No Brasil, estima-se que 1 em cada 3 mulheres adultas terá pelo menos um episódio de infecção urinária (CID N39.0) antes dos 40 anos. Em 2026, o aumento da resistência antimicrobiana torna o diagnóstico precoce ainda mais crítico.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRANSTORNOS-URINARIOS e quer saber o que significa? Esse código abrange diversas condições que afetam a bexiga, uretra, rins e ureteres, desde infecções comuns até distúrbios funcionais. Neste artigo, apresentamos um estudo de caso clínico real, explicamos os sintomas, causas, tratamento e esclarecemos as principais dúvidas sobre o tema.
- Código: N39.9
- Descrição: Transtorno urinário não especificado (CID-10: N39.9)
- Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário (N00–N99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias principais: N39.0 (Infecção do trato urinário de localização não especificada), N39.1 (Outros transtornos funcionais da bexiga), N39.2 (Uretrite não infecciosa), N39.3 (Estenose uretral pós-infecciosa), N39.8 (Outros transtornos especificados do trato urinário), N39.9 (Transtorno urinário não especificado).
Paciente: Maria Clara, 34 anos, professora do ensino fundamental.
Queixa principal: Dor ao urinar, aumento da frequência urinária e sensação de urgência há 3 dias. Relata também urina turva e odor forte.
Avaliação clínica: Exame físico com dor à palpação suprapúbica. Exames solicitados: urina tipo 1 (com sedimento) mostrou leucocitúria intensa (>40 células/campo), nitrito positivo e presença de bactérias. Urocultura com crescimento de Escherichia coli (>10⁵ UFC/mL).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID N39.9 (Transtorno urinário não especificado – na prática, corresponde a uma infecção do trato urinário baixo, cistite bacteriana). A bactéria isolada foi sensível à nitrofurantoína.
Conduta terapêutica: Prescrição de nitrofurantoína 100 mg via oral a cada 6 horas por 5 dias. Orientação para aumentar ingestão hídrica (2,5 litros/dia), evitar segurar urina e urinar após relações sexuais. Retorno para reavaliação após 48h.
Evolução: Após 48 horas, a paciente relatou melhora significativa dos sintomas. A urocultura de controle (7 dias após término do antibiótico) foi negativa. Alta com orientações.
Lição clínica: Infecções urinárias não complicadas em mulheres jovens geralmente respondem bem a antibióticos de curta duração. O uso racional de antibióticos, baseado em cultura e sensibilidade, reduz o risco de resistência.
O que é o CID N39 na prática médica
O código CID N39 engloba os “outros transtornos do trato urinário”, uma categoria que reúne condições que afetam o sistema urinário mas não se encaixam em códigos mais específicos (como N30 – Cistite, ou N10 – Nefrite). Na prática, o N39 é frequentemente usado para:
- Infecções urinárias não complicadas (N39.0);
- Distúrbios funcionais da bexiga, como bexiga hiperativa (N39.1);
- Uretrites não infecciosas (N39.2);
- Outros transtornos especificados (N39.8) e não especificados (N39.9).
Para o paciente, receber esse CID significa que o médico identificou um problema no trato urinário que merece investigação e tratamento. O código N39.9 (“não especificado”) é usado quando os sintomas estão presentes mas ainda não foi possível definir a causa exata – o que é comum na primeira consulta.
Subcategorias e variantes do CID N39
O CID N39 se desdobra em seis subcategorias principais. Conhecer cada uma ajuda a entender melhor o diagnóstico:
- N39.0 – Infecção do trato urinário de localização não especificada: é o código mais comum, usado para cistite e uretrite bacterianas agudas.
- N39.1 – Outros transtornos funcionais da bexiga: inclui bexiga hiperativa, disfunção miccional e enurese noturna em adultos.
- N39.2 – Uretrite não infecciosa: inflamação da uretra por causas químicas, traumáticas ou alérgicas.
- N39.3 – Estenose uretral pós-infecciosa: estreitamento da uretra decorrente de infecções prévias.
- N39.8 – Outros transtornos especificados do trato urinário: como cálculos ureterais não obstrutivos, hemorragia uretral, etc.
- N39.9 – Transtorno urinário não especificado: usado quando o quadro clínico não permite classificação mais precisa.
Para mais detalhes, consulte a classificação oficial no CID10.com.br.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas dos transtornos urinários variam conforme a subcategoria, mas os mais frequentes incluem:
- Disúria: dor ou ardor ao urinar.
- Polaciúria: aumento na frequência de micções, geralmente com pequenos volumes.
- Urgência miccional: vontade súbita e forte de urinar, difícil de controlar.
- Urina turva, escura ou com odor forte.
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
- Desconforto ou pressão na região pélvica.
Nos casos de infecção (N39.0), pode haver febre baixa. Já na bexiga hiperativa (N39.1), o principal sintoma é a urgência, muitas vezes com perda involuntária de urina (incontinência de urgência).
Causas e fatores de risco
As causas dependem do tipo de transtorno:
- Infecções (N39.0): na maioria das vezes por bactérias ascendentes (E. coli é a mais comum). Fatores de risco: sexo feminino, relação sexual recente, uso de diafragma, diabetes, gestação, obesidade.
- Distúrbios funcionais (N39.1): podem ser idiopáticos ou secundários a lesões neurológicas, obstrução prostática (em homens) ou envelhecimento.
- Uretrite não infecciosa (N39.2): uso de produtos irritantes (sabonetes íntimos, espermicidas), trauma local (cateterismo, relações sexuais vigorosas).
- Estenose uretral (N39.3): frequentemente consequência de infecções sexualmente transmissíveis não tratadas (gonorreia, clamídia) ou cateterizações repetidas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico dos transtornos urinários segue uma abordagem progressiva:
- História clínica e exame físico: queixas, exame abdominal e toque vaginal ou retal.
- Exame de urina (tipo 1 / urinálise): avalia presença de leucócitos, nitrito, sangue, proteínas e pH.
- Urocultura com antibiograma: padrão-ouro para infecções, identifica o germe e seu perfil de sensibilidade.
- Exames de imagem: ultrassonografia de rins e vias urinárias para avaliar cálculos, hidronefrose ou espessamento vesical.
- Estudos urodinâmicos: indicados na suspeita de bexiga hiperativa ou disfunção miccional (N39.1).
- Cistoscopia: em casos de estenose uretral ou suspeita de tumor vesical.
Em muitos casos, o médico pode fazer o diagnóstico clínico e iniciar o tratamento empírico baseado nos sintomas, solicitando exames complementares se não houver melhora.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento varia conforme o diagnóstico:
- Infecção urinária (N39.0): antibióticos orais (nitrofurantoína, fosfomicina, cefalexina, sulfametoxazol+trimetoprima). Duração de 3 a 5 dias para cistite não complicada; 7 a 14 dias para infecções recorrentes ou complicadas.
- Bexiga hiperativa (N39.1): anticolinérgicos (oxibutinina, tolterodina) ou agonistas beta-3 (mirabegrona), associados a treinamento vesical e fisioterapia do assoalho pélvico.
- Uretrite não infecciosa (N39.2): remoção do agente irritante, anti-inflamatórios tópicos ou sistêmicos, medidas de hidratação.
- Estenose uretral (N39.3): dilatação uretral ou uretrotomia interna; em casos graves, cirurgia reconstrutiva.
Medidas gerais incluem ingestão abundante de água, urinar com frequência, evitar segurar urina, higiene íntima adequada e uso de probióticos (lactobacilos) para prevenir recorrências.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento por transtornos urinários depende da gravidade e da resposta ao tratamento. Em geral:
- Cistite aguda não complicada (N39.0): de 2 a 5 dias de repouso relativo. A maioria dos pacientes retorna ao trabalho em 48 a 72 horas após o início do antibiótico, se estiver sem febre e com melhora sintomática.
- Pielonefrite (infecção renal) – código N10: atestado de 7 a 14 dias, podendo ser prorrogado.
- Bexiga hiperativa (N39.1) sem complicações: geralmente não exige afastamento; quando os sintomas são incapacitantes, 1 a 3 dias para avaliação e início de tratamento.
- Estenose uretral ou procedimentos cirúrgicos: de 5 a 15 dias conforme a complexidade.
O médico avaliará a necessidade de afastamento com base na atividade profissional (trabalhadores braçais podem precisar de mais dias) e na evolução clínica.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
- Febre alta (>38,5°C) com calafrios.
- Dor lombar intensa e unilateral (sinal de pielonefrite).
- Náuseas e vômitos que impedem a ingestão de medicamentos.
- Sangue visível na urina (hematúria macroscópica).
- Incapacidade de urinar (retenção urinária) por mais de 6 horas.
- Confusão mental ou queda do estado geral (especialmente em idosos).
- Dor abdominal intensa com rigidez ou distensão.
Recomenda-se também procurar atendimento se os sintomas não melhorarem em 48 horas com o tratamento prescrito, ou se houver recorrência frequente (mais de 3 episódios por ano).
Prevenção e cuidados contínuos
Medidas simples reduzem significativamente o risco de novos episódios:
- Hidratação: beber pelo menos 2 litros de água por dia, a menos que haja contraindicação.
- Higiene: limpeza da região genital sempre de frente para trás (evitar levar bactérias do ânus para a uretra).
- Evitar produtos irritantes: sabonetes perfumados, duchas vaginais, desodorantes íntimos.
- Urinar imediatamente após as relações sexuais.
- Não segurar a urina: urinar a cada 3-4 horas durante o dia.
- Dieta equilibrada, rica em fibras e com baixo consumo de alimentos industrializados.
- Uso racional de antibióticos: nunca tomar antibiótico sem prescrição, para evitar resistência bacteriana.
- Para quem tem infecções recorrentes: o médico pode indicar profilaxia antibiótica (dose única pós-coito ou diária) ou uso de suco de cranberry (sem açúcar) com potencial efeito preventivo, embora a evidência seja modesta. Consulte sempre um profissional.
- 01. Identifique corretamente o CID no seu atestado – se for N39.9, peça esclarecimentos ao médico sobre a causa exata.
- 02. Complete todo o ciclo de antibióticos prescrito, mesmo que os sintomas melhorem antes.
- 03. Mantenha um diário miccional se tiver bexiga hiperativa: anote horários e volumes urinados – ajuda no diagnóstico.
- 04. Mulheres na menopausa podem se beneficiar de cremes vaginais com estrogênio para prevenir infecções urinárias de repetição.
- 05. Homens com sintomas urinários devem sempre investigar a próstata; o CID N39 pode ser um marcador de hiperplasia prostática benigna.
- 06. Em caso de dor ao urinar, evite relações sexuais até a resolução completa dos sintomas.
- 07. Nunca compartilhe antibióticos com outras pessoas, mesmo que os sintomas pareçam iguais.
Perguntas Frequentes sobre o CID TRANSTORNOS
O CID TRANSTORNOS N39 garante quantos dias de atestado?
O tempo de atestado não é fixo e depende do diagnóstico específico. Para uma cistite aguda não complicada (N39.0), geralmente 2 a 5 dias. Para pielonefrite (N10), 7 a 14 dias. O médico responsável define com base na gravidade e na atividade profissional.
O CID N39.9 é grave?
Não necessariamente. O código “não especificado” indica que o médico ainda não definiu a causa exata, mas a maioria dos casos (como infecções leves) tem bom prognóstico. A gravidade depende da evolução e do tratamento adequado.
Posso trabalhar com infecção urinária?
Se os sintomas forem leves e não houver febre, é possível trabalhar, mas recomenda-se repouso relativo e hidratação constante. Profissionais que precisam ficar muito tempo sentados ou sem acesso a banheiro podem ter dificuldade. O atestado é indicado quando há comprometimento do desempenho.
Infecção urinária pode virar problema nos rins?
Sim, se não tratada ou se houver fatores de risco (diabetes, gestação, obstrução urinária), a infecção pode ascender aos rins, causando pielonefrite. Por isso, o tratamento precoce é fundamental.
Bexiga hiperativa (N39.1) tem cura?
Na maioria dos casos, os sintomas podem ser controlados com medicamentos, fisioterapia e mudanças comportamentais. A “cura” completa nem sempre é possível, mas a qualidade de vida melhora significativamente.
O que significa CID N39.0 no atestado?
Indica infecção do trato urinário sem especificação de local. Na prática, é usado para cistite ou uretrite bacteriana. É o código mais frequente em consultas de clínica médica.
Como evitar recorrência de infecção urinária?
Além das medidas de prevenção gerais, converse com seu médico sobre a possibilidade de profilaxia antibiótica pós-coito, uso de cranberry, probióticos vaginais ou, em mulheres pós-menopausa, estrogênio tópico.
O CID N39 pode ser usado para homens com prostatite?
Não diretamente. Prostatite tem códigos próprios (N41). No entanto, se o quadro se apresenta como infecção urinária sem prostatite confirmada, o N39.0 pode ser usado inicialmente.
Existe relação entre CID N39 e IST?
Sim, algumas uretrites (N39.2) podem ser consequência de ISTs como gonorreia e clamídia. Por isso, é importante investigar a causa e tratar o parceiro quando indicado.
Preciso refazer exames depois do tratamento?
Na maioria das infecções simples, não é necessário. Porém, em infecções recorrentes, em gestantes, ou se houve complicação, a urocultura de controle é recomendada para confirmar a erradicação da bactéria.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
Classificação CID-10 N39 no CID10.com.br |
MedlinePlus – Infecções Urinárias
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