quarta-feira, julho 8, 2026

Cid Tratamento Esteatose Hepática






CID Tratamento Esteatose Hepática

Dado epidemiológico 2026

A esteatose hepática não alcoólica (DHGNA) afeta mais de 30% da população brasileira adulta em 2026, sendo a principal causa de doença hepática crônica no país. Projeta-se que um em cada três pacientes evoluirá para esteato-hepatite (NASH) se não houver intervenção precoce.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-ESTEATOSE-HEPATICA e quer saber o que significa? Na prática clínica, a esteatose hepática é classificada sob o código K76.0 (doença hepática gordurosa não alcoólica) e representa o acúmulo excessivo de gordura no fígado, condição reversível com mudanças no estilo de vida. Este artigo explica detalhadamente o significado, o tratamento e os cuidados necessários.

Identificação do CID

  • Código: K76.0
  • Descrição: Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) – esteatose hepática
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (CID-10)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: K76.0 (DHGNA); K76.1 (esteato-hepatite não alcoólica – NASH); K76.8 e K76.9 para outras especificações

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: João P., 52 anos, motorista de aplicativo

Queixa principal: Cansaço persistente há 6 meses, desconforto no quadrante superior direito do abdome e aumento discreto da barriga.

Avaliação clínica: Exame físico revelou hepatomegalia suave (fígado palpável a 3 cm do rebordo costal). Exames laboratoriais mostraram elevação de ALT (68 U/L) e AST (52 U/L), Gama-GT (85 U/L). USG abdominal evidenciou esteatose hepática difusa grau 2. Glicemia de jejum 110 mg/dL e perfil lipídico com triglicérides elevados (280 mg/dL).

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K76.0 (DHGNA) – esteatose hepática não alcoólica moderada, associada à síndrome metabólica.

Conduta terapêutica: Prescrição de mudanças no estilo de vida: perda de 7-10% do peso corporal (meta de 8 kg), dieta hipocalórica e rica em fibras (padrão mediterrâneo), prática de exercício aeróbico 5x/semana (caminhada de 30-40 min) e musculação 3x/semana. Suspensão de bebidas alcoólicas. Uso de vitamina E (800 UI/dia) por 24 meses, conforme diretrizes da AASLD. Acompanhamento nutricional com nutricionista.

Evolução: Após 12 semanas, paciente perdeu 6 kg (8% do peso), ALT reduziu para 38 U/L, AST para 30 U/L. USG de controle mostrou esteatose grau 1. Paciente relata melhora significativa da energia e desaparecimento do desconforto abdominal.

Lição clínica: A esteatose hepática é silenciosa, mas responde de forma robusta à intervenção precoce com foco em perda de peso, controle metabólico e suporte antioxidante. O monitoramento periódico é essencial para evitar progressão para NASH ou cirrose.

Atenção: A esteatose hepática é frequentemente assintomática, mas a presença de fadiga, icterícia, emagrecimento involuntário ou ascite pode indicar progressão para formas graves (NASH ou cirrose). Nunca se automedique com suplementos ou fitoterápicos sem orientação médica. O diagnóstico deve ser confirmado com exames de imagem e laboratoriais; biópsia hepática pode ser necessária em casos selecionados.

O que é o CID K76.0 na prática médica

O código CID K76.0 designa a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), condição caracterizada pelo acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos (>5% do peso do fígado) na ausência de consumo significativo de álcool. Na prática clínica, é o diagnóstico mais comum em pacientes com elevação assintomática de transaminases e achado de “fígado gorduroso” em ultrassom. O CID K76.0 abrange desde a esteatose simples (benigna) até formas inflamatórias (NASH) que podem evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. O tratamento é multidisciplinar e focado na reversão dos fatores metabólicos associados – obesidade, resistência insulínica, dislipidemia e síndrome metabólica.

Subcategorias e variantes do CID K76.0

Embora o código principal K76.0 seja amplamente utilizado, a CID-10 oferece subcategorias para maior especificidade:

  • K76.0 – Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) / esteatose hepática.
  • K76.1 – Esteato-hepatite não alcoólica (NASH) – presença de inflamação e balonização dos hepatócitos.
  • K76.8 – Outras doenças especificadas do fígado (inclui fibrose hepática associada à esteatose).
  • K76.9 – Doença hepática não especificada.

Na prática, muitos registros usam apenas K76.0, mas o clínico deve documentar a presença de NASH (K76.1) quando houver confirmação histológica ou por elastografia com alto risco de fibrose. A atualização para CID-11 (já em uso em alguns países) agrupa essas condições sob o código DB92.0.

Sintomas e como a doença se manifesta

A maioria dos pacientes com esteatose hepática é assintomática – o diagnóstico é incidental durante exames de rotina. Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:

  • Fadiga inexplicada (mais frequente).
  • Desconforto ou dor leve no hipocôndrio direito.
  • Sensação de plenitude abdominal ou distensão.
  • Hepatomegalia (fígado palpável) ao exame físico.
  • Em fases avançadas (NASH/cirrose): icterícia, ascite, hematêmese, edema de membros inferiores, confusão mental (encefalopatia hepática).

A evolução silenciosa reforça a importância da triagem em grupos de risco – obesos, diabéticos tipo 2, hipertensos e portadores de dislipidemia.

Causas e fatores de risco

O principal mecanismo da esteatose hepática é o excesso de ácidos graxos no fígado combinado com resistência insulínica e estresse oxidativo. Fatores de risco bem estabelecidos:

  • Obesidade (especialmente obesidade visceral) – IMC ≥30.
  • Diabetes mellitus tipo 2 (cerca de 70% dos diabéticos têm DHGNA).
  • Dislipidemia (triglicérides elevados, HDL reduzido).
  • Hipertensão arterial sistêmica.
  • Síndrome metabólica (presença de ≥3 dos critérios).
  • Alimentação rica em carboidratos refinados, frutose e gorduras saturadas.
  • Sedentarismo.
  • Uso de certos medicamentos (amiodarona, metotrexato, corticoides) – casos secundários.
  • Predisposição genética (variantes PNPLA3, TM6SF2, MBOAT7).

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da esteatose hepática segue fluxo estruturado:

  1. Anamnese e exame físico: pesquisa de fatores de risco, palpação abdominal, medida de circunferência abdominal.
  2. Exames laboratoriais: ALT, AST (elevação leve a moderada, AST/ALT <1), Gama-GT, FA, glicemia em jejum, HbA1c, perfil lipídico, função renal e hepática completa.
  3. Exames de imagem: Ultrassonografia abdominal (padrão inicial – sensibilidade 85-95%), elastografia transitória (FibroScan) para quantificar gordura (CAP) e fibrose – método não invasivo recomendado. Tomografia ou ressonância em casos selecionados.
  4. Biopisia hepática: indicada se houver suspeita de NASH com fibrose avançada (score FIB-4 elevado, elastografia F3/F4), ou para diagnóstico diferencial com hepatites virais, autoimunes ou drogas.
  5. Escore não invasivo: FIB-4, NAFLD fibrosis score, APRI – ajudam a estratificar risco de fibrose.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da esteatose hepática é essencialmente focado no estilo de vida. Nenhum fármaco é aprovado especificamente pela ANVISA para DHGNA (em 2026), mas algumas medicações são usadas off-label em casos selecionados. As opções incluem:

  • Mudança de estilo de vida (primeira linha, grau de evidência A): perda de peso ≥7% (ideal 10%), dieta mediterrânea (restrição de carboidratos, gorduras saturadas e frutose), exercício aeróbico e resistido 150-300 min/semana.
  • Controle de comorbidades: tratamento agressivo do diabetes (metformina, agonistas GLP-1, inibidores SGLT2 com benefício hepático adicional), dislipidemia (estatinas, fibratos) e hipertensão.
  • Vitamina E: 800 UI/dia (para NASH confirmada por biópsia em não diabéticos) – reduz esteatose e inflamação.
  • Pioglitazona: pode ser usada em pacientes com NASH e resistência insulínica, mas com cautela (ganho de peso, edema).
  • Ácido obeticólico (OCA): aprovado em alguns países para NASH com fibrose, mas ainda restrito no Brasil devido a efeitos adversos.
  • Cirurgia bariátrica: opção para pacientes com obesidade grave (IMC ≥35) e DHGNA avançada – promove remissão completa em >70%.
  • Transplante hepático: indicado em cirrose descompensada ou carcinoma hepatocelular.

Quantos dias de atestado médico

Para casos de esteatose hepática não complicada (CID K76.0), o paciente geralmente não necessita de afastamento do trabalho, pois o tratamento é ambulatorial. Entretanto, situações específicas podem justificar atestado:

  • Exames e consultas iniciais: 1-2 dias para realização de ultrassom, elastografia e consultas com especialistas.
  • Reações adversas a medicamentos: se houver intolerância, 2-3 dias.
  • Descompensação aguda (NASH com icterícia ou ascite): afastamento de 7-14 dias para estabilização clínica.
  • Pós-operatório de cirurgia bariátrica: 30-60 dias, conforme protocolo cirúrgico.

Na maioria dos casos, o médico fornecerá atestado de comparecimento (1 dia) para a consulta, mas o tratamento não exige repouso. O retorno ao trabalho é imediato para atividades sedentárias; esforços físicos intensos podem ser restritos por 1-2 semanas.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Embora a esteatose seja geralmente indolente, alguns sinais indicam necessidade de avaliação médica urgente (emergência):

  • Icterícia (olhos e pele amarelados).
  • Dor abdominal intensa e persistente no quadrante superior direito.
  • Vômitos com sangue ou fezes escuras (melena).
  • Inchaço abdominal progressivo (ascite).
  • Confusão mental, sonolência excessiva ou alteração de comportamento (encefalopatia).
  • Perda de peso involuntária e rápida.
  • Febre associada a dor abdominal – suspeita de colecistite ou infecção.
  • Sangramento fácil ou hematomas sem trauma (distúrbio de coagulação).

Pacientes com diagnóstico conhecido devem ter consulta de rotina a cada 6-12 meses com hepatologista ou clínico para monitoramento de enzimas hepáticas, elastografia e controle metabólico.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da esteatose hepática baseia-se no combate à síndrome metabólica. Para quem já tem o diagnóstico, os cuidados são:

  • Manter peso corporal adequado (IMC entre 18,5-24,9).
  • Adotar dieta mediterrânea: azeite, peixes, vegetais, frutas, cereais integrais; evitar bebidas açucaradas, ultraprocessados e carboidratos simples.
  • Praticar atividade física regular – mínimo 150 minutos de exercício aeróbico moderado por semana + 2 sessões de treino resistido.
  • Controlar diabetes, hipertensão e dislipidemia rigorosamente.
  • Evitar álcool completamente (recomendação geral, embora a DHGNA não seja causada por álcool, o consumo pode acelerar a doença).
  • Não usar medicamentos hepatotóxicos sem orientação (paracetamol >2g/dia, anti-inflamatórios crônicos, anabolizantes).
  • Vacinar contra hepatite A e B (prevenção de superinfecção).
  • Realizar exames de rotina anuais: enzimas hepáticas, glicemia, perfil lipídico e ultrassom a cada 1-2 anos.

Dicas de Ouro

  1. 01. Perda de peso é o tratamento mais eficaz: redução de 7% já normaliza enzimas e gordura hepática em 60% dos casos.
  2. 02. Troque refrigerantes (inclusive diet) por água ou chá sem açúcar – a frutose presente é um dos principais gatilhos da esteatose.
  3. 03. Não confie em suplementos “detox” ou chás milagrosos para o fígado – a maioria não tem eficácia comprovada e pode até sobrecarregar o órgão.
  4. 04. O café (3-4 xícaras por dia) tem efeito protetor comprovado contra a progressão da fibrose hepática – pode ser incluído na rotina.
  5. 05. Pacientes com DHGNA têm risco aumentado de doença cardiovascular, não apenas de cirrose; o controle dos fatores de risco é duplamente benéfico.
  6. 06. Se você tem diabetes tipo 2 e esseatose, converse com seu médico sobre o uso de GLP-1 (ex: liraglutida) ou inibidores SGLT2 – eles reduzem gordura hepática.

Perguntas Frequentes sobre o CID K76.0 – Tratamento da Esteatose Hepática

O CID K76.0 garante quantos dias de atestado?

Para esteatose hepática não complicada, não há indicação de afastamento. Em geral, o médico fornece atestado de comparecimento (1 dia) para consulta. Casos com descompensação (icterícia, ascite) podem justificar 7-14 dias. Consulte a seção “quantos dias de atestado médico” para detalhes.

Esteatose hepática tem cura?

Sim, a esteatose simples (CID K76.0) é reversível com mudanças efetivas no estilo de vida – perda de peso, dieta adequada e exercícios. A reversão completa ocorre em 90% dos pacientes que atingem perda de peso ≥10%. A fibrose avançada (cirrose) é irreversível.

CID K76.0 é câncer?

Não. A esteatose hepática é uma condição benigna, mas a presença de inflamação (NASH) e fibrose pode evoluir para cirrose e carcinoma hepatocelular. O risco de câncer é significativo apenas em estágios avançados. O monitoramento reduz esse risco.

Posso tomar medicamento para esteatose hepática?

Nenhum fármaco é aprovado exclusivamente para DHGNA no Brasil. No entanto, vitamina E (800 UI/dia) e pioglitazona podem ser usados em casos selecionados (NASH confirmada). Sempre com prescrição médica.

O CID K76.0 exige biópsia?

Não rotineiramente. A biópsia é reservada para suspeita de NASH com fibrose significativa (elastografia F3/F4, FIB-4 >2,67) ou diagnóstico diferencial. A maioria é manejada com exames não invasivos.

Quais exames são necessários para confirmar esteatose?

O padrão inicial é USG abdominal com elastografia (FibroScan) para quantificar gordura e fibrose. Exames laboratoriais (ALT, AST, Gama-GT, glicemia, lipídios) complementam. A biópsia é o padrão-ouro, mas raramente necessária.

CID K76.0 é contagioso?

Não. A esteatose hepática não tem causa infecciosa, não sendo transmitida. Está associada a fatores metabólicos e genéticos.

Quanto tempo leva para reverter a esteatose?

Com adesão ao tratamento (dieta + exercícios), a melhora das enzimas hepáticas pode ser observada em 4-8 semanas. A redução significativa da gordura hepática na imagem ocorre em 3-6 meses. A reversão total pode levar de 6 a 12 meses.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil, atualizados conforme diretrizes da AASLD 2025 e SBH 2026.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e referências:
CID-10 oficial |
MedlinePlus (esteatose hepática)

Veja também:
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
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