Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2026 a hipertensão arterial afeta cerca de 1,28 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos em todo o mundo. No Brasil, a prevalência atinge aproximadamente 32% da população adulta, sendo o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-DA-HIPERTENSAO e quer saber o que significa? Na prática clínica, o código utilizado para registrar o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o CID I10 – Hipertensão essencial (primária). Este código abrange a elevação crônica da pressão arterial sem causa secundária identificável e é a base para o tratamento farmacológico e não farmacológico que você irá iniciar.
- Código: I10
- Descrição: Hipertensão essencial (primária)
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: I11 – Doença cardíaca hipertensiva; I12 – Doença renal hipertensiva; I13 – Doença cardíaca e renal hipertensiva; I15 – Hipertensão secundária
Paciente: Sr. Antônio Carlos, 58 anos, motorista de aplicativo, tabagista (20 maços/ano), sedentário.
Queixa principal: Cefaleia occipital matinal, tontura ao levantar-se e cansaço progressivo há 3 semanas.
Avaliação clínica: PA aferida em três ocasiões: 158/98 mmHg, 162/100 mmHg e 155/96 mmHg. Exame físico sem sopros ou edemas. Solicitados: creatinina, ureia, potássio, lipidograma, glicemia, urina tipo I, ECG e fundo de olho.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID I10 — Hipertensão essencial primária, estágio 1 (PA sistólica 140-159 / diastólica 90-99).
Conduta terapêutica: Iniciou losartana 50 mg 1x/dia, associação com hidroclorotiazida 12,5 mg após 4 semanas. Orientação de redução de sódio, perda de peso e caminhada 30 min/dia. Encaminhado ao programa de cessação do tabagismo.
Evolução: Após 8 semanas, PA média de consultório 132/82 mmHg. Cefaleia e tontura desapareceram. Exames laboratoriais normais.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo com mudanças no estilo de vida podem normalizar a pressão e reduzir até 40% o risco de AVC e infarto em 5 anos.
O que é o CID I10 na prática médica
O CID I10 representa a hipertensão arterial primária, responsável por mais de 90% dos casos de pressão alta. Significa que o paciente apresenta níveis pressóricos ≥ 140/90 mmHg de forma persistente, na ausência de causas secundárias (renais, endócrinas ou medicamentosas). Na prática, o médico utiliza esse código para registrar o diagnóstico em prontuário, prescrever tratamento e justificar afastamentos ou exames complementares. A identificação precoce com o código I10 permite o rastreio de danos em órgão-alvo (coração, rins, cérebro e vasos) e a implementação de medidas preventivas.
Subcategorias e variantes do CID I10
Embora I10 seja o código principal, a CID-10 oferece nuances clínicas importantes:
- I11 – Doença cardíaca hipertensiva: quando a hipertensão causa hipertrofia ventricular esquerda, insuficiência cardíaca ou doença coronariana.
- I12 – Doença renal hipertensiva: hipertensão associada a lesão renal (nefroesclerose, insuficiência renal crônica).
- I13 – Doença cardíaca e renal hipertensiva: combinação de ambos os acometimentos.
- I15 – Hipertensão secundária: decorrente de estenose de artéria renal, feocromocitoma, hiperaldosteronismo, etc.
- I10.x – subcategorias para especificar estágio (ex: I10.0 – essencial maligna, I10.9 – não especificada).
Na prática ambulatorial, a maioria dos pacientes recebe o código I10, sendo necessário investigar se há acometimento de órgão-alvo para migrar para I11, I12 ou I13.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipertensão essencial é frequentemente assintomática (cerca de 60% dos pacientes não referem queixas). Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:
- Cefaleia occipital pulsátil, principalmente ao despertar.
- Tontura ou sensação de cabeça vazia.
- Zumbido nos ouvidos.
- Palpitações e cansaço aos esforços.
- Visão turva ou escotomas.
- Epistaxe (sangramento nasal) – mais raro.
- Em casos avançados: falta de ar, edema de membros inferiores (sugerindo insuficiência cardíaca) ou alterações visuais.
É vital lembrar que a ausência de sintomas não significa ausência de risco. A hipertensão não tratada acelera a aterosclerose, aumenta o risco de AVC, infarto agudo do miocárdio, insuficiência renal e demência vascular.
Causas e fatores de risco
A hipertensão primária é multifatorial. Os principais fatores de risco incluem:
- Idade: > 65 anos (risco 2x maior).
- História familiar: parentes de primeiro grau hipertensos.
- Excesso de peso e obesidade: IMC ≥ 25 kg/m².
- Alimentação rica em sódio: consumo > 2g de sódio/dia.
- Sedentarismo: menos de 150 min/semana de atividade física.
- Tabagismo: lesão endotelial e vasoconstrição.
- Consumo excessivo de álcool: > 1 dose/dia para mulheres, > 2 para homens.
- Estresse crônico e ansiedade.
- Apneia obstrutiva do sono.
A compreensão desses fatores permite que o tratamento vá além dos medicamentos, abordando mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID I10 segue as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC, 2025):
- Medida da PA em consultório: aferição com aparelho calibrado, após repouso de 5 minutos, em três ocasiões distintas. Considera-se hipertensão se ≥ 140/90 mmHg.
- Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24h: média ≥ 125/75 mmHg nas 24 horas confirma o diagnóstico.
- Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA): três medições diárias durante uma semana, com média ≥ 130/80 mmHg.
- Exames complementares: hemograma, creatinina, potássio, glicemia, lipidograma, urina tipo I, ECG e fundo de olho para avaliar lesões em órgão-alvo.
Somente após essa investigação o médico registra o CID I10 e define o plano terapêutico.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipertensão essencial (CID I10) é baseado em dois pilares:
1. Tratamento não farmacológico (obrigatório para todos):
- Redução do consumo de sal (< 5g de sal/dia).
- Dieta DASH (rica em frutas, vegetais, grãos integrais, laticínios desnatados).
- Perda de peso (5-10% do peso corporal).
- Atividade física aeróbica 150 min/semana ou 75 min de vigorosa.
- Cessar tabagismo e moderar álcool.
- Controle do estresse (meditação, terapia cognitivo-comportamental).
2. Tratamento farmacológico:
Classes de primeira linha, segundo a SBC 2025:
- Diuréticos tiazídicos: hidroclorotiazida 12,5-25 mg/dia.
- Inibidores da ECA: enalapril 5-20 mg/dia ou ramipril 2,5-10 mg/dia.
- Bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA): losartana 50-100 mg/dia ou valsartana 80-160 mg/dia.
- Bloqueadores dos canais de cálcio: anlodipino 5-10 mg/dia.
- Em casos refratários, pode-se associar betabloqueadores (atenolol) ou espironolactona.
A maioria dos pacientes necessita de pelo menos dois medicamentos para atingir a meta pressórica (< 130/80 mmHg para a maioria, ou < 140/90 para idosos frágeis).
Quantos dias de atestado médico
O número de dias depende do contexto clínico e da necessidade de avaliação inicial. Veja as situações mais comuns:
- Primeira consulta diagnóstica: 1 a 2 dias para realização de exames e início da medicação.
- Hipertensão descompensada (crise hipertensiva sem lesão de órgão-alvo): 2 a 3 dias para ajuste terapêutico e monitoramento.
- Hipertensão com complicações (ex.: AVC, infarto, insuficiência cardíaca): 30 a 60 dias, conforme a gravidade.
- Acompanhamento ambulatorial: 1 dia para consulta de retorno, se necessário.
- Importante: o médico avalia individualmente a necessidade de afastamento do trabalho, considerando o estresse ocupacional e a adesão ao tratamento.
Na prática, para um paciente estável que inicia tratamento, o atestado inicial costuma ser de 1 dia.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se apresentar:
- Pressão arterial sistólica ≥ 180 mmHg ou diastólica ≥ 120 mmHg (crise hipertensiva).
- Dor torácica opressiva, irradiando para braço ou mandíbula.
- Falta de ar súbita ou inchaço nas pernas.
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar (sinais de AVC).
- Dor de cabeça intensa e súbita, diferente do habitual.
- Visão turva ou perda de visão.
- Náuseas e vômitos acompanhados de hipertensão severa.
- Confusão mental ou rebaixamento do nível de consciência.
Nessas situações, não espere a consulta agendada: vá ao pronto-socorro.
Prevenção e cuidados contínuos
Prevenir a hipertensão ou controlá-la exige compromisso de longo prazo:
- Aferir a pressão ao menos uma vez por ano em adultos saudáveis; a cada 6 meses se houver histórico familiar.
- Manter peso corporal adequado (IMC entre 18,5 e 24,9).
- Praticar atividade física regular (30 min/dia, 5x/semana).
- Alimentação equilibrada, pobre em sódio e gorduras saturadas.
- Não fumar e evitar álcool em excesso.
- Gerenciar o estresse com técnicas de relaxamento.
- Para pacientes já diagnosticados (CID I10): adesão rigorosa ao tratamento, comparecer às consultas de retorno e realizar exames periódicos (função renal, lipidograma, ECG, MAPA se necessário).
- 01. Nunca interrompa o anti-hipertensivo sem orientação médica – a maioria dos pacientes precisa de medicação contínua.
- 02. Compre um monitor de pressão validado e meça em casa (MRPA) para fornecer dados reais ao seu médico.
- 03. Reduza o consumo de sal de forma gradual: substitua o saleiro por ervas e limão.
- 04. Caminhar 30 minutos por dia reduz a pressão sistólica em 5 a 10 mmHg.
- 05. Mantenha um diário de pressão e anote sintomas – isso ajuda a ajustar o tratamento.
Perguntas Frequentes sobre o CID I10 (Tratamento da Hipertensão)
O CID I10 garante quantos dias de atestado?
O número de dias varia: geralmente 1 a 2 dias para o diagnóstico e início do tratamento. Em casos de hipertensão descompensada, pode-se conceder até 5 dias. O médico avalia cada caso.
Qual a diferença entre I10 e I11?
I10 é hipertensão sem lesão cardíaca documentada. I11 (doença cardíaca hipertensiva) exige evidência de hipertrofia ventricular, insuficiência cardíaca ou doença coronariana causada pela hipertensão.
Posso usar o CID I10 para solicitar exames?
Sim. O código I10 justifica a realização de exames como MAPA, ecocardiograma, creatinina e fundo de olho, de acordo com o protocolo da SBC.
O CID I10 tem cura?
Não, mas é completamente controlável com tratamento. Muitos pacientes normalizam a pressão e têm risco cardiovascular reduzido ao nível de pessoas normotensas.
O que significa hipertensão estágio 1, 2 e 3?
Estágio 1: PA 140-159/90-99; estágio 2: 160-179/100-109; estágio 3: ≥ 180/110. O estágio orienta a intensidade do tratamento e a urgência.
Posso tomar medicamento para hipertensão só quando sinto sintomas?
Não. A hipertensão é silenciosa e o dano vascular ocorre mesmo sem sintomas. O uso contínuo é essencial para proteção.
O CID I10 dá direito a aposentadoria ou benefício do INSS?
Isoladamente não. Porém, se a hipertensão causar complicações incapacitantes (como AVC, insuficiência cardíaca grave, doença renal terminal), pode-se solicitar auxílio-doença ou aposentadoria.
Gestante com hipertensão recebe qual CID?
Na gestação, o código é O10 (hipertensão pré-existente complicando a gravidez) ou O13 (hipertensão gestacional). O I10 é usado apenas para não gestantes.
Qual a meta de pressão para diabéticos com CID I10?
≤ 130/80 mmHg, conforme as diretrizes de 2025. O controle rigoroso reduz risco de nefropatia e retinopatia.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC 2025).
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID I10 devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
CID10.com.br – I10 Hipertensão essencial
MedlinePlus – High Blood Pressure
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
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