quinta-feira, julho 2, 2026

cid uso de drogas






CID Uso de Drogas – Artigo Completo


Dado epidemiológico 2026

De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2025 da UNODC, cerca de 296 milhões de pessoas usaram drogas ilícitas no último ano. No Brasil, os transtornos relacionados ao uso de substâncias (CID F19) representam a terceira causa de afastamento do trabalho por transtornos mentais entre adultos de 25 a 44 anos, com tendência de aumento em 2026.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID USO-DE-DROGAS e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica e redator de saúde sênior para explicar de forma clara, completa e baseada em evidências o significado do CID F19 – Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas e outras substâncias psicoativas. Abordamos desde a definição técnica até o tratamento, os dias de atestado e as respostas para as principais dúvidas. Leia com atenção e, ao final, você terá um guia prático para entender e lidar com esse diagnóstico.

Identificação do CID

  • Código: F19
  • Descrição: Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas e outras substâncias psicoativas
  • Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (CID-10 F00-F99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias principais: F19.0 (Intoxicação aguda), F19.1 (Uso nocivo), F19.2 (Síndrome de dependência), F19.3 (Estado de abstinência), F19.4 (Delirium), F19.5 (Transtorno psicótico), F19.6 (Síndrome amnéstica), F19.7 (Transtorno psicótico residual e de início tardio), F19.8 (Outros transtornos), F19.9 (Transtorno não especificado).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Lucas M., 34 anos, operador de máquinas, casado, natural de Fortaleza/CE.

Queixa principal: “Não consigo parar de usar cocaína e bebo todos os dias. Minha esposa ameaçou me deixar e perdi o emprego semana passada.”

Avaliação clínica: Paciente lúcido, mas irritado, taquicárdico (FC 108 bpm), PA 145/90 mmHg. Apresentava midríase, sudorese e discurso acelerado. Relatava fissura intensa por cocaína e consumo diário de 6 a 8 latas de cerveja. Exames laboratoriais mostraram TGO e TGP elevados (esteatose hepática), e teste rápido para HIV/HCV negativo. A avaliação psiquiátrica confirmou critérios para dependência de múltiplas substâncias.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F19.2 — Síndrome de dependência devido ao uso de múltiplas drogas (cocaína e álcool).

Conduta terapêutica: Internação para desintoxicação hospitalar por 7 dias, uso de benzodiazepínicos para controle da abstinência alcoólica (diazepam 10 mg 8/8h com redução gradual), suporte com tiamina e complexo B, e encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico e psicoterápico ambulatorial (terapia cognitivo-comportamental). Orientação familiar e inclusão em grupo de apoio (AA e NA).

Evolução: Após 14 dias de tratamento, Lucas apresentou melhora significativa dos sintomas de abstinência, redução da fissura e adesão à psicoterapia. Manteve-se abstinente por 3 meses, mas recaiu após uma crise conjugal. Foi reinserido em programa de tratamento intensivo e está em acompanhamento contínuo.

Lição clínica: O manejo do uso de múltiplas drogas exige abordagem multidisciplinar, tratamento individualizado e suporte de longo prazo. A recaída faz parte do processo e não deve ser vista como fracasso, mas como oportunidade de ajuste terapêutico.

Atenção: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico de transtorno por uso de drogas exige avaliação clínica e psiquiátrica criteriosa. Nunca se automedique nem interrompa tratamentos sem orientação profissional. Se você ou alguém próximo apresenta sinais de uso problemático de substâncias, procure um médico ou serviço especializado imediatamente.

O que é o CID F19 na prática médica

O CID F19 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª edição) para os transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de múltiplas drogas ou de outras substâncias psicoativas não especificadas em outros códigos (F10-F18). Na prática clínica, esse diagnóstico é utilizado quando o paciente faz uso concomitante de duas ou mais substâncias (por exemplo, cocaína + álcool, maconha + crack, ou combinações com medicamentos controlados) e apresenta prejuízos significativos na saúde física, mental, nas relações sociais ou no trabalho.

O uso de múltiplas drogas potencializa os efeitos tóxicos, aumenta o risco de overdose e torna o tratamento mais complexo. O médico deve especificar o subtipo (intoxicação, dependência, abstinência, etc.) e as substâncias envolvidas sempre que possível.

Subcategorias e variantes do CID F19

A CID-10 descreve as seguintes subcategorias para F19, baseadas na apresentação clínica predominante:

  • F19.0 – Intoxicação aguda: Estado transitório após o uso recente de drogas, com alterações de consciência, cognição, percepção, afeto ou comportamento. Exemplo: paciente agressivo, confuso, taquicárdico após uso de cocaína e álcool.
  • F19.1 – Uso nocivo: Padrão de uso que causa danos à saúde física ou mental, mas sem dependência estabelecida.
  • F19.2 – Síndrome de dependência: Compulsão para usar a substância, dificuldade de controlar o uso, tolerância e síndrome de abstinência. É o subtipo mais frequente em casos graves.
  • F19.3 – Estado de abstinência: Conjunto de sintomas que ocorrem após a redução ou interrupção do uso em dependentes. Pode exigir manejo médico urgente (ex.: abstinência alcoólica com risco de delirium tremens).
  • F19.4 – Delirium: Quadro agudo de confusão mental, agitação e alucinações, frequentemente associado à intoxicação ou abstinência.
  • F19.5 – Transtorno psicótico: Alucinações ou delírios induzidos pelo uso de drogas, que persistem por dias ou semanas.
  • F19.6 – Síndrome amnéstica: Comprometimento grave da memória recente e aprendizado, relacionado ao uso crônico (ex.: “apagões” alcoólicos).
  • F19.7 – Transtorno psicótico residual e de início tardio: Sintomas psicóticos que persistem muito além do período de intoxicação.
  • F19.8 e F19.9: Outros transtornos ou não especificados.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas variam conforme o tipo de substância, quantidade, frequência e a fase do transtorno (intoxicação, abstinência, dependência). Os sinais mais comuns incluem:

  • Alterações do comportamento: impulsividade, agressividade, isolamento social, negligência com higiene e responsabilidades.
  • Sintomas físicos: taquicardia, hipertensão, sudorese, tremores, insônia, perda ou ganho de peso, dores abdominais.
  • Manifestações psíquicas: ansiedade, depressão, paranoia, alucinações, pensamento desorganizado, fissura intensa (craving).
  • Sinais de abstinência: náuseas, vômitos, diarreia, agitação, convulsões (no álcool e benzodiazepínicos), dor muscular (opioides).
  • Complicações agudas: overdose com depressão respiratória, coma, arritmias cardíacas e morte.

Causas e fatores de risco

Não existe uma causa única. O uso problemático de drogas é resultado da interação entre:

  • Fatores biológicos: predisposição genética (história familiar de dependência), alterações nos circuitos de recompensa cerebral (dopamina, serotonina).
  • Fatores psicológicos: transtornos de personalidade, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), depressão, ansiedade, traumas na infância.
  • Fatores sociais: pobreza, exposição à violência, pressão de grupo, fácil acesso a drogas, baixo suporte familiar.
  • Fatores ambientais: estresse crônico, desemprego, moradia em regiões com alta oferta de substâncias ilícitas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do transtorno por uso de múltiplas drogas (F19) é essencialmente clínico e baseado nos critérios da CID-10 e do DSM-5-TR. O médico realiza:

  1. Entrevista detalhada: histórico de uso (substâncias, quantidade, frequência, tempo de uso), sintomas de abstinência, tentativas prévias de parar, impacto na vida pessoal e profissional.
  2. Exame físico: sinais vitais, avaliação neurológica, busca por marcas de injeção, alterações cardíacas ou hepáticas.
  3. Exames complementares: toxicologia urinária (triagem para múltiplas drogas), hemograma, função hepática e renal, sorologias (HIV, hepatites B e C), eletrocardiograma (risco de arritmias), exames de imagem (se houver suspeita de lesão orgânica).
  4. Avaliação psiquiátrica: para identificar comorbidades (transtorno de humor, psicose, ansiedade) que podem exigir tratamento combinado.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento deve ser individualizado, multidisciplinar e de longo prazo. As principais abordagens incluem:

  • Desintoxicação supervisionada: internação hospitalar ou em clínica especializada para manejo seguro da abstinência, com suporte medicamentoso (benzodiazepínicos para álcool, metadona para opioides, etc.).
  • Farmacoterapia: medicamentos para reduzir fissura e prevenir recaídas (naltrexona, acamprosato, dissulfiram para álcool; bupropiona para cocaína; buprenorfina/naloxona para opioides).
  • Psicoterapia: terapia cognitivo-comportamental (TCC), entrevista motivacional, terapia de família, grupos de apoio (Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos).
  • Tratamento de comorbidades: depressão, ansiedade, TDAH, transtorno bipolar – o uso de drogas muitas vezes é uma tentativa de automedicação.
  • Suporte social: reinserção profissional (programas de reabilitação), assistência social, moradia transitória.

Quantos dias de atestado médico?

O número de dias de atestado para o CID F19 varia conforme a gravidade do quadro e a fase do tratamento:

  • Intoxicação aguda (F19.0) sem complicações: geralmente 1 a 3 dias para recuperação dos efeitos agudos.
  • Abstinência moderada/grave (F19.3): 7 a 14 dias, dependendo da necessidade de desintoxicação hospitalar.
  • Dependência (F19.2) com tratamento intensivo: pode exigir licença médica de 30 a 90 dias, com reavaliações periódicas.
  • Transtorno psicótico induzido (F19.5): atestado de 15 a 30 dias, com encaminhamento psiquiátrico.

O médico assistente é quem define o prazo com base na resposta clínica. A Lei 13.718/2018 garante a estabilidade no emprego por até 12 meses para dependentes químicos que estejam em tratamento, mediante atestado médico.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Busque atendimento de emergência imediatamente se você ou outra pessoa apresentar:

  • Dificuldade para respirar, respiração lenta ou irregular (risco de overdose).
  • Inconsciência, desmaio ou convulsões.
  • Agitação extrema, violência, alucinações intensas ou risco de suicídio.
  • Dor no peito, palpitações, sudorese intensa (infarto ou arritmia).
  • Febre alta e confusão mental (delirium).
  • Vômitos persistentes ou sangue no vômito.

Não espere os sintomas passarem sozinhos. Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro mais próximo.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção do uso problemático de drogas envolve estratégias individuais e coletivas:

  • Educação em saúde: informação clara sobre riscos desde a adolescência, com foco em habilidades socioemocionais.
  • Fortalecimento de vínculos: incentivo a atividades esportivas, culturais e de lazer, além de suporte familiar.
  • Rastreamento precoce: durante consultas de rotina, perguntar sobre padrão de uso de álcool e outras drogas (ex.: instrumento ASSIST).
  • Redução de danos: para quem não consegue ou não deseja parar totalmente, orientações sobre uso de seringas descartáveis, não dirigir sob efeito, e evitar combinações perigosas.
  • Manutenção da abstinência: continuidade do acompanhamento psicológico e psiquiátrico, participação em grupos de apoio, manejo de gatilhos e prevenção de recaídas.

Dicas de Ouro

  1. 01. Não espere chegar ao fundo do poço para pedir ajuda. Quanto mais cedo o tratamento começar, maior a chance de sucesso.
  2. 02. Se você tem diagnóstico de F19, jamais interrompa o tratamento sem orientação médica – a abstinência não supervisionada pode ser perigosa.
  3. 03. Envolva sua família no processo: o suporte social é um dos fatores mais importantes para a recuperação.
  4. 04. Mantenha uma rotina saudável: alimentação equilibrada, sono regular e atividade física ajudam a reduzir a fissura e melhoram o humor.
  5. 05. Evite locais e companhias associados ao uso de drogas. Mudar o ambiente é essencial para evitar gatilhos.
  6. 06. Nunca combine substâncias (álcool + cocaína, benzodiazepínicos + opioides). Isso aumenta drasticamente o risco de overdose e morte.

Perguntas Frequentes sobre o CID USO

O CID F19 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo. Varia de 1 a 90 dias, conforme a gravidade: intoxicação aguda (1-3 dias), abstinência moderada (7-14 dias), dependência com tratamento intensivo (30-90 dias). O médico decide com base na evolução clínica.

O CID F19 é o mesmo que “dependente químico”?

Nem sempre. O código F19 inclui desde o uso nocivo (F19.1) até a dependência (F19.2). O termo “dependente químico” é popular, mas o diagnóstico formal exige critérios específicos.

Quais substâncias estão incluídas no F19?

Todas as substâncias psicoativas não classificadas em F10-F18 (álcool, opioides, canabinoides, sedativos, cocaína, etc.) ou o uso de múltiplas drogas combinadas. Exemplos: cocaína + álcool, maconha + crack, múltiplos medicamentos controlados.

O tratamento para CID F19 é coberto pelo SUS?

Sim. O SUS oferece desde atendimento básico (UBS) até Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) e internação em hospitais credenciados. Procure a unidade de saúde mais próxima para orientação.

A pessoa com CID F19 pode ser internada contra a vontade?

Sim, em casos de risco iminente de morte (overdose, surto psicótico) ou risco grave para si ou terceiros. A internação involuntária segue a Lei 10.216/2001 e deve ser comunicada ao Ministério Público.

O uso de maconha sozinha é classificado como CID F19?

Não. O uso exclusivo de maconha é classificado como F12 (Transtornos devido ao uso de canabinoides). O F19 é para múltiplas drogas ou substâncias não especificadas.

Qual a diferença entre F19.0 e F19.2?

F19.0 (intoxicação aguda) é um estado temporário após o uso recente; F19.2 (dependência) é um padrão crônico com compulsão, tolerância e abstinência. Um mesmo paciente pode apresentar ambos em momentos diferentes.

O CID F19 pode ser usado em crianças ou adolescentes?

Sim. Infelizmente, o uso de múltiplas drogas entre jovens é crescente. O diagnóstico e o tratamento devem ser adaptados à faixa etária, com participação da família e da escola.

O que fazer se eu falhar no tratamento e recair?

A recaída não é fracasso – é parte do processo de recuperação. Procure seu médico imediatamente, reavalie o plano terapêutico e não desista. Muitos pacientes precisam de múltiplas tentativas até alcançar a estabilidade.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

Fontes científicas:

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).