Estima‑se que, em 2026, aproximadamente 1 em cada 200 crianças brasileiras apresente algum grau de coxa valga identificável em exames de rotina, sendo a displasia do desenvolvimento do quadril a principal causa nessa faixa etária. O diagnóstico precoce reduz em até 70% a necessidade de cirurgias corretivas na vida adulta.
Você já sentiu um incômodo na lateral do quadril ou notou que uma das pernas parece “desalinhada” ao caminhar? Esses sinais podem estar associados a uma condição chamada coxa valga, uma alteração na anatomia do fêmur que afeta a biomecânica do quadril. Neste artigo, explicamos de forma clara e acessível o que é coxa valga, suas causas, sintomas, tratamentos e como preveni‑la, com base nas evidências mais recentes.
- O que é: Deformidade do colo do fêmur que aumenta o ângulo entre o colo e a diáfise femoral (ângulo >135°), levando a alterações na marcha e sobrecarga articular.
- Quando ocorre: Pode ser congênita (presente ao nascimento) ou adquirida ao longo da vida, devido a doenças ósseas, traumas ou desequilíbrios musculares.
- Quem trata: Ortopedista especialista em quadril, fisioterapeuta e, em crianças, cirurgião pediátrico ortopédico.
- Urgência: Baixa (geralmente evolui lentamente), mas requer avaliação médica para evitar complicações como artrose precoce.
- Tratamento: Depende da gravidade: observação, fisioterapia, órteses ou cirurgia corretiva (osteotomia).
Marina, 34 anos, professora, começou a sentir dor na virilha e no joelho direito após longas caminhadas. Ao procurar um ortopedista, foi diagnosticada com coxa valga leve bilateral. O médico explicou que o aumento do ângulo do colo do fêmur sobrecarregava a cartilagem da articulação do quadril. Com fisioterapia para fortalecer os glúteos e ajustes na postura durante a caminhada, Marina conseguiu reduzir a dor e evitar a progressão da deformidade. Seis meses depois, voltou a dar aulas sem desconforto.
O que é coxa valga e como se manifesta
A coxa valga é uma deformidade do fêmur proximal caracterizada pelo aumento do ângulo entre o colo do fêmur e a diáfise femoral. Enquanto o ângulo normal de inclinação do colo do fêmur é de aproximadamente 125° a 135° em adultos, na coxa valga esse ângulo ultrapassa 135° (frequentemente >140°). Essa alteração altera a distribuição de carga na articulação do quadril, sobrecarregando a cartilagem da cabeça femoral e do acetábulo, especialmente na região medial. A manifestação mais comum é a dor na virilha (região inguinal), que pode irradiar para a coxa e o joelho. Muitos pacientes percebem que a perna do lado afetado parece estar mais “voltada para fora” (rotação externa) e que caminham com o pé levemente aberto. A claudicação (marcha anormal) é frequente quando a deformidade é moderada a grave. Em crianças, os pais podem observar que a criança manca ou tem dificuldade para praticar esportes. Além disso, a coxa valga é um fator de risco para o desenvolvimento de osteoartrose do quadril precocemente, por volta dos 40-50 anos, se não tratada. O diagnóstico é confirmado por radiografias da pelve (panorâmica de quadril) com medição do ângulo cérvico-diafisário. Em alguns casos, a tomografia computadorizada pode fornecer detalhes tridimensionais para planejamento cirúrgico.
Causas mais comuns
A coxa valga pode ter origem congênita (presente ao nascimento) ou ser adquirida ao longo da vida. As causas mais frequentes incluem:
1. Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ): É a principal causa em crianças. O fêmur não se desenvolve adequadamente dentro do acetábulo, gerando um ângulo cérvico-diafisário aumentado. A DDQ é mais comum em bebês que nasceram na posição pélvica (sentados), em meninas e em famílias com histórico da condição.
2. Paralisia cerebral: O desequilíbrio muscular, especialmente a fraqueza dos abdutores do quadril e espasticidade dos adutores, pode levar à coxa valga progressiva. Até 60% das crianças com paralisia cerebral desenvolvem algum grau de deformidade.
3. Raquitismo: A deficiência de vitamina D ou cálcio enfraquece os ossos, permitindo que o colo femoral se deforme sob o peso corporal. É uma causa clássica em crianças pequenas, mas pode ocorrer em adultos com osteomalácia.
4. Doença de Legg-Calvé-Perthes: Nessa condição, a cabeça femoral sofre necrose avascular (falta de irrigação sanguínea) durante a infância, resultando em deformidades residuais, incluindo coxa valga.
5. Traumas: Fraturas do colo do fêmur mal consolidadas podem cicatrizar com aumento do ângulo, gerando coxa valga secundária. Isso é frequente em fraturas em crianças (fêmur proximal) quando não reduzidas adequadamente.
Além dessas, doenças neuromusculares como mielomeningocele e distrofia muscular também podem causar a deformidade. Em adultos, a osteoartrose avançada do quadril pode levar a um colapso do acetábulo e consequente alteração angular, embora nesse caso a coxa valga seja uma adaptação secundária.
Causas graves que exigem atenção imediata
Embora a coxa valga seja geralmente uma condição de progressão lenta, certas causas demandam avaliação médica urgente. A seguir, listamos as situações que merecem atenção imediata:
• Fratura recente do colo do fêmur: Em especial em idosos ou pacientes com osteoporose. Uma fratura pode desalinhar o ângulo femoral e, se não tratada cirurgicamente, evoluir para coxa valga com necrose da cabeça femoral. O sinal de alerta é dor intensa no quadril após uma queda, incapacidade de apoiar o pé e encurtamento da perna.
• Infecção óssea (osteomielite) no fêmur proximal: Crianças com febre, dor local e recusa para andar podem ter uma infecção que destrói a placa de crescimento, levando rapidamente a deformidades como coxa valga. A internação e o uso de antibióticos intravenosos são urgentes.
• Tumores ósseos (benignos ou malignos) na região do colo femoral: Tumores como cisto ósseo aneurismático ou sarcoma podem enfraquecer o osso e causar fraturas patológicas, alterando o ângulo femoral. Sintomas como dor noturna, inchaço local e perda de peso exigem investigação com exames de imagem e biópsia.
• Epifisiólise da cabeça femoral (deslizamento da epífise): É uma emergência ortopédica em adolescentes, em que a cabeça do fêmur desliza em relação ao colo. Pode simular coxa valga aguda. O paciente apresenta dor súbita no quadril e joelho, claudicação e limitação da rotação interna. O tratamento cirúrgico deve ser feito em até 24-48 horas para evitar necrose avascular.
Qualquer dor persistente no quadril em crianças ou adultos, associada a febre, incapacidade de andar ou deformidade visível, deve ser avaliada em um pronto‑socorro ortopédico.
Como o médico faz o diagnóstico
O diagnóstico de coxa valga é essencialmente clínico e radiológico. O ortopedista inicia com uma anamnese detalhada, perguntando sobre queixas de dor (localização, intensidade, fatores de piora e melhora), histórico de quedas, doenças prévias (raquitismo, paralisia cerebral), cirurgias ortopédicas e história familiar de problemas no quadril. Em crianças, os pais são questionados sobre o parto, posição intrauterina e marcos do desenvolvimento motor.
O exame físico inclui a inspeção da marcha (observação da assimetria, claudicação, rotação externa da perna), palpação de pontos dolorosos no quadril e testes de amplitude de movimento. Manobras como o teste de Trendelenburg (capacidade de sustentar o quadril sobre uma perna) podem revelar fraqueza dos abdutores, comum na coxa valga. A medição do ângulo de inclinação femoral pode ser feita clinicamente com um goniômetro, mas a confirmação é radiológica.
O padrão‑ouro para diagnóstico é a radiografia panorâmica da pelve (AP de quadril) com os membros inferiores rodados internamente em 15° a 20°. Nessa imagem, mede‑se o ângulo cérvico-diafisário (ângulo entre o eixo do colo e o eixo da diáfise femoral). Valores acima de 135° indicam coxa valga. A tomografia computadorizada (TC) com reconstrução 3D é utilizada em casos complexos, principalmente quando se planeja cirurgia corretiva, pois mostra com precisão a orientação tridimensional da deformidade. A ressonância magnética (RM) não é necessária para o diagnóstico, mas pode avaliar a cartilagem articular, a presença de necrose avascular ou lesões associadas. Em crianças, o ultrassom do quadril é o exame de escolha nos primeiros meses de vida para rastrear displasia do desenvolvimento, podendo detectar coxa valga incipiente.
O ortopedista também pode solicitar exames laboratoriais (cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, vitamina D) quando há suspeita de raquitismo ou osteomalácia como causa base.
Tratamentos disponíveis
O tratamento da coxa valga depende da idade do paciente, da gravidade da deformidade (ângulo e compensações), da presença de sintomas e da causa subjacente. As opções vão desde acompanhamento conservador até cirurgias corretivas. Abaixo, detalhamos as principais abordagens:
1. Observação e monitoramento: Em crianças com coxa valga leve (ângulo entre 135° e 140°) e assintomáticas, a conduta é apenas acompanhamento clínico e radiológico semestral ou anual. Muitas melhoram com o crescimento, especialmente quando associadas à displasia leve.
2. Fisioterapia: Indicada em todos os casos sintomáticos, independentemente da necessidade de cirurgia. O foco é fortalecer os músculos abdutores (glúteo médio e mínimo) e extensores do quadril, melhorar a biomecânica da marcha e aliviar a sobrecarga articular. Alongamentos para adutores encurtados também são importantes. A fisioterapia pode reduzir a dor e retardar a progressão da deformidade.
3. Órteses e imobilização: Em lactentes com displasia do quadril associada, o uso de órtese de Pavlik (suspensão) ou aparelho gessado (como o gesso de Milgram) ajuda a centralizar a cabeça femoral no acetábulo, corrigindo a coxa valga incipiente. O tratamento ortótico deve ser iniciado precocemente, até os 6 meses de idade, para melhores resultados.
4. Medicação: Em casos de raquitismo, a reposição de vitamina D e cálcio é essencial para fortalecer o osso e evitar a progressão da deformidade. Anti‑inflamatórios não esteroidais (AINEs) como ibuprofeno podem ser usados para controle da dor aguda, sempre sob prescrição médica.
5. Cirurgia (osteotomia femoral corretiva): Indicada quando o ângulo de coxa valga é superior a 150°, a deformidade é progressiva, há dor incapacitante, claudicação importante ou complicações como instabilidade articular ou artrose precoce. A cirurgia consiste em uma osteotomia (corte) no fêmur proximal para reduzir o ângulo e realinhar a articulação. Existem técnicas como osteotomia varizante (fechamento de cunha) ou osteotomia de encurtamento. Em crianças, a fixação é feita com placas e parafusos; em adultos, pode-se usar haste intramedular. A recuperação pós‑operatória exige fisioterapia intensiva e carga protegida por 6 a 12 semanas.
Em casos de coxa valga secundária a doenças neuromusculares (paralisia cerebral), a cirurgia pode ser combinada com liberação de adutores (tenotomia) para evitar recidiva.
Cuidados em casa e alívio dos sintomas
Para pacientes com coxa valga leve a moderada, algumas medidas caseiras podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, desde que associadas ao acompanhamento médico. Confira as principais recomendações:
• Modificação de atividades: Evite impactos repetitivos como corrida em superfícies duras, saltos e agachamentos profundos. Troque por atividades de baixo impacto, como natação, hidroginástica, ciclismo (com banco adequado) e caminhada em terreno plano. O uso de calçados com bom amortecimento também reduz a transmissão de carga ao quadril.
• Fortalecimento muscular em casa: Exercícios simples, como elevação lateral da perna (em decúbito lateral, com a perna estendida), ponte (elevação do quadril) e alongamento de adutores (sentado, afastando as pernas), podem ser feitos diariamente, sempre sem dor. Um fisioterapeuta pode orientar a execução correta.
• Controle do peso: O excesso de peso sobrecarrega a articulação do quadril. Manter o índice de massa corporal (IMC) dentro da faixa saudável reduz a pressão sobre a cartilagem e pode aliviar a dor. Uma dieta equilibrada, rica em cálcio e vitamina D, também contribui para a saúde óssea.
• Uso de gelo e analgesia: Após atividades que causem dor, aplicar gelo na região lateral do quadril por 15‑20 minutos pode diminuir a inflamação. O uso de analgésicos como paracetamol ou AINEs tópicos (diclofenaco em gel) deve ser orientado pelo médico, evitando automedicação.
• Correção postural: Ao sentar, evite cruzar as pernas, que favorece rotação externa do quadril. Use cadeiras com apoio firme e, ao dirigir, mantenha os joelhos na altura do quadril. Dormir de lado com um travesseiro entre os joelhos pode manter o alinhamento pélvico.
Lembre-se: esses cuidados são complementares ao tratamento médico e não substituem a avaliação especializada. Se os sintomas piorarem ou surgirem sinais de alerta (como incapacidade de andar), procure um médico.
Quando ir ao pronto‑socorro
A coxa valga, por si só, raramente exige ida ao pronto‑socorro. No entanto, algumas situações associadas à deformidade ou suas complicações requerem atendimento de urgência. Vá a um pronto‑socorro ortopédico ou hospitalar se apresentar:
• Dor súbita e intensa no quadril ou virilha, especialmente após uma queda ou trauma, que impeça de apoiar o pé no chão. Pode indicar fratura do colo do fêmur, mesmo em pacientes jovens.
• Incapacidade repentina de andar ou claudicação grave, principalmente em crianças e adolescentes. Pode ser sinal de epifisiólise da cabeça femoral (deslizamento da epífise), que é uma emergência cirúrgica.
• Febre alta associada a dor no quadril, com ou sem vermelhidão local. Sugere artrite séptica (infecção na articulação) ou osteomielite, que requer antibióticos intravenosos e, às vezes, drenagem cirúrgica.
• Deformidade visível ou assimetria repentina dos membros inferiores, como uma perna mais curta ou rodada para fora sem causa aparente.
• Sintomas neurológicos, como formigamento, dormência ou fraqueza na perna, que podem indicar compressão nervosa (nervo ciático) por uma fratura desviada ou tumor.
Em pacientes com coxa valga conhecida, o pronto‑socorro também deve ser procurado se a dor não ceder com analgésicos comuns, se houver piora progressiva ou se surgirem sinais de trombose venosa profunda (inchaço, calor, vermelhidão na perna) após cirurgia ortopédica recente.
Como prevenir
A prevenção da coxa valga depende da causa subjacente. Embora nem todos os fatores sejam controláveis, algumas medidas podem reduzir o risco ou a gravidade da deformidade. Confira as principais estratégias preventivas:
• Prevenção do raquitismo: Garantir a ingestão adequada de vitamina D e cálcio desde a infância é fundamental. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda suplementação de vitamina D (400 UI/dia) para todos os lactentes até 12 meses, e para crianças com fatores de risco (baixa exposição solar, pele escura, aleitamento materno exclusivo). O tratamento precoce do raquitismo evita deformidades ósseas permanentes, incluindo coxa valga.
• Detecção precoce da displasia do desenvolvimento do quadril: O exame clínico de triagem (manobra de Ortolani e Barlow) deve ser realizado em todos os recém‑nascidos. O ultrassom do quadril é indicado para bebês com fatores de risco (apresentação pélvica, histórico familiar, sexo feminino) ou alterações no exame físico. O diagnóstico antes de 3 meses de idade permite tratamento conservador com órtese, evitando cirurgias futuras.
• Prevenção de quedas em idosos: A osteoporose aumenta o risco de fraturas do colo do fêmur, que podem consolidar com coxa valga. Exercícios de equilíbrio, fortalecimento muscular, uso de calçados antiderrapantes e a correção de déficits visuais reduzem o risco de quedas. A suplementação de vitamina D e cálcio, quando indicada, também fortalece os ossos.
• Acompanhamento em doenças neuromusculares: Crianças com paralisia cerebral ou mielomeningocele devem ser monitoradas regularmente por equipe multidisciplinar (ortopedista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional). O tratamento precoce de espasticidade (toxina botulínica, baclofeno) e a fisioterapia intensiva podem retardar a progressão da coxa valga.
• Estilo de vida saudável: Manter peso corporal adequado, praticar atividades físicas que fortaleçam os músculos do quadril (natação, pilates, fortalecimento de glúteos) e evitar cargas excessivas na articulação ajudam a preservar a biomecânica normal do quadril ao longo da vida.
Diferença entre coxa valga e condições semelhantes
Algumas condições ortopédicas podem ser confundidas com coxa valga, seja pelos sintomas sobrepostos ou por alterações radiológicas similares. Conhecer as diferenças é essencial para o diagnóstico correto e o tratamento adequado.
• Coxa vara: É o oposto da coxa valga — o ângulo cérvico-diafisário é menor que 125° (geralmente <125°). Enquanto na coxa valga a cabeça femoral se desloca medialmente e o paciente apresenta rotação externa e alongamento da perna, na coxa vara há encurtamento do membro, rotação interna e marcha com o pé voltado para dentro. A coxa vara é frequentemente congênita ou secundária a fraturas, enquanto a coxa valga é mais comum em displasias e paralisia cerebral.
• Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ): A DDQ envolve a falta de contenção da cabeça femoral pelo acetábulo, mas nem sempre há aumento do ângulo cervical. A coxa valga pode ser uma consequência da DDQ não tratada. O diagnóstico diferencial se faz pela radiografia: na DDQ, o acetábulo é raso e a cabeça femoral está deslocada lateralmente; na coxa valga pura, o acetábulo pode ser normal e a cabeça femoral está centrada, mas inclinada medialmente.
• Doença de Legg-Calvé-Perthes: Nessa condição, a cabeça femoral sofre necrose avascular, resultando em achatamento e deformidade. Pode evoluir com coxa valga secundária, mas a característica principal é a fragmentação da cabeça femoral nas fases iniciais, visível em radiografias. A dor é mais intensa e a limitação de movimentos é maior do que na coxa valga isolada.
• Osteoartrose do quadril (coxartrose): A artrose avançada pode levar a alterações anatômicas, incluindo colapso do acetábulo e deformidade em valgo do fêmur. No entanto, a osteoartrose é uma condição degenerativa, com dor crônica, rigidez matinal e redução do espaço articular, enquanto a coxa valga primária não apresenta perda inicial de cartilagem.
• Epifisiólise da cabeça femoral (ECF): É uma emergência em adolescentes, caracterizada pelo deslizamento da epífise proximal do fêmur sobre a metáfise, resultando em deformidade aguda. A radiografia mostra a “linha de Harris” ou o sinal de “lua crescente”. Diferente da coxa valga, o desalinhamento é abrupto e exige correção cirúrgica imediata para evitar necrose avascular.
Na prática, o ortopedista utiliza exames de imagem e a história clínica para diferenciar essas condições. Uma abordagem equivocada pode levar a tratamentos ineficazes ou atraso no manejo adequado.
- 01. Se você tem dor na virilha ao caminhar, experimente trocar o calçado por um tênis com amortecimento e suporte lateral. Isso reduz o impacto no quadril e pode aliviar o desconforto.
- 02. Na academia, evite aparelhos que forcem a rotação externa do quadril, como o “abdutor” com carga excessiva. Prefira fortalecer os glúteos com exercícios de elevação pélvica (ponte) e passada lateral com elástico.
- 03. Ao dirigir por longos períodos, faça pausas a cada 2 horas para alongar o quadril e andar alguns passos. Mantenha o banco do carro numa posição que não force seus joelhos para fora.
- 04. Em crianças, observe a marcha: se seu filho manca ou tem dificuldade para correr, agende uma consulta com um ortopedista pediátrico. Quanto mais cedo, melhor o resultado.
- 05. Mantenha um diário de dor: anote quando a dor aparece (após caminhada, corrida, ao subir escadas) e sua intensidade (0 a 10). Leve essas anotações para a consulta médica – elas ajudam no diagnóstico e na escolha do tratamento.
- 06. Nunca ignore a dor no quadril em adolescentes. Pode ser epifisiólise, que exige urgência. Se seu filho adolescente reclamar de dor no joelho ou quadril, leve ao médico imediatamente.
- 07. Invista em uma boa almofada ortopédica para sentar, especialmente se trabalha muitas horas sentado. Ela mantém a pelve alinhada e reduz a sobrecarga no quadril.
Perguntas Frequentes sobre coxa valga causas sintomas tratamento prevenção
1. Coxa valga tem cura?
Sim, tem tratamento e na maioria dos casos é possível corrigir a deformidade ou controlar os sintomas. Em crianças com diagnóstico precoce, o tratamento conservador (órteses) costuma ser suficiente. Em adultos, a fisioterapia e a cirurgia corretiva (osteotomia) podem restaurar a função e aliviar a dor. O objetivo é evitar a progressão para artrose.
2. Coxa valga é grave?
Na maioria dos casos, a coxa valga é uma condição de gravidade baixa a moderada, especialmente quando leve e assintomática. Porém, se não tratada, pode evoluir para artrose precoce do quadril, claudicação e limitação funcional. Causas subjacentes como displasia ou raquitismo podem ter maior gravidade e exigem tratamento específico.
3. Quais os sintomas mais comuns da coxa valga?
O sintoma mais frequente é a dor na região da virilha, que pode irradiar para a coxa e o joelho. Muitos pacientes notam que a perna fica “rodada para fora” (rotação externa) e que caminham com o pé aberto. Crianças podem mancar ou se queixar de cansaço ao praticar esportes. Em adultos, a dor piora com atividades como subir escadas e melhora com o repouso.
4. Coxa valga é hereditária?
Pode haver predisposição genética em alguns casos. A displasia do desenvolvimento do quadril, uma das principais causas de coxa valga, tem um padrão familiar: se um dos pais ou irmão tem a condição, o risco para o bebê é maior. No entanto, nem toda coxa valga é hereditária – fatores ambientais e nutricionais (raquitismo) também são importantes.
5. Qual o melhor tratamento para coxa valga em crianças?
O tratamento depende da causa e da gravidade. Para displasia leve, o uso de órtese de Pavlik (até 6 meses) ou gesso de Milgram pode corrigir a deformidade. Em crianças maiores, a fisioterapia e, se necessário, a cirurgia (osteotomia varizante) são opções. O mais importante é o diagnóstico precoce, idealmente nos primeiros meses de vida.
6. Coxa valga pode causar artrose no futuro?
Sim. O aumento do ângulo do colo femoral altera a distribuição de carga na articulação do quadril, sobrecarregando a cartilagem articular. Com o tempo, isso pode levar a osteoartrose (desgaste da cartilagem) precoce, por volta dos 40-50 anos. O tratamento adequado, incluindo correção cirúrgica quando indicada, reduz esse risco.
7. Coxa valga tem relação com o joelho valgo?
Indiretamente, sim. A coxa valga pode alterar o alinhamento de todo o membro inferior, favorecendo o desenvolvimento de joelho valgo (joelhos “para dentro”) ou geno valgo. No entanto, nem toda coxa valga causa joelho valgo, e o mecanismo é complexo. Uma avaliação ortopédica completa (incluindo radiografias de membros inferiores) é necessária.
8. É possível fazer exercícios com coxa valga?
Sim, mas com orientação. Atividades de baixo impacto, como natação, hidroginástica, pilates e ciclismo (com ajuste correto do banco), são seguras e benéficas. Deve-se evitar corrida em superfícies duras, saltos e agachamentos profundos. Um fisioterapeuta pode prescrever um programa de fortalecimento específico, priorizando os músculos abdutores do quadril.
9. Coxa valga pode ser detectada no ultrassom do quadril em bebês?
Sim, o ultrassom do quadril é o exame de escolha para triagem de displasia do desenvolvimento do quadril nos primeiros meses de vida. Ele consegue visualizar a posição da cabeça femoral e a morfologia do acetábulo, permitindo identificar alterações como coxa valga incipiente. Quanto mais cedo, melhor para o tratamento conservador.
10. Precisa de cirurgia para coxa valga?
Nem sempre. A cirurgia é indicada quando a deformidade é grave (ângulo >150°), progressiva, causa dor incapacitante, claudicação importante ou complicações como instabilidade ou artrose. Em crianças, a cirurgia é reservada para casos que não respondem ao tratamento conservador. Em adultos, a osteotomia pode ser a única opção para alívio da dor e prevenção da artrose.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com especialistas que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Fontes:
MedlinePlus – Coxa valga |
Biblioteca Virtual em Saúde – Deformidades do quadril
Conteúdos relacionados em nosso site:
- Clinica Popular Fortaleza — Consultas Médicas
- Exames na Clinica Popular Fortaleza
- CID F41 — Ansiedade: o que significa
- CID M54 — Dorsalgia (dor nas costas)
- CID J06 — Infecção Respiratória Aguda
- CID K21 — Doença por Refluxo Gastroesofágico
- CID N39 — Infecção do Trato Urinário
- CID G43 — Enxaqueca
- CID J45 — Asma
- Omeprazol: para que serve
- Dipirona: para que serve e como usar
- Ibuprofeno: para que serve
- Amoxicilina: para que serve
- Azitromicina: para que serve
- Paracetamol: para que serve
- O que é meditação guiada
- Saúde coletiva: conceitos e objetivos
- O que é hematoquezia


