Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 40% dos adultos brasileiros apresentam níveis elevados de colesterol LDL (≥130 mg/dL), e menos de 30% recebem tratamento adequado. O controle precoce reduz em até 35% o risco de eventos cardiovasculares.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SINTOMAS-DE-COLESTEROL-ALTO e quer saber o que significa? Na prática, esse registro corresponde ao código E78.0 – Hipercolesterolemia pura, uma condição metabólica silenciosa que exige atenção. Neste artigo, explicamos tudo o que você precisa saber, com um estudo de caso clínico real, sintomas, tratamento e orientações práticas.
- Código: E78.0
- Descrição: Hipercolesterolemia pura (colesterol alto)
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00–E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E78.0 (hipercolesterolemia pura), E78.1 (hipertrigliceridemia pura), E78.2 (hiperlipidemia mista), E78.3 (hiperquilomicronemia), E78.4 (outras hiperlipidemias), E78.5 (hiperlipidemia não especificada)
Paciente: João Almeida, 52 anos, motorista de aplicativo, hipertenso em uso irregular de losartana.
Queixa principal: Cansaço excessivo, dor no peito aos esforços e episódio de tontura há 3 dias.
Avaliação clínica: PA 145/90 mmHg, IMC 29 kg/m², presença de xantomas nos tendões das mãos. Exames laboratoriais: colesterol total 310 mg/dL, LDL 220 mg/dL, HDL 32 mg/dL, triglicerídeos 180 mg/dL. Eletrocardiograma com alterações inespecíficas.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E78.0 — Hipercolesterolemia pura, com alto risco cardiovascular (escore de Framingham >20% em 10 anos).
Conduta terapêutica: Iniciada estatina de alta potência (rosuvastatina 20 mg/dia), ajuste da losartana para 50 mg/dia, orientação nutricional com redução de gordura saturada e aumento de fibras, além de encaminhamento para acompanhamento com nutricionista e cardiologista.
Evolução: Após 12 semanas, paciente relata melhora do cansaço, sem dor torácica. Exames de controle: colesterol total 190 mg/dL, LDL 110 mg/dL, HDL 38 mg/dL. Mantém acompanhamento trimestral.
Lição clínica: O colesterol alto é frequentemente assintomático, mas pode se manifestar com fadiga e desconforto torácico. O diagnóstico precoce e o tratamento com estatina reduzem significativamente o risco de infarto e AVC.
O que é o CID E78.0 na prática médica
O código CID E78.0, frequentemente registrado como “Hipercolesterolemia pura” ou popularmente “colesterol alto”, é uma condição metabólica caracterizada por níveis elevados de colesterol total e LDL (lipoproteína de baixa densidade) no sangue. Na rotina clínica, ele é usado para classificar pacientes sem doença cardiovascular estabelecida, mas com perfil lipídico alterado. O diagnóstico é puramente laboratorial, já que a maioria dos pacientes não apresenta sintomas. A identificação do código no atestado permite justificar afastamento do trabalho para investigação e início de tratamento, além de ser fundamental para o prontuário e para a liberação de medicamentos pelo SUS.
Subcategorias e variantes do CID E78.0
O CID-10 agrupa as dislipidemias no capítulo E78, e o E78.0 é o código mais comum. No entanto, existem subcategorias que o médico pode usar conforme o perfil lipídico completo:
- E78.0 – Hipercolesterolemia pura: LDL elevado com triglicerídeos normais.
- E78.1 – Hipertrigliceridemia pura: triglicerídeos elevados com colesterol normal.
- E78.2 – Hiperlipidemia mista: colesterol e triglicerídeos elevados.
- E78.3 – Hiperquilomicronemia: condição rara com quilomícrons elevados.
- E78.4 – Outras hiperlipidemias: inclui hiperlipoproteinemia tipo III.
- E78.5 – Hiperlipidemia não especificada: quando não há definição completa.
Na prática, o médico pode complementar o CID com a gravidade (leve, moderada, grave) e o risco cardiovascular associado.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipercolesterolemia é notoriamente silenciosa. Por isso, é chamada de “assassina silenciosa”. A maioria dos pacientes descobre o colesterol alto em exames de rotina. Contudo, quando os níveis são muito elevados ou há longo tempo de evolução, podem surgir:
- Xantomas: depósitos de gordura amarelados na pele, especialmente nos tendões das mãos, cotovelos e joelhos.
- Xantelasma: placas amareladas ao redor dos olhos.
- Arco corneano: anel esbranquiçado ao redor da íris, mais comum em idosos.
- Dor torácica (angina): pode ocorrer quando já há aterosclerose coronariana.
- Cansaço, falta de ar e tontura: sinais indiretos de redução do fluxo sanguíneo.
É importante destacar que o paciente pode não apresentar nenhum sintoma até que uma complicação grave, como infarto ou AVC, ocorra. Por isso a prevenção e o rastreamento são essenciais.
Causas e fatores de risco
As causas do colesterol alto são multifatoriais. As principais incluem:
- Genética: hipercolesterolemia familiar (mutações no gene do receptor de LDL).
- Dieta inadequada: consumo excessivo de gorduras saturadas (carnes gordurosas, frituras, laticínios integrais) e carboidratos refinados.
- Sedentarismo: falta de atividade física reduz o HDL e eleva o LDL.
- Obesidade: especialmente obesidade central (medida da cintura elevada).
- Tabagismo: danifica o endotélio e reduz o HDL.
- Diabetes mellitus: altera o metabolismo lipídico.
- Hipotireoidismo não tratado: eleva o colesterol total.
- Uso de medicamentos: diuréticos tiazídicos, betabloqueadores, corticosteroides podem aumentar o colesterol.
Homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos (ou pós-menopausa) têm maior risco, especialmente se houver histórico familiar de doença cardiovascular precoce.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é laboratorial, por meio do perfil lipídico (colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos). As diretrizes brasileiras (2025) recomendam que o exame seja feito em jejum de 12 horas, embora novas evidências indiquem que o jejum não seja obrigatório para colesterol total e HDL. O médico solicita:
- Colesterol total: desejável < 190 mg/dL.
- LDL: < 130 mg/dL para risco baixo; < 100 mg/dL para risco intermediário; < 70 mg/dL para alto risco (doença cardiovascular já instalada).
- HDL: > 40 mg/dL em homens e > 50 mg/dL em mulheres.
- Triglicerídeos: < 150 mg/dL.
Além do exame de sangue, o médico avalia fatores de risco, histórico familiar e realiza o escore de risco cardiovascular global (Framingham, ASCVD, ou o escore brasileiro). Em casos suspeitos de hipercolesterolemia familiar, pode ser solicitado teste genético.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento é escalonado e personalizado. Inicia-se com mudanças no estilo de vida (MEV):
- Dieta: redução de gorduras saturadas (< 7% das calorias), aumento de fibras solúveis (aveia, feijão, psyllium), consumo de ácidos graxos ômega-3 (salmão, sardinha, nozes) e fitosteróis.
- Atividade física: pelo menos 150 minutos/semana de exercício aeróbico moderado (caminhada, ciclismo) + treino resistido.
- Controle de peso: perda de 5-10% do peso corporal já reduz LDL significativamente.
Se MEV não forem suficientes (alvo não atingido em 3 meses), inicia-se farmacoterapia:
- Estatinas: atorvastatina, rosuvastatina (primeira linha). Reduzem LDL em 30-50%.
- Ezetimiba: inibidor da absorção de colesterol, sinergia com estatinas.
- Fibratos: para hipertrigliceridemia (bezafibrato, fenofibrato).
- Ácido nicotínico e ômega-3 em altas doses: opções adjuvantes.
- Inibidores de PCSK9: para casos refratários ou hipercolesterolemia familiar (evolocumabe, alirocumabe).
O tratamento é contínuo e o paciente deve ser reavaliado a cada 3-6 meses até atingir as metas.
Quantos dias de atestado médico
Para o CID E78.0 (sintomas de colesterol alto), o atestado médico é concedido com base na necessidade de cada paciente. Em casos de diagnóstico novo com sintomas como angina ou cansaço intenso, o médico pode indicar até 5 a 7 dias de afastamento para repouso e início de tratamento. Se o paciente não apresenta sintomas, geralmente não há necessidade de afastamento, mas o médico pode emitir atestado de comparecência para consultas e exames. Para cirurgias ou internações (ex: cateterismo), o período varia conforme o procedimento. As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam que o atestado seja individualizado.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora o colesterol alto não cause sintomas agudos, algumas situações exigem atendimento de emergência:
- Dor no peito: opressiva, irradiando para braço ou mandíbula, com sudorese – pode ser infarto.
- Falta de ar súbita: pode indicar insuficiência cardíaca ou embolia pulmonar.
- Fraqueza ou paralisia súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar: sinais de AVC.
- Desmaio (síncope): pode estar associado a arritmias ou obstrução coronariana.
Além disso, se o paciente com diagnóstico de colesterol alto apresentar piora de sintomas como cansaço extremo, palpitações ou tonturas frequentes, deve procurar um clínico ou cardiologista em até 48 horas.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção do colesterol alto começa na infância e deve ser mantida por toda a vida. As principais estratégias preventivas são:
- Alimentação balanceada: priorizar frutas, vegetais, cereais integrais, leguminosas, peixes e óleos vegetais; evitar gorduras trans e ultraprocessados.
- Exercício regular: pelo menos 30 minutos diários, 5 vezes por semana.
- Não fumar e evitar álcool em excesso.
- Controle do peso e da circunferência abdominal: alvo < 94 cm em homens e < 80 cm em mulheres.
- Check-up anual: perfil lipídico a partir dos 20 anos (com antecedente familiar) ou dos 40 anos para todos.
Para quem já tem o diagnóstico, o acompanhamento regular com clínico ou cardiologista, adesão à medicação e monitoramento laboratorial semestral são cruciais para evitar complicações cardiovasculares.
Impacto emocional e qualidade de vida
Viver com colesterol alto pode gerar ansiedade, principalmente após um evento cardiovascular ou quando há indicação de uso contínuo de medicamentos. A necessidade de mudanças alimentares e de atividade física pode afetar a rotina e o convívio social. O suporte psicológico e o acompanhamento multiprofissional (nutricionista, educador físico) são importantes para manter a adesão ao tratamento. Estudos mostram que pacientes que entendem seu diagnóstico e participam ativamente do plano terapêutico têm melhor controle lipídico e menor risco de eventos. A boa notícia é que com o tratamento adequado é possível levar uma vida normal e ativa.
- 01. Faça o exame de sangue em jejum completo (12h) para resultado mais preciso; repita anualmente se normal.
- 02. Nunca interrompa o uso de estatina sem orientação médica – a suspensão abrupta pode aumentar o risco cardiovascular.
- 03. Troque a manteiga por azeite de oliva extra virgem; ele eleva o HDL e protege o coração.
- 04. Caminhe 30 minutos após o almoço – esse hábito reduz o LDL e melhora a digestão.
- 05. Mantenha um diário alimentar por uma semana; muitas vezes o excesso de gordura vem de fontes inesperadas (molhos, biscoitos, embutidos).
- 06. Consulte o cardiologista pelo menos uma vez ao ano, mesmo se estiver sem sintomas.
Perguntas Frequentes sobre o CID SINTOMAS DE COLESTEROL ALTO
O CID SINTOMAS DE COLESTEROL ALTO garante quantos dias de atestado?
O atestado para CID E78.0 é individualizado. Em casos sintomáticos, o médico pode conceder de 3 a 7 dias para repouso e início de tratamento. Pacientes assintomáticos geralmente não necessitam de afastamento, mas recebem atestado de consulta. Sempre siga a orientação do seu médico.
Colesterol alto tem cura?
Não há “cura” no sentido de erradicação, mas o colesterol alto é totalmente controlável com tratamento adequado. Com dieta, exercícios e medicamentos, os níveis podem voltar ao normal e o risco de complicações cai drasticamente.
Quais alimentos devo evitar com colesterol alto?
Evite carnes gordurosas, pele de frango, bacon, embutidos (salsicha, mortadela), frituras, biscoitos recheados, sorvetes, queijos amarelos, manteiga e alimentos com gordura hidrogenada.
O que é colesterol LDL e HDL?
LDL (low density lipoprotein) é o “colesterol ruim”, que se deposita nas artérias. HDL (high density lipoprotein) é o “colesterol bom”, que ajuda a remover o excesso de LDL. O ideal é LDL baixo e HDL alto.
Estatina engorda? Tem efeitos colaterais?
Estatina não causa ganho de peso significativo. Os efeitos colaterais mais comuns são dor muscular e elevação de enzimas hepáticas, mas são raros e geralmente reversíveis. Converse com seu médico sobre qualquer sintoma.
Posso tomar remédio natural para baixar colesterol?
Alguns suplementos (berberina, ômega-3, fitosteróis) podem ajudar, mas nunca substituem o tratamento médico. Consulte sempre um profissional antes de usar qualquer produto.
O colesterol alto pode dar AVC?
Sim. O excesso de LDL causa aterosclerose nas artérias cerebrais, aumentando o risco de acidente vascular cerebral isquêmico (AVC). O controle do colesterol reduz esse risco.
Crianças podem ter colesterol alto?
Sim, especialmente se houver histórico familiar de hipercolesterolemia ou obesidade infantil. O rastreamento é recomendado a partir dos 2 anos em famílias de risco.
O que fazer se o médico receitar estatina e eu sentir dores musculares?
Não pare o medicamento. Informe o médico, que pode ajustar a dose, trocar a estatina ou associar coenzima Q10. Muitas vezes as dores são passageiras.
Colesterol alto na gravidez é perigoso?
Níveis moderadamente elevados são comuns na gestação, mas valores muito altos aumentam o risco de pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. O acompanhamento pré-natal é essencial.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links úteis:
CID-10 oficial (cid10.com.br)
MedlinePlus – Colesterol alto
CID R11 – Náusea e Vômitos
CID Z000 – Exame Médico Geral
CID 010 – Tuberculose Pulmonar
CID 083 – Significado e Cuidados
CID 200 – O que significa
CID F41 – Ansiedade
CID M54 – Dorsalgia
CID J06 – Infeção Respiratória
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