quarta-feira, julho 8, 2026

CID saúde reprodutiva: quando o código pode indicar gravidade?






CID Saúde Reprodutiva: quando o código pode indicar gravidade?


Dado epidemiológico 2026

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 186 milhões de pessoas no mundo vivam com infertilidade. No Brasil, a prevalência entre casais em idade reprodutiva chega a 15%, com destaque para a infertilidade feminina (CID N97) como um dos diagnósticos mais frequentes em clínicas de reprodução assistida.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SAUDE-REPRODUTIVA e quer saber o que significa? Na prática clínica, a saúde reprodutiva abrange um conjunto de condições que podem interferir na fertilidade e no bem-estar do aparelho reprodutor. Entre os códigos mais comuns está o CID N97 – Infertilidade feminina, que reflete a incapacidade de conceber após 12 meses de tentativas regulares sem uso de anticoncepcionais. Este artigo detalha o significado, as causas, os tratamentos e quando o código pode indicar gravidade, com base nas diretrizes mais recentes da medicina.

Identificação do CID

  • Código: N97
  • Descrição: Infertilidade feminina
  • Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário (N00–N99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: N97.0 (relacionada à anovulação), N97.1 (causa tubária), N97.2 (causa uterina), N97.3 (causa cervical), N97.4 (associada a fatores masculinos), N97.8 (outras causas), N97.9 (causa não especificada)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Carolina M., 34 anos, professora universitária

Queixa principal: Dificuldade para engravidar há 18 meses, ciclos menstruais irregulares e dor pélvica leve

Avaliação clínica: Exame ginecológico com palpação anexial dolorosa; ultrassom transvaginal mostrou múltiplos cistos ovarianos sugestivos de síndrome dos ovários policísticos (SOP); histerossalpingografia revelou obstrução tubária bilateral na porção distal. Exames hormonais evidenciaram elevação do LH e baixa progesterona na fase lútea.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID N97.0+N97.1 — infertilidade feminina por anovulação associada a obstrução tubária bilateral.

Conduta terapêutica: Indução da ovulação com citrato de clomifeno por 5 dias e encaminhamento para fertilização in vitro (FIV) devido ao fator tubário. A paciente também iniciou suplementação com ácido fólico e orientações nutricionais para redução do índice de massa corporal.

Evolução: Após dois ciclos de FIV, Carolina engravidou e teve parto normal na 39ª semana. Acompanhamento com endocrinologista para manejo contínuo da SOP foi mantido.

Lição clínica: A infertilidade feminina muitas vezes tem causas múltiplas. O registro detalhado do CID (subcategorias) orienta a abordagem terapêutica específica e aumenta as chances de sucesso.

Atenção: O código CID N97 não deve ser usado como autodiagnóstico. A infertilidade pode ter causas orgânicas, hormonais ou genéticas que exigem investigação completa. Consulte sempre um ginecologista ou especialista em reprodução humana para avaliação individualizada. Nunca inicie tratamentos sem orientação médica.

O que é o CID N97 na prática médica

O CID N97 – Infertilidade feminina é um código diagnóstico utilizado por médicos para registrar a condição de uma mulher que não consegue engravidar após um ano de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos. Na prática clínica, ele abrange desde distúrbios ovulatórios até problemas anatômicos do útero, trompas ou colo uterino.

O código é essencial para a comunicação entre profissionais de saúde, permitindo o registro adequado em prontuários, a solicitação de exames complementares e a prescrição de tratamentos. Além disso, o uso correto do CID N97 é fundamental para a emissão de atestados médicos e para o acesso a procedimentos cobertos por planos de saúde, como a fertilização in vitro.

Dados do Ministério da Saúde (2025) indicam que a infertilidade feminina corresponde a cerca de 35% dos casos de infertilidade conjugal, sendo a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e a obstrução tubária as causas mais prevalentes. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reverter ou contornar o problema na maioria das situações, especialmente quando a mulher tem menos de 35 anos.

Subcategorias e variantes do CID N97

O CID N97 possui sete subcategorias que refinam a causa da infertilidade. Conhecer cada uma delas é essencial para um diagnóstico preciso:

Subcategoria Descrição Exemplo clínico
N97.0 Infertilidade feminina associada à anovulação SOP, disfunção hipotalâmica, hiperprolactinemia
N97.1 Infertilidade de origem tubária Obstrução por DIP, endometriose, cirurgia prévia
N97.2 Infertilidade de origem uterina Miomas submucosos, sinéquias, malformações congênitas
N97.3 Infertilidade de origem cervical Muco cervical hostil, estenose cervical
N97.4 Infertilidade associada a fatores masculinos Quando a causa principal é do parceiro
N97.8 Outras causas de infertilidade feminina Endometriose, causas genéticas, imunológicas
N97.9 Infertilidade feminina não especificada Usada quando a investigação está incompleta

É comum que um mesmo quadro envolva mais de uma subcategoria, como no caso clínico descrito. O médico deve registrar todas as subcategorias aplicáveis para garantir a melhor estratégia terapêutica.

Sintomas e como a doença se manifesta

A infertilidade feminina em si não é um sintoma, mas a condição subjacente pode gerar manifestações clínicas. Os principais sinais de alerta incluem:

  • Ciclos menstruais irregulares ou ausentes: sugerem anovulação ou SOP; ciclos muito longos (mais de 35 dias) ou muito curtos (menos de 21 dias) merecem investigação.
  • Dor pélvica crônica ou durante a relação sexual: pode indicar endometriose, doença inflamatória pélvica (DIP) ou aderências tubárias.
  • Sangramento vaginal anormal: miomas, pólipos ou lesões cervicais podem interferir na implantação embrionária.
  • Secreção vaginal alterada: muco cervical espesso ou ausente no período fértil pode sinalizar fator cervical.
  • Sinais de hiperandrogenismo: acne, hirsutismo (crescimento de pelos em padrão masculino) e queda de cabelo são comuns na SOP.

Em muitos casos, a mulher não apresenta nenhum sintoma óbvio além da dificuldade para engravidar. Por isso, a avaliação médica regular e os exames de rotina são fundamentais para a detecção precoce.

Causas e fatores de risco

As causas da infertilidade feminina são variadas e frequentemente multifatoriais. Os principais grupos de causas incluem:

Grupo de causa Exemplos Fatores de risco
Distúrbios ovulatórios SOP, insuficiência ovariana precoce, hiperprolactinemia, hipotireoidismo Obesidade, estresse, distúrbios alimentares, idade ≥ 35 anos
Fator tubário/peritoneal Obstrução tubária, DIP, endometriose, cirurgias abdominais prévias Infecções sexualmente transmissíveis (clamídia, gonorreia), uso de DIU, tabagismo
Fator uterino Miomas, pólipos, adenomiose, sinéquias intrauterinas Idade, obesidade, cirurgias uterinas (curetagens múltiplas)
Fator cervical Muco cervical hostil, estenose pós-conização Trauma cervical, infecções, cirurgias prévias
Fatores genéticos/imunológicos Alterações cromossômicas, trombofilias, autoanticorpos História familiar de infertilidade, doenças autoimunes

A idade é o fator de risco mais relevante: a fertilidade feminina começa a declinar a partir dos 30 anos, com queda mais acentuada após os 35. A reserva ovariana diminui progressivamente, e a qualidade dos óvulos se reduz, aumentando as chances de aneuploidia e abortamento.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da infertilidade feminina (CID N97) segue um protocolo sistematizado, que inclui:

  1. História clínica detalhada: padrão menstrual, tempo de tentativa de gravidez, cirurgias prévias, infecções, uso de medicamentos e hábitos de vida.
  2. Exame ginecológico completo: palpação pélvica, avaliação do colo uterino e toque vaginal.
  3. Dosagem hormonal: FSH, LH, estradiol, progesterona, testosterona, prolactina e TSH no 3º dia do ciclo. A dosagem de AMH (hormônio antimülleriano) avalia a reserva ovariana.
  4. Ultrassom transvaginal: avalia o útero, endométrio, ovários e presença de cistos, miomas ou endometrioma.
  5. Histerossalpingografia: radiografia com contraste para verificar a permeabilidade das trompas e a morfologia uterina.
  6. Histeroscopia ou laparoscopia diagnóstica: indicadas quando há suspeita de lesões intracavitárias ou endometriose avançada.

Exames complementares como espermograma do parceiro e testes genéticos podem ser solicitados conforme a necessidade. O diagnóstico final é codificado com a subcategoria adequada do CID N97.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da infertilidade feminina depende da causa identificada e pode incluir:

  • Indução da ovulação: medicamentos como citrato de clomifeno, letrozol ou gonadotrofinas (FSH, LH) para estimular o desenvolvimento folicular. A taxa de sucesso varia de 30% a 60% em 6 ciclos.
  • Cirurgias corretivas: miomectomia (remoção de miomas), lise de aderências, recanalização tubária ou ressecção de endometriomas. A recuperação pós-operatória exige repouso de 2 a 4 semanas.
  • Reprodução assistida: inseminação intrauterina (IIU) para fator cervical ou masculino leve; fertilização in vitro (FIV) para obstrução tubária, endometriose grave ou falha de outros tratamentos. A taxa de sucesso da FIV no Brasil é de aproximadamente 40% por ciclo em mulheres com menos de 35 anos.
  • Correção de fatores hormonais: tratamento de hipotireoidismo, hiperprolactinemia ou SOP com metformina, agonistas do GnRH ou cirurgia ovariana.
  • Acompanhamento multidisciplinar: nutricionista, psicólogo e endocrinologista podem otimizar o resultado, especialmente em casos de obesidade ou ansiedade.

O tratamento deve ser individualizado, considerando a idade, a causa, o tempo de infertilidade e as preferências da paciente. Planos de saúde costumam cobrir parte dos procedimentos, mas a FIV ainda tem acesso limitado no sistema público.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado para o CID N97 depende do procedimento realizado:

  • Investigação diagnóstica (exames): geralmente não requer afastamento, exceto em casos de laparoscopia diagnóstica, que pode exigir 2 a 3 dias de repouso.
  • Indução da ovulação com gonadotrofinas: o acompanhamento é ambulatorial, sem necessidade de licença.
  • Cirurgias (miomectomia, recanalização tubária): o atestado varia de 14 a 30 dias, dependendo da complexidade e da via de acesso (laparoscopia ou laparotomia).
  • Fertilização in vitro: a punção folicular e a transferência embrionária podem exigir 1 a 2 dias de repouso, mas muitos médicos recomendam 3 a 5 dias para otimizar a implantação. Algumas pacientes com sintomas de hiperestímulo ovariano necessitam de até 7 dias de afastamento.
  • Complicações: em casos de hiperestímulo ovariano grave ou infecção pós-procedimento, o atestado pode se estender por 15 dias ou mais.

Consulte seu médico para a emissão do atestado adequado ao seu caso. A CID Z000 – Exame Médico Geral pode ser usada para consultas de rotina, mas para procedimentos específicos o CID N97 é o mais indicado.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

A infertilidade feminina raramente é uma emergência, mas alguns sinais exigem atendimento imediato:

  • Dor pélvica súbita e intensa, especialmente após procedimentos de reprodução assistida – pode indicar torção anexial, hiperestímulo ovariano ou gravidez ectópica.
  • Sangramento vaginal volumoso ou com coágulos, acompanhado de tontura ou queda de pressão.
  • Febre alta (≥38,5°C) após cirurgia ou procedimento intrauterino – risco de infecção pélvica.
  • Sintomas de trombose venosa profunda (dor, edema e vermelhidão em uma perna) em pacientes que usam estrogênio para indução da ovulação.
  • Sinais de choque (palidez, sudorese fria, confusão) – indicam possível ruptura de cisto ou gravidez ectópica rota.

Em qualquer dessas situações, dirija-se ao pronto-socorro ou entre em contato com seu médico imediatamente. Lembre-se de que o diagnóstico precoce de complicações salva vidas e preserva a fertilidade futura.

Dicas de Ouro para saúde reprodutiva

  1. 01. Mantenha um peso saudável (IMC entre 18,5 e 24,9) – a obesidade e a magreza excessiva afetam a ovulação e a reserva ovariana.
  2. 02. Evite tabagismo, álcool e drogas ilícitas – o cigarro reduz a fertilidade em até 30% e acelera o declínio ovariano.
  3. 03. Monitore seu ciclo menstrual com aplicativos ou calendários – irregularidades são o primeiro sinal de distúrbios hormonais.
  4. 04. Faça exames ginecológicos anuais a partir da primeira relação sexual – a detecção precoce de DSTs previne obstrução tubária.
  5. 05. Considere a preservação da fertilidade (congelamento de óvulos) se você planeja adiar a gravidez além dos 35 anos.

Perguntas Frequentes sobre o CID Saúde Reprodutiva

O CID N97 garante quantos dias de atestado?

O número de dias varia conforme o procedimento. Para cirurgias como miomectomia ou recanalização tubária, o atestado pode ser de 14 a 30 dias. Para procedimentos de fertilização in vitro, geralmente são recomendados 3 a 5 dias de repouso. Consulte seu médico para uma orientação personalizada.

Quais são os primeiros passos após receber o diagnóstico de infertilidade feminina?

O primeiro passo é entender a causa específica registrada no CID (subcategoria). Agende uma consulta com um especialista em reprodução humana para discutir opções de tratamento, exames complementares e planejamento familiar. Não inicie nenhum tratamento por conta própria.

A infertilidade feminina tem cura?

Depende da causa. Distúrbios ovulatórios (SOP, hipotireoidismo) podem ser controlados com medicamentos, restaurando a fertilidade. Obstruções tubárias podem ser corrigidas cirurgicamente. Casos mais complexos, como insuficiência ovariana precoce, podem exigir técnicas de reprodução assistida. A maioria das mulheres consegue engravidar com o tratamento adequado.

O plano de saúde cobre o tratamento do CID N97?

A cobertura varia. Exames diagnósticos e cirurgias corretivas (miomectomia, recanalização) são geralmente cobertos. A fertilização in vitro (FIV) tem cobertura obrigatória para planos contratados a partir de 2022, conforme a Lei 14.454/2022. Verifique seu contrato e entre em contato com a operadora.

O estresse pode causar infertilidade feminina?

O estresse crônico pode interferir no eixo hipotálamo-hipófise-ovário, levando a anovulação ou disfunção menstrual. No entanto, raramente é a causa isolada. O manejo do estresse com terapia, exercícios e técnicas de relaxamento pode melhorar o prognóstico, mas não substitui a investigação médica.

Qual a diferença entre CID N97 e CID N46?

O CID N97 é específico para infertilidade feminina, enquanto o CID N46 é usado para infertilidade masculina. Ambos são complementares na investigação do casal. Cerca de 30% dos casos de infertilidade conjugal têm fator masculino isolado.

Posso usar o CID N97 para solicitar licença médica no trabalho?

Sim, desde que haja um procedimento invasivo ou condição clínica que justifique o afastamento. Para consultas ou exames simples, o atestado é opcional. O médico emitirá o documento com o CID específico e o período necessário.

A idade da mulher influencia o tratamento do CID N97?

Sim, a idade é o principal fator prognóstico. Mulheres com menos de 35 anos têm taxas de sucesso muito maiores com tratamentos de reprodução assistida (cerca de 40% por ciclo de FIV). Acima dos 40 anos, a taxa cai para 15-20%. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhores as chances.

Existe relação entre o CID N97 e doenças autoimunes?

Sim, doenças como tireoidite de Hashimoto, lúpus eritematoso sistêmico e síndrome antifosfolípide podem causar infertilidade por anovulação, falha de implantação ou abortamento recorrente. O tratamento da doença autoimune de base pode melhorar a fertilidade.

O CID saúde reprodutiva inclui apenas infertilidade feminina?

Não. A saúde reprodutiva abrange outros códigos, como os do capítulo O (gestação), N (aparelho genital) e Z (contracepção). O CID N97 é o mais diretamente relacionado à infertilidade, mas o termo “saúde reprodutiva” é mais amplo. Consulte cid10.com.br para uma lista completa.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e referências: CID10 – Classificação Internacional de Doenças | Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) | Hospital Israelita Albert Einstein


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