Em 2026, a tosse crônica (duração >8 semanas) afeta aproximadamente 10-15% da população adulta global, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, estima-se que cerca de 20 milhões de consultas anuais na atenção primária estejam relacionadas ao sintoma “tosse”, sendo uma das principais causas de afastamento do trabalho por doenças respiratórias.
CID TOSSE: O que significa, sintomas e tratamento
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TOSSE e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa o código CID R05 (tosse), seus sintomas, causas, tratamento e implicações práticas, incluindo um estudo de caso clínico real. A tosse é um dos sintomas mais comuns na prática médica e pode ter diversas origens, desde infecções virais até doenças crônicas. Continue lendo para entender tudo sobre o CID R05 e como lidar com ele.
- Código: R05
- Descrição: Tosse
- Categoria: Capítulo XVIII – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e laboratoriais, não classificados em outra parte
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: A CID-10 não apresenta subcategorias para R05. Na prática clínica, a tosse é classificada por duração: aguda (<3 semanas), subaguda (3-8 semanas) e crônica (>8 semanas), além de ser caracterizada como seca ou produtiva.
Paciente: Maria Aparecida, 34 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Tosse seca persistente há 4 semanas, piora à noite e após dar aulas. Refere sensação de “garganta arranhando” e pigarro frequente. Negava febre, falta de ar ou secreção.
Avaliação clínica: Ao exame físico, orofaringe com hiperemia leve, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios, sinais vitais normais. Foi solicitado raio-X de tórax (normal) e espirometria (sugestiva de hiperresponsividade brônquica). Teste rápido para COVID-19 e PCR para Bordetella pertussis negativos.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID R05 – Tosse, especificando “tosse pós-infecciosa provável, com componente de irritação das vias aéreas superiores”. A hipótese de tosse por gotejamento pós-nasal foi considerada, mas sem evidência clínica de rinossinusite.
Conduta terapêutica: Foram prescritos: 1) Repouso vocal relativo; 2) Hidratação abundante (2 litros de água/dia); 3) Antitussígeno não opioide (levodropropizina) por 7 dias; 4) Pastilhas de mentol para alívio sintomático; 5) Orientação para evitar fumo passivo e ambientes secos. Não houve indicação de antibiótico.
Evolução: Após 10 dias, a paciente relatou melhora significativa da tosse, com redução da frequência e intensidade. Retornou às atividades profissionais sem limitações. A tosse residual cessou completamente após 3 semanas.
Lição clínica: A tosse persistente após infecção viral é comum e geralmente autolimitada. O tratamento sintomático aliado a medidas não farmacológicas é eficaz. O uso inadequado de antibióticos deve ser evitado, pois a maioria dos casos tem etiologia viral ou inflamatória.
O que é o CID R05 na prática médica
O código CID R05, segundo a Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), representa o sintoma “tosse”. Na prática clínica, a tosse é um reflexo fisiológico de defesa das vias aéreas, destinado a eliminar secreções, partículas estranhas ou agentes irritantes. No entanto, quando se torna persistente ou excessiva, pode indicar uma condição subjacente que necessita de investigação. O uso do código R05 é comum em consultas de atenção primária, emergências e até em internações, especialmente quando a causa da tosse ainda não foi completamente elucidada. É importante destacar que o CID R05 não substitui diagnósticos mais específicos (como asma, pneumonia ou refluxo), mas serve como um registro padronizado do sintoma principal.
Subcategorias e variantes do CID R05
Embora a CID-10 não subdivida oficialmente o código R05, a prática clínica reconhece variantes importantes que ajudam no manejo do paciente. As principais formas de classificar a tosse são:
- Quanto à duração:
- Tosse aguda: duração inferior a 3 semanas. Geralmente associada a infecções virais (resfriado, gripe, COVID-19) ou exposição a irritantes.
- Tosse subaguda: entre 3 e 8 semanas. Comum após infecções respiratórias (tosse pós-infecciosa).
- Tosse crônica: acima de 8 semanas. Pode ser causada por asma, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), sinusite crônica, tabagismo, uso de IECA (medicamentos para pressão) ou doenças pulmonares obstrutivas.
- Quanto ao tipo:
- Tosse seca (não produtiva): sem eliminação de secreção. Presente em alergias, irritações, asma, faringite, uso de alguns medicamentos.
- Tosse produtiva (com catarro): com eliminação de muco. Sugere infecção bacteriana, bronquite, pneumonia, DPOC.
Na prática, o médico especifica no prontuário a duração e o tipo para orientar a conduta, mesmo que o código registrado seja R05.
Sintomas e como a doença se manifesta
A tosse em si é o sintoma principal, mas a forma como se manifesta varia conforme a causa. Em geral, os pacientes relatam episódios repetidos de expulsão forçada de ar dos pulmões, que pode ser seca ou acompanhada de secreção (catarro). Os sintomas associados mais comuns incluem:
- Irritação ou dor de garganta;
- Pigarro (sensação de algo preso na garganta);
- Secreção nasal (coriza) ou obstrução nasal;
- Chiado no peito (sibilos), especialmente na asma;
- Febre baixa (em infecções virais);
- Dificuldade para dormir devido à tosse noturna;
- Dor muscular no tórax ou abdome após tossir intensamente;
- Em casos crônicos, pode haver perda de peso, fadiga e impacto na qualidade de vida.
É crucial diferenciar a tosse aguda (início súbito, geralmente após resfriado) da crônica, que persiste por semanas e exige investigação mais aprofundada.
Causas e fatores de risco
As causas da tosse são extremamente variadas e podem ser classificadas em:
- Infecciosas: resfriado comum (rinovírus), gripe (influenza), COVID-19, bronquite aguda, pneumonia, coqueluche, tuberculose (veja CID 010 – Tuberculose Pulmonar).
- Alérgicas e inflamatórias: asma (CID J45 – Asma), rinite alérgica (CID J30 – Rinite Alérgica), sinusite crônica.
- Gastrointestinais: doença do refluxo gastroesofágico (CID K21 – Refluxo), que pode causar tosse crônica por microaspirações.
- Medicamentosas: inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), usados para hipertensão – causam tosse seca em até 20% dos pacientes.
- Ambientais e ocupacionais: tabagismo (ativo ou passivo), exposição a poluentes, poeira, produtos químicos, ar seco.
- Doenças crônicas: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquiectasias, fibrose pulmonar, câncer de pulmão.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, imunossupressão, tabagismo, obesidade (refluxo), asma não controlada e exposição ocupacional a irritantes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da causa da tosse começa com uma anamnese detalhada (história clínica) e exame físico. O médico pergunta sobre a duração, o tipo (seca ou produtiva), a cor e quantidade da secreção, horário de piora, fatores desencadeantes (como frio, exercício, alimentação), uso de medicamentos e hábitos (tabagismo). Exames complementares podem ser solicitados conforme a suspeita clínica:
- Raio-X de tórax: para avaliar pneumonia, tuberculose, massas ou congestão.
- Espirometria (prova de função pulmonar): indicada para suspeita de asma ou DPOC.
- Testes alérgicos: cutâneos ou IgE específica para alérgenos.
- Endoscopia digestiva ou pHmetria: se houver suspeita de refluxo.
- Exames de sangue: hemograma (infecção), PCR, sorologias (coqueluche, COVID-19).
- Cultura de escarro: para identificar bactérias ou fungos.
- Tomografia computadorizada de tórax: em casos complexos ou tosse crônica inexplicada.
O CID R05 é registrado no atestado médico quando o sintoma “tosse” é a queixa principal, mesmo que a causa ainda esteja em investigação. Para diagnósticos específicos, códigos como CID J06 – Infecção Respiratória ou CID Z000 – Exame Médico Geral podem ser utilizados.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da tosse depende diretamente da sua causa. O uso de antitussígenos (medicamentos que inibem o reflexo da tosse) deve ser criterioso e geralmente reservado para tosse seca e intensa que atrapalha o sono ou as atividades diárias. Já a tosse produtiva não deve ser suprimida, pois elimina secreções. Abaixo, as abordagens mais comuns:
- Tratamento específico para a causa:
- Infecções bacterianas: antibióticos (ex.: Amoxicilina ou Azitromicina).
- Asma: broncodilatadores (salbutamol) e corticoides inalatórios.
- Refluxo: inibidores de bomba de prótons (ex.: Omeprazol) e medidas posturais.
- Alergia: anti-histamínicos e corticoides nasais.
- Tosse induzida por IECA: substituir o medicamento.
- Medicamentos sintomáticos:
- Antitussígenos não opioides: levodropropizina, cloperastina, dropropizina.
- Expectorantes: guaifenesina, acetilcisteína (para tosse produtiva).
- Mucolíticos: bromexina, ambroxol.
- Anti-inflamatórios: quando há dor ou irritação (ex.: Ibuprofeno ou Nimesulida, com cautela).
- Paracetamol: para febre associada (ver Paracetamol para que serve).
- Medidas não farmacológicas:
- Ingerir bastante água para fluidificar secreções.
- Umidificar o ambiente (uso de umidificadores ou bacias com água).
- Evitar fumo, poeira e produtos químicos irritantes.
- Repouso vocal e evitar falar muito.
- Elevar a cabeceira da cama em caso de refluxo.
Importante: antibióticos não são indicados para tosse viral. O uso indiscriminado pode levar a resistência bacteriana e efeitos adversos. Consulte sempre um médico para orientação personalizada.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID R05 (tosse) varia conforme a intensidade dos sintomas, a causa subjacente e a atividade profissional do paciente. Em geral:
- Tosse aguda leve (resfriado comum): 1 a 3 dias de afastamento, podendo ser prorrogado se houver febre ou mal-estar.
- Tosse subaguda (pós-infecciosa): 3 a 7 dias, dependendo da evolução.
- Tosse crônica com investigação: o atestado pode ser de 5 a 15 dias, com retorno programado para reavaliação.
- Casos complicados (pneumonia, asma exacerbada): 7 a 14 dias ou mais, conforme gravidade.
O médico responsável define o período com base no exame clínico e na necessidade de repouso. Para pacientes que exercem atividades que exigem esforço vocal ou físico, o afastamento pode ser maior (ex.: professores, cantores). Atestados superiores a 15 dias podem exigir perícia do INSS. Não existe um padrão único para o CID R05; cada caso é avaliado individualmente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a tosse seja geralmente benigna, alguns sinais indicam necessidade de atendimento médico imediato ou prioritário:
- Tosse com sangue (hemoptise);
- Falta de ar ou dificuldade para respirar (dispneia);
- Dor no peito intensa ou opressão torácica;
- Febre alta (>39°C) persistente por mais de 3 dias;
- Confusão mental, sonolência excessiva ou desmaio;
- Tosse em bebês com menos de 3 meses;
- Vômitos frequentes devido à tosse;
- Inchaço nos lábios, língua ou garganta (reação alérgica);
- Perda de peso não intencional associada à tosse crônica;
- Tosse que impede completamente o sono ou a alimentação.
Nestes casos, não espere a consulta de rotina: procure um pronto-atendimento ou chame o SAMU (192).
Prevenção e cuidados contínuos
Prevenir a tosse envolve tanto evitar as causas quanto fortalecer o sistema imunológico. Medidas recomendadas:
- Vacinação: Mantenha em dia as vacinas contra gripe (influenza), pneumonia (pneumocócica), COVID-19 e coqueluche (tríplice bacteriana ou DTPa).
- Higiene: Lave as mãos frequentemente, evite tocar olhos, nariz e boca, e cubra a boca ao tossir ou espirrar.
- Evite fumo: Tabagismo é a principal causa de tosse crônica e doenças respiratórias.
- Ambiente saudável: Use umidificadores em áreas secas, evite mofo e poeira, mantenha a casa arejada.
- Controle de doenças crônicas: Trate adequadamente asma, rinite, refluxo e pressão alta (escolha anti-hipertensivos que não causem tosse).
- Alimentação e hidratação: Beba água suficiente, consuma alimentos ricos em vitamina C e zinco (frutas cítricas, castanhas).
- Evite contato com doentes: Durante surtos de gripes e resfriados, use máscara em locais fechados e mantenha distanciamento.
Para pacientes com tosse crônica, o acompanhamento periódico com pneumologista ou clínico geral é essencial para ajustar o tratamento e prevenir complicações.
- 01. Não use antitussígenos por mais de 7 dias sem orientação médica; eles podem mascarar doenças graves.
- 02. Tosse produtiva com catarro amarelo ou verde não significa automaticamente infecção bacteriana; aguarde avaliação médica antes de tomar antibiótico.
- 03. Se você toma medicamento para pressão (IECA) e desenvolve tosse seca persistente, converse com seu médico sobre a substituição.
- 04. Para alívio imediato da tosse seca, prefira pastilhas sem açúcar com mentol, chá de gengibre com mel (adultos) e hidratação.
- 05. Tosse noturna pode ser sinal de asma ou refluxo; eleve a cabeceira da cama e evite refeições pesadas antes de dormir.
- 06. Crianças com tosse não devem receber medicamentos para adultos; consulte um pediatra sempre.
- 07. A tosse pós-COVID pode durar semanas; repouso e fisioterapia respiratória ajudam na recuperação.
- 08. Se a tosse persiste por mais de 8 semanas, marque uma consulta com pneumologista para investigação completa (exames de imagem e função pulmonar).
Perguntas Frequentes sobre o CID TOSSE
O CID TOSSE garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. Em média, para tosse aguda leve, o atestado costuma ser de 1 a 3 dias. Para casos moderados ou com complicações, pode chegar a 7 a 14 dias. O médico avalia cada paciente individualmente.
Qual a diferença entre tosse seca e tosse produtiva no tratamento?
A tosse seca geralmente é tratada com antitussígenos (para inibir o reflexo), enquanto a tosse produtiva é tratada com expectorantes e mucolíticos para facilitar a eliminação do catarro. Suprimir a tosse produtiva pode piorar a infecção.
O CID R05 é um código de doença ou de sintoma?
É um código de sintoma. Ele indica que o paciente apresenta tosse, mas não especifica a causa. O diagnóstico definitivo (ex.: asma, pneumonia) deve ser registrado com outro código CID.
Quanto tempo a tosse pós-infecciosa pode durar?
Geralmente, até 8 semanas. Se persistir além disso, é considerada crônica e requer investigação. Cerca de 20% dos pacientes têm tosse por mais de 3 semanas após uma infecção viral.
Posso tomar xarope caseiro para tosse?
Chás com mel (para adultos) e gengibre podem aliviar sintomas leves, mas não substituem o tratamento médico. Mel é contraindicado para crianças menores de 1 ano. Nunca use receitas caseiras sem saber a causa da tosse.
Tosse pode ser sinal de ansiedade?
Sim, em alguns casos a tosse pode ter componente psicogênico (tique ou hiperventilação). O CID F41 – Ansiedade pode estar associado. O diagnóstico exige exclusão de causas orgânicas.
O que fazer se a tosse não melhorar com remédio?
Se após 7 dias de tratamento sintomático não houver melhora, ou se surgirem novos sintomas, retorne ao médico. Pode ser necessário ajustar a medicação ou realizar exames complementares.
Gestantes com tosse podem tomar algum medicamento?
Apenas sob orientação médica. Paracetamol é considerado seguro para febre e dor, mas antitussígenos devem ser evitados no primeiro trimestre. Consulte seu obstetra.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas e leituras recomendadas: CID-10 R05 no cid10.com.br | MedlinePlus – Tosse | BVS – Biblioteca Virtual em Saúde | Hospital Albert Einstein | Conselho Federal de Medicina
Veja também outros artigos do nosso glossário:
CID R11 – Náusea e Vômitos |
CID 083 – Significado e Cuidados |
CID 200 – O que significa |
CID M54 – Dorsalgia |
CID N39 – Infecção Urinária |
CID G43 – Enxaqueca |
Dipirona para que serve.


