quinta-feira, julho 2, 2026

cid varizes






CID Varizes – Artigo Completo


Dado epidemiológico 2026

Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), estima-se que 35% da população adulta brasileira apresente varizes em algum grau. Em 2026, com o envelhecimento populacional e o estilo de vida sedentário, a incidência deve aumentar, especialmente entre mulheres (proporção de 3:1). Aproximadamente 15% dos casos evoluem para complicações como úlceras venosas, destacando a importância do diagnóstico precoce.

Introdução

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID VARIZES e quer saber o que significa? O código I83, da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), refere-se às varizes dos membros inferiores – veias dilatadas, tortuosas e com insuficiência valvular que comprometem o retorno venoso. Este artigo explica, com base na prática clínica, os significados, sintomas, tratamentos e cuidados necessários para lidar com essa condição vascular comum, mas que pode impactar significativamente a qualidade de vida.

Identificação do CID

  • Código: I83
  • Descrição: Varizes dos membros inferiores
  • Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: I83.0 (varizes com úlcera), I83.1 (varizes com inflamação), I83.2 (varizes com úlcera e inflamação), I83.9 (varizes sem úlcera ou inflamação)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Maria de Souza, 48 anos, professora, mãe de dois filhos, com histórico familiar de varizes.

Queixa principal: Dor, peso e cansaço nas pernas há mais de um ano, piora no fim do dia e após longos períodos em pé. Notou veias dilatadas e tortuosas na face interna das coxas e panturrilhas.

Avaliação clínica: Exame físico revelou varizes de grosso calibre (classificação CEAP C2) em ambas as pernas, sem edema, sem sinais de inflamação ou úlceras. Ecodoppler colorido venoso mostrou insuficiência das veias safenas magna e parva bilateralmente, com refluxo > 0,5 segundo.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID I83.9 — Varizes dos membros inferiores sem úlcera ou inflamação, associadas a insuficiência safena.

Conduta terapêutica: Prescrição de meias de compressão graduada (classe II, pressão 20-30 mmHg) para uso diário; orientação de elevação das pernas por 15 minutos a cada 2 horas; exercícios de panturrilha; e agendamento de cirurgia de safenectomia para os próximos meses.

Evolução: Após 4 semanas com meias compressivas e mudanças posturais, a paciente relatou redução de 70% da dor e do cansaço. Aguarda o procedimento cirúrgico, com boa adesão ao tratamento clínico.

Lição clínica: Varizes sintomáticas requerem tratamento precoce para evitar progressão para complicações como úlceras ou tromboflebite. O uso de meias compressivas melhora significativamente os sintomas, mas não corrige a insuficiência valvular; a cirurgia é definitiva em casos avançados.

Atenção: Varizes podem ser confundidas com trombose venosa profunda (TVP), que é uma emergência médica. Não utilize este artigo para autodiagnóstico. Se você tem dor súbita, inchaço unilateral, vermelhidão ou calor na perna, procure imediatamente um serviço de urgência.

O que é o CID I83 na prática médica

O CID I83 – Varizes dos membros inferiores – é uma classificação utilizada por médicos de diversas especialidades (clínica geral, angiologia, cirurgia vascular, dermatologia) para registrar o diagnóstico de veias superficiais dilatadas e insuficientes. Na prática, o código permite uniformizar a comunicação entre profissionais, planos de saúde, sistemas de vigilância epidemiológica e previdência. As varizes podem ser primárias (genéticas) ou secundárias a outras condições, como trombose venosa prévia (síndrome pós-trombótica), obesidade, gravidez ou posições que aumentam a pressão venosa. O CID I83 abrange desde varizes cosméticas (teleangiectasias e veias reticulares) até quadros avançados com úlceras (I83.0).

É fundamental que o médico diferencie as varizes de outras doenças venosas, como a insuficiência venosa crônica (IVC) – que pode ser um estágio mais amplo. O CID I83 especificamente trata das varizes, enquanto a IVC possui outros códigos (I87.2). Na consulta, o profissional avalia a gravidade com a classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica, Patofisiológica), que orienta o tratamento.

Subcategorias e variantes do CID I83

O CID-10 detalha quatro subcategorias para varizes dos membros inferiores:

  • I83.0 – Varizes dos membros inferiores com úlcera: Presença de ferida aberta, geralmente na região do maléolo medial (úlcera venosa). Indica doença avançada e requer cuidados multidisciplinares.
  • I83.1 – Varizes dos membros inferiores com inflamação: Quadro de tromboflebite superficial – veia varicosa inflamada, dolorosa, com endurecimento e vermelhidão local.
  • I83.2 – Varizes dos membros inferiores com úlcera e inflamação: Combinação das duas complicações anteriores, situação clínica grave que exige internação e tratamento intensivo.
  • I83.9 – Varizes dos membros inferiores sem úlcera ou inflamação: Forma mais comum, sintomática ou assintomática, sem feridas ou sinais inflamatórios. Inclui a maioria dos casos ambulatoriais.

Existem ainda outras variações não listadas como subcategorias diretas, como varizes de veias perfurantes ou varizes primárias de membros superiores (estas últimas com CID próprio). A escolha da subcategoria impacta o tratamento e o tempo de afastamento do trabalho.

Sintomas e como a doença se manifesta

Nem toda variz causa sintomas. Muitas pessoas têm varizes apenas estéticas. No entanto, a insuficiência venosa costuma se manifestar com:

  • Peso, cansaço, dor ou sensação de “pernas cansadas” no fim do dia;
  • Inchaço (edema) nos tornozelos e pernas, que melhora com elevação e piora com ortostase;
  • Veias dilatadas, tortuosas, com coloração azulada ou esverdeada, salientes na pele;
  • Coceira ou sensação de calor na região das varizes;
  • Cãibras noturnas nas panturrilhas;
  • Pele ressecada, descamativa ou com manchas acastanhadas (dermatite ocre) – sinal de estase venosa crônica;
  • Nos estágios avançados: úlceras venosas dolorosas de difícil cicatrização, geralmente próximas ao maléolo medial.

Como médicos, sempre perguntamos sobre a melhora com a elevação das pernas e a piora ao final do dia, que são características marcantes. O sintoma mais comum é a dor tipo “aperto” ou “queimação” que leva o paciente a buscar consulta.

Causas e fatores de risco

As varizes surgem por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. As principais causas incluem:

  • Fragilidade genética da parede venosa e das válvulas: Herança autossômica dominante; histórico familiar é o principal fator de risco.
  • Gestação: Aumento do volume sanguíneo, compressão das veias pélvicas pelo útero e alterações hormonais (progesterona) relaxam a parede venosa.
  • Obesidade: Pressão intra-abdominal elevada compromete o retorno venoso.
  • Profissão e hábitos: Ficar muito tempo em pé ou sentado (professores, profissionais de saúde, vendedores, motoristas). Sedentarismo reduz a bomba muscular da panturrilha.
  • Idade: A degeneração das válvulas venosas com o envelhecimento é progressiva.
  • Sexo feminino: Hormônios femininos (estrogênio, progesterona) influenciam na dilatação venosa; uso de anticoncepcionais orais e terapia hormonal podem agravar.
  • Tabagismo: Favorece a inflamação venosa e piora a microcirculação.

Fatores menos comuns: traumatismos, trombose venosa prévia (síndrome pós-trombótica), malformações congênitas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico das varizes é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. O médico vascular ou clínico geral realiza:

  • Inspeção: Observa veias dilatadas em ortostase, classifica pelo CEAP (C0 a C6).
  • Palpação: Avalia temperatura, consistência e presença de cordões endurecidos (trombose).
  • Testes funcionais: como o teste de Trendelenburg (identifica insuficiência de veias safenas) e o teste de compressão manual.
  • Exame complementar padrão-ouro: Ecodoppler venoso (ultrassom vascular) – avalia morfologia, diâmetro, fluxo e refluxo venoso. É fundamental para planejamento cirúrgico.

Outros exames como pletismografia, venografia ou ressonância venosa são reservados para casos complexos. Em geral, o diagnóstico é rápido e pode ser feito em uma consulta de 30 minutos. O CID I83 é registrado após confirmação.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento é individualizado conforme gravidade, sintomas e desejo do paciente. As opções incluem:

  • Medidas conservadoras: Meias de compressão graduada (classe I a III), elevação das pernas, exercícios de panturrilha, perda de peso e mudanças posturais. Indicadas para todos os pacientes, mesmo os assintomáticos.
  • Escleroterapia: Injeção de substância esclerosante (polidocanol, glicose hipertônica) – eficaz para telangiectasias e veias reticulares.
  • Termoablação (laser ou radiofrequência): Cateter intracavitário que fecha a veia safena insuficiente. Método minimamente invasivo, com rápida recuperação.
  • Cirurgia convencional (safenectomia): Remoção da veia safena através de pequenas incisões. Indicada para varizes de grosso calibre.
  • Flebectomia ambulatorial: Remoção de varizes tortuosas com ganchos, sob anestesia local.
  • Cuidados com feridas: Em casos de úlcera (I83.0), curativos especiais, desbridamento e uso de terapia compressiva específica.

O tratamento medicamentoso (fármacos venoativos como diosmina, hesperidina) tem eficácia limitada e não substitui a compressão. As decisões devem ser tomadas com base no ecodoppler.

Quantos dias de atestado médico

O afastamento do trabalho por varizes depende da gravidade e do tratamento realizado:

  • Quadro clínico sem complicações (I83.9): geralmente não exige afastamento, apenas recomendações ergonômicas; se necessário, 1 a 3 dias para adaptação às meias ou consultas.
  • Escleroterapia: repouso relativo de 1 a 2 dias, retorno ao trabalho sedentário no dia seguinte.
  • Termoablação ou flebectomia: afastamento de 2 a 5 dias para atividades leves; 7 a 14 dias para trabalhos com longa permanência em pé.
  • Safenectomia convencional: 7 a 14 dias, podendo chegar a 21 dias em casos bilaterais ou complicações.
  • Úlcera venosa (I83.0): afastamento prolongado – 30 a 90 dias, dependendo da resposta ao tratamento e necessidade de curativos.

O médico assistente define o período com base nas atividades laborais e na evolução clínica. Para fins previdenciários, o CID I83 pode gerar auxílio-doença se houver incapacidade temporária comprovada.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Alguns sinais indicam complicações que requerem atendimento de urgência:

  • Dor intensa, súbita, inchaço em uma perna (suspeita de trombose venosa profunda);
  • Vermelhidão, calor e endurecimento ao longo de uma veia (tromboflebite superficial – I83.1);
  • Sangramento ativo de uma variz (rotura de variz);
  • Úlcera que não cicatriza, com sinais de infecção (pus, odor, febre);
  • Dor torácica ou falta de ar associada a dor na perna (suspeita de embolia pulmonar – raro, mas possível).

Não ignore esses sintomas. Procure um pronto-socorro ou seu médico imediatamente. O tratamento precoce das complicações reduz riscos graves.

Prevenção e cuidados contínuos

Para prevenir o aparecimento ou progressão das varizes, adote hábitos saudáveis:

  • Mantenha peso corporal adequado (IMC < 25);
  • Evite ficar muito tempo em pé ou sentado – levante-se e caminhe a cada hora;
  • Use meias de compressão em situações de risco (viagens longas, gestação, trabalhos em pé);
  • Pratique exercícios físicos que ativem a bomba muscular da panturrilha (caminhada, natação, bicicleta);
  • Eleve as pernas ao repouso, acima do nível do coração;
  • Hidrate-se adequadamente e evite roupas apertadas na cintura e virilha;
  • Em casos de histórico familiar forte, realize consultas regulares com angiologista a cada 1-2 anos.

Para quem já tem varizes, o acompanhamento periódico é essencial para monitorar a evolução e indicar tratamento cirúrgico no momento adequado.

Dicas de Ouro

  1. 01. Use meias de compressão desde o início – elas reduzem sintomas em 70% dos casos e previnem complicações.
  2. 02. Elevar as pernas ao menos 15 minutos, três vezes ao dia, melhora o retorno venoso e alivia o cansaço.
  3. 03. Caminhe diariamente por 30 minutos – é o melhor exercício para a circulação das pernas.
  4. 04. Mantenha o peso saudável: cada quilo extra sobrecarrega as veias e acelera a progressão.
  5. 05. Na dúvida, consulte um angiologista – o ecodoppler é o exame que define a melhor conduta.

Perguntas Frequentes sobre o CID VARIZES

O CID VARIZES garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo; depende do quadro. Para varizes sem complicação (I83.9), geralmente 1-3 dias. Para tratamentos cirúrgicos, o atestado varia de 3 a 14 dias, podendo chegar a 30 dias em úlceras. O médico avalia cada caso.

Varizes só aparecem em pessoas idosas?

Não. Podem surgir em qualquer idade, principalmente após os 30 anos. Fatores genéticos, gravidez e obesidade aceleram o aparecimento. Mulheres jovens com histórico familiar também são afetadas.

CID I83 tem cura?

O tratamento elimina as varizes existentes, mas não impede o surgimento de novas veias doentes se os fatores de risco persistirem. Por isso, medidas preventivas e acompanhamento contínuo são essenciais.

O que significa CID I83.9?

É a subcategoria “varizes dos membros inferiores sem úlcera ou inflamação”. É o código mais comum, usado quando há dilatação venosa mas sem ferida ou sinais inflamatórios. Exige tratamento clínico ou cirúrgico eletivo.

Posso usar meias de compressão sem orientação médica?

O ideal é ter prescrição médica, pois existem diferentes classes de compressão (mmHg) e tamanhos inadequados podem piorar a circulação ou não trazer benefício. Em casos leves, pode-se usar meias de baixa compressão (15-20 mmHg) vendidas sem receita, mas o melhor é consultar.

Varizes podem causar trombose?

Sim, varizes podem evoluir para tromboflebite superficial (inflamação com coágulo na veia superficial). Raramente evoluem para trombose venosa profunda (TVP), mas o risco aumenta em combinação com imobilização, cirurgia ou câncer. Sinais de alerta: dor, inchaço e vermelhidão.

Qual exame confirma o CID I83?

O ecodoppler venoso de membros inferiores é o exame padrão-ouro. Mostra a morfologia das veias, a presença de refluxo e o diâmetro das safenas. O diagnóstico clínico já permite o registro do CID, mas o ecodoppler é indispensável para planejamento.

Gestantes com varizes podem tratar?

Na gestação, o tratamento é conservador: meias de compressão, elevação das pernas e exercícios leves. Procedimentos invasivos são contraindicados exceto em complicações graves. Após o parto, avaliamos a persistência e indicamos tratamento definitivo.

Varizes voltam após cirurgia?

Se a cirurgia for bem realizada (retirada ou ablação da veia safena insuficiente), a recidiva no mesmo local é rara. No entanto, novas varizes podem surgir em outras veias colaterais, principalmente se fatores de risco não forem corrigidos.

O plano de saúde cobre o tratamento?

Procedimentos como safenectomia e termoablação são cobertos pelos planos de saúde quando há indicação clínica (sintomas, complicações). Varizes meramente estéticas geralmente não são cobertas. Consulte seu plano para verificar a autorização prévia.

Alimentação influencia nas varizes?

Não há dieta específica que cure varizes, mas uma alimentação rica em fibras, antioxidantes (vitamina C, E) e baixa em sódio auxilia na saúde vascular. Alimentos como frutas cítricas, castanhas, azeite e vegetais folhosos ajudam a reduzir a inflamação e o edema.

Posso ter varizes nos braços?

Sim, mas são menos comuns. O CID para varizes de membros superiores é I86.8. Geralmente estão associadas a fístulas arteriovenosas, traumas ou doenças do tecido conjuntivo. O CID I83 é exclusivo para pernas.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes: CID-10 oficial (BVS) |
MedlinePlus – Varicose Veins

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