Estima-se que cerca de 20% da população brasileira adulta sofre de constipação funcional (CID K59.0) em algum momento da vida. Em 2025, o número de consultas ambulatoriais por este motivo cresceu 12% em relação a 2023, segundo dados do DATASUS.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID TRATAMENTO-NATURAL-PARA-CONSTIPAÇÃO e quer saber o que significa? Na prática, o código correto para constipação é o CID K59.0 (Constipação intestinal funcional). Este artigo explica, por meio de um estudo de caso clínico real, como tratar a constipação de forma natural e eficaz, sem recorrer a laxantes agressivos. Abordamos desde o diagnóstico até a prevenção, com foco em mudanças de estilo de vida e alimentação.
- Código: K59.0
- Descrição: Constipação (obstipação) funcional do intestino
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K59.0 – Constipação; K59.1 – Diarreia funcional; K59.2 – Intestino neurogênico; K59.3 – Megacólon; K59.4 – Espasmo anal; K59.8 – Outros transtornos funcionais do intestino; K59.9 – Transtorno funcional do intestino não especificado
Paciente: Joana M., 42 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: “Fico dias sem ir ao banheiro, sinto dor e desconforto abdominal, e preciso fazer muita força. Já uso laxantes toda semana, mas estou preocupada.”
Avaliação clínica: Ao exame físico, abdome distendido, dor à palpação no cólon descendente. Toque retal revelou fezes ressecadas em ampola. Exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana, eletrólitos) normais. Encaminhada para colonoscopia para excluir causas orgânicas; resultado normal.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K59.0 (Constipação funcional) — condição caracterizada por evacuações infrequentes (menos de 3 por semana), esforço excessivo e sensação de evacuação incompleta, sem lesão estrutural identificável.
Conduta terapêutica: Abordagem natural e gradual: aumento da ingestão de fibras solúveis (aveia, linhaça, psyllium) para 30 g/dia, hidratação mínima de 2,5 L de água por dia, inclusão de probióticos (kefir e iogurte natural), prática de atividade física moderada (30 min/dia de caminhada) e reeducação do hábito intestinal (sentar no vaso 15 minutos após o café da manhã). Suspensão de laxantes estimulantes.
Evolução: Após 4 semanas, Joana passou a evacuar de 4 a 5 vezes por semana, sem dor ou esforço. O uso de laxantes foi interrompido por completo. Relata melhora na qualidade de vida e disposição.
Lição clínica: A constipação funcional responde bem a medidas conservadoras. O tratamento natural, baseado em fibras, água e exercício, é seguro, eficaz e deve ser tentado antes de medicamentos. O acompanhamento médico garante a exclusão de causas graves.
O que é o CID K59.0 na prática médica
O código CID K59.0 refere-se à constipação funcional do intestino, um transtorno caracterizado por evacuações difíceis, infrequentes ou incompletas, na ausência de doença orgânica diagnosticável. Na prática clínica, é um dos diagnósticos mais comuns em consultórios de clínica médica e gastroenterologia. A constipação funcional afeta cerca de 15% da população mundial, com maior prevalência em mulheres e idosos.
O termo “tratamento natural para constipação” está diretamente ligado a este CID porque as diretrizes atuais (2019-2025) recomendam mudanças no estilo de vida como primeira linha terapêutica. Isso inclui aumento de fibras na dieta, hidratação adequada, atividade física regular e reeducação intestinal. O CID K59.0, portanto, não indica uma doença grave, mas sim uma condição que exige abordagem gradual e consistente.
Subcategorias e variantes do CID K59
O capítulo K59 abrange diversos transtornos funcionais do intestino. As principais subcategorias incluem:
- K59.0 – Constipação funcional: objeto deste artigo.
- K59.1 – Diarreia funcional: evacuações líquidas frequentes sem causa orgânica.
- K59.2 – Intestino neurogênico: disfunção intestinal por lesão neurológica (ex.: lesão medular).
- K59.3 – Megacólon: dilatação anormal do cólon, que pode levar à constipação severa.
- K59.4 – Espasmo anal: contração involuntária do esfíncter anal, dificultando a evacuação.
Na prática, quando o paciente recebe o CID K59.0, o médico deve descartar essas variantes, especialmente o megacólon, que exige tratamento específico.
Sintomas e como a doença se manifesta
A constipação funcional manifesta-se por um conjunto de sintomas que persistem por pelo menos 3 meses. Os critérios de Roma IV (2016) são usados para o diagnóstico:
- Menos de 3 evacuações espontâneas por semana.
- Esforço excessivo durante a evacuação em mais de 25% das tentativas.
- Fezes duras ou ressecadas (tipo 1 ou 2 na Escala de Bristol).
- Sensação de evacuação incompleta.
- Sensação de obstrução ou bloqueio anorectal.
- Manobras manuais para facilitar a evacuação (uso de dedo ou apoio perineal).
Além disso, muitos pacientes relatam distensão abdominal, flatulência, dor abdominal difusa e mal-estar geral. A constipação crônica pode levar a hemorroidas, fissuras anais e impactação fecal.
Causas e fatores de risco
As causas da constipação funcional são multifatoriais. Entre os principais fatores de risco estão:
- Baixa ingestão de fibras: dieta pobre em frutas, verduras e grãos integrais.
- Hidratação insuficiente: consumo de água abaixo de 1,5 L/dia.
- Sedentarismo: falta de atividade física reduz o peristaltismo.
- Uso crônico de laxantes: causa dependência e agrava o quadro.
- Fatores psicológicos: estresse, ansiedade e depressão alteram o eixo cérebro-intestino.
- Medicamentos: opioides, antiácidos com alumínio, anticolinérgicos, alguns antidepressivos.
- Idade avançada: redução da motilidade intestinal e uso de múltiplos medicamentos.
- Gravidez: alterações hormonais e compressão uterina.
- Condições médicas: diabetes, hipotireoidismo, doença de Parkinson, esclerose múltipla.
No caso clínico de Joana, a causa principal foi a baixa ingestão de fibras e a falta de atividade física, agravada pelo uso de laxantes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da constipação funcional é clínico, baseado na história e no exame físico. O médico pergunta sobre a frequência evacuatória, consistência das fezes, esforço, uso de laxantes e sintomas associados. O exame físico inclui palpação abdominal, toque retal (para avaliar impactação e tônus esfincteriano) e inspeção anal.
Exames complementares são solicitados apenas para excluir causas orgânicas ou complicações:
- Hemograma completo, função tireoidiana (TSH), cálcio, potássio e glicemia.
- Colonoscopia ou retossigmoidoscopia para pacientes com mais de 45 anos, sangramento retal, perda de peso ou alteração recente do hábito intestinal.
- Manometria anorectal e tempo de trânsito colônico em casos refratários.
O CID K59.0 é registrado quando os critérios de Roma IV são preenchidos e nenhuma causa orgânica é identificada.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento natural é a base da abordagem para o CID K59.0. As principais medidas incluem:
- Fibras solúveis: psyllium (Plantago ovata), aveia, cevada, frutas como mamão e ameixa. Aumentar gradualmente até 30-40 g/dia para evitar gases.
- Hidratação: mínimo de 2 litros de água por dia (2,5 em climas quentes). Água de coco e sucos naturais ajudam.
- Probióticos: kefir, iogurte natural, kombucha, lactobacilos em cápsulas. Regulam a microbiota intestinal.
- Atividade física: 30 minutos diários de caminhada, ioga ou natação. Exercícios abdominais fortalecem os músculos do assoalho pélvico.
- Reeducação intestinal: sentar no vaso sanitário 15-20 minutos após as refeições, sem pressa ou esforço. Evitar segurar vontade.
- Massagem abdominal: movimentos circulares no sentido horário por 5 minutos, duas vezes ao dia.
Medicamentos como lactulose, bisacodil ou prucaloprida são reservados para falha das medidas naturais ou em situações agudas. Laxantes estimulantes nunca devem ser usados por mais de 7 dias sem orientação.
Quantos dias de atestado médico
Para o CID K59.0 (constipação funcional), o atestado médico geralmente varia de 1 a 3 dias, dependendo da intensidade dos sintomas. Quando há dor abdominal intensa, impactação fecal ou necessidade de exames (como colonoscopia com sedação), o médico pode conceder de 3 a 5 dias. Casos crônicos sem complicações não justificam afastamento prolongado; o foco é o tratamento ambulatorial. Em situações raras de megacólon ou cirurgia, o afastamento pode ser maior, mas aí o CID seria K59.3.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a constipação funcional seja benigna, alguns sinais indicam necessidade de avaliação imediata:
- Sangue nas fezes (hematoquezia ou melena).
- Perda de peso inexplicada.
- Febre associada.
- Dor abdominal intensa e progressiva.
- Vômitos persistentes.
- Alteração do hábito intestinal repentina em pessoas com mais de 50 anos.
- Incapacidade de evacuar mesmo com uso de laxantes (impactação fecal).
- Sinais de obstrução intestinal (distensão severa, parada de eliminação de gases).
Nestes casos, o CID pode mudar para K56.4 (impactação fecal) ou outros, exigindo intervenção hospitalar.
Prevenção e cuidados contínuos
Prevenir a constipação envolve manter hábitos saudáveis por toda a vida:
- Consumir diariamente frutas (mamão, laranja, ameixa), verduras folhosas e grãos integrais.
- Beber água regularmente, até mesmo nos dias frios.
- Evitar o consumo excessivo de ultraprocessados, carnes gordurosas e farinhas refinadas.
- Praticar exercício físico ao menos 150 minutos por semana.
- Não ignorar a vontade de evacuar.
- Limitar o uso de laxantes a situações pontuais e sempre com supervisão.
- Gerenciar o estresse com técnicas de relaxamento ou acompanhamento psicológico.
A prevenção é especialmente relevante em grupos de risco: idosos, gestantes e pacientes acamados. Para esses, o acompanhamento multiprofissional é recomendado.
- 01. Aumente a ingestão de fibras solúveis gradualmente para evitar gases. O psyllium (Plantago ovata) é o melhor adjuvante natural.
- 02. Beba um copo de água morna com limão assim que acordar – ajuda a estimular o reflexo gastrocólico.
- 03. Inclua probióticos na dieta diária (iogurte, kefir, kombucha) para equilibrar a microbiota intestinal.
- 04. Pratique ioga ou pilates – posturas como “postura da criança” e “torção espinal” melhoram o trânsito intestinal.
- 05. Estabeleça um horário fixo para evacuar, preferencialmente após o café da manhã, e não fique mais de 5 minutos sentado no vaso.
- 06. Evite o uso de laxantes estimulantes (bisacodil, sene) por mais de 3 dias seguidos sem orientação médica – eles causam dependência.
Perguntas Frequentes sobre o CID TRATAMENTO
O CID TRATAMENTO garante quantos dias de atestado?
O CID K59.0 (constipação funcional) geralmente resulta em 1 a 3 dias de atestado. Se houver complicações como impactação, pode chegar a 5 dias.
O que significa CID K59.0 exatamente?
Significa constipação funcional do intestino, ou seja, dificuldade para evacuar sem causa orgânica identificada.
Qual a diferença entre constipação funcional e síndrome do intestino irritável?
Na SII, a dor abdominal é o sintoma principal, associada a alteração do hábito intestinal (constipação e/ou diarreia). Na constipação funcional, a dor é menos proeminente e o foco é a evacuação difícil.
Tratamento natural realmente funciona para constipação?
Sim, para a maioria dos casos de CID K59.0. Estudos mostram que 60-70% dos pacientes melhoram com aumento de fibras, hidratação e exercício em 4-8 semanas.
Posso usar laxantes naturais como ameixa seca e sene?
Ameixa seca e suco de ameixa são seguros e ricos em fibras. Sene é um laxante estimulante e deve ser usado com cautela, por curto prazo.
Constipação crônica pode ser sinal de câncer de intestino?
Raramente. Câncer de intestino geralmente causa sangramento, anemia e perda de peso. Mas em pessoas acima de 45 anos, uma colonoscopia é recomendada para excluir.
Quanto tempo leva para o tratamento natural fazer efeito?
Os primeiros resultados aparecem em 1-2 semanas. A melhora significativa do ritmo intestinal ocorre entre 4 e 8 semanas.
CID K59.0 precisa de acompanhamento médico contínuo?
Na maioria dos casos, não. Após o diagnóstico e estabilização do tratamento, o paciente pode ser acompanhado anualmente. Se refratário, pode necessitar de avaliação especializada.
O que é a Escala de Bristol?
É uma escala visual que classifica as fezes em 7 tipos, desde caroços duros (tipo 1) até líquidas (tipo 7). Fezes tipo 1 e 2 são típicas de constipação.
Gestantes com constipação podem usar tratamento natural?
Sim. Aumento de fibras, hidratação e exercícios leves são seguros. Psyllium e lactulose são opções aprovadas. Evitar laxantes estimulantes.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
CID K59 no portal CID10.com.br |
Constipação – MedlinePlus |
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