O Brasil registrou um aumento de 38% nos casos de gonorreia entre jovens de 15 a 24 anos entre 2020 e 2025, segundo o Ministério da Saúde. A resistência antimicrobiana é uma das principais preocupações atuais.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-DE-DST-ENTENDA-A-CLASSIFICACAO-E-DIAGNOSTICOS e quer saber o que significa? Na prática, o código CID para Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) mais comumente utilizado na atenção primária é o A54 (Infecção gonocócica), que representa a gonorreia. Este artigo explica de forma completa e acessível a classificação, os sintomas, o tratamento e os cuidados necessários, com base na CID-10 e nos protocolos do Ministério da Saúde.
- Código: A54
- Descrição: Infecção gonocócica (gonorreia)
- Categoria: Capítulo I – Algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: A54.0 (infecção gonocócica do trato geniturinário inferior), A54.1 (infecção gonocócica do trato geniturinário superior), A54.2 (infecção gonocócica anogenital), A54.3 (infecção gonocócica faríngea), A54.4 (conjuntivite gonocócica), A54.5 (artrite gonocócica), A54.6 (infecção gonocócica disseminada), A54.8 (outras infecções gonocócicas), A54.9 (infecção gonocócica não especificada)
Paciente: Carlos Silva, 28 anos, vendedor, sexualmente ativo
Queixa principal: Dor ao urinar e secreção amarelada no pênis há 3 dias; nega febre ou dor abdominal
Avaliação clínica: Exame físico evidenciou secreção uretral purulenta; solicitei teste rápido de urina (DNA-PCR para Neisseria gonorrhoeae) e cultura com antibiograma; também coletei sorologias para sífilis, HIV e clamídia
Diagnóstico: A após avaliação completa, o médico registrou o A54.0 (Infecção gonocócica do trato geniturinário inferior) — gonorreia não complicada
Conduta terapêutica: Ceftriaxona 500 mg intramuscular dose única + Azitromicina 1 g via oral dose única; orientação para abstinência sexual por 7 dias, notificação de parceiros e retorno em 7 dias para teste de cura
Evolução: Após 5 dias, o paciente relatou melhora completa da secreção e da dor; teste de cura (realizado após 7 dias) foi negativo; parceira foi tratada com o mesmo esquema
Lição clínica: O tratamento precoce da gonorreia com terapia dupla é essencial para evitar complicações como infertilidade e resistência antibiótica; a parceria simultânea é mandatória.
O que é o CID A54 na prática médica
O código CID A54 corresponde à infecção gonocócica, popularmente conhecida como gonorreia. É uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Na prática clínica, o CID A54 é utilizado para registrar diagnósticos de infecção por gonococo em diferentes sítios anatômicos, como uretra, colo do útero, reto, faringe e conjuntiva. O médico utiliza as subcategorias (A54.0 a A54.9) para especificar a localização e a gravidade da infecção, o que orienta o tratamento e o tempo de afastamento do trabalho.
Subcategorias e variantes do CID A54
A CID-10 detalha nove subcategorias para a infecção gonocócica. As mais comuns são:
- A54.0: Infecção gonocócica do trato geniturinário inferior (uretrite, cervicite) – a forma mais frequente.
- A54.1: Infecção gonocócica do trato geniturinário superior (epididimite, salpingite) – complicação que pode levar à infertilidade.
- A54.2: Infecção gonocócica anogenital (proctite, abscesso perirretal).
- A54.3: Infecção gonocócica faríngea (faringite gonocócica) – muitas vezes assintomática.
- A54.4: Conjuntivite gonocócica (oftalmia neonatal ou em adultos).
- A54.5: Artrite gonocócica (inflamação articular).
- A54.6: Infecção gonocócica disseminada (bacteremia, endocardite).
O conhecimento dessas subcategorias é fundamental para o tratamento e para o registro correto no prontuário.
Sintomas e como a doença se manifesta
Na gonorreia não complicada (A54.0), os sintomas mais comuns são:
- Secreção uretral ou vaginal de cor amarelada/verdosa
- Dor ou ardor ao urinar (disúria)
- Dor abdominal baixa (nas mulheres)
- Sangramento entre menstruações
- Na faringe: dor de garganta e vermelhidão
- No reto: prurido, secreção e desconforto
Entre 10% e 30% dos homens e mais de 50% das mulheres podem ser assintomáticos, o que facilita a transmissão desapercebida.
Causas e fatores de risco
A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, transmitida exclusivamente por contato sexual (vaginal, anal ou oral) com uma pessoa infectada. Fatores de risco incluem:
- Múltiplos parceiros sexuais
- Uso inconsistente de preservativos
- Idade entre 15 e 29 anos
- História prévia de DST
- Baixa condição socioeconômica e falta de acesso a serviços de saúde
- Consumo de drogas ilícitas que aumentam comportamentos de risco
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da infecção gonocócica é laboratorial. O médico coleta amostras da secreção uretral, cervical, retal ou faríngea, dependendo da suspeita clínica. Os exames mais utilizados são:
- Teste de DNA (PCR): alta sensibilidade e especificidade; permite detecção simultânea de Chlamydia trachomatis.
- Cultura com antibiograma: essencial para avaliar resistência antimicrobiana.
- Microscopia direta (Gram): rápido, mas menos sensível.
Também é recomendado solicitar sorologias para sífilis, HIV, hepatite B e clamídia, pois as infecções podem coexistir.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento padrão para gonorreia não complicada (A54.0) consiste em terapia dupla:
- Ceftriaxona 500 mg intramuscular dose única
- Azitromicina 1 g via oral dose única
Alternativas em caso de alergia ou resistência: cefixima 800 mg oral dose única + azitromicina, ou spectinomicina 2 g IM. Nas infecções complicadas (A54.1, A54.5, A54.6), o tratamento é prolongado (7 a 14 dias) e frequentemente requer internação. O parceiro sexual deve ser tratado mesmo se assintomático.
Quantos dias de atestado médico
Para a gonorreia não complicada (A54.0), o atestado médico costuma variar de 3 a 7 dias, dependendo da atividade profissional e da resposta ao tratamento. Em infecções complicadas ou com necessidade de procedimentos, o afastamento pode chegar a 14 dias ou mais. O médico deve avaliar o caso individualmente, considerando sintomas, risco de transmissão e exposição ocupacional.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais que exigem atendimento médico imediato:
- Febre alta (>38,5°C) com calafrios
- Dor abdominal intensa ou pélvica
- Náuseas e vômitos que impedem a medicação oral
- Dor articular aguda e inchaço (suspeita de artrite gonocócica)
- Rash cutâneo (petéquias ou pústulas)
- Dor ao mover os olhos ou secreção ocular purulenta
- Sintomas neurológicos (confusão, cefaleia intensa)
A infecção disseminada é uma emergência médica e pode causar sepse, endocardite ou meningite.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção baseia-se no uso correto e consistente de preservativos masculinos ou femininos em todas as relações sexuais. Recomenda-se também:
- Limitar o número de parceiros sexuais
- Realizar testagem regular para DST, especialmente se múltiplos parceiros
- Notificar e tratar parceiros sexuais recentes (últimos 60 dias)
- Evitar relações sexuais até o fim do tratamento e confirmação de cura
- Vacinação contra HPV e hepatite B
Após o tratamento, o paciente deve retornar para teste de cura (cultura ou PCR) após 7 dias, especialmente se os sintomas persistirem ou houver suspeita de resistência.
- 01. Nunca interrompa o tratamento prescrito, mesmo se os sintomas desaparecerem; a resistência antibiótica é uma ameaça real.
- 02. Informe todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias sobre o diagnóstico; eles precisam de tratamento mesmo sem sintomas.
- 03. Use preservativo em todas as relações sexuais por pelo menos 7 dias após o término do tratamento.
- 04. Faça exames de follow-up para sífilis e HIV após 3 meses, pois a gonorreia aumenta a susceptibilidade a essas infecções.
- 05. Mantenha a caderneta de vacinação em dia (HPV, hepatite B) para reduzir riscos de outras DST.
- 06. Se os sintomas retornarem após o tratamento, procure seu médico imediatamente para reavaliação e possível antibiograma.
Perguntas Frequentes sobre o CID Tratamento de DST
O CID A54 garante quantos dias de atestado?
Para gonorreia não complicada, o atestado médico geralmente é de 3 a 7 dias. Em casos complicados, pode ser de 7 a 14 dias. O médico responsável define com base na evolução clínica.
Preciso repetir o tratamento se meu parceiro não tratou?
Sim, se houver reexposição, o tratamento deve ser repetido após nova avaliação médica. O ideal é tratar todos os parceiros simultaneamente.
O tratamento da gonorreia é gratuito no SUS?
Sim, o tratamento para DST, incluindo gonorreia, é oferecido gratuitamente nas unidades de saúde do SUS. Os medicamentos ceftriaxona e azitromicina estão disponíveis nas UBS e UPAs.
Posso pegar gonorreia novamente após tratar?
Sim, a infecção não confere imunidade duradoura. É possível reinfectar-se se houver contato sexual com uma pessoa infectada.
Gonorreia na garganta tem tratamento diferente?
O tratamento é o mesmo (ceftriaxona + azitromicina), mas a cura bacteriológica deve ser confirmada com teste de cultura ou PCR 7 dias após o término.
O que acontece se a gonorreia não for tratada?
Pode evoluir para doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade, gravidez ectópica, dor pélvica crônica, artrite, endocardite e sepse.
É possível ter gonorreia e clamídia ao mesmo tempo?
Sim, é muito comum a coinfecção. Por isso, o tratamento padrão já inclui azitromicina, que cobre ambas as bactérias.
Gestantes podem usar ceftriaxona?
Sim, a ceftriaxona é segura durante a gravidez. O tratamento é essencial para evitar transmissão ao recém-nascido (oftalmia neonatal).
O teste de cura é obrigatório?
Recomenda-se para todos os pacientes, especialmente gestantes e pessoas com infecção faríngea ou resistência suspeita. Deve ser feito 7 dias após o término do tratamento.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil. As informações seguem as diretrizes do BVS e do CFM.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID-10 A54 – cid10.com.br |
MedlinePlus – Gonorreia
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