Estima-se que 30% dos adultos com mais de 65 anos apresentem pelo menos um episódio de vertigem clinicamente significativo por ano, sendo a causa mais comum a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB). No Brasil, a prevalência de tontura e vertigem na população geral chega a 5-10%, com aumento expressivo após os 40 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID VERTIGEM e quer saber o que significa? Este artigo explica em detalhes o CID R42 (Tontura e vertigem), desde o significado clínico até as opções de tratamento e os dias de afastamento recomendados. Baseado em um estudo de caso real, você entenderá como lidar com esse sintoma frequente e como ele pode impactar sua saúde e sua rotina.
- Código: R42
- Descrição: Tontura e vertigem
- Categoria: Capítulo XVIII – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e laboratoriais, não classificados em outra parte (R00-R99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: R42 é um código único sem subcategorias na CID-10. Porém, na prática clínica, a vertigem pode ser classificada conforme a etiologia (periférica, central, psicogênica) ou pelo tempo de duração (aguda, crônica).
Paciente: Sr. Antônio Costa, 58 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: “De repente comecei a sentir que o quarto estava girando, tive náusea e quase caí. Isso já aconteceu três vezes na última semana.”
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava nistagmo horizontal espontâneo, teste de Dix-Hallpike positivo para o lado direito, sem déficits neurológicos focais. A pressão arterial estava normal. Foi solicitada audiometria e exames vestibulares.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID R42 – Tontura e vertigem, especificamente Vertigem Postural Paroxística Benigna (VPPB) de canal semicircular posterior direito.
Conduta terapêutica: Realizada manobra de Epley no consultório, prescrição de dimenidrinato 50 mg de 6/6h durante 3 dias para controle da crise e orientação de repouso relativo nas primeiras 24 horas. Recomendado evitar movimentos bruscos e dirigir até a resolução completa dos sintomas.
Evolução: Após duas manobras de reposicionamento em uma semana, o paciente relatou melhora de 90% dos episódios. Manteve acompanhamento com otorrinolaringologista. Retornou ao trabalho após 5 dias de atestado, sem novas crises.
Lição clínica: A VPPB é uma causa comum e tratável de vertigem. O diagnóstico precoce e a manobra adequada podem evitar quedas e afastamentos prolongados. Nem toda vertigem exige exames complexos; a anamnese e o exame físico são fundamentais.
O que é o CID R42 na prática médica
O código CID R42 é utilizado para classificar a tontura e a vertigem quando não é possível ou ainda não se identificou uma causa específica. Na prática clínica, o médico lança mão desse código quando o paciente apresenta a sensação de movimento (giratória ou oscilatória) sem que exista um diagnóstico etiológico definitivo no momento do atendimento. É um código de sintoma, não de doença. Isso significa que, após investigação, o R42 pode ser substituído por um código mais específico, como H81.0 (Doença de Ménière) ou H81.1 (Vertigem paroxística benigna). A vertigem atinge cerca de 30% da população em algum momento da vida, sendo mais frequente em mulheres e idosos.
Subcategorias e variantes do CID R42
Embora o CID R42 não possua subcategorias oficiais na CID-10, a literatura médica e os serviços de saúde frequentemente subclassificam a vertigem conforme características clínicas:
- Vertigem periférica: causada por alterações no labirinto ou no nervo vestibular (ex.: VPPB, neurite vestibular, Doença de Ménière).
- Vertigem central: origem no tronco encefálico ou cerebelo (ex.: AVC, tumores, enxaqueca vestibular).
- Vertigem psicogênica: associada a transtornos de ansiedade, pânico ou somatização.
- Tontura não vertiginosa: sensação de desequilíbrio, pré-síncope ou cabeça leve, que muitas vezes é registrada sob o mesmo código R42.
O CID-11, já em implementação gradual, traz maior detalhamento, com códigos específicos para vertigem central (MB20.0) e periférica (MB20.1).
Sintomas e como a doença se manifesta
A vertigem caracteriza-se por uma falsa sensação de movimento, geralmente rotatório, que pode vir acompanhada de:
- Náusea e vômitos
- Sudorese fria
- Desequilíbrio e queda
- Nistagmo (movimentos oculares involuntários)
- Zumbido ou plenitude auricular (quando associada a doença labiríntica)
- Cefaleia (em casos de enxaqueca vestibular)
Os episódios podem durar segundos (VPPB), minutos (neurite vestibular) ou horas (Ménière). A frequência varia de crises isoladas a múltiplas crises diárias, impactando severamente a qualidade de vida.
Causas e fatores de risco
As causas da vertigem são diversas e podem ser classificadas em:
- Periféricas (labirínticas): deslocamento de otólitos (VPPB), inflamação do nervo vestibular (neurite), aumento de pressão intra-labiríntica (Ménière), labirintite infecciosa.
- Centrais: acidente vascular cerebelar ou de tronco, tumor de ângulo pontocerebelar, esclerose múltipla, enxaqueca vestibular.
- Sistêmicas: hipotensão postural, arritmias, anemia, hipoglicemia, efeitos colaterais de medicamentos.
- Psicogênicas: transtorno de pânico, ansiedade generalizada, crise de pânico com hiperventilação.
Fatores de risco incluem idade >50 anos, história prévia de traumatismo craniano, uso de medicamentos ototóxicos, estresse, privação de sono e doenças cardiovasculares.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da vertigem é essencialmente clínico. O médico realiza uma anamnese detalhada para caracterizar o tipo de tontura, duração, fatores desencadeantes e sintomas associados. Exames como:
- Teste de Dix-Hallpike: padrão ouro para diagnóstico de VPPB.
- Videonistagmografia (VNG) ou electronistagmografia (ENG): avaliam o nistagmo e a função vestibular.
- Audiometria: útil para suspeita de Doença de Ménière.
- Ressonância magnética de crânio (RM): indicada quando há suspeita de causa central (sinais neurológicos, vertigem persistente ou progressiva).
- Exames laboratoriais: hemograma, glicemia, função tireoidiana, vitamina B12 e sorologias (sífilis, HIV) em casos selecionados.
É fundamental diferenciar a vertigem de outras formas de tontura como lipotimia (pré-síncope) ou desequilíbrio crônico.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da causa específica. Para a VPPB, as manobras de reposicionamento (Epley, Semont, Barbecue) resolvem cerca de 80% dos casos em uma a três sessões. Na neurite vestibular, corticoides e antivirais podem ser indicados; na Doença de Ménière, dieta hipossódica, diuréticos e betahistina. Sintomáticos como dimenidrinato, meclizina e ondansetrona controlam crises agudas. A reabilitação vestibular (fisioterapia vestibular) é altamente eficaz para vertigem crônica e para pacientes com desequilíbrio residual. Em casos refratários, procedimentos como injeção intratimpânica de gentamicina ou cirurgia (neurectomia vestibular) são considerados.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID R42 (Tontura e vertigem) varia conforme a gravidade, a causa e a ocupação do paciente. Em casos leves, como uma crise única de VPPB resolvida com manobra, o repouso de 24 a 48 horas é suficiente. Para quadros moderados a graves, como neurite vestibular ou doença de Ménière em crise, o atestado pode ser de 5 a 14 dias. Motoristas, operadores de máquinas e trabalhadores em altura necessitam de períodos maiores (até 30 dias) até que a segurança seja restabelecida. A decisão é sempre médica, baseada na avaliação clínica e no risco de acidentes.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Busque atendimento de emergência se a vertigem vier acompanhada de:
- Dor de cabeça súbita e intensa (cefaleia em trovoada)
- Alteração da fala ou da força muscular (suspeita de AVC)
- Diplopia (visão dupla) ou perda visual
- Desmaio ou perda de consciência
- Palpitações ou dor no peito
- Vômitos incoercíveis que impedem hidratação
- Febre alta (suspeita de meningite ou labirintite bacteriana)
Além disso, pacientes com fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, tabagismo, anticoagulantes) ou em uso de medicamentos ototóxicos devem ser avaliados com urgência diante de qualquer episódio vertiginoso novo.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da vertigem depende da causa. Medidas gerais incluem:
- Evitar movimentos bruscos da cabeça, especialmente ao levantar-se da cama.
- Manter hidratação adequada e controle da pressão arterial.
- Reduzir o consumo de sal, cafeína e álcool em pacientes com suspeita de Ménière.
- Praticar atividades físicas que melhorem o equilíbrio (tai chi, ioga, pilates).
- Realizar reabilitação vestibular orientada por fisioterapeuta especializado.
- Evitar automedicação com antivertiginosos por períodos prolongados, pois podem prejudicar a compensação vestibular.
- Manter acompanhamento com otorrinolaringologista ou neurologista quando houver crises recorrentes.
Para motoristas e profissionais de risco, a orientação é só retornar à atividade após liberação médica e período mínimo de 72 horas sem sintomas.
- 01. Se você sente que o ambiente gira, faça o teste de Dix-Hallpike em casa com auxílio: deite-se rapidamente com a cabeça virada para um lado. Se a vertigem surgir, anote e leve ao médico.
- 02. Nunca dirija durante uma crise vertiginosa – o risco de acidente é altíssimo. Espere pelo menos 48 horas sem sintomas antes de pegar no volante.
- 03. Manobras de reposicionamento caseiras (como o exercício de Brandt-Daroff) podem ser úteis para VPPB, mas devem ser orientadas por um profissional.
- 04. Mantenha um diário de crises: anote duração, sintomas associados, alimentação e estresse. Isso ajuda o médico a identificar o padrão.
- 05. Não use antivertiginosos por mais de 3 dias seguidos sem orientação – eles mascaram os sintomas e retardam a compensação natural do sistema vestibular.
- 06. Idosos com vertigem recorrente devem realizar avaliação de risco de quedas e, se necessário, usar dispositivos de auxílio (bengala, andador).
- 07. Consulte sempre um médico antes de iniciar qualquer tratamento – a vertigem pode ser sinal de algo mais sério.
Perguntas Frequentes sobre o CID VERTIGEM
O CID VERTIGEM garante quantos dias de atestado?
O CID R42, quando usado como diagnóstico principal, geralmente justifica de 1 a 5 dias de afastamento para casos leves a moderados. Crises mais intensas ou com necessidade de investigação podem demandar de 5 a 14 dias. Motoristas e profissionais de alto risco podem precisar de até 30 dias. O médico deve avaliar cada caso individualmente.
Vertigem é a mesma coisa que tontura?
Não. Tontura é um termo amplo que inclui sensações como desequilíbrio, cabeça leve e pré-síncope. Vertigem é um tipo específico de tontura caracterizado pela falsa sensação de movimento (giratória ou oscilatória). O CID R42 abrange ambos, mas na prática clínica é importante diferenciar.
O CID R42 pode ser usado para labirintite?
Sim. Labirintite (infecção do labirinto) geralmente se manifesta com vertigem aguda, e o código R42 pode ser usado inicialmente. Porém, se houver confirmação de causa infecciosa, o médico deve usar o código específico para a infecção (ex.: H83.0 para labirintite).
Vertigem tem cura?
A maioria das causas de vertigem tem tratamento eficaz e boa resolução. A VPPB, por exemplo, tem taxa de cura superior a 90% com manobras. Neurite vestibular geralmente melhora em semanas. Doenças crônicas como Ménière não têm cura definitiva, mas podem ser controladas com tratamento adequado.
Quais exames são essenciais para diagnosticar a causa da vertigem?
Depende da suspeita clínica. Para VPPB, o teste de Dix-Hallpike é suficiente. Para causas centrais, ressonância magnética de crânio. A audiometria e a videonistagmografia são importantes na suspeita de doença labiríntica. Exames de sangue ajudam a descartar causas sistêmicas.
Posso fazer exercícios físicos se tenho vertigem?
Sim, mas com cautela. Atividades de baixo impacto como caminhada, alongamento e tai chi podem ajudar na recuperação. Evite exercícios que exijam mudanças bruscas de posição ou risco de queda até que os sintomas estejam controlados. A reabilitação vestibular é a forma mais segura de reintroduzir a atividade física.
O que fazer durante uma crise de vertigem?
Sentar ou deitar imediatamente em um local seguro, fixar o olhar em um ponto fixo, evitar movimentar a cabeça. Se houver náusea, use medicação antiemética prescrita. Se a crise for intensa ou acompanhada de sinais de alerta (ver seção de urgência), procure atendimento médico.
Vertigem pode ser causada por ansiedade?
Sim. Transtornos de ansiedade, estresse e síndrome do pânico podem desencadear tontura e vertigem. Nesses casos, a vertigem é chamada de psicogênica ou relacionada ao estresse. O tratamento envolve psicoterapia, manejo do estresse e, em alguns casos, medicação ansiolítica.
Qual a diferença entre VPPB e doença de Ménière?
A VPPB é causada por cristais de cálcio deslocados nos canais semicirculares, gerando crises curtas (segundos a minutos) desencadeadas por movimentos da cabeça. A doença de Ménière é um distúrbio do labirinto caracterizado por crises de vertigem que duram de 20 minutos a 12 horas, acompanhadas de zumbido, perda auditiva flutuante e plenitude auricular.
O CID R42 dá direito a aposentadoria?
Isoladamente, não. O R42 é um código de sintoma. Para concessão de benefícios previdenciários, é necessário que seja identificada uma doença específica que cause incapacidade permanente para o trabalho, como doença de Ménière avançada ou síndrome vestibular crônica. A avaliação é feita pela perícia médica do INSS.
Preciso de um médico especialista para tratar vertigem?
O clínico geral ou médico de família pode iniciar a investigação e tratar as causas mais comuns. Casos refratários, atípicos ou com suspeita de doença central devem ser encaminhados ao otorrinolaringologista (para causas periféricas) ou neurologista (para suspeita central).
Vertigem pode causar queda? Como prevenir?
Sim, a vertigem é uma das principais causas de quedas em idosos. Para prevenir, evite andar em ambientes escuros ou com obstáculos, use calçados antiderrapantes, instale barras de apoio no banheiro e levante-se lentamente da cama ou cadeira. Se as crises forem frequentes, utilize bengala ou andador.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
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