Em 2026, o traumatismo cranioencefálico (TCE) continua sendo a principal causa de morte e incapacidade entre jovens adultos no Brasil, com mais de 120 mil internações anuais registradas pelo DATASUS. Quedas e acidentes de trânsito representam cerca de 70% dos casos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TCE e quer saber o que significa? O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma lesão no crânio e no cérebro causada por um impacto direto ou indireto na cabeça. O código CID-10 mais utilizado é o S06 (Lesão intracraniana), que abrange desde concussões leves até hematomas e edemas cerebrais graves. Entender esse código é essencial para compreender a gravidade, o tratamento e os direitos do paciente.
- Código: S06 (Lesão intracraniana) – com subcategorias específicas como S06.0, S06.1, S06.2, etc.
- Descrição: Traumatismo cranioencefálico (TCE) – lesão traumática que afeta o crânio e/ou o encéfalo.
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98).
- Versão: CID-10 (OMS), vigente no Brasil.
- Subcategorias principais: S06.0 (Concussão), S06.1 (Edema cerebral traumático), S06.2 (Lesão cerebral difusa), S06.3 (Hematoma subdural), S06.4 (Hematoma extradural), S06.5 (Hematoma intracerebral), S06.6 (Outras lesões intracranianas), S06.7 (Lesão intracraniana com coma prolongado), S06.8 (Outras lesões), S06.9 (Não especificada).
Paciente: Lucas A. M., 32 anos, motorista de aplicativo.
Queixa principal: “Bati a cabeça no volante após uma colisão traseira. Sinto dor de cabeça forte, tontura e enjoo. Não me lembro do momento exato do acidente.”
Avaliação clínica: À admissão no pronto-socorro, Glasgow 14 (abertura ocular espontânea, confuso, obedece comandos). Tomografia computadorizada de crânio mostrou pequena contusão frontal direita, sem sinais de sangramento ativo. Apresentava náuseas e vômitos, além de amnésia retrógrada de aproximadamente 10 minutos.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID S06.0 — Concussão cerebral, associado a traumatismo cranioencefálico leve.
Conduta terapêutica: Repouso cognitivo e físico por 48 horas, analgesia com dipirona (1g a cada 6h se dor), antiemético (ondansetrona 8mg se náusea), observação domiciliar por familiar treinado e retorno para reavaliação em 72 horas. Orientação para evitar telas, leitura e esforço mental.
Evolução: Após 5 dias, Lucas apresentou melhora significativa da cefaleia e da tontura. A amnésia retrocedeu. Retornou ao trabalho após 10 dias, com liberação médica. A TC de controle mostrou resolução completa da contusão.
Lição clínica: TCE leve com CID S06.0 pode evoluir bem com repouso e vigilância, mas exige avaliação criteriosa para descartar lesões mais graves (hematomas, edema). O paciente deve ser orientado sobre sinais de alerta e jamais retornar a atividades de risco antes da liberação médica.
O que é o CID TCE na prática médica
O CID TCE (traumatismo cranioencefálico) é representado no sistema CID-10 pelo capítulo de lesões, código S06. Na prática clínica, esse código é usado para registrar qualquer lesão traumática que afete o crânio, as meninges ou o tecido encefálico. É uma condição extremamente relevante na medicina de emergência, neurologia e neurocirurgia, pois pode variar desde uma concussão benigna até hemorragias fatais. O correto enquadramento no CID permite não apenas o tratamento adequado, mas também a comunicação entre profissionais de saúde, a pesquisa epidemiológica e a concessão de benefícios trabalhistas (atestados, auxílio-doença).
Subcategorias e variantes do CID TCE
O código S06 é dividido em subcategorias que indicam a natureza específica da lesão intracraniana. As mais comuns são:
- S06.0 – Concussão cerebral: perda breve ou nenhuma perda de consciência, sintomas transitórios.
- S06.1 – Edema cerebral traumático: inchaço do cérebro após o trauma, podendo elevar a pressão intracraniana.
- S06.2 – Lesão cerebral difusa: dano generalizado aos axônios, comum em aceleração/desaceleração.
- S06.3 – Hematoma subdural: acúmulo de sangue entre a dura-máter e o cérebro, comum em idosos e após quedas.
- S06.4 – Hematoma extradural: sangramento entre o crânio e a dura-máter, geralmente de origem arterial.
- S06.5 – Hematoma intracerebral: sangramento dentro do parênquima cerebral.
- S06.6 – Outras lesões intracranianas: inclui lacerações, contusões múltiplas.
- S06.7 – Lesão intracraniana com coma prolongado: quando há rebaixamento do nível de consciência por mais de 6 horas.
Cada subcategoria implica diferentes abordagens diagnósticas e terapêuticas, além de prognósticos distintos.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do TCE dependem da gravidade e do tipo de lesão. No TCE leve (S06.0), os sintomas mais comuns são: cefaleia, tontura, náuseas, vômitos, visão turva, dificuldade de concentração, sensibilidade à luz e ao som, e alterações de humor. Já no TCE moderado a grave (S06.1 a S06.7), podem ocorrer perda prolongada de consciência, confusão intensa, convulsões, fraqueza em um lado do corpo, fala arrastada, pupilas assimétricas, agitação psicomotora e coma. É fundamental monitorar a evolução dos sintomas nas primeiras 24-48 horas, pois lesões que parecem leves podem se agravar rapidamente, especialmente na presença de hematomas ou edema cerebral.
Causas e fatores de risco
As principais causas de TCE no Brasil e no mundo são: acidentes de trânsito (automóveis, motos, atropelamentos), quedas (especialmente em crianças e idosos), agressões físicas, acidentes esportivos (boxe, futebol americano, ciclismo) e explosões ou projéteis. Fatores de risco incluem: uso de álcool e outras drogas (que aumentam a probabilidade de quedas e acidentes), prática de esportes de contato sem proteção adequada, profissões de risco (construção civil, motoristas, segurança pública), idade avançada (maior fragilidade vascular e óssea) e condições neurológicas prévias (epilepsia, uso de anticoagulantes).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do TCE começa com a história do trauma e o exame neurológico, incluindo a escala de Glasgow (avaliação do nível de consciência). Exames de imagem são essenciais: a tomografia computadorizada (TC) de crânio é o padrão-ouro na fase aguda, pois detecta fraturas, hematomas, edema e contusões. A ressonância magnética (RM) é mais sensível para lesões axonais difusas e lesões na fossa posterior. Em casos leves, pode-se utilizar a regra de decisão clínica (Canadian CT Head Rule) para decidir se a TC é necessária. Além disso, exames laboratoriais (coagulograma, hemograma) e eletroencefalograma podem ser solicitados conforme a suspeita clínica.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do TCE é individualizado e depende da gravidade. Para TCE leve (S06.0), a conduta é conservadora: repouso físico e cognitivo, analgesia com paracetamol ou dipirona (evitar anti-inflamatórios que aumentam risco de sangramento), antieméticos se necessário, e observação domiciliar com sinais de alerta. Para TCE moderado a grave, a abordagem é hospitalar: monitorização da pressão intracraniana (PIC), ventilação mecânica se rebaixamento, sedação, anticonvulsivantes (como fenitoína), manitol ou solução hipertônica para reduzir edema, e cirurgia em casos de hematomas com efeito de massa (craniectomia descompressiva, drenagem de hematoma). A reabilitação precoce (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional) é crucial para minimizar sequelas.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento para TCE varia conforme a gravidade. Para TCE leve (concussão – S06.0), o atestado típico é de 5 a 10 dias, podendo ser prorrogado se os sintomas (cefaleia, tontura) persistirem. Para TCE moderado (S06.1, S06.2, hematomas pequenos), o afastamento pode ser de 15 a 30 dias. Para TCE grave (hematomas extensos, lesão difusa, coma), o período pode ultrapassar 60 dias, dependendo da necessidade de cirurgia e reabilitação. O médico deve avaliar a evolução clínica e as demandas ocupacionais do paciente para definir o prazo exato. A Classificação Internacional de Doenças (CID) não determina o afastamento, mas o quadro clínico e a legislação trabalhista (INSS) consideram a gravidade registrada.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alerta que exigem retorno imediato ao pronto-socorro após um TCE: piora da cefaleia, vômitos repetidos, convulsão, confusão mental progressiva, dificuldade para acordar, fraqueza ou dormência em braços/pernas, fala enrolada, desvio da boca, visão dupla, diferença no tamanho das pupilas, saída de líquido claro ou sangue pelo nariz ou ouvidos. Em crianças, observar choro inconsolável, irritabilidade, recusa alimentar. Nunca administre medicamentos para dormir sem orientação médica, pois podem mascarar o rebaixamento da consciência.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção do TCE passa pelo uso de equipamentos de segurança: capacete para motociclistas, ciclistas e praticantes de esportes radicais; cinto de segurança; cadeirinha infantil adequada; protetores bucais e capacetes em esportes de contato. Em casa, evitar tapetes soltos, instalar barras de apoio em banheiros, usar iluminação adequada e manter objetos cortantes longe do alcance. Para pacientes que já sofreram TCE, os cuidados contínuos incluem: acompanhamento neurológico periódico, reabilitação multidisciplinar, evitar novo trauma (pois o cérebro fica mais vulnerável), controlar fatores de risco (hipertensão, diabetes) e informar familiares sobre os sinais de alerta. A vacinação contra influenza e pneumococo também é recomendada para evitar infecções que possam agravar sequelas neurológicas.
- 01. Nunca ignore um TCE leve: mesmo sem perda de consciência, procure avaliação médica nas primeiras 24 horas.
- 02. Use capacete aprovado pelo Inmetro para andar de bicicleta, moto ou skate – ele reduz em 70% o risco de TCE grave.
- 03. Após um TCE, evite álcool, sedativos e esforço físico por pelo menos 1 semana ou conforme orientação médica.
- 04. Guarde o CID (S06.x) corretamente: ele pode ser necessário para atestados, afastamento no INSS e até para ações judiciais.
- 05. Em caso de sintomas persistentes (cefaleia crônica, déficit de memória), busque reabilitação multidisciplinar: neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e psicólogo.
Perguntas Frequentes sobre o CID TCE
O CID TCE garante quantos dias de atestado?
Depende da gravidade. Para concussão (S06.0), geralmente 5 a 10 dias. Para TCE moderado (S06.1, S06.3), 15 a 30 dias. Para TCE grave, pode ser superior a 60 dias. O médico define com base na evolução e na atividade profissional.
O CID S06.0 é considerado um TCE leve?
Sim, a concussão (S06.0) é o TCE mais leve. Porém, ainda requer observação e repouso, pois pode evoluir com síndrome pós-concussional (sintomas prolongados).
Preciso de cirurgia se o CID for S06.4 (hematoma extradural)?
Na maioria dos casos, sim. O hematoma extradural é uma emergência cirúrgica, pois comprime o cérebro rapidamente. A drenagem precoce salva vidas.
Após um TCE, posso dirigir?
Somente após liberação médica, geralmente após 1-2 semanas em TCE leve e mais tempo em casos moderados/graves. O risco de convulsão ou alteração de consciência inviabiliza dirigir precocemente.
O CID TCE pode ser usado para solicitar auxílio-doença do INSS?
Sim, se o afastamento for superior a 15 dias. O médico deve preencher o atestado com o CID específico (S06.x) e justificar a incapacidade.
Quanto tempo leva para recuperar a memória após um TCE?
Na concussão, a amnésia costuma se resolver em horas a alguns dias. Em lesões difusas, pode levar semanas ou meses, com necessidade de reabilitação neuropsicológica.
Crianças com CID TCE precisam de cuidados especiais?
Sim. O crânio infantil é mais flexível, mas o cérebro é mais vulnerável. Repouso, observação rigorosa e retorno gradual às atividades escolares são essenciais.
Qual a diferença entre CID S06.0 e S06.1?
S06.0 é concussão (sem edema significativo), enquanto S06.1 é edema cerebral traumático (inchaço cerebral), que exige monitorização hospitalar e pode necessitar de medicamentos para reduzir a pressão intracraniana.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Consulte a classificação completa do CID S06 no CID10.com.br
Informações sobre TCE no MedlinePlus (em espanhol)
CID R11 – Náusea e Vômitos
CID Z000 – Exame Médico Geral
CID 010 – Tuberculose Pulmonar
CID 083 – Significado e Cuidados
CID 200 – O que significa
CID F41 – Ansiedade
CID M54 – Dorsalgia
CID J06 – Infecção Respiratória
CID J30 – Rinite Alérgica
CID K21 – Refluxo
CID N39 – Infecção Urinária
CID G43 – Enxaqueca
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