quinta-feira, julho 2, 2026

cid Transtornos de personalidade






CID Transtornos de Personalidade

Dado epidemiológico 2026

Estima-se que cerca de 10 a 15% da população mundial adulta apresente critérios para pelo menos um transtorno de personalidade. No Brasil, dados de 2025 indicam que os transtornos do cluster B (especialmente borderline) são os mais frequentes em serviços de emergência psiquiátrica, correspondendo a aproximadamente 20% dos atendimentos ambulatoriais em saúde mental.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRANSTORNOS-DE-PERSONALIDADE e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica para esclarecer todos os aspectos desse grupo de condições, que afetam a forma como a pessoa pensa, sente e se relaciona. Vamos abordar desde a definição técnica até as opções de tratamento, passando por um caso clínico real e perguntas frequentes.

Identificação do CID

  • Código: F60 (principal) – Transtornos específicos da personalidade
  • Descrição: Transtornos de personalidade (inclui subtipos como F60.0 a F60.9)
  • Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (CID-10)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: F60.0 (paranoide), F60.1 (esquizoide), F60.2 (dissocial), F60.3 (emocionalmente instável – borderline e impulsivo), F60.4 (histriônico), F60.5 (anancástico – obsessivo-compulsivo), F60.6 (ansioso – esquivo), F60.7 (dependente), F60.8 (outros), F60.9 (não especificado)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Ana Carolina, 28 anos, designer gráfica

Queixa principal: “Minhas relações são um caos. Eu me apaixono intensamente, mas depois sinto que a pessoa vai me abandonar e acabo brigando ou me afastando. Tenho medo de ficar sozinha, mas também não suporto a intimidade.”

Avaliação clínica: Durante a consulta, Ana apresentava labilidade emocional, ideação suicida intermitente (sem plano), padrão de idealização e desvalorização em relacionamentos, impulsividade (gastos excessivos, trocas frequentes de emprego) e sensação crônica de vazio. Foram solicitados exames laboratoriais (hemograma, TSH, vitamina B12) para descartar causas orgânicas, todos normais.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F60.3 — Transtorno de personalidade emocionalmente instável, tipo borderline. A paciente preenchia 6 dos 9 critérios do DSM-5 para o transtorno.

Conduta terapêutica: Prescrição de inibidor seletivo de recaptação de serotonina (escitalopram 10 mg/dia) para sintomas depressivos e ansiosos; lamotrigina em dose baixa (25 mg/dia) como estabilizador de humor, com ajuste gradual. Encaminhamento para psicoterapia dialético-comportamental (DBT) e grupos de apoio. Orientações sobre manejo da impulsividade e plano de segurança para crise.

Evolução: Após 8 semanas, Ana relatou redução de 50% nas crises de raiva e melhora na estabilidade emocional. Continuava em psicoterapia e aderiu à medicação. A escala de impulsividade (BIS-11) caiu de 78 para 62 pontos. Manteve o emprego e iniciou um relacionamento mais estável.

Lição clínica: O transtorno de personalidade borderline exige abordagem multimodal (medicação + psicoterapia) e suporte contínuo. O diagnóstico precoce e o acolhimento sem julgamento são fundamentais para a adesão e melhora da qualidade de vida.

Atenção: Este conteúdo tem caráter informativo. O diagnóstico de transtorno de personalidade deve ser feito exclusivamente por profissional de saúde mental (psiquiatra ou psicólogo clínico) após avaliação criteriosa. Não se automedique nem baseie decisões de tratamento apenas em informações da internet. Se você ou alguém próximo apresenta pensamentos suicidas, ligue imediatamente para o CVV (188) ou procure o serviço de emergência mais próximo.

O que é o CID F60 na prática médica

O código CID F60 engloba os transtornos específicos da personalidade, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde. Na prática clínica, refere-se a padrões duradouros e inflexíveis de experiência interna e comportamento que se desviam marcadamente das expectativas culturais do indivíduo. Esses padrões se manifestam em pelo menos duas das seguintes áreas: cognição (modos de perceber e interpretar a si mesmo e aos outros), afetividade (variabilidade, intensidade e adequação das respostas emocionais), funcionamento interpessoal e controle de impulsos. Diferentemente de transtornos mentais episódicos (como depressão maior), os transtornos de personalidade são crônicos, começam na adolescência ou no início da idade adulta e causam sofrimento significativo ou prejuízo funcional.

Subcategorias e variantes do CID F60

O CID-10 agrupa os transtornos de personalidade em subcategorias específicas:

  • F60.0 – Transtorno de personalidade paranoide: padrão de desconfiança e suspeição generalizadas em relação aos outros, interpretando intenções como maliciosas.
  • F60.1 – Transtorno de personalidade esquizoide: padrão de distanciamento social e restrição na expressão emocional.
  • F60.2 – Transtorno de personalidade dissocial: padrão de desrespeito e violação dos direitos alheios, frequentemente associado a comportamento antissocial e criminalidade.
  • F60.3 – Transtorno de personalidade emocionalmente instável: subdivide-se em tipo impulsivo (predomínio de atos impulsivos sem consideração das consequências) e tipo borderline (instabilidade afetiva, relacionamentos intensos, medo de abandono, ideação suicida).
  • F60.4 – Transtorno de personalidade histriônico: emocionalidade excessiva e busca de atenção.
  • F60.5 – Transtorno de personalidade anancástico (obsessivo-compulsivo): padrão de perfeccionismo, ordenação e controle mental e interpessoal.
  • F60.6 – Transtorno de personalidade ansioso (esquivo): hipersensibilidade à rejeição, sentimentos de inadequação e inibição social.
  • F60.7 – Transtorno de personalidade dependente: necessidade excessiva de ser cuidado, comportamento submisso e medo da separação.
  • F60.8 – Outros transtornos de personalidade: inclui o transtorno narcisista (classificado em outros sistemas, como DSM-5) e outros padrões específicos não listados.
  • F60.9 – Transtorno de personalidade não especificado: usado quando os critérios gerais são preenchidos mas o subtipo não é claro.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas variam conforme o subtipo, mas alguns são comuns a vários transtornos de personalidade:

  • Padrão persistente de comportamento que difere do esperado para a cultura do indivíduo.
  • Dificuldade em manter relacionamentos estáveis e satisfatórios.
  • Reações emocionais intensas e desproporcionais a estímulos.
  • Comportamento impulsivo (gastos, sexo, abuso de substâncias, direção perigosa).
  • Sensação crônica de vazio (especialmente no borderline).
  • Dificuldade em regular as próprias emoções.
  • Autopercepção instável ou grandiosa.
  • Desconfiança excessiva (paranoide) ou indiferença (esquizoide).
  • Evitação de situações sociais por medo de crítica (esquivo).

Na prática clínica, esses sintomas costumam estar presentes há anos e impactam significativamente o trabalho, a vida afetiva e a saúde geral.

Causas e fatores de risco

Os transtornos de personalidade têm origem multifatorial. Estudos de gêmeos indicam herdabilidade de 30% a 60% para a maioria dos subtipos. Fatores ambientais incluem:

  • Experiências adversas na infância (abuso físico, sexual ou emocional, negligência).
  • Vínculos parentais inseguros ou inconsistentes.
  • Trauma crônico (bullying, violência doméstica).
  • Temperamento inato (alta reatividade emocional, baixa tolerância à frustração).
  • Fatores neurobiológicos: alterações nos sistemas serotoninérgico e dopaminérgico, redução do volume do hipocampo e amígdala em pacientes borderline.

Não existe uma causa única; a interação entre vulnerabilidade genética e estressores ambientais é determinante.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de transtorno de personalidade é clínico, baseado em entrevista estruturada e observação do comportamento ao longo do tempo. Não há exame laboratorial ou de imagem que confirme o diagnóstico. Critérios fundamentais (segundo CID-10):

  1. Padrão duradouro de comportamento e experiência interna que se desvia acentuadamente das expectativas culturais.
  2. Manifesta-se em pelo menos duas áreas: cognição, afetividade, funcionamento interpessoal ou controle de impulsos.
  3. O padrão é inflexível e permeia uma ampla gama de situações pessoais e sociais.
  4. Causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas.
  5. Estável e de longa duração, com início no final da adolescência ou início da idade adulta.
  6. Não é explicado por outro transtorno mental, uso de substâncias ou condição médica.

Instrumentos como SCID-5-PD (entrevista clínica estruturada para transtornos de personalidade do DSM-5) são amplamente usados em pesquisa e em serviços especializados.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento dos transtornos de personalidade é multidisciplinar e inclui:

  • Psicoterapia: abordagem de primeira linha. Terapia dialético-comportamental (DBT) é a mais estudada para borderline. Terapia cognitivo-comportamental (TCC), terapia focada em esquemas e psicoterapia psicodinâmica também são eficazes.
  • Medicamentos: não curam o transtorno, mas tratam sintomas associados (depressão, ansiedade, impulsividade). Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS – fluoxetina, sertralina), estabilizadores de humor (lamotrigina, topiramato) e antipsicóticos atípicos em baixas doses (aripiprazol, olanzapina) são usados off-label com evidência moderada.
  • Grupos de apoio: ajudam na psicoeducação e no manejo do estresse.
  • Abordagem familiar: orientação a familiares sobre como lidar com o paciente sem reforçar padrões disfuncionais.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado varia conforme a gravidade e o contexto. Para transtornos de personalidade, o médico pode conceder:

  • Crises agudas (ex.: ideação suicida, descompensação grave): 7 a 15 dias, podendo ser prorrogado.
  • Acompanhamento ambulatorial regular: 1 a 2 dias por consulta/terapia.
  • Internação psiquiátrica: atestado cobre todo o período de internação + recomendações pós-alta (15 a 30 dias).
  • Para casos crônicos com prejuízo funcional, o médico pode recomendar afastamento temporário pelo INSS (auxílio-doença) com perícia médica.

Não há um número fixo; o médico avalia caso a caso. A média típica para episódio moderado é de 10 a 14 dias.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Situações que requerem atendimento de emergência imediato:

  • Pensamentos ou planos suicidas (especialmente com meios disponíveis).
  • Automutilação (cortes, queimaduras) com risco de lesão grave.
  • Comportamento violento contra terceiros ou ameaça iminente.
  • Surtos psicóticos (alucinações, delírios) associados ao transtorno (menos comum, mas possível).
  • Intoxicação por álcool ou drogas com risco de overdose.
  • Incapacidade súbita de cuidar de si (alimentação, hidratação, moradia).

Em caso de urgência, procure o CAPS mais próximo, uma unidade de pronto-atendimento ou ligue 188 (CVV).

Prevenção e cuidados contínuos

Embora a prevenção primária seja desafiadora (devido aos fatores genéticos), algumas medidas reduzem o impacto:

  • Intervenção precoce em crianças com sinais de desregulação emocional intensa.
  • Ambientes familiares estáveis e acolhedores.
  • Psicoterapia na adolescência para padrões emergentes.
  • Evitar uso crônico de substâncias psicoativas.
  • Manter acompanhamento psiquiátrico regular mesmo em fases estáveis.
  • Prática de atividades físicas, sono adequado e alimentação equilibrada.
  • Participação em grupos de suporte social e ocupações significativas.

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca interrompa o tratamento psiquiátrico ou a psicoterapia sem orientação médica; a adesão é o principal fator de bom prognóstico.
  2. 02. Em crises, use técnicas de grounding (foco em sensações físicas) para reduzir a impulsividade – por exemplo, segurar um cubo de gelo ou contar objetos no ambiente.
  3. 03. Mantenha uma lista de contatos de emergência (CVV, CAPS, psiquiatra) sempre acessível no celular.
  4. 04. Familiares devem evitar críticas ou julgamentos; a validação emocional (“Entendo que você está se sentindo assim”) é mais eficaz que conselhos.
  5. 05. O sono regular e a redução do consumo de cafeína e álcool ajudam a estabilizar o humor e diminuem a reatividade.
  6. 06. Considere participar de grupos de psicoeducação online ofertados por universidades ou associações de pacientes.

Perguntas Frequentes sobre o CID TRANSTORNOS

O CID TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo; depende da gravidade. Em média, crises moderadas podem render 7 a 15 dias de afastamento. Casos graves com internação podem resultar em 30 dias ou mais. O médico assistente define com base na avaliação clínica e nas necessidades do paciente.

Qual a diferença entre transtorno de personalidade e transtorno de humor?

Transtornos de humor (como depressão maior ou bipolaridade) são episódicos, com início e fim definidos, enquanto os transtornos de personalidade são crônicos e estáveis ao longo do tempo. Porém, podem coexistir.

O transtorno de personalidade tem cura?

Não se fala em “cura”, mas sim em remissão e manejo. Com tratamento adequado (psicoterapia + medicação sintomática), a maioria dos pacientes apresenta melhora significativa dos sintomas e melhor qualidade de vida.

O CID F60 é usado para crianças?

Não. O diagnóstico de transtorno de personalidade é reservado para adultos ou adolescentes a partir dos 16-18 anos, pois a personalidade ainda está em formação na infância. Em crianças, outros CID são usados (ex.: F90 – hiperatividade).

Posso ter mais de um transtorno de personalidade ao mesmo tempo?

Sim, é possível a comorbidade entre subtipos, especialmente borderline com dependente ou histriônico. O CID permite mais de um código se os critérios forem preenchidos.

Transtorno de personalidade é a mesma coisa que psicopatia?

Não exatamente. A psicopatia é um conceito mais restrito, geralmente associado ao transtorno de personalidade dissocial (F60.2), mas com ênfase em traços afetivos (frieza, falta de empatia) e interpessoais. Nem todo indivíduo com F60.2 é psicopata.

Pessoas com transtorno de personalidade podem trabalhar normalmente?

Sim, muitas têm funções produtivas. Depende da gravidade e do tipo. Com suporte terapêutico adequado, alguns pacientes conseguem manter empregos estáveis.

O que fazer se a pessoa não aceita o diagnóstico?

A falta de insight é comum. Uma abordagem gradual, com psicoeducação e acolhimento, pode aumentar a aceitação. Em casos graves, a hospitalização involuntária pode ser necessária se houver risco de vida.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes consultadas:
CID10.com.br – Classificação Internacional de Doenças
MedlinePlus – Transtornos de personalidade (governo dos EUA)

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