Estudos globais indicam que o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) afeta cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos em todo o mundo. No Brasil, estima-se que mais de 11 milhões de pessoas convivam com o transtorno. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para melhorar a qualidade de vida e o desempenho acadêmico e profissional.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRANSTORNO-DE-DEFICIT-DE-ATENCAO e quer saber o que significa? Este artigo foi preparado por um médico especialista em clínica médica para esclarecer todos os aspectos desse transtorno, desde os sinais de alerta até as opções de tratamento. O CID F90.0 (Transtorno da atividade e da atenção) é a classificação oficial da Organização Mundial da Saúde para o que popularmente chamamos de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Entender esse código é o primeiro passo para um cuidado integral e baseado em evidências.
- Código: F90.0
- Descrição: Transtorno da atividade e da atenção (TDAH)
- Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: F90.0 – Distúrbio da atividade e da atenção; F90.1 – Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta; F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos; F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado
Paciente: Lucas M., 32 anos, analista de sistemas
Queixa principal: “Não consigo terminar minhas tarefas no trabalho, perco prazos e me sinto constantemente distraído. Meu chefe já me deu duas advertências.”
Avaliação clínica: Entrevista detalhada com aplicação da Escala de Autorrelato de TDAH para Adultos (ASRS-v1.1). Histórico escolar revelava dificuldade de concentração desde a infância. Exame físico neurológico normal. Exames laboratoriais (hemograma, TSH, vitamina B12) descartaram causas orgânicas.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F90.0 — Transtorno da atividade e da atenção (TDAH – apresentação combinada, predominante desatenta).
Conduta terapêutica: Prescrição de metilfenidato (10 mg, 2x/dia) com ajuste posológico gradual. Encaminhamento para terapia cognitivo-comportamental (TCC) focada em manejo do tempo e organização. Orientação sobre higiene do sono e redução de estímulos digitais antes de dormir.
Evolução: Após 8 semanas, Lucas relatou melhora de 60% na capacidade de foco e conclusão de tarefas. Não perdeu mais prazos e reduziu o uso de cafeína. A escala ASRS repetida mostrou queda de 18 para 10 pontos. Mantém acompanhamento mensal.
Lição clínica: O diagnóstico de TDAH em adultos é subestimado. Sintomas de desatenção persistente, com impacto funcional documentado desde a infância, devem levar à investigação. O tratamento combinado (medicação + terapia) é mais eficaz do que qualquer intervenção isolada.
O que é o CID F90.0 na prática médica
O CID F90.0 é a classificação oficial para o Transtorno da Atividade e da Atenção, mais conhecido como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou no desenvolvimento. Na prática clínica, o código é utilizado para registrar o diagnóstico em prontuários, atestados, relatórios e encaminhamentos. Sua correta aplicação garante o acesso a tratamentos, acomodações educacionais e proteções trabalhistas previstas em lei.
Subcategorias e variantes do CID F90.0
O CID-10 agrupa os transtornos hipercinéticos sob o código F90, com as seguintes subdivisões:
- F90.0 – Transtorno da atividade e da atenção (o mais comum, corresponde ao TDAH combinado ou predominantemente desatento/hiperativo).
- F90.1 – Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta (quando há agressividade, desafio ou violação de regras).
- F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos (formas atípicas).
- F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado (usado quando os critérios não são totalmente preenchidos, mas há comprometimento).
Na prática, a maioria dos diagnósticos de TDAH em adultos e crianças se enquadra em F90.0, mas é importante que o médico especifique a apresentação clínica (desatenta, hiperativa/impulsiva ou combinada) para guiar a conduta.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do TDAH (CID F90.0) variam conforme a idade e o sexo. Eles são divididos em duas dimensões principais:
- Desatenção: dificuldade em manter o foco, erros por descuido, não ouvir quando chamado, não seguir instruções, desorganização, aversão a tarefas que exigem esforço mental prolongado, perder objetos, distrair-se com estímulos externos, esquecimento de compromissos.
- Hiperatividade-impulsividade: inquietação, dificuldade em permanecer sentado, correr ou subir em situações inadequadas, incapacidade de brincar calmamente, falar excessivamente, responder antes de a pergunta terminar, dificuldade em esperar a vez, interromper os outros.
Em adultos, a hiperatividade motora pode ser substituída por sensação interna de inquietação, fala acelerada e dificuldade em relaxar. Muitos adultos desenvolvem estratégias compensatórias, mas o transtorno ainda causa prejuízos significativos no trabalho, nos relacionamentos e na saúde mental (ansiedade, depressão, baixa autoestima).
Causas e fatores de risco
O TDAH é um transtorno multifatorial com forte componente genético. Estudos de gêmeos mostram herdabilidade de cerca de 70-80%. Fatores de risco incluem:
- História familiar de TDAH ou outros transtornos psiquiátricos.
- Exposição pré-natal a álcool, tabaco ou drogas.
- Baixo peso ao nascer ou prematuridade.
- Lesões cerebrais precoces (traumatismo, infecções).
- Alterações na neurotransmissão de dopamina e noradrenalina em regiões frontais e estriatais.
Fatores psicossociais (como privação afetiva grave) podem agravar os sintomas, mas não são causa primária. O TDAH não é resultado de “falta de disciplina” ou “educação inadequada”, embora o ambiente possa modular a expressão dos sintomas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID F90.0 é essencialmente clínico, baseado em critérios do DSM-5-TR e da CID-10. Não existe exame laboratorial ou de imagem que confirme o transtorno. O médico deve:
- Realizar anamnese detalhada com o paciente e, se possível, com familiares ou parceiros.
- Investigar o início dos sintomas (antes dos 12 anos de idade, mesmo que o diagnóstico seja tardio).
- Verificar a presença dos sintomas em pelo menos dois contextos (casa, trabalho, escola).
- Excluir outras condições que possam causar sintomas semelhantes (tireoidopatias, anemia, depressão, ansiedade, uso de substâncias).
- Utilizar escalas validadas (ASRS para adultos, SNAP-IV para crianças).
- Solicitar exames complementares quando houver suspeita de causas orgânicas (hemograma, TSH, ferritina, vitamina D).
O diagnóstico deve ser feito preferencialmente por psiquiatra, neurologista ou médico com experiência em transtornos do neurodesenvolvimento.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do TDAH (F90.0) é multimodal e deve ser individualizado. As principais abordagens são:
- Medicamentosa: psicoestimulantes (metilfenidato, lisdexanfetamina) e não estimulantes (atomoxetina, guanfacina, bupropiona off-label). O metilfenidato é a primeira linha em crianças e adultos, com taxas de resposta de 70-80%.
- Psicoterapia: terapia cognitivo-comportamental (TCC) focada em habilidades organizacionais, gerenciamento de tempo, controle de impulsos e regulação emocional. Em crianças, o treinamento de pais é fundamental.
- Intervenções educacionais e ocupacionais: adequação de ambiente de estudo/trabalho, uso de listas, alarmes, divisão de tarefas.
- Mudanças no estilo de vida: atividade física regular (especialmente exercícios aeróbicos), alimentação equilibrada, sono regular, redução de telas e cafeína.
O tratamento é crônico, e muitos pacientes necessitam de medicação por anos. O acompanhamento médico regular (a cada 1-3 meses inicialmente) é essencial para ajuste de dose e monitoramento de efeitos colaterais.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID F90.0 varia conforme a situação clínica e o contexto (avaliação, ajuste de medicação, crise de comorbidade). Em geral:
- Avaliação inicial: 1 a 3 dias para realização de exames e consultas especializadas.
- Início ou ajuste de medicação: 2 a 5 dias para monitoramento de resposta e efeitos adversos.
- Crise de comorbidade (ex.: transtorno de humor associado): 5 a 15 dias, dependendo da gravidade.
- Afecções escolares/acadêmicas: não há dias fixos; o médico pode recomendar afastamento parcial ou adaptações.
Importante: o atestado deve especificar o CID e o período necessário, mas não é obrigatório revelar o diagnóstico ao empregador (a lei garante sigilo). Para licenças superiores a 15 dias, é necessário perícia do INSS.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico de urgência se o paciente com TDAH apresentar:
- Pensamentos ou tentativas de suicídio (risco aumentado em adultos não tratados).
- Crise de agitação psicomotora intensa com risco de auto ou heteroagressão.
- Sintomas psicóticos (alucinações, delírios) induzidos por medicação ou por comorbidade.
- Reações adversas graves a medicamentos (taquicardia importante, hipertensão, alergia).
- Piora súbita do desempenho escolar/profissional com isolamento social extremo.
Além disso, sinais como irritabilidade persistente, insônia grave, perda de peso não intencional ou ideação paranóide merecem avaliação médica não urgente, mas prioritária.
Prevenção e cuidados contínuos
Não há prevenção primária estabelecida para o TDAH, mas algumas medidas podem reduzir o impacto dos sintomas e prevenir complicações:
- Rastreamento precoce em crianças com histórico familiar ou fatores de risco pré-natais.
- Intervenções psicossociais na primeira infância para melhorar funções executivas.
- Tratamento adequado e contínuo para evitar comorbidades (depressão, ansiedade, abuso de substâncias).
- Educação do paciente e da família sobre o transtorno (psicoeducação).
- Estilo de vida saudável: sono regular, alimentação, atividade física, redução de estresse.
- Acompanhamento médico e psicoterapêutico de longo prazo, com revisão periódica do plano terapêutico.
- 01. Não se automedique: o metilfenidato tem contraindicações (cardiopatias, glaucoma, hipertensão não controlada) e interações medicamentosas. Somente o médico pode prescrever.
- 02. Use lembretes visuais e digitais: aplicativos de lista de tarefas, alarmes e calendários ajudam a compensar a desorganização.
- 03. Divida grandes tarefas em passos menores: isso reduz a sensação de sobrecarga e facilita a conclusão.
- 04. Invista em terapia: a TCC é a abordagem não farmacológica com melhor evidência no TDAH adulto.
- 05. Cuide do sono: a privação de sono piora os sintomas do TDAH. Estabeleça horários fixos e evite telas 1 hora antes de dormir.
- 06. Evite estímulos excessivos: ambientes muito barulhentos ou com múltiplas distrações comprometem o foco. Use fones de ouvido com ruído branco ou música instrumental.
Perguntas Frequentes sobre o CID F90.0 (TDAH)
O CID F90.0 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo predeterminado. O médico define conforme a necessidade clínica. Geralmente, 1 a 5 dias para avaliação inicial ou ajuste de medicação. Para crises comórbidas, podem ser necessários 5 a 15 dias.
O diagnóstico de TDAH é definitivo? Posso “perder” o CID F90.0 com tratamento?
O TDAH é um transtorno crônico, mas os sintomas podem se tornar menos intensos com tratamento. O CID pode ser mantido no prontuário para referência futura, mesmo que o paciente esteja assintomático.
Qual a diferença entre F90.0 e F90.1?
F90.0 é o TDAH puro (com ou sem hiperatividade). F90.1 inclui associação com transtorno de conduta (comportamentos antissociais, agressividade). O tratamento e o prognóstico diferem.
Crianças com CID F90.0 têm direito a acompanhante na escola?
Sim, crianças com laudo médico podem solicitar, por lei, um profissional de apoio escolar (Lei Brasileira de Inclusão – LBI). O CID F90.0 é aceito para esse fim.
Posso ser demitido por ter CID F90.0 registrado em atestado?
Não. A demissão por motivo de transtorno mental é discriminatória e ilegal. O empregador não pode exigir detalhamento do diagnóstico; o atestado com CID é suficiente para justificar faltas.
TDAH tem cura? O tratamento é para sempre?
Não tem cura, mas tem controle eficaz. Muitos adultos mantêm medicação por anos; outros conseguem reduzir ou parar com mudanças no estilo de vida e terapia. O acompanhamento é individualizado.
Grávida com TDAH pode tomar medicação?
O metilfenidato e outros psicoestimulantes são contraindicados na gestação (categoria C/D). A decisão deve ser compartilhada com psiquiatra e obstetra, avaliando riscos e benefícios. Muitas vezes a medicação é suspensa durante a gestação.
O CID F90.0 pode ser usado para justificar aposentadoria por invalidez?
Em casos graves, com comorbidades e incapacidade funcional comprovada, é possível solicitar benefício ao INSS. O CID F90.0 isoladamente raramente leva à aposentadoria, mas associado a depressão ou transtorno bipolar, pode.
Existe exame de sangue para diagnosticar TDAH?
Não. O diagnóstico é clínico. Exames laboratoriais servem apenas para excluir outras causas (anemia, tireoide, etc.).
Café ou outros estimulantes naturais substituem a medicação?
Não. A cafeína pode ter efeito leve e temporário, mas não trata o transtorno de forma consistente. Pode inclusive aumentar ansiedade e prejudicar o sono. A medicação prescrita é mais segura e eficaz.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
- CID10.com.br – F90.0 Transtorno da atividade e da atenção
- MedlinePlus – TDAH (em espanhol)
- Conselho Federal de Medicina – CFM
- Biblioteca Virtual em Saúde – BVS
- Hospital Israelita Albert Einstein
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