O CID Z57 garante quantos dias de atestado?
O número de dias varia conforme a gravidade da exposição e a doença associada. Em média, para exposição aguda sem complicações: 7 a 14 dias. Para doença instalada (silicose, asbestose): 30 a 60 dias, podendo ser prorrogado. O médico define o período após avaliação clínica e funcional.
Preciso de CAT para usar o CID Z57?
Sim, a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) deve ser emitida pela empresa ou pelo sindicato sempre que houver diagnóstico de doença ocupacional. O CID Z57 é usado como diagnóstico secundário na CAT.
O CID Z57 pode ser usado para afastamento pelo INSS?
Sim. O INSS reconhece o Z57 como indicativo de exposição a risco ocupacional. Para concessão de auxílio-doença, é necessário que haja um diagnóstico principal (ex.: J61 – silicose) e o Z57 como complementar. O perito médico avaliará o nexo técnico.
Quais exames o médico deve solicitar para confirmar exposição?
Depende do agente. Para poeiras: espirometria, radiografia de tórax padrão OIT, TC de tórax. Para metais pesados: dosagem no sangue ou urina. Para radiação: hemograma, dosagem de radionuclídeos. Para agentes biológicos: sorologias (hepatite, HIV, tuberculina).
O CID Z57 é usado só para doenças respiratórias?
Não. O Z57 abrange exposições que afetam qualquer sistema: pele (dermatites), sistema nervoso (neuropatias por metais pesados), audição (perda auditiva induzida por ruído – nesse caso, o Z57 é associado ao H83.3).
Posso voltar ao trabalho com CID Z57 se estiver assintomático?
Somente após avaliação médica que ateste a remoção do agente ou a adoção de EPIs adequados. Se a exposição persistir, o médico pode recomendar readaptação de função ou proibição definitiva.
O que fazer se a empresa não emitir a CAT?
O próprio trabalhador pode procurar o sindicato da categoria ou o Ministério do Trabalho e Emprego para registrar a CAT. O médico pode ajudar com o preenchimento do documento e o CID correto.
CID Z57 tem cura?
O código Z57 não é uma doença, mas a exposição. Doenças como silicose e asbestose são irreversíveis, mas podem ser estabilizadas com afastamento e tratamento. Outras exposições (agentes biológicos, químicos) podem ser curadas se diagnosticadas precocemente. O prognóstico depende do agente, do tempo de exposição e do órgão afetado.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Consulte a lista completa de códigos CID-10 |
MedlinePlus – Saúde Ocupacional (em espanhol)


