Em 2026, estima-se que mais de 16 milhões de brasileiros vivem com diabetes mellitus, e cerca de 40% dos casos ainda não foram diagnosticados. O código CID R73.9 (glicemia elevada) é frequentemente o primeiro registro clínico que alerta para o risco de diabetes, permitindo intervenção precoce e prevenção de complicações.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SINTOMAS-DE-DIABETES e quer saber o que significa? Este código, na prática clínica, corresponde à classificação R73.9 da CID-10 – “Glicemia elevada, não especificada” – e é usado quando os exames mostram açúcar elevado no sangue sem ainda preencher todos os critérios para diabetes mellitus. Entender esse código ajuda a dar os próximos passos corretos para sua saúde.
- Código: R73.9
- Descrição: Glicemia elevada, não especificada (comumente chamado de “pré-diabetes” ou “sintomas de diabetes” em estágio inicial)
- Categoria: Capítulo XVIII – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: R73.0 – Glicemia em jejum alterada; R73.1 – Intolerância à glicose; R73.2 – Hiperglicemia não diabética; R73.9 – Glicemia elevada, não especificada
Paciente: Sra. Marília Costa, 52 anos, professora aposentada
Queixa principal: Sede excessiva (polidipsia), urinar muitas vezes à noite (poliúria) e cansaço inexplicável há três meses
Avaliação clínica: Exame físico: peso 78 kg, altura 1,62 m (IMC 29,7 – sobrepeso), circunferência abdominal 96 cm. Exames laboratoriais: glicemia em jejum 118 mg/dL (referência <100); hemoglobina glicada 6,1% (<5,7% normal). Teste de tolerância à glicose: 2h = 165 mg/dL (<140 normal)
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID R73.9 – Glicemia elevada não especificada, caracterizando pré-diabetes com glicemia de jejum alterada e tolerância diminuída à glicose
Conduta terapêutica: Orientação nutricional com redução de carboidratos refinados, aumento de fibras; atividade física aeróbica (30 min/dia, 5x/sem); metformina 500 mg 1x/dia (após avaliação médica). Retorno em 3 meses para reavaliação glicêmica
Evolução: Após 12 semanas, a paciente perdeu 4 kg, glicemia em jejum caiu para 98 mg/dL e hemoglobina glicada para 5,4%. Os sintomas de sede e poliúria desapareceram completamente
Lição clínica: O diagnóstico precoce de glicemia elevada (CID R73.9) permite intervenções simples que podem reverter o quadro e evitar a progressão para diabetes tipo 2, melhorando a qualidade de vida a longo prazo.
O que é o CID R73.9 na prática médica
O código CID R73.9 – “Glicemia elevada, não especificada” – é utilizado quando exames de sangue mostram níveis de açúcar acima do normal, mas sem preencher os critérios para diagnóstico de diabetes mellitus (glicemia de jejum ≥126 mg/dL ou hemoglobina glicada ≥6,5%). Na prática, corresponde ao que muitos chamam de “pré-diabetes” ou “sintomas iniciais de diabetes”. É um sinal de que o pâncreas está começando a perder eficiência na produção ou na ação da insulina, e o corpo já manifesta alterações metabólicas. Esse código é muito comum em consultas de clínica médica, endocrinologia e medicina da família, servindo como um gatilho para investigação mais aprofundada e intervenção precoce.
Subcategorias e variantes do CID R73
O capítulo R73 abrange várias condições de glicemia alterada:
- R73.0 – Glicemia em jejum alterada: glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL. É o estágio mais comum de pré-diabetes.
- R73.1 – Intolerância à glicose: glicemia 2 horas após sobrecarga oral de glicose entre 140 e 199 mg/dL.
- R73.2 – Hiperglicemia não diabética: elevação transitória por estresse, infecção ou uso de medicamentos (ex.: corticoides).
- R73.9 – Glicemia elevada, não especificada: usado quando não se detalha o tipo de alteração ou quando faltam dados para classificar a subcategoria.
Na prática, o médico costuma especificar a subcategoria após exames direcionados, mas o código R73.9 é uma “porta de entrada” inicial.
Sintomas e como a condição se manifesta
Os sintomas associados ao CID R73.9 são os mesmos da hiperglicemia leve a moderada. Muitas pessoas são assintomáticas, mas quando presentes incluem:
- Sede excessiva (polidipsia): o corpo tenta diluir o excesso de glicose no sangue.
- Urina frequente (poliúria): os rins eliminam glicose junto com água.
- Cansaço e sonolência: as células não conseguem usar glicose adequadamente.
- Perda de peso inexplicada: em casos mais avançados, o corpo queima gordura para obter energia.
- Visão turva: alteração osmótica no cristalino do olho.
- Infecções recorrentes: especialmente candidíase, infecções urinárias e de pele.
É importante notar que a ausência de sintomas não exclui o risco – cerca de 30% das pessoas com glicemia elevada não apresentam queixas.
Causas e fatores de risco
A glicemia elevada (pré-diabetes) resulta de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Os principais fatores de risco incluem:
- Histórico familiar: parentes de primeiro grau com diabetes tipo 2 aumentam o risco em 2 a 4 vezes.
- Excesso de peso: IMC >25 kg/m², especialmente com gordura abdominal.
- Sedentarismo: a inatividade reduz a sensibilidade à insulina.
- Alimentação inadequada: dietas ricas em carboidratos refinados, açúcares e gorduras saturadas.
- Idade ≥45 anos: o risco aumenta progressivamente.
- Doenças associadas: síndrome dos ovários policísticos, hipertensão, colesterol alto.
- Uso de medicamentos: corticoides, alguns diuréticos e antipsicóticos podem elevar a glicemia.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID R73.9 é baseado em exames laboratoriais. O protocolo do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda:
- Glicemia em jejum: entre 100 e 125 mg/dL (duas medidas em dias diferentes confirmam).
- Teste de tolerância oral à glicose (TOTG): glicemia 2h após 75g de glicose entre 140 e 199 mg/dL.
- Hemoglobina glicada (HbA1c): entre 5,7% e 6,4%.
O médico também investiga sintomas, fatores de risco e realiza exame físico (IMC, circunferência abdominal, pressão arterial). Em casos duvidosos, repete os exames em 1 a 3 meses.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do pré-diabetes (CID R73.9) é essencialmente não farmacológico, mas pode incluir medicação em casos selecionados. As medidas incluem:
- Mudança de estilo de vida: perda de 5-7% do peso corporal reduz o risco de progressão para diabetes em 58% (estudo DPP).
- Atividade física: pelo menos 150 minutos/semana de exercícios aeróbicos (caminhada, natação) e treino de força 2x/semana.
- Reeducação alimentar: redução de carboidratos simples, aumento de fibras, gorduras boas e proteínas magras. Evitar bebidas açucaradas.
- Medicação: metformina é a droga de primeira linha para alto risco (glicemia >110 mg/dL, HbA1c >6,0%, IMC >30, história familiar forte).
- Controle de comorbidades: tratar hipertensão, dislipidemia e obesidade simultaneamente.
O acompanhamento deve ser regular: consultas a cada 3-6 meses para reavaliação glicêmica e ajuste de conduta.
Quantos dias de atestado médico
O CID R73.9 por si só não justifica afastamento do trabalho, pois é uma condição assintomática na maioria dos casos. No entanto, quando há sintomas importantes (cansaço intenso, tonturas, necessidade de exames complementares), o médico pode conceder atestado de 1 a 3 dias para realização de exames e início de orientações. Em casos de internação para investigação ou complicações (raro), o afastamento pode chegar a 7-14 dias. A maioria dos pacientes não necessita de licença médica, pois o tratamento é ambulatorial. Importante: o atestado deve ser individualizado conforme a condição clínica de cada paciente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Glicemia capilar >250 mg/dL associada a sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal.
- Respiração rápida e profunda (respiração de Kussmaul) – sinal de cetoacidose.
- Alteração do nível de consciência, sonolência excessiva ou confusão mental.
- Perda de peso rápida e inexplicada (mais de 5% do peso em 1 mês).
- Visão turva súbita ou escotomas (manchas escuras na visão).
- Sinais de infecção grave: febre alta, calafrios, feridas que não cicatrizam.
Mesmo sem esses sinais, se os sintomas clássicos (sede, urina, cansaço) persistirem por mais de 2 semanas, agende uma consulta com clínico geral ou endocrinologista.
Prevenção e cuidados contínuos
Para prevenir a progressão do CID R73.9 para diabetes tipo 2, adote as seguintes estratégias:
- Controle do peso: mantenha IMC <25 kg/m² e circunferência abdominal <94 cm (homens) e <80 cm (mulheres).
- Alimentação balanceada: prefira alimentos integrais, leguminosas, frutas com casca, vegetais, proteínas magras. Reduza açúcar e farinha branca.
- Exercício regular: combine aeróbico e resistência. Atividades como musculação melhoram a sensibilidade à insulina.
- Monitoramento glicêmico: se tiver pré-diabetes, meça a glicemia de jejum anualmente ou conforme orientação médica.
- Evitar tabagismo e álcool em excesso: ambos pioram a resistência insulínica.
- Gerenciamento do estresse: cortisol elevado aumenta a glicemia. Pratique sono adequado (7-8h) e técnicas de relaxamento.
- 01. Se você recebeu o CID R73.9, não entre em pânico: 70% dos casos de pré-diabetes revertem com mudanças no estilo de vida em 1 ano.
- 02. Faça um diário alimentar por 7 dias: identifique fontes escondidas de açúcar (refrigerantes, sucos industrializados, molhos prontos).
- 03. Inclua fibras em todas as refeições: aveia, chia, leguminosas e vegetais folhosos ajudam a controlar a glicemia pós-prandial.
- 04. Use aplicativos de monitoramento: apps como “Glic” ou “Diabetes Diary” ajudam a rastrear glicemia, alimentação e exercícios.
- 05. Nunca aceite suplementos milagrosos: a única medicação com eficácia comprovada para pré-diabetes é a metformina, sob prescrição médica. Canela, berinjela e outros “remédios caseiros” não substituem o tratamento baseado em evidências.
Perguntas Frequentes sobre o CID SINTOMAS-DE-DIABETES
O CID R73.9 garante quantos dias de atestado?
Geralmente não há necessidade de afastamento, mas o médico pode conceder 1 a 3 dias para exames iniciais e orientação. Em casos com sintomas incapacitantes, até 7 dias. Cada caso é avaliado individualmente.
O CID R73.9 significa que eu tenho diabetes?
Não. O código indica glicemia elevada, mas ainda não no nível para diagnóstico de diabetes. É um sinal de alerta (pré-diabetes). Com intervenção adequada, é possível normalizar os níveis.
Quais exames preciso fazer para confirmar o CID?
Glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, se necessário, teste de tolerância oral à glicose. O médico pode solicitar também perfil lipídico e função renal.
Qual a diferença entre R73.9 e E11.9 (diabetes tipo 2)?
R73.9 é uma condição de risco (pré-diabetes), enquanto E11.9 é diabetes mellitus tipo 2 já estabelecido. Os critérios glicêmicos são diferentes (jejum ≥126 mg/dL ou HbA1c ≥6,5% para diabetes).
É possível reverter o pré-diabetes?
Sim. Estudos mostram que perda de peso de 5-7%, combinada com exercício regular e alimentação saudável, normaliza a glicemia em até 70% dos casos em 1 ano.
Preciso tomar metformina se tiver CID R73.9?
Nem sempre. A metformina é indicada para quem tem alto risco (história familiar forte, IMC >35, glicemia >110 mg/dL, HbA1c >6,0%). A decisão é médica.
O que acontece se eu não tratar o pré-diabetes?
Sem intervenção, cerca de 10-20% das pessoas com pré-diabetes evoluem para diabetes tipo 2 em 5 anos, com risco de complicações cardiovasculares, renais e oculares a longo prazo.
Com que frequência devo repetir os exames?
Se você tem pré-diabetes e está em tratamento, repita glicemia e HbA1c a cada 6-12 meses. Se os valores se normalizarem, o rastreio anual é suficiente.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
CID R73.9 no CID10.com.br |
MedlinePlus – Pré-diabetes (inglês) |
Hospital Israelita Albert Einstein – Diabetes
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