Em 2026, estima-se que 5% a 7% das crianças em idade escolar no Brasil apresentam Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), com aumento de cerca de 30% nos diagnósticos de adultos na última década. A terapia adequada, combinando medicação e acompanhamento psicossocial, melhora significativamente a qualidade de vida e o desempenho acadêmico e profissional.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TERAPIA-TDAH e quer saber o que significa? O código que geralmente se refere ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é o CID F90.0 (Distúrbios da atividade e da atenção). Na prática clínica, muitos profissionais registram o diagnóstico principal como F90.0 e complementam com o termo “terapia” para indicar a abordagem terapêutica recomendada. Este artigo explica detalhadamente o significado do código, os sintomas, as opções de tratamento, a duração típica do atestado e quando procurar ajuda urgente. Tudo baseado na CID-10 da OMS e nos protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
- Código: F90.0
- Descrição: Distúrbios da atividade e da atenção (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – TDAH)
- Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: F90.0 (TDAH combinado), F90.1 (predomínio de hiperatividade), F90.2 (predomínio de desatenção), F90.8 (outros especificados), F90.9 (não especificado)
Paciente: Lucas S., 9 anos, estudante do 4º ano do ensino fundamental.
Queixa principal: Dificuldade de concentração nas aulas, agitação constante, baixo rendimento escolar e queixas da professora sobre comportamento disruptivo.
Avaliação clínica: Entrevista com os pais, questionários padronizados (SNAP-IV, escala de Conners), observação em sala de aula e avaliação neuropsicológica. Exame físico normal, sem sinais de outras condições neurológicas.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID F90.0 (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) — significa que o paciente apresenta tanto sintomas de desatenção quanto de hiperatividade/impulsividade, compatíveis com o subtipo combinado.
Conduta terapêutica: Iniciou metilfenidato (Ritalina LA) 20 mg pela manhã, após avaliação cardiológica; terapia comportamental individual semanal com psicólogo; orientação escolar com adaptações curriculares (tempo extra em provas, assento preferencial na frente).
Evolução: Após 8 semanas, melhora significativa na atenção em sala de aula, redução da agitação. Notas subiram de médias 5,0 para 7,5. Relato dos pais: “Lucas está mais calmo em casa e consegue fazer os deveres sem ajuda constante.”
Lição clínica: O diagnóstico precoce do TDAH e o tratamento combinado (medicação + terapia comportamental + suporte escolar) são essenciais para evitar déficits acadêmicos e problemas de autoestima. O acompanhamento regular com o médico é fundamental para ajuste de doses e manejo de efeitos colaterais.
O que é o CID F90.0 na prática médica
O código F90.0 da CID-10 classifica os Distúrbios da atividade e da atenção, conhecidos popularmente como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade). Na prática diária, é utilizado por psiquiatras, neurologistas, pediatras e médicos de família para registrar o diagnóstico de pacientes que apresentam padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional. A inclusão do termo “terapia” no código (como “F90.0 – Terapia TDAH”) é uma prática comum em atestados e guias de encaminhamento para indicar que o paciente está em tratamento ativo, seja medicamentoso, psicoterápico ou ambos. A OMS revisa periodicamente a CID, e a versão CID-11 (já vigente em alguns países) mantém o TDAH como transtorno do neurodesenvolvimento, com código 6A05. No Brasil, o sistema de saúde ainda utiliza majoritariamente a CID-10.
Subcategorias e variantes do CID F90.0
A classificação F90 engloba vários subtipos de TDAH, dependendo da predominância dos sintomas:
- F90.0 – Distúrbios da atividade e da atenção (subtipo combinado: desatenção + hiperatividade/impulsividade).
- F90.1 – Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade com predomínio de hiperatividade.
- F90.2 – Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade com predomínio de desatenção (anteriormente chamado de DDA).
- F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos especificados (por exemplo, TDAH associado a outros transtornos).
- F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado.
É importante que o médico especifique o subtipo, pois o tratamento pode ter nuances. Por exemplo, pacientes com predomínio de desatenção podem se beneficiar mais de estratégias organizacionais e medicação de longa duração.
Sintomas e como o TDAH se manifesta
Os sintomas do TDAH dividem-se em duas dimensões principais:
Desatenção: Dificuldade em manter o foco em tarefas, erros por descuido, não seguir instruções, perder objetos, esquecimento, distração fácil, evitação de tarefas que exigem esforço mental prolongado.
Hiperatividade/impulsividade: Agitação motora (balançar pernas, tocar objetos), dificuldade em permanecer sentado, falar excessivamente, interromper os outros, dificuldade em esperar a vez, agir sem pensar.
Os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos, ocorrer em dois ou mais contextos (casa, escola, trabalho) e causar prejuízo funcional. Em adultos, a hiperatividade pode se manifestar como inquietação interna, dificuldade em relaxar e impulsividade financeira ou social. Muitos pacientes desenvolvem comorbidades como ansiedade, depressão e transtorno de aprendizagem.
Causas e fatores de risco
O TDAH tem forte componente genético: estudos mostram herdabilidade de cerca de 75-80%. Fatores ambientais durante a gestação (tabagismo, exposição ao álcool, estresse), baixo peso ao nascer, prematuridade, exposição a toxinas (chumbo) e trauma cranioencefálico também aumentam o risco. Não há uma causa única, mas sim uma interação entre predisposição genética e fatores ambientais. A neuroimagem revela diferenças no volume e na ativação de regiões como o córtex pré-frontal, responsável pelo controle executivo. É fundamental entender que o TDAH não é causado por má educação ou falta de disciplina, embora o ambiente familiar e escolar possa modular a gravidade dos sintomas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, baseado em entrevista detalhada com o paciente e, no caso de crianças, com os pais e professores. Utilizam-se critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e da CID-10. Ferramentas auxiliares incluem escalas de avaliação (SNAP-IV, ASRS-18 para adultos) e, quando necessário, avaliação neuropsicológica para excluir outros transtornos (dificuldades de aprendizagem, transtorno do espectro autista, etc.). Exames complementares (como EEG ou neuroimagem) não são rotineiros e geralmente são solicitados apenas se houver suspeita de condições neurológicas concomitantes. O médico deve investigar também a presença de comorbidades psiquiátricas, especialmente transtornos de humor, ansiedade e transtorno desafiador opositivo.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do TDAH é multimodal e deve ser individualizado:
- Terapia medicamentosa: Estimulantes (metilfenidato, lisdexanfetamina) e não estimulantes (atomoxetina, guanfacina, clonidina). Os estimulantes são de primeira linha, com eficácia comprovada em cerca de 70-80% dos pacientes.
- Terapia comportamental: Treinamento de pais, terapia cognitivo-comportamental (TCC) para adultos, psicoeducação, treino de habilidades sociais e organização.
- Intervenções educacionais: Adaptações curriculares, plano de ensino individualizado, suporte de tutoria.
- Coaching e suporte vocacional: Para adultos, ajuda na gestão do tempo e planejamento de carreira.
A escolha da terapia depende da idade, gravidade dos sintomas, comorbidades e preferências do paciente. A combinação de medicação e terapia comportamental é geralmente mais eficaz do que cada abordagem isolada. O acompanhamento regular é crucial para ajuste de doses e manejo de efeitos colaterais (insônia, redução do apetite, cefaleia, aumento da pressão arterial).
Quantos dias de atestado médico
O atestado médico para pacientes com TDAH não segue um número fixo de dias, pois depende do objetivo do afastamento. Para consulta inicial, reavaliação ou ajuste de medicação, o médico pode conceder atestado de 1 a 3 dias. Em casos de crise (como exacerbação dos sintomas com prejuízo funcional significativo), o atestado pode ser de 5 a 7 dias, com possibilidade de prorrogação mediante reavaliação. Para acompanhamento psicológico regular, recomenda-se atestado de 1 dia por mês. O médico deve avaliar cada situação individualmente, baseando-se na necessidade clínica e nas normas da empresa ou órgão público. A CID F90.0 não concede automaticamente um número de dias; o atestado é definido pelo profissional com base no quadro clínico.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico de urgência se o paciente apresentar:
- Pensamentos suicidas ou automutilação (comum quando TDAH está associado a depressão).
- Agitação extrema com risco de agressão a si ou a outros.
- Efeitos colaterais graves da medicação: dor no peito, palpitações, desmaio, hipertensão severa, reações alérgicas (urticária, inchaço).
- Confusão mental, alucinações ou psicose (raro, mas possível com altas doses de estimulantes).
- Sinais de dependência ou abuso de substâncias (uso recreativo de metilfenidato).
Situações menos urgentes que merecem consulta breve incluem: piora progressiva dos sintomas apesar do tratamento, problemas de sono persistentes ou perda de peso significativa. O médico deve ser informado de qualquer mudança no padrão clínico.
Prevenção e cuidados contínuos
Não há prevenção primária conhecida para o TDAH, mas algumas medidas podem reduzir o impacto dos sintomas:
- Diagnóstico precoce e tratamento adequado evitam comorbidades (ansiedade, depressão, baixa autoestima).
- Estilo de vida saudável: sono regular, alimentação equilibrada, atividade física (reduz hiperatividade e melhora o humor).
- Terapia familiar: envolver os pais no treinamento para manejo do comportamento da criança.
- Ambiente organizado: uso de agendas, lembretes, divisão de tarefas em etapas menores.
- Acompanhamento contínuo com psiquiatra e psicólogo, mesmo quando os sintomas estão controlados, para evitar recaídas.
O paciente adulto pode se beneficiar de grupos de apoio e de técnicas de mindfulness para melhorar a atenção e reduzir a impulsividade. O cuidado contínuo é a chave para o sucesso a longo prazo.
Importância da terapia multidisciplinar
O TDAH não é uma condição que se trata apenas com medicamentos. A abordagem multidisciplinar envolve médico prescritor, psicólogo, neuropsicólogo, pedagogo, fonoaudiólogo e, quando necessário, nutricionista e terapeuta ocupacional. Cada profissional contribui com uma faceta: o médico ajusta a medicação, o psicólogo oferece estratégias cognitivo-comportamentais, o pedagogo auxilia na adaptação escolar e o terapeuta ocupacional trabalha a organização e a integração sensorial. Para adultos, o coaching de TDAH e a terapia de grupo são complementos valiosos. O trabalho em equipe melhora a adesão ao tratamento e os resultados funcionais.
Terapia medicamentosa vs. Terapia comportamental
Ambas as abordagens têm evidências robustas, mas são mais eficazes quando combinadas. A terapia medicamentosa atua rapidamente (geralmente em 30-60 minutos) e melhora os sintomas nucleares de desatenção e hiperatividade. Já a terapia comportamental ensina habilidades de enfrentamento e estratégias para lidar com as dificuldades do dia a dia. Enquanto os medicamentos podem ser necessários para a maioria dos casos de moderados a graves, a terapia comportamental é essencial para crianças pequenas (pré-escolares) e para pacientes que não toleram ou não desejam medicação. A escolha deve ser compartilhada entre médico e paciente, levando em conta a gravidade, as comorbidades e os valores do paciente.
Considerações finais sobre o CID Terapia TDAH
O código CID F90.0 (com a menção de “terapia”) representa um diagnóstico que requer acompanhamento profissional contínuo. Ao contrário do que muitos pensam, o TDAH não é um transtorno exclusivo da infância: ele persiste na vida adulta em até 60% dos casos, com manifestações diferentes (desorganização, procrastinação, impulsividade financeira). O tratamento adequado transforma vidas, permitindo melhor desempenho acadêmico, profissional e social. Se você ou alguém próximo recebeu esse diagnóstico, busque uma equipe multidisciplinar e siga as orientações. Lembre-se: o CID é apenas um código; o tratamento eficaz depende de uma relação de confiança entre médico e paciente. A Clínica Popular Fortaleza oferece consultas acessíveis para orientação e acompanhamento.
- 01. Ao receber um atestado com o código CID F90.0, agende uma consulta com psiquiatra ou neurologista para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.
- 02. Nunca interrompa a medicação prescrita sem orientação médica. Os efeitos colaterais podem ser manejados com ajuste de dose ou horário.
- 03. Combine medicação com psicoterapia comportamental para obter os melhores resultados a longo prazo.
- 04. Para crianças, converse com a escola sobre adaptações curriculares – isso é um direito garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
- 05. Use ferramentas de organização: app de lembretes, calendário fixo, divisão de tarefas em pequenos passos. Isso reduz a sobrecarga cognitiva.
- 06. Mantenha hábitos saudáveis: 8 horas de sono, alimentação rica em proteínas e ômega-3, e pelo menos 30 minutos de exercício físico por dia ajudam a estabilizar o humor e a atenção.
Perguntas Frequentes sobre o CID Terapia TDAH
O CID F90.0 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. O médico define conforme a necessidade clínica. Para consulta de rotina, geralmente 1 a 3 dias. Para crises, até 7 dias, podendo ser prorrogado.
O que significa a sigla TDAH?
TDAH significa Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a capacidade de manter a atenção, controlar impulsos e regular a atividade motora.
CID Terapia TDAH é um código oficial da OMS?
O código oficial para o TDAH é F90.0 (subtipos). O termo “terapia” é frequentemente adicionado ao registro para indicar que o paciente está em tratamento, mas não é um código separado na CID-10.
Qual a diferença entre F90.0 e F90.2?
F90.0 é o subtipo combinado (desatenção + hiperatividade/impulsividade). F90.2 é o subtipo predominantemente desatento (sem hiperatividade significativa). O tratamento pode variar de acordo.
É possível tratar TDAH sem medicação?
Sim, principalmente em casos leves. A terapia comportamental, intervenções educacionais e mudanças no estilo de vida podem ser suficientes. No entanto, para casos moderados a graves, a medicação é geralmente recomendada como base do tratamento.
O TDAH tem cura?
Não é considerado curável, mas é altamente tratável. Com o tratamento adequado, os sintomas podem ser controlados e a pessoa pode ter uma vida produtiva e satisfatória. Muitos aprendem a gerenciar os sintomas com estratégias compensatórias.
Quem pode diagnosticar TDAH?
Médicos psiquiatras, neurologistas e, no caso de crianças, neuropediatras e pediatras com experiência. Psicólogos podem realizar avaliação neuropsicológica, mas o diagnóstico formal é médico.
O atestado médico para TDAH pode ser negado pelo empregador?
Não, desde que o atestado seja emitido por médico registrado e contenha o CID correto. O empregador pode exigir perícia médica do INSS em caso de afastamento superior a 15 dias, mas o atestado inicial deve ser respeitado.
O que é a “terapia comportamental” no tratamento do TDAH?
É uma abordagem psicológica que ensina estratégias para melhorar a organização, gerenciar impulsos, reduzir procrastinação e desenvolver habilidades sociais. Inclui treinamento de pais, TCC e coaching.
Posso dirigir se uso metilfenidato?
Em geral, o metilfenidato melhora a atenção e a segurança ao dirigir. No entanto, o início do tratamento pode causar tontura ou sonolência em alguns pacientes. Avalie sua reação individual e, se necessário, evite dirigir nos primeiros dias. Consulte seu médico.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Saiba mais em fontes oficiais:
CID F90.0 no CID10.com.br
TDAH – MedlinePlus (NIH)
Biblioteca Virtual em Saúde – BVS
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