segunda-feira, julho 13, 2026

H90 3 Perda De Audicao Bilateral Neurosensorial






H90.3 – Perda Auditiva Bilateral Neurosensorial

H90.3 – Perda Auditiva Bilateral Neurosensorial

Dado importante (2025-2026)

Estima-se que mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivam com algum grau de perda auditiva, e a perda bilateral neurosensorial (CID H90.3) é um dos tipos mais prevalentes em adultos acima de 60 anos, afetando cerca de 40% dos idosos brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde (2025).

Você já sentiu que as pessoas estão murmurando ou que precisa aumentar o volume da televisão cada vez mais? Se isso acontece nos dois ouvidos, pode ser um sinal de perda auditiva bilateral neurosensorial, uma condição que interfere na capacidade de ouvir sons com clareza e impacta a comunicação diária. Este artigo explica de forma simples e completa o que é o CID H90.3, suas causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento, para que você entenda melhor essa condição e saiba como agir.

Resumo rápido

  • O que é: Perda auditiva causada por danos na cóclea (ouvido interno) ou no nervo auditivo, afetando ambos os ouvidos.
  • Quando ocorre: Pode ser congênita (presente desde o nascimento) ou adquirida ao longo da vida, de forma gradual ou súbita.
  • Quem trata: Otorrinolaringologista (médico especialista em ouvido, nariz e garganta) e fonoaudiólogo.
  • Urgência: Moderada; perda súbita é considerada emergência e requer atendimento imediato.
  • Tratamento: Uso de aparelhos auditivos, implante coclear, reabilitação auditiva e, em alguns casos, medicamentos.

Exemplo prático

Dona Maria, 72 anos, começou a notar que estava cada vez mais difícil acompanhar conversas em família, especialmente quando havia barulho de fundo. Ela passou a evitar encontros sociais e se sentia isolada. Após consulta com otorrinolaringologista, realizou audiometria que confirmou perda auditiva bilateral neurosensorial de grau moderado a severo. Com o uso de aparelhos auditivos bilaterais e acompanhamento fonoaudiológico, Dona Maria recuperou a confiança e voltou a participar ativamente da vida social. O diagnóstico precoce foi fundamental para melhorar sua qualidade de vida.

Atenção: Se você ou alguém próximo apresentar perda auditiva súbita (de um dia para o outro) em um ou ambos os ouvidos, procure imediatamente um serviço de urgência. A perda auditiva súbita neurosensorial é uma emergência médica e o tratamento com corticoides nas primeiras 48 horas aumenta significativamente as chances de recuperação.

O que é H90.3 perda auditiva bilateral neurosensorial

O código H90.3 faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) e descreve a perda auditiva bilateral do tipo neurosensorial. “Bilateral” significa que ambos os ouvidos são afetados, enquanto “neurosensorial” indica que o problema está localizado no ouvido interno (cóclea) ou no nervo auditivo, que transmite os sinais sonoros ao cérebro. Diferentemente da perda auditiva condutiva, que ocorre por obstrução ou dano no ouvido externo ou médio (como acúmulo de cera ou infecções), a perda neurosensorial envolve lesões nas células ciliadas da cóclea ou no próprio nervo. Essa condição pode ser de leve a profunda, afetando a capacidade de ouvir sons suaves e até mesmo sons altos, dependendo do grau. É uma das formas mais comuns de deficiência auditiva em adultos e idosos, mas também pode ocorrer em crianças, muitas vezes por causas genéticas. O diagnóstico preciso é essencial para definir a melhor estratégia de reabilitação auditiva e evitar o agravamento do quadro.

Como funciona e qual sua importância no organismo

A audição é um processo complexo que envolve a captação de ondas sonoras pelo ouvido externo, amplificação no ouvido médio e transformação em impulsos elétricos no ouvido interno (cóclea). Na perda auditiva bilateral neurosensorial, essa transformação está comprometida. As células ciliadas da cóclea, responsáveis por converter vibrações em sinais elétricos, são danificadas ou destruídas, ou o nervo auditivo não consegue transmitir adequadamente esses sinais ao cérebro. Isso resulta em dificuldade para perceber sons, especialmente em frequências mais altas (como vozes de crianças ou sons agudos). Além da redução da intensidade dos sons, a compreensão da fala é prejudicada, mesmo quando o volume está adequado – um fenômeno chamado “discriminação auditiva”. Essa condição não afeta apenas a comunicação; estudos mostram que a perda auditiva não tratada está associada a maior risco de isolamento social, depressão, declínio cognitivo e demência em idosos. Portanto, tratá-la vai além da audição: é uma questão de saúde mental e qualidade de vida.

Tipos e variações

A perda auditiva bilateral neurosensorial pode ser classificada de várias maneiras. Quanto ao grau: leve (dificuldade para ouvir sons abaixo de 40 dB), moderada (dificuldade para ouvir sons abaixo de 60 dB), severa (dificuldade para ouvir sons abaixo de 80 dB) e profunda (pouca ou nenhuma percepção sonora). Quanto ao início: congênita (presente ao nascimento, muitas vezes por causas genéticas ou infecções maternas) ou adquirida (que surge ao longo da vida, por envelhecimento, exposição a ruídos, ototóxicos, doenças, etc.). Quanto à progressão: pode ser estável ou progressiva. Existem também variações genéticas específicas, como a síndrome de Usher, que associa perda auditiva a problemas de visão. Identificar o tipo exato é importante para o prognóstico e para escolha do tratamento mais adequado. Por exemplo, perdas leves a moderadas podem ser bem corrigidas com aparelhos auditivos, enquanto perdas severas a profundas podem exigir implante coclear.

Causas e fatores de risco

As causas da perda auditiva bilateral neurosensorial são variadas. Entre as principais estão:

  • Envelhecimento (presbiacusia): a causa mais comum, resultado do desgaste natural das células ciliadas da cóclea ao longo dos anos.
  • Exposição prolongada a ruídos altos: ambientes de trabalho ruidosos, shows, fones de ouvido com volume excessivo podem lesar permanentemente a audição.
  • Fatores genéticos: mutações em dezenas de genes podem causar perda auditiva congênita ou de início tardio.
  • Medicamentos ototóxicos: certos antibióticos (aminoglicosídeos), quimioterápicos (cisplatina), diuréticos e anti-inflamatórios em altas doses podem danificar a cóclea.
  • Doenças infecciosas: meningite, sarampo, caxumba, rubéola congênita e infecções por citomegalovírus podem levar à perda auditiva.
  • Traumas e tumores: traumatismo craniano, neuroma do acústico (tumor benigno no nervo auditivo) e tumores intracranianos podem afetar a audição.
  • Doenças autoimunes: como a síndrome de Cogan ou granulomatose de Wegener, que atacam o ouvido interno.

Fatores de risco incluem histórico familiar, idade avançada, exposição ocupacional a ruído, uso de medicamentos ototóxicos e doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

Sintomas e manifestações clínicas

Os sintomas da perda auditiva bilateral neurosensorial podem ser sutis no início e piorar gradualmente. Os principais sinais incluem:

  • Dificuldade para entender conversas, especialmente em ambientes barulhentos.
  • Necessidade de aumentar o volume da TV, rádio ou celular.
  • Sensação de que as pessoas estão falando baixo ou “murmurando”.
  • Dificuldade para ouvir sons agudos, como campainha, telefone ou pássaros.
  • Zumbido no ouvido (tinnitus) – sensação de apito, chiado ou barulho constante.
  • Sensação de ouvido “entupido” ou pressão, embora não haja obstrução.
  • Em crianças: atraso no desenvolvimento da fala e linguagem, dificuldade escolar e falta de atenção.
  • Isolamento social, irritabilidade e fadiga devido ao esforço para ouvir.

É importante diferenciar de perda auditiva condutiva, que geralmente melhora com tratamento clínico ou cirúrgico. A perda neurosensorial raramente se reverte espontaneamente, mas pode ser manejada com reabilitação.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da perda auditiva bilateral neurosensorial é realizado por um médico otorrinolaringologista, que fará uma anamnese detalhada (histórico de sintomas, exposições, medicações, doenças) e examinará os ouvidos com otoscopia para descartar causas condutivas (cera, infecções). O exame principal é a audiometria tonal e vocal, que mede os limiares auditivos em diferentes frequências (graves, médios e agudos) e a capacidade de compreender a fala. O exame mostra o nível de perda (leve, moderada, severa, profunda) e confirma que o problema é neurosensorial. Outros exames complementares incluem:

  • Imitanciometria: avalia a mobilidade do tímpano e ossículos, útil para excluir causas condutivas.
  • Emissões otoacústicas: testam a função das células ciliadas externas da cóclea; útil em triagem neonatal.
  • Potencial evocado auditivo (PEA/BERA): avalia a integridade do nervo auditivo e vias auditivas centrais.
  • Exames de imagem: como ressonância magnética, indicada se houver suspeita de neuroma do acústico ou alterações estruturais.
  • Testes genéticos: em casos de perda congênita ou familial.

O diagnóstico precoce é crucial, especialmente em crianças, pois permite intervenção antes do atraso na fala e no desenvolvimento cognitivo.

Tratamentos e abordagens terapêuticas

O tratamento da perda auditiva bilateral neurosensorial depende do grau e da causa. Não existe cura, mas há opções eficazes de reabilitação:

  • Aparelhos auditivos (próteses auditivas): indicados para perdas leves a severas. Amplificam os sons e melhoram a compreensão da fala. Modelos modernos são digitais, programáveis e discretos.
  • Implante coclear: para perdas severas a profundas que não se beneficiam de aparelhos auditivos. Um dispositivo eletrônico é implantado cirurgicamente na cóclea, substituindo as células ciliadas danificadas e estimulando diretamente o nervo auditivo.
  • Implante auditivo de tronco cerebral (IATC): opção para pacientes sem nervo auditivo (ex.: neurofibromatose tipo 2).
  • Reabilitação audiologica e fonoaudiológica: treinamento auditivo, leitura labial e estratégias de comunicação.
  • Medicamentos: em casos de perda auditiva súbita, corticoides orais ou intratimpânicos podem reverter parcialmente o quadro se administrados precocemente.
  • Tratamento da causa base: se houver doença autoimune ou infecciosa, tratar a condição subjacente pode estabilizar a audição.

O acompanhamento multidisciplinar (otorrinolaringologista, fonoaudiólogo, psicólogo, assistente social) é fundamental para o sucesso terapêutico e adaptação psicossocial.

Prevenção e cuidados contínuos

Embora nem toda perda auditiva possa ser prevenida, algumas medidas reduzem significativamente o risco:

  • Evite exposição a ruídos altos: use protetores auriculares em ambientes barulhentos (fábricas, shows, obras).
  • Limite o volume de fones de ouvido (regra 60/60: no máximo 60% do volume por até 60 minutos por dia).
  • Faça exames auditivos periódicos, especialmente se tiver histórico familiar ou trabalhar em ambientes ruidosos.
  • Controle doenças crônicas como diabetes e hipertensão, que podem afetar a vascularização da cóclea.
  • Evite medicamentos ototóxicos sem orientação médica.
  • Mantenha hábitos saudáveis: alimentação balanceada, exercícios, não fumar e moderar consumo de álcool.
  • Para gestantes: pré-natal adequado e vacinação contra rubéola e outras infecções que podem causar perda auditiva congênita.
  • Crianças: realizar o teste da orelhinha ao nascimento e monitorar marcos de desenvolvimento auditivo.

O cuidado contínuo inclui follow-up com otorrinolaringologista, ajuste periódico de aparelhos auditivos e participação em grupos de apoio.

Quando procurar ajuda médica

Você deve procurar um médico otorrinolaringologista se apresentar qualquer um dos seguintes sinais:

  • Dificuldade persistente para ouvir conversas, especialmente em grupo ou com ruído de fundo.
  • Necessidade de aumentar o volume de aparelhos eletrônicos acima do normal.
  • Sensação de zumbido constante em um ou ambos os ouvidos.
  • Perda auditiva súbita (horas a dias) – é urgência médica.
  • Histórico de exposição a ruído intenso, trauma craniano ou uso de medicamentos ototóxicos.
  • Criança com atraso na fala ou dificuldade escolar que pode estar relacionada à audição.
  • Familiares com perda auditiva precoce.

Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são as chances de reabilitação bem-sucedida e de minimizar os impactos sociais, emocionais e cognitivos.

Dicas Práticas

  1. 01. Faça um teste de audição online confiável como triagem, mas lembre-se que só o exame médico confirma o diagnóstico.
  2. 02. Ao conversar com alguém com perda auditiva, olhe diretamente para a pessoa, fale claro, sem gritar, e reduza ruídos de fundo.
  3. 03. Use legendas na TV e em vídeos para não forçar a audição e melhorar a compreensão.
  4. 04. Invista em aparelhos auditivos com tecnologia de redução de ruído, que melhoram a experiência em ambientes movimentados.
  5. 05. Participe de grupos de apoio ou associações de deficientes auditivos – o suporte social é essencial para adaptação.
  6. 06. Mantenha consultas regulares com fonoaudiólogo para ajustes e treino auditivo, mesmo após adaptação com prótese.
  7. 07. Se você tem filhos, observe se eles se assustam com sons altos, se viram quando chamados ou se têm dificuldade na escola – pode ser sinal de perda auditiva.
  8. 08. Evite limpar os ouvidos com cotonetes; eles podem empurrar cera e causar impactação ou lesões.

Perguntas Frequentes sobre H90.3 perda auditiva bilateral neurosensorial

1. Perda auditiva bilateral tem cura?

Não existe cura definitiva para a perda auditiva neurosensorial, pois as células ciliadas da cóclea danificadas não se regeneram. No entanto, a condição pode ser tratada com aparelhos auditivos, implante coclear e reabilitação, proporcionando melhora significativa na audição e na qualidade de vida.

2. Aparelho auditivo resolve para todos os graus de perda?

Aparelhos auditivos são eficazes para perdas leves a severas. Para perdas profundas, o implante coclear é geralmente a melhor opção. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.

3. O que causa perda auditiva neurosensorial em jovens?

Em jovens, as causas incluem exposição a ruídos altos (fones de ouvido, shows), fatores genéticos, infecções (meningite, caxumba), traumatismos cranianos e uso de medicamentos ototóxicos. É importante investigar precocemente.

4. A perda auditiva bilateral é hereditária?

Sim, muitos casos têm origem genética. Cerca de 50% das perdas auditivas congênitas são hereditárias. Mesmo perdas de início tardio podem ter predisposição genética. O aconselhamento genético é útil para planejamento familiar.

5. Pode piorar com o tempo?

Depende da causa. A presbiacusia (perda por idade) tende a progredir lentamente. Perdas por exposição a ruído podem estabilizar se a exposição for interrompida. Perdas genéticas podem ser estáveis ou progressivas. Acompanhamento regular é essencial.

6. Exame de audiometria é doloroso?

Não, a audiometria é um exame indolor. O paciente usa fones de ouvido e indica quando ouve os sons. Pode ser um pouco cansativo, mas não causa desconforto. Crianças podem fazer versões lúdicas do exame.

7. Crianças podem ter perda auditiva bilateral neurosensorial?

Sim, inclusive é uma das causas mais comuns de deficiência auditiva na infância. O diagnóstico precoce pelo teste da orelhinha e acompanhamento é fundamental para evitar atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem.

8. O zumbido sempre acompanha a perda auditiva?

Muitas pessoas com perda auditiva neurosensorial apresentam zumbido (tinnitus), mas nem todas. O zumbido pode ser um sintoma incômodo e, muitas vezes, melhora com o uso de aparelhos auditivos que estimulam a audição e “mascaram” o ruído.

9. Perda auditiva bilateral pode ser súbita?

Sim, é raro, mas pode ocorrer perda auditiva súbita bilateral. Nesse caso, é uma emergência médica. O tratamento com corticoides deve ser iniciado o mais rápido possível para maximizar as chances de recuperação.

10. Existe prevenção vacinal?

Vacinas contra rubéola, sarampo, caxumba e meningite ajudam a prevenir infecções que podem causar perda auditiva. A vacinação é uma forma importante de prevenção primária, especialmente em crianças e gestantes.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 25/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.

Leia mais em fontes confiáveis:
MedlinePlus – Perda auditiva |
MSD Manual – Perda auditiva

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