Em 2025, o Brasil registrou mais de 12 mil óbitos de motociclistas em acidentes de trânsito, representando 34% das mortes no trânsito. O CID V29 é um dos códigos mais frequentes em prontos-socorros do país, especialmente em grandes centros urbanos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID V29 e quer saber o que significa? Este código faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e se refere a traumatismos sofridos por motociclistas em colisão com outro veículo de transporte. Neste artigo, você vai entender o significado, as lesões mais comuns, como é feito o tratamento e quanto tempo pode ficar afastado do trabalho. Vamos também apresentar um caso clínico real para ilustrar a aplicação desse código na prática médica.
- Código: V29
- Descrição: Motociclista traumatizado em colisão com veículo de transporte
- Categoria: Capítulo XX – Causas externas de morbidade e mortalidade (V01–Y98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: V29.0 (condutor), V29.1 (passageiro), V29.2 (motociclista não especificado), V29.3 (motociclista em colisão com veículo de transporte não especificado)
Paciente: João S., 28 anos, motoboy
Queixa principal: Dor intensa no braço direito e na perna esquerda após colisão com um automóvel em cruzamento. O paciente estava usando capacete, mas sofreu impacto lateral.
Avaliação clínica: Exame físico revelou deformidade no terço médio do úmero direito e na tíbia esquerda, com edema e equimose. Escala de Glasgow 15. Radiografias mostraram fratura diafisária do úmero e fratura da tíbia (classificação AO 42-A1). TC de crânio sem alterações.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID V29 (Motociclista traumatizado em colisão com veículo de transporte) associado aos códigos S42.2 (fratura de úmero) e S82.1 (fratura de tíbia).
Conduta terapêutica: Imobilização gessada do braço por 6 semanas; cirurgia ortopédica para fixação intramedular da tíbia. Prescrição de analgésicos (paracetamol + codeína) e anticoagulação profilática (enoxaparina 40 mg/dia). Orientações para repouso e fisioterapia após retirada do gesso.
Evolução: Paciente evoluiu bem, com consolidação óssea confirmada em 8 semanas. Iniciou fisioterapia motora. Retornou ao trabalho como motoboy após 90 dias, com liberação médica.
Lição clínica: O CID V29 é fundamental para o registro de acidentes e para a emissão de atestados. Lesões múltiplas são comuns e exigem abordagem multidisciplinar. O uso de capacete reduziu a gravidade do trauma, mas não evitou fraturas nos membros.
O que é o CID V29 na prática médica
O CID V29 classifica todo traumatismo sofrido por um motociclista (condutor ou passageiro) que colidiu com outro veículo de transporte — carro, ônibus, caminhão, bicicleta, etc. Ele é utilizado por médicos emergencistas, ortopedistas e cirurgiões para registrar a causa externa do trauma. Na prática, o médico sempre combina o V29 com códigos do capítulo XIX (lesões e envenenamentos) para especificar o tipo de lesão. Por exemplo, “V29 + S06.0” indica uma concussão cerebral em um acidente de moto.
Subcategorias e variantes do CID V29
A CID-10 divide o V29 em quatro subcategorias principais:
- V29.0: Condutor de motocicleta traumatizado em colisão com veículo de transporte.
- V29.1: Passageiro de motocicleta traumatizado em colisão com veículo de transporte.
- V29.2: Motociclista não especificado traumatizado em colisão com veículo de transporte.
- V29.3: Motociclista traumatizado em colisão com veículo de transporte não especificado.
Essa divisão ajuda na estatística de trânsito e no planejamento de políticas de segurança. O médico deve escolher a subcategoria mais adequada com base no relato do paciente e no boletim de ocorrência.
Sintomas e como a condição se manifesta
O CID V29 em si não tem sintomas próprios. As manifestações dependem das lesões resultantes da colisão. As mais frequentes incluem:
- Fraturas: tíbia, fêmur, úmero, clavícula, pelve.
- Traumatismo craniano: concussão, hemorragia intracraniana (com cefaleia, náusea, confusão mental).
- Ferimentos cortocontusos: escoriações, lacerações em face, tronco e membros.
- Lesões de órgãos internos: contusão pulmonar, ruptura esplênica (dor abdominal, hipotensão).
- Trauma raquimedular: paraplegia, tetraplegia (em casos graves).
Dor intensa, inchaço, deformidade óssea, dificuldade de movimentar um membro e perda de consciência são os sinais mais comuns que levam o paciente ao pronto-socorro.
Causas e fatores de risco
A principal causa é o impacto entre a motocicleta e outro veículo. Fatores de risco aumentam a chance de um acidente com trauma grave:
- Andar sem capacete ou com equipamento de proteção inadequado.
- Excesso de velocidade e manobras arriscadas.
- Consumo de álcool ou drogas antes de pilotar.
- Condições adversas da via (pista molhada, buracos, má sinalização).
- Falta de iluminação noturna.
Segundo dados do Ministério da Saúde (2025), homens jovens entre 20 e 34 anos representam 70% das vítimas de acidente de moto no Brasil.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é primariamente clínico e baseado no mecanismo do trauma. O médico coleta a história do acidente e realiza o exame físico completo, seguindo o protocolo do ATLS (Advanced Trauma Life Support). Exames complementares são fundamentais:
- Radiografias de membros, coluna e tórax para identificar fraturas e pneumotórax.
- Tomografia computadorizada (TC) de crânio, face, coluna e abdome em casos de trauma grave.
- Ultrassom FAST para detectar sangramentos internos no abdome e no pericárdio.
- Hemograma, coagulograma e tipagem sanguínea para preparo de transfusão.
Depois de caracterizadas as lesões, o médico registra o CID V29 como causa externa, juntamente com os códigos específicos das lesões.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento varia desde medidas conservadoras até cirurgias de urgência. As principais abordagens são:
- Imobilização com gesso ou tala para fraturas estáveis.
- Cirurgia ortopédica (fixação com placas, parafusos ou hastes intramedulares) para fraturas instáveis.
- Controle de dor com anti-inflamatórios (ibuprofeno, cetorolaco) e opioides (codeína, tramadol) em casos moderados a graves.
- Anticoagulação profilática para prevenir trombose venosa profunda em pacientes imobilizados.
- Fisioterapia e reabilitação para recuperar força e amplitude de movimento.
- Suporte psicológico para lidar com o trauma e o medo de pilotar novamente.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para CID V29 depende da gravidade das lesões associadas. Em média, o Ministério da Saúde e a Previdência Social consideram:
- Lesões leves (escoriações, contusões): 3 a 7 dias.
- Fraturas de membro superior (tratamento conservador): 30 a 45 dias.
- Fraturas de membro inferior (com cirurgia): 60 a 90 dias.
- Traumatismo craniano moderado: 15 a 30 dias.
- Politraumatismo com internação em UTI: 60 a 120 dias ou mais.
O médico assistente definirá o período de acordo com a evolução clínica e as necessidades ocupacionais do paciente. Atestados superiores a 15 dias exigem perícia médica do INSS para afastamento previdenciário.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Todo acidente de moto deve ser avaliado por um profissional de saúde, mesmo que pareça leve. Sinais que indicam urgência:
- Perda de consciência, mesmo que breve.
- Dificuldade para respirar ou dor no peito.
- Deformidade ou incapacidade de mover um membro.
- Sangramento que não cessa com compressão.
- Dor abdominal intensa ou distensão abdominal.
- Náuseas, vômitos ou piora da cefaleia após o acidente.
- Formigamento ou perda de força em braços ou pernas.
Nunca remova o capacete se houver suspeita de lesão na coluna cervical. Aguarde o socorro especializado.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção de novos acidentes e a redução da gravidade das lesões envolvem:
- Uso obrigatório de capacete certificado (padrão INMETRO).
- Roupas de proteção (jaqueta, luvas, calça e bota com reforços).
- Respeito aos limites de velocidade e às leis de trânsito.
- Nunca pilotar sob efeito de álcool ou substâncias psicoativas.
- Manutenção periódica da motocicleta (freios, pneus, faróis).
- Participação em cursos de pilotagem defensiva.
Após um acidente, o acompanhamento ortopédico e fisioterápico é essencial para evitar sequelas funcionais.
- 01. Nunca remova o capacete de uma vítima de acidente de moto; aguarde o resgate.
- 02. Guarde registros de todos os exames e atestados para comprovação junto ao INSS e ao seguro DPVAT (se aplicável).
- 03. Siga rigorosamente o cronograma de fisioterapia para evitar rigidez articular e atrofia muscular.
- 04. Em caso de fratura exposta, não tente recolocar o osso no lugar; cubra com pano limpo e procure emergência.
- 05. Após a recuperação, considere usar colete airbag para motociclistas, que reduz o risco de trauma torácico.
Perguntas Frequentes sobre o CID V29
O CID V29 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. O atestado depende das lesões associadas. Em média, varia de 3 dias (lesões leves) a 90 dias ou mais (fratura grave com cirurgia). O médico define com base no quadro clínico.
O CID V29 é considerado acidente de trabalho?
Sim, se o acidente ocorrer no trajeto entre a residência e o local de trabalho ou durante o exercício profissional (ex.: motoboy). Nesse caso, deve ser registrado como acidente de trabalho (CAT) e o afastamento pode ser pelo INSS.
Preciso levar o boletim de ocorrência ao médico?
É recomendável, pois ajuda a confirmar a causa externa e a subcategoria do CID V29 (condutor ou passageiro). Facilita também o registro de seguro.
O CID V29 pode ser usado para atestado de óbito?
Sim. Nas declarações de óbito de motociclistas vítimas de colisão, o CID V29 é utilizado como causa externa, juntamente com o código da lesão fatal (ex.: S06.9 – traumatismo craniano).
Quais outros CIDs costumam acompanhar o V29?
Os mais comuns são S00–S99 (lesões em regiões específicas), especialmente S06 (traumatismo intracraniano), S42 (fratura de ombro e braço), S72 (fratura de fêmur), S82 (fratura de perna).
O tratamento para CID V29 é coberto pelo SUS?
Sim. O SUS atende todos os acidentes de trânsito em pronto-socorros, hospitais e centros de reabilitação. A fisioterapia e as cirurgias ortopédicas estão disponíveis na rede pública.
Posso exigir troca de CID no atestado?
Não. Apenas o médico pode definir o CID com base na avaliação clínica. Se você acredita que houve erro, solicite uma reavaliação com o mesmo profissional ou com um segundo médico.
O CID V29 dá direito a seguro DPVAT?
A partir de 2020, o DPVAT foi extinto e substituído por novos modelos de seguros estaduais. O direito à indenização depende da legislação do estado onde ocorreu o acidente. Consulte a seguradora responsável.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID10.com.br – V29 Motociclista traumatizado em colisão com veículo de transporte
MedlinePlus – Accidentes y heridas
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