Estima-se que, em 2026, cerca de 1 em cada 8 brasileiros adultos terá ao menos um episódio de sinusite aguda ao ano, gerando mais de 8 milhões de consultas ambulatoriais no SUS. A sinusite crônica impacta a qualidade de vida de forma similar à insuficiência cardíaca.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SINUSITE e quer saber o que significa? A sinusite é uma inflamação dos seios da face, cavidades ósseas ao redor do nariz, que pode ser aguda ou crônica. O código CID é J32 (sinusite crônica) ou J01 (sinusite aguda), dependendo da duração e gravidade. Neste guia completo, você entenderá causas, sintomas, tratamento e o que esperar do seu atestado.
- Código: J32 (sinusite crônica) / J01 (sinusite aguda)
- Descrição: Sinusite – inflamação dos seios paranasais
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00-J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J32.0 (sinusite maxilar), J32.1 (sinusite frontal), J32.2 (sinusite etmoidal), J32.3 (sinusite esfenoidal), J32.4 (pansinusite crônica), J32.8 (outras sinusites crônicas), J32.9 (sinusite crônica não especificada); J01.0 (sinusite maxilar aguda), J01.1 (sinusite frontal aguda), J01.2 (sinusite etmoidal aguda), J01.3 (sinusite esfenoidal aguda), J01.4 (pansinusite aguda), J01.8 (outras sinusites agudas), J01.9 (sinusite aguda não especificada).
Paciente: Maria Clara Santos, 34 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Dor facial intensa na região das bochechas e testa, secreção nasal espessa amarelada, obstrução nasal e febre (38,5°C) há 5 dias. Relata que começou com um resfriado comum, mas os sintomas pioraram progressivamente.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava edema periorbitário leve, dor à palpação dos seios maxilares e frontais, rinoscopia anterior com mucosa hiperemiada e secreção purulenta em meatos médios. Foi solicitada radiografia de seios da face (incidência de Waters), que evidenciou opacificação completa do seio maxilar direito e velamento do seio frontal esquerdo. Hemograma mostrou leucocitose com desvio à esquerda.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID J01.0 (sinusite maxilar aguda) — inflamação bacteriana aguda do seio maxilar direito, com comprometimento frontal contralateral.
Conduta terapêutica: Prescrito amoxicilina 500 mg de 8/8 horas por 10 dias (primeira linha para sinusite bacteriana aguda), associado a lavagem nasal com solução salina hipertônica 3x/dia, descongestionante tópico (oximetazolina) por no máximo 5 dias e analgésico (paracetamol 750 mg em caso de dor). Orientação de repouso relativo e hidratação abundante.
Evolução: Após 72 horas de tratamento, Maria Clara relatou melhora significativa da dor facial e redução da febre. No 7º dia, a secreção tornou-se clara e a obstrução nasal diminuiu. Completou 10 dias de antibiótico e retornou ao trabalho após 7 dias de atestado médico, sem sequelas. Em consulta de revisão (14 dias), a radiografia mostrou reexpansão aérea dos seios.
Lição clínica: Sinusites agudas de causa viral não necessitam de antibióticos; o uso racional de antibióticos deve ser reservado para casos com sinais de infecção bacteriana (febre alta, dor facial intensa, secreção purulenta por mais de 7 dias). A lavagem nasal é um adjuvante eficaz e subutilizado.
O que é o CID J32 na prática médica
O CID J32 refere-se especificamente à sinusite crônica, condição inflamatória dos seios paranasais que persiste por mais de 12 semanas, mesmo com tratamento. Na prática clínica, o médico utiliza esse código quando a inflamação não se resolve completamente após episódios agudos recorrentes ou quando há fatores predisponentes como desvio de septo, pólipos nasais, alergias ou disfunção mucociliar. Já o CID J01 (sinusite aguda) é empregado para quadros com duração inferior a 4 semanas e sintomas mais intensos. A diferenciação é crucial porque o manejo terapêutico é diferente: sinusites agudas geralmente respondem bem a antibióticos e medidas sintomáticas, enquanto as crônicas frequentemente exigem corticoides tópicos, lavagens nasais e, em alguns casos, cirurgia endoscópica funcional dos seios da face (FESS). O CID J32 está inserido no Capítulo X (Doenças do aparelho respiratório) e sua correta codificação é fundamental para o registro em prontuários, autorizações de exames e emissão de atestados médicos.
Subcategorias e variantes do CID J32
O CID-10 detalha a sinusite crônica em várias subcategorias conforme a topografia dos seios acometidos:
- J32.0 – Sinusite maxilar crônica: mais comum, afeta os seios maxilares (bochechas).
- J32.1 – Sinusite frontal crônica: localizada na região da testa.
- J32.2 – Sinusite etmoidal crônica: entre os olhos, comum em crianças.
- J32.3 – Sinusite esfenoidal crônica: base do crânio, rara, mas pode causar cefaleia occipital.
- J32.4 – Pansinusite crônica: inflamação em todos os seios da face simultaneamente.
- J32.8 – Outras sinusites crônicas: inclui sinusite por fungos (como aspergiloma) ou associada a granulomatose.
- J32.9 – Sinusite crônica não especificada: quando há dúvida sobre o seio exato.
Para sinusite aguda, as subcategorias são análogas (J01.0 a J01.9). É importante que o médico especifique a localização para direcionar exames de imagem e tratamento, especialmente antes de procedimentos cirúrgicos.
Sintomas e como a doença se manifesta
A sinusite, seja aguda ou crônica, apresenta um conjunto de sintomas que podem variar em intensidade. Os principais são:
- Obstrução ou congestão nasal: dificuldade para respirar pelo nariz, sensação de pressão.
- Secreção nasal purulenta: amarelada ou esverdeada, podendo escorrer para a garganta (gotejamento pós-nasal).
- Dor facial ou cefaleia: localizada na testa (frontal), bochechas (maxilar) ou atrás dos olhos (etmoidal), que piora ao inclinar a cabeça para frente.
- Redução ou perda do olfato: por obstrução ou lesão do epitélio olfatório.
- Febre (geralmente baixa): mais comum na sinusite aguda bacteriana.
- Fadiga, mal-estar e tosse: especialmente noturna (devido ao gotejamento pós-nasal).
- Dor de dente: especialmente nos dentes superiores, quando o seio maxilar está inflamado.
Na sinusite crônica, os sintomas são menos intensos, porém mais duradouros (>12 semanas), com exacerbações agudas frequentes. A qualidade de vida é afetada devido ao cansaço crônico e à dificuldade de concentração.
Causas e fatores de risco
A sinusite geralmente decorre de uma inflamação da mucosa nasal que se estende para os seios da face. As principais causas e fatores de risco incluem:
- Infecções virais: resfriados comuns e gripes são os gatilhos mais frequentes para sinusite aguda.
- Infecções bacterianas: ocorrem como complicação de sinusite viral (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis).
- Alergias respiratórias: rinite alérgica causa edema e obstrução dos óstios sinusais, favorecendo infecções.
- Anatomia nasal anormal: desvio de septo, pólipos nasais, concha bolhosa, tumores.
- Immunodeficiências: HIV, diabetes, uso de imunossupressores.
- Displasia mucociliar: como na fibrose cística ou discinesia ciliar primária.
- Tabagismo: irritação crônica da mucosa respiratória.
- Exposição a poluentes: ambientes secos, ar condicionado, poeira, produtos químicos.
- Odontogênica: infecções dentárias (principalmente molares superiores) podem se estender ao seio maxilar.
Identificar a causa subjacente é essencial para o tratamento efetivo e prevenção de recorrências.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da sinusite é predominantemente clínico, baseado na história e exame físico. O médico pergunta sobre duração dos sintomas, presença de febre, dor facial e secreção. Ao exame, a rinoscopia anterior (com otoscópio ou endoscópio rígido) permite visualizar a mucosa, secreções e possíveis pólipos. Em alguns casos, exames complementares são solicitados:
- Radiografia de seios da face (incidência de Waters): útil para suspeita de sinusite maxilar ou frontal, com sensibilidade limitada.
- Tomografia computadorizada (TC) de seios da face: padrão-ouro para sinusite crônica, avalia detalhadamente todos os seios, óstios e estruturas adjacentes. Indicada quando há falha terapêutica, suspeita de complicações ou planejamento cirúrgico.
- Ressonância magnética (RM): reservada para suspeita de complicações intracranianas ou fúngicas.
- Cultura de secreção nasal: raramente necessária, pode ser útil em casos refratários ou imunocomprometidos.
- Testes alérgicos: para identificar rinite alérgica como fator predisponente.
Na prática diária, a maioria das sinusites agudas bacterianas é diagnosticada com base em sintomas com mais de 7 dias, secreção purulenta e dor facial.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende do tipo (aguda ou crônica) e da causa subjacente. Abaixo, as principais abordagens:
- Sinusite aguda viral: sintomáticos (analgésicos, antitérmicos, lavagem nasal salina, descongestionantes tópicos por até 5 dias). Não usar antibióticos.
- Sinusite aguda bacteriana (leve a moderada): amoxicilina 500 mg 8/8h ou 875 mg 12/12h por 7-10 dias (primeira linha). Em alérgicos à penicilina: doxiciclina ou levofloxacino. Alternativas: amoxicilina-clavulanato ou cefalosporinas.
- Sinusite aguda grave ou com complicações: internação hospitalar, antibióticos intravenosos (ceftriaxona, clindamicina) e possível drenagem cirúrgica.
- Sinusite crônica: corticoides nasais (fluticasona, budesonida) por longo prazo, lavagem nasal com solução salina hipertônica, tratamento de alergias. Se houver pólipos ou falha clínica, considerar cirurgia endoscópica (FESS).
- Sinusite fúngica: antifúngicos (itraconazol, anfotericina B) e desbridamento cirúrgico em casos invasivos.
Recomenda-se hidratação adequada, umidificação do ambiente e repouso enquanto houver febre ou dor intensa. A lavagem nasal com seringa ou dispositivo tipo “lota” é um adjuvante de baixo custo e alta eficácia.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho para sinusite varia conforme a gravidade, a profissão e a resposta ao tratamento. De modo geral:
- Sinusite aguda leve (sem febre alta, sem secreção purulenta intensa): 2 a 3 dias de repouso relativo. O paciente pode retornar ao trabalho após melhora dos sintomas, desde que não haja febre.
- Sinusite aguda moderada/grave (com febre, dor facial intensa, secreção purulenta): 5 a 7 dias de atestado. A maioria dos médicos concede de 5 a 7 dias, podendo ser renovado por mais 3-5 dias se a evolução não for satisfatória.
- Sinusite crônica exacerbada: 3 a 5 dias durante a crise, além do manejo continuado.
- Caso complicado (com internação ou cirurgia): o atestado pode ser de 10 a 30 dias, conforme a necessidade de reabilitação.
Recomenda-se que o paciente evite exposição ao frio, poeira e esforço físico até completa resolução. Atividades que demandam concentração (como motoristas, operadores de máquinas) devem aguardar o fim do uso de medicamentos que causam sonolência (ex.: anti-histamínicos).
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a maioria das sinusites seja autolimitada, alguns sinais indicam necessidade de avaliação médica imediata:
- Edema ou vermelhidão ao redor dos olhos (sugere celulite periorbitária).
- Proptose (olho saltado) ou dor ocular intensa.
- Diplopia (visão dupla) ou perda visual.
- Febre muito alta (>39,5°C) com calafrios.
- Rigidez de nuca, fotofobia, vômitos em jato (suspeita de meningite).
- Alteração do estado mental, confusão, convulsão.
- Dor facial intensa que não melhora com analgésicos comuns.
- Secreção com sangue ou pus abundante e fétido.
- Sintomas que pioram após melhora inicial (“duplo pico”).
Pacientes imunocomprometidos (diabéticos descompensados, HIV, transplantados) devem ser avaliados precocemente, pois apresentam risco maior de complicações.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da sinusite passa pelo controle dos fatores de risco e manutenção da saúde nasal. Recomenda-se:
- Higiene nasal diária: lavagem com solução salina (0,9% ou hipertônica) 1-2 vezes ao dia, especialmente durante episódios de rinite ou exposição a alérgenos.
- Controle de alergias: uso regular de corticoides nasais, anti-histamínicos se necessário, e evitar alérgenos (ácaros, mofo, pólen).
- Umidificar o ambiente: especialmente em locais secos ou com ar condicionado. Use umidificadores ou bacias de água.
- Evitar tabagismo e exposição à fumaça.
- Tratar prontamente infecções respiratórias superiores: repouso, hidratação e lavagem nasal.
- Corrigir alterações anatômicas: desvio de septo, pólipos ou concha bolhosa podem necessitar de cirurgia para reduzir recorrências.
- Vacinação: vacina contra influenza (gripe) e pneumocócica (pneumonia) reduzem infecções que podem desencadear sinusite.
- Dieta equilibrada e hidratação oral: auxiliam na função mucociliar.
Pacientes com sinusite crônica devem ser acompanhados periodicamente por otorrinolaringologista para ajuste terapêutico e prevenção de complicações.
- 01. Nunca utilize descongestionantes nasais por mais de 3-5 dias consecutivos; o uso prolongado causa rinite medicamentosa (efeito rebote).
- 02. A lavagem nasal com soro fisiológico morno é uma das medidas mais eficazes para aliviar sintomas e prevenir crises; faça 2 a 4 vezes ao dia durante uma sinusite.
- 03. Ao sentir dor facial intensa, prefira compressas mornas sobre os seios afetados para aliviar a pressão; evite bolsas de água quente para não queimar a pele.
- 04. Se você tem rinite alérgica, trate-a adequadamente com corticoides nasais regulares; isso reduz em até 60% as chances de sinusite bacteriana secundária.
- 05. Em caso de recorrência frequente (mais de 3 episódios por ano), consulte um otorrinolaringologista para investigar causas como imunodeficiência, refluxo ou alterações anatômicas.
- 06. Antibióticos só devem ser usados mediante prescrição médica; o uso indiscriminado contribui para resistência bacteriana e efeitos colaterais.
Perguntas Frequentes sobre o CID SINUSITE
O CID SINUSITE garante quantos dias de atestado?
O código CID J01 (sinusite aguda) geralmente resulta em 5 a 7 dias de atestado médico para quadros moderados. Em casos leves, 2 a 3 dias são suficientes. Já a sinusite crônica (J32) em exacerbação pode render 3 a 5 dias. O médico avaliará a gravidade e a profissão do paciente para definir o período exato.
Posso pegar sinusite de outra pessoa?
A sinusite em si não é contagiosa. No entanto, os vírus e bactérias que causam as infecções respiratórias precipitadoras (resfriado, gripe) podem ser transmitidos por gotículas. A sinusite é uma complicação local, não uma doença transmissível diretamente.
É necessário usar antibiótico para sinusite?
Não. A maioria das sinusites agudas é viral (autolimitada) e não se beneficia de antibióticos. O uso é indicado apenas quando há suspeita de infecção bacteriana: sintomas persistem por mais de 7 dias, febre alta, secreção purulenta intensa ou piora após melhora inicial. Cerca de 10-20% dos casos requerem antibióticos.
Sinusite crônica tem cura?
A sinusite crônica pode ser bem controlada com tratamento clínico e, em alguns casos, cirúrgico. A cura completa depende da correção dos fatores predisponentes (alergias, anatomia, tabagismo). Muitos pacientes conseguem longos períodos sem crises com manejo adequado.
Qual a diferença entre sinusite e rinite?
Rinite é a inflamação da mucosa nasal, que causa espirros, coriza, coceira e obstrução nasal. Sinusite é a inflamação dos seios da face, que causa dor facial, pressão e secreção purulenta. A rinite pode predispor à sinusite se houver obstrução dos óstios sinusais.
Posso fazer exercícios físicos com sinusite?
Exercícios moderados podem ser realizados se não houver febre, dor intensa ou fadiga significativa. Contudo, atividades que exigem esforço intenso ou mergulho devem ser evitadas até a completa resolução, pois o aumento da pressão nasal pode piorar a dor e retardar a recuperação.
O que é sinusite fúngica?
É uma infecção dos seios da face causada por fungos (mais comum: Aspergillus). Pode ocorrer em pacientes imunocompetentes (sinusite fúngica alérgica) ou imunocomprometidos (forma invasiva, grave). O tratamento inclui antifúngicos e, frequentemente, remoção cirúrgica do material fúngico (bola fúngica).
A sinusite pode causar complicações graves?
Sim, embora raras. As complicações incluem celulite periorbitária, abscesso subperiosteal, trombose do seio cavernoso, meningite, abscesso cerebral e osteomielite dos ossos da face. Sinais de alerta como edema ocular, proptose, febre alta e alteração neurológica exigem atendimento de emergência.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes confiáveis:
CID10.com.br – J32 |
MedlinePlus – Sinusitis |
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
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