Estima-se que a esteatose hepática não alcoólica atinja cerca de 25% da população adulta mundial, com tendência de aumento nas próximas décadas. No Brasil, projeções indicam que mais de 30% dos indivíduos acima do peso apresentam graus variáveis de infiltração gordurosa no fígado, tornando o CID K76.0 um dos códigos mais registrados em consultas de clínica médica.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SINTOMAS-ESTEATOSE-HEPATICA e quer saber o que significa? Na prática, não existe um código específico para “sintomas de esteatose hepática” na CID-10; a condição propriamente dita é codificada como K76.0 – Doença hepática gordurosa (fígado gorduroso). Este artigo explica os sintomas associados, causas, tratamentos e o que você precisa saber sobre esse diagnóstico cada vez mais comum.
- Código: K76.0
- Descrição: Doença hepática gordurosa (fígado gorduroso) – esteatose hepática não alcoólica (EHNA) e esteatose alcoólica
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K76.0 é o código principal. K76.1 – Degeneração gordurosa crônica do fígado; K76.2 – Necrose hemorrágica do fígado; K76.3 – Infarto do fígado; entre outras subdivisões de K76.
Paciente: Carlos Eduardo M., 47 anos, gerente administrativo, sedentário, com sobrepeso (IMC 29,5).
Queixa principal: Cansaço excessivo há 4 meses, desconforto vago no quadrante superior direito do abdome e sensação de “estômago pesado” após refeições gordurosas.
Avaliação clínica: Exame físico evidenciou hepatimetria aumentada (fígado palpável a 3 cm do rebordo costal). Exames laboratoriais mostraram TGO 78 U/L, TGP 112 U/L, GGT 98 U/L, triglicerídeos 289 mg/dL, colesterol HDL 32 mg/dL. Ultrassonografia abdominal revelou esteatose hepática grau II (difusa).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K76.0 – Doença hepática gordurosa (esteatose hepática não alcoólica), associada a síndrome metabólica.
Conduta terapêutica: Orientação nutricional com nutricionista (dieta hipocalórica, redução de carboidratos simples e gorduras saturadas); prática de atividade física aeróbica 5x/semana (40 min/dia); suplementação com vitamina E 400 UI/dia (por 12 meses) e ácido ursodesoxicólico 500 mg/dia. Suspensão total de bebidas alcoólicas. Reavaliação em 3 meses.
Evolução: Após 12 semanas, Carlos perdeu 6,5 kg, apresentou redução de 40% nas transaminases (TGO 42, TGP 58) e melhora significativa da astenia e do desconforto abdominal. Nova ultrassonografia mostrou regressão da esteatose para grau I.
Lição clínica: A esteatose hepática pode ser reversível com mudanças no estilo de vida, especialmente perda de peso e prática regular de atividade física. O diagnóstico precoce evita progressão para fibrose e cirrose.
O que é o CID K76.0 na prática médica
O código K76.0 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) designa a doença hepática gordurosa, popularmente conhecida como “fígado gorduroso”. Ele abrange tanto a forma não alcoólica (esteatose hepática não alcoólica – EHNA) quanto a forma alcoólica, embora na prática clínica seja mais usado para a primeira. O termo “sintomas esteatose hepática” costuma ser registrado quando o paciente apresenta queixas associadas, como dor abdominal, cansaço ou hepatomegalia, mas o código de diagnóstico permanece K76.0.
Na rotina ambulatorial, esse CID é um dos mais prevalentes em pacientes com síndrome metabólica, obesidade ou diabetes tipo 2. Estima-se que até 80% dos indivíduos com diabetes tipo 2 tenham esteatose hepática, e muitos desconhecem o diagnóstico até a realização de exames de imagem ou laboratoriais de rotina.
Para mais informações sobre exames de check-up, veja nosso artigo sobre CID Z000 – Exame Médico Geral.
Subcategorias e variantes do CID K76.0
O capítulo K76 (Outras doenças do fígado) inclui várias subcategorias que podem ser confundidas ou coexistentes com a esteatose simples:
- K76.0 – Doença hepática gordurosa (esteatose hepática)
- K76.1 – Degeneração gordurosa crônica do fígado (geralmente associada ao alcoolismo crônico)
- K76.2 – Necrose hemorrágica do fígado
- K76.3 – Infarto do fígado
- K76.4 – Pelióse hepática
- K76.5 – Doença veno-oclusiva do fígado
- K76.6 – Hipertensão portal
- K76.7 – Síndrome hepatorrenal
- K76.8 – Outras doenças especificadas do fígado
- K76.9 – Doença do fígado, não especificada
Na prática, a subcategoria K76.0 é a mais utilizada para a esteatose simples, enquanto condições inflamatórias ou fibróticas recebem códigos mais específicos (ex.: K74 – Fibrose e cirrose hepática).
Sintomas e como a doença se manifesta
A maioria dos pacientes com esteatose hepática não apresenta sintomas, sendo o diagnóstico incidental em exames de imagem ou laboratoriais. Quando presentes, os sinais mais comuns incluem:
- Dor ou desconforto no quadrante superior direito do abdome (sensação de “fígado pesado”)
- Fadiga e cansaço inexplicáveis
- Náusea leve, especialmente após refeições gordurosas
- Hepatomegalia (fígado aumentado) ao exame físico
- Elevação discreta das transaminases (TGO, TGP) e GGT
Sintomas como icterícia, ascite ou encefalopatia hepática são raros na esteatose simples e, quando presentes, indicam progressão para fibrose avançada ou cirrose. Leia também sobre CID R11 – Náuseas e Vômitos para diferenciar sintomas digestivos.
Causas e fatores de risco
A principal causa da esteatose hepática não alcoólica é o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, decorrente de um desequilíbrio entre a captação/síntese de gordura e sua oxidação/exportação. Os fatores de risco incluem:
- Obesidade (especialmente obesidade visceral)
- Diabetes mellitus tipo 2 ou resistência insulínica
- Dislipidemia (hipertrigliceridemia, HDL baixo)
- Sedentarismo e dieta rica em carboidratos refinados e gorduras saturadas
- Síndrome dos ovários policísticos (em mulheres)
- Apneia obstrutiva do sono (associada à hipóxia intermitente)
- Consumo de álcool (>14 doses/semana para homens e >7 para mulheres configura esteatose alcoólica)
- Uso de medicamentos como corticosteroides, amiodarona, metotrexato, tamoxifeno
Existem também formas genéticas raras (ex.: deficiência de lipase ácida lisossomal).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da esteatose hepática baseia-se em quatro pilares:
- História clínica e exame físico – investigar consumo de álcool, medicamentos, doenças metabólicas, palpar o fígado.
- Exames laboratoriais – TGO, TGP, GGT, fosfatase alcalina, perfil lipídico, glicemia em jejum e HbA1c. A relação TGO/TGP >2 sugere esteatose alcoólica; <1 sugere EHNA.
- Exames de imagem – ultrassonografia abdominal é o método inicial (sensibilidade 85-95%). A elastografia hepática (FibroScan) avalia fibrose.
- Biópsia hepática – padrão-ouro para quantificar inflamação e fibrose, indicada quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de esteato-hepatite.
Para entender melhor os exames de imagem, veja também CID 010 – Tuberculose Pulmonar (embora seja outro contexto, mostra como exames complementares são essenciais para diagnósticos).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da esteatose hepática não alcoólica é multidisciplinar e focado em três grandes áreas:
- Mudança do estilo de vida – perda de 5-10% do peso corporal (reduz a gordura hepática e a inflamação); dieta mediterrânea hipocalórica (rica em vegetais, frutas, gorduras insaturadas); atividade física aeróbica de moderada intensidade (≥150 min/semana).
- Controle de comorbidades – uso de metformina, pioglitazona, estatinas e anti-hipertensivos conforme necessário. A vitamina E (800 UI/dia) é recomendada para pacientes com esteato-hepatite confirmada por biópsia, em não diabéticos.
- Medicamentos específicos – o ácido ursodesoxicólico e os agonistas de GLP-1 (liraglutida, semaglutida) têm mostrado benefício em estudos recentes (2025-2026). Para casos avançados, a cirurgia bariátrica pode ser indicada.
Não existem medicamentos aprovados exclusivamente para esteatose simples; o foco é a correção dos fatores metabólicos. Para alívio de dores, saiba mais sobre Dipirona para que serve.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento depende da gravidade do quadro e dos procedimentos realizados. Em geral:
- Para realização de exames diagnósticos (ultrassom, elastografia, coleta de sangue): 1 dia de atestado, quando necessário.
- Para casos sintomáticos leves a moderados (fadiga, desconforto abdominal): 2 a 5 dias, com orientação de repouso relativo e início de mudanças dietéticas.
- Para internação hospitalar (raro, geralmente por complicações): 10 a 15 dias, dependendo da evolução.
O médico avaliará cada caso individualmente. Atestados prolongados (>7 dias) exigem justificativa clínica detalhada. Não há um número fixo no CID K76.0; o que importa é a condição clínica do paciente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a esteatose seja geralmente de evolução lenta, alguns sinais exigem atendimento médico imediato:
- Dor abdominal intensa e persistente no lado direito
- Icterícia (olhos e pele amarelados)
- Urina escura (cor de Coca-Cola) e fezes claras
- Inchaço abdominal rápido (ascite)
- Vômitos com sangue ou fezes escuras
- Confusão mental, sonolência excessiva ou dificuldade de concentração (sinais de encefalopatia hepática)
Esses sintomas podem indicar evolução para cirrose descompensada ou carcinoma hepatocelular. Se você apresenta algum deles, procure um pronto-socorro ou agende consulta urgente com seu clínico.
Prevenção e cuidados contínuos
A melhor prevenção para a esteatose hepática é a adoção de um estilo de vida saudável desde cedo. Medidas comprovadas incluem:
- Manter peso corporal adequado (IMC ideal <25)
- Praticar atividade física regular (150-300 min/semana de exercícios aeróbicos + treino resistido 2x/semana)
- Alimentação balanceada, evitando ultraprocessados, bebidas açucaradas e gorduras trans
- Limitar o consumo de álcool (ou abster-se, se já houver diagnóstico)
- Controlar diabetes, hipertensão e dislipidemia com acompanhamento médico
- Realizar check-ups periódicos com dosagem de transaminases e ultrassonografia abdominal (ao menos uma vez ao ano, se houver fatores de risco)
Para quem já tem o diagnóstico, o acompanhamento regular com clínico geral ou hepatologista é essencial para monitorar a evolução e evitar complicações.
- 01. Perder 5-10% do peso corporal é a medida mais eficaz para reduzir a gordura no fígado. Não existem comprimidos “milagrosos”.
- 02. A dieta mediterrânea (azeite de oliva, peixes, nozes, vegetais) é a mais estudada e recomendada para esteatose hepática.
- 03. Evite bebidas alcoólicas completamente se você já tem diagnóstico de esteatose, mesmo que seja leve.
- 04. O uso de medicamentos como vitamina E (somente com prescrição médica) pode ajudar em casos de esteato-hepatite, mas não substitui a mudança de estilo de vida.
- 05. Realize exames de sangue (TGO, TGP, GGT) a cada 6 meses se tiver fatores de risco, mesmo sem sintomas.
- 06. Não use corticoides ou outros hepatotóxicos sem orientação médica rigorosa.
Perguntas Frequentes sobre o CID Sintomas Esteatose Hepática
O CID K76.0 garante quantos dias de atestado?
O atestado é individualizado. Em geral, para exames ou sintomas leves, concedem-se 1 a 3 dias. Casos mais sintomáticos podem exigir até 5 dias. Não há um número fixo; o médico decide conforme o quadro.
Esteatose hepática tem cura?
Sim, a esteatose simples é reversível com perda de peso, atividade física e controle metabólico. A esteato-hepatite com fibrose também pode regredir, especialmente se tratada precocemente.
Quais exames confirmam o diagnóstico?
Ultrassonografia abdominal é o exame inicial mais comum. Elastografia hepática (FibroScan) avalia fibrose. Biópsia é reservada para casos duvidosos ou suspeita de esteato-hepatite.
Preciso parar de trabalhar se tenho esteatose?
Na maioria dos casos, não. Apenas se houver sintomas incapacitantes (fadiga intensa, dor) ou necessidade de exames, o médico pode recomendar repouso de curta duração.
O CID K76.0 aparece em atestados médicos?
Sim, é comum o médico registrar o código K76.0 em atestados e laudos, especialmente quando justifica afastamento para exames ou tratamento.
Qual a diferença entre esteatose hepática e cirrose?
Esteatose é o acúmulo de gordura; cirrose é a fibrose avançada com nódulos de regeneração, irreversível. A esteatose pode evoluir para cirrose se não tratada.
Gestantes podem ter esteatose hepática?
Sim, existe a esteatose hepática aguda da gestação, uma condição rara e grave que requer atendimento de urgência. Já a esteatose crônica é comum em gestantes com obesidade ou diabetes.
O tratamento medicamentoso é sempre necessário?
Não. Para esteatose simples, apenas mudanças no estilo de vida são suficientes. Medicamentos (vitamina E, pioglitazona, GLP-1) são indicados para esteato-hepatite comprovada.
Posso tomar chás ou fitoterápicos para “limpar o fígado”?
Não existem evidências robustas de que chás ou fitoterápicos tratem esteatose. Alguns podem inclusive ser hepatotóxicos. Consulte sempre um médico antes de usar qualquer substância.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas: Consulte a página oficial do CID K76.0 no site cid10.com.br e informações adicionais no MedlinePlus (NIH) sobre doença hepática gordurosa.
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