quarta-feira, julho 8, 2026

O que é cirurgia prostática






O que é cirurgia prostática: tipos, riscos, recuperação

Dado importante

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre homens, com cerca de 65 mil novos casos estimados para 2026. A cirurgia prostática, quando indicada precocemente, pode alcançar taxas de cura superiores a 90% nos tumores localizados.

Você ou alguém próximo recebeu a indicação de uma cirurgia na próstata e não sabe exatamente o que esperar? Esse tipo de procedimento pode gerar muitas dúvidas e até ansiedade. A cirurgia prostática é uma intervenção cirúrgica realizada para tratar condições que afetam a próstata, como hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata) ou câncer de próstata. Neste artigo, explicaremos de forma clara e acessível os principais tipos, riscos, recuperação e tudo que você precisa saber para se preparar.

Resumo rápido

  • O que é: Cirurgia para remover parte ou toda a próstata, aliviando sintomas urinários ou tratando câncer.
  • Quando ocorre: Quando o aumento da próstata causa sintomas graves ou quando há diagnóstico de câncer localizado.
  • Quem trata: Urologista, profissional especializado em doenças do sistema urinário e órgãos masculinos.
  • Urgência: Moderada a alta, dependendo do estágio da doença. Casos de retenção urinária aguda ou câncer agressivo requerem avaliação imediata.
  • Tratamento: Ressecção transuretral (RTU), prostatectomia radical (aberta, laparoscópica ou robótica), entre outras técnicas minimamente invasivas.
Exemplo prático

João, 62 anos, começou a acordar várias vezes à noite para urinar, sentia que a bexiga não esvaziava completamente e, ocasionalmente, notava sangue na urina. Após exames, o urologista diagnosticou hiperplasia prostática benigna (HPB) com volume prostático elevado e sintomas moderados a graves. Como os medicamentos não trouxeram alívio suficiente, o médico indicou uma ressecção transuretral da próstata (RTU). João foi submetido ao procedimento, passou dois dias no hospital e, após três semanas, já notava uma melhora significativa no fluxo urinário e na qualidade do sono.

Atenção: Incapacidade súbita de urinar (retenção urinária aguda), dor intensa na região pélvica, febre alta associada a infecção urinária ou presença de sangue abundante na urina são sinais de alerta. Nesses casos, procure imediatamente um serviço de emergência.

O que é a cirurgia prostática e quando é indicada

A cirurgia prostática é um termo que abrange diferentes procedimentos cirúrgicos realizados na próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Ela envolve a uretra (canal da urina) e sua função principal é produzir parte do líquido seminal. Quando a próstata aumenta de tamanho – seja por hiperplasia benigna (HPB) ou por câncer –, pode comprimir a uretra e causar sintomas urinários como jato fraco, urgência para urinar, aumento da frequência urinária, especialmente à noite, e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.

A indicação da cirurgia depende do diagnóstico e da gravidade. Na HPB, a cirurgia é indicada quando os sintomas são moderados a graves e não respondem ao tratamento medicamentoso, ou quando surgem complicações como infecções urinárias de repetição, sangramento, cálculos na bexiga ou retenção urinária. Já no câncer de próstata, a prostatectomia radical (remoção completa da próstata) é uma opção curativa para tumores localizados e de risco intermediário a alto, especialmente em pacientes com expectativa de vida superior a 10 anos. A decisão é sempre individualizada, levando em conta idade, estado geral de saúde, estágio da doença e preferências do paciente.

Como o procedimento é realizado

Existem diversas técnicas cirúrgicas para tratar a próstata, e a escolha depende da condição a ser tratada, do tamanho da próstata, da experiência do cirurgião e dos recursos disponíveis. As principais são:

  • Ressecção transuretral da próstata (RTU): Indicada principalmente para HPB. Um ressectoscópio é inserido pela uretra até a próstata, e o tecido prostático é cortado em pequenos fragmentos, que são removidos. Não há cortes externos e o tempo de recuperação é mais curto.
  • Prostatectomia radical (aberta): Remoção completa da próstata e das vesículas seminais. Pode ser feita por incisão abdominal (via suprapúbica) ou perineal. É utilizada no tratamento do câncer.
  • Prostatectomia laparoscópica (incluindo robótica): Técnica minimamente invasiva, com pequenas incisões e uso de câmera e instrumentos especiais. O robô cirúrgico (cirurgia robótica) oferece maior precisão, menor perda sanguínea e recuperação mais rápida.
  • Enucleação a laser (HoLEP, ThuLEP): Usa energia laser para vaporizar e remover o tecido prostático obstrutivo. Ideal para próstatas muito grandes, com menor sangramento e curta internação.
  • Embolização da artéria prostática: Procedimento minimamente invasivo realizado por radiologia intervencionista, que bloqueia o fluxo sanguíneo para a próstata, reduzindo seu tamanho. Não é exatamente uma cirurgia, mas uma alternativa.

O procedimento pode ser realizado sob anestesia geral ou raquianestesia. A duração varia de 1 a 3 horas, dependendo da técnica e da complexidade.

Preparo e cuidados antes do procedimento

Antes da cirurgia prostática, o paciente passa por uma avaliação pré-operatória completa. O urologista solicita exames de sangue (incluindo PSA, hemograma, coagulação e função renal), urina (cultura) e, muitas vezes, exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética. É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes (como AAS, clopidogrel, varfarina) e anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramento. Em geral, esses medicamentos são suspensos alguns dias antes, sob orientação médica.

O paciente deve estar com a bexiga vazia no momento da cirurgia. Pode ser recomendado jejum de 6 a 8 horas antes. Em alguns casos, o médico prescreve antibiótico profilático para reduzir o risco de infecção. Também é importante que o paciente evite fumar e consumir álcool nos dias que antecedem o procedimento, pois isso prejudica a cicatrização e a recuperação. Preparar o ambiente doméstico para o pós-operatório – como ter alguém para auxiliar, deixar medicamentos e itens de higiene ao alcance – também ajuda a tornar a recuperação mais tranquila.

O que esperar durante o procedimento

No dia da cirurgia, o paciente é internado e encaminhado ao centro cirúrgico. Dependendo da técnica, a anestesia pode ser geral (o paciente dorme completamente) ou regional (raquianestesia, em que fica acordado, mas sem dor da cintura para baixo). Durante a cirurgia, a equipe monitora constantemente os sinais vitais. No caso da RTU, o cirurgião insere o instrumento pela uretra e realiza a remoção do tecido prostático em fragmentos. Na prostatectomia radical, são feitas incisões e a próstata é dissecada e removida.

É comum a colocação de um cateter vesical (sonda) ao final do procedimento, que permanece por um a vários dias, para drenar a urina e permitir a cicatrização da uretra. O paciente pode sentir algum desconforto ou cólica leve, controlado com medicamentos. A equipe de enfermagem orienta sobre os cuidados iniciais. A duração total do procedimento costuma ser de 1 a 4 horas, e o paciente é então levado à sala de recuperação pós-anestésica, onde permanece até estar acordado e estável.

Recuperação e cuidados pós-procedimento

A recuperação da cirurgia prostática varia conforme a técnica utilizada. Na RTU e nos procedimentos a laser, o paciente geralmente fica internado de 1 a 2 dias e pode retornar às atividades leves em cerca de uma semana. Já na prostatectomia radical aberta ou laparoscópica, a internação pode ser de 2 a 4 dias, e o repouso domiciliar se estende por 4 a 6 semanas. Durante esse período, é essencial seguir as orientações médicas:

  • Evitar esforços físicos, levantar peso (mais de 5 kg) e dirigir nas primeiras semanas.
  • Manter a hidratação adequada para ajudar a limpar a bexiga e reduzir o risco de infecção.
  • Não usar aspirina ou anti-inflamatórios sem autorização médica.
  • Observar a cor da urina: é normal que fique avermelhada nos primeiros dias, mas deve clarear progressivamente.
  • Realizar curativos conforme orientação e manter a região genital limpa e seca.
  • Retornar ao consultório para retirada da sonda (quando presente) e avaliação pós-operatória.

Atividades sexuais podem ser retomadas após liberação médica, geralmente entre 4 a 6 semanas. A continência urinária (controle da urina) pode demorar semanas ou meses para se restabelecer completamente, e alguns pacientes podem apresentar incontinência temporária. Exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico (fisioterapia pélvica) ajudam na recuperação.

Riscos e complicações possíveis

Como toda cirurgia, a cirurgia prostática apresenta riscos e possíveis complicações, que devem ser discutidos com o médico antes do procedimento. Os principais incluem:

  • Sangramento: Pode ocorrer durante ou após a cirurgia. Na RTU, o sangramento é geralmente leve, mas em casos raros pode exigir transfusão.
  • Infecção: Infecção urinária ou de sítio cirúrgico. A profilaxia antibiótica reduz esse risco.
  • Incontinência urinária: Perda involuntária de urina. É mais comum após prostatectomia radical, mas a maioria dos pacientes recupera o controle em até 12 meses.
  • Disfunção erétil: A cirurgia pode afetar os nervos responsáveis pela ereção. Técnicas que preservam esses nervos (cirurgia poupadora de nervos) reduzem o risco, mas não eliminam.
  • Estenose de uretra: Estreitamento do canal da uretra, que pode dificultar a micção e necessitar de dilatação ou nova cirurgia.
  • Ejaculação retrógrada: Incapacidade de ejacular normalmente, pois o sêmen vai para a bexiga em vez de sair pelo pênis. É comum após RTU e não causa danos à saúde.
  • Lesão de órgãos adjacentes: Como reto, bexiga ou ureteres, embora seja rara.
  • Reações à anestesia.

O risco de complicações graves é baixo quando a cirurgia é realizada por equipe experiente e em ambiente hospitalar adequado.

Alternativas ao procedimento

Nem toda condição prostática exige cirurgia. Existem alternativas que podem ser consideradas, dependendo do caso. Para a hiperplasia prostática benigna, as opções não cirúrgicas incluem:

  • Medicamentos: Alfa-bloqueadores (como tansulosina) relaxam os músculos da próstata e da bexiga; inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida) reduzem o tamanho da próstata a longo prazo. Podem ser usados isolados ou combinados.
  • Terapias minimamente invasivas: Ablação por micro-ondas (TUMT), agulhamento transuretral (TUNA), ou vaporização a laser (PVP) – menos invasivas que a cirurgia, com recuperação mais rápida, mas menos eficazes em próstatas muito grandes.
  • Embolização da artéria prostática: Bloqueio seletivo do fluxo sanguíneo, reduzindo o tamanho prostático. Indicada para pacientes que não podem ou não desejam fazer cirurgia.

Para o câncer de próstata localizado, as alternativas à cirurgia incluem radioterapia (externa ou braquiterapia), vigília ativa (monitoramento sem tratamento imediato para tumores de baixo risco) e hormonioterapia. A escolha deve ser compartilhada entre médico e paciente, considerando benefícios e efeitos colaterais.

Resultado e o que ele indica

O resultado da cirurgia prostática varia conforme o objetivo. Na HPB, o principal resultado é a melhora dos sintomas urinários: jato mais forte, menos idas ao banheiro, sono de melhor qualidade e esvaziamento completo da bexiga. A taxa de sucesso sintomático é elevada, superior a 85% em 5 anos, embora alguns pacientes possam necessitar de retratamento a longo prazo.

No câncer de próstata, a prostatectomia radical visa a remoção completa do tumor, com margens cirúrgicas negativas e ausência de evidência de doença. O exame anatomopatológico da peça cirúrgica fornece informações cruciais sobre o estadiamento e o risco de recidiva. O acompanhamento inclui dosagens periódicas de PSA para detectar precocemente uma possível recorrência. Quando o PSA se mantém indetectável após 5 anos, as chances de cura são muito altas.

É importante lembrar que resultados funcionais como continência urinária e função erétil podem levar tempo para se estabilizar. A reabilitação urológica e o suporte psicológico são parte importante do processo.

Quando é urgente procurar médico

Embora a cirurgia prostática seja geralmente segura, alguns sinais de alerta exigem procura imediata de atendimento médico ou hospitalar:

  • Incapacidade total de urinar após a retirada da sonda, com dor abdominal intensa.
  • Sangramento abundante na urina (coágulos grandes ou urina vermelha viva persistente por mais de 24 horas).
  • Febre acima de 38°C, acompanhada de calafrios ou dor lombar (sugere infecção grave).
  • Dor intensa na região pélvica ou abdominal que não melhora com analgésicos.
  • Sinais de trombose venosa profunda (inchaço, dor e vermelhidão em uma das pernas) ou embolia pulmonar (falta de ar súbita, dor torácica).
  • Ferida operatória com secreção purulenta, vermelhidão extensa ou deiscência (abertura dos pontos).

Nesses casos, não espere a consulta de retorno agendada. Dirija-se ao pronto-socorro ou entre em contato com o cirurgião imediatamente.

Dicas Práticas

  1. 01. Converse abertamente com seu urologista sobre todas as suas dúvidas, inclusive sobre função sexual e controle urinário – isso ajuda a alinhar expectativas.
  2. 02. Se for submetido a prostatectomia radical, pergunte sobre a possibilidade de cirurgia poupadora de nervos, que preserva a potência sexual.
  3. 03. Antes da cirurgia, compre absorventes urológicos descartáveis – eles serão úteis nos primeiros dias ou semanas para eventuais perdas urinárias.
  4. 04. Inicie exercícios de Kegel (contração do assoalho pélvico) antes da cirurgia, se autorizado pelo médico, para fortalecer a musculatura e melhorar a recuperação da continência.
  5. 05. Não retome a direção veicular antes da liberação médica – o reflexo e a segurança podem estar comprometidos, além do risco de dor ou sangramento.
  6. 06. Mantenha uma alimentação rica em fibras para evitar constipação, que aumenta a pressão na região pélvica e pode causar desconforto.
  7. 07. Tenha paciência: a recuperação completa da função urinária e sexual pode levar até 12 meses. O acompanhamento com fisioterapeuta pélvico é altamente recomendado.

Perguntas Frequentes sobre cirurgia prostática

Qual a diferença entre RTU e prostatectomia radical?

A RTU (ressecção transuretral da próstata) remove apenas a parte interna da próstata que está obstruindo a uretra, preservando a cápsula prostática. É usada para hiperplasia benigna. A prostatectomia radical remove toda a próstata e as vesículas seminais, sendo indicada para câncer de próstata localizado.

A cirurgia prostática causa impotência sexual?

Pode causar disfunção erétil, especialmente na prostatectomia radical. O risco depende da técnica, da preservação dos nervos e da idade. Na RTU, a impotência é menos comum, mas pode ocorrer ejaculação retrógrada (sêmen vai para a bexiga). Converse com seu médico sobre as chances no seu caso.

Quanto tempo dura a recuperação total?

Para RTU ou laser, a recuperação completa leva de 2 a 4 semanas. Já para prostatectomia radical, são necessárias de 6 a 8 semanas para retorno a atividades normais, e até 12 meses para plena recuperação da continência e função erétil.

Preciso ficar internado? Quantos dias?

Sim, a internação é necessária. Na RTU, geralmente 1 a 2 dias. Na prostatectomia radical, 2 a 4 dias. Técnicas robóticas podem reduzir esse tempo. Em alguns casos de procedimentos a laser, a alta pode ser no mesmo dia.

A cirurgia prostática dói?

Durante o procedimento, a anestesia impede a dor. No pós-operatório, pode haver desconforto pélvico leve a moderado, controlado com analgésicos prescritos. A sensação de queimação ao urinar é comum nos primeiros dias, mas melhora rapidamente.

Quais exames são necessários antes da cirurgia?

Os principais são: PSA, hemograma completo, coagulograma, função renal, urina tipo I e urocultura, ultrassonografia abdominal ou pélvica, e eletrocardiograma. Dependendo da idade e comorbidades, podem ser solicitados exames cardiológicos e de imagem mais específicos.

Posso tomar banho após a cirurgia?

Sim, mas com cuidado. Se houver curativo, ele deve ser mantido seco até a autorização médica. Na presença de sonda vesical, evite molhar o local de inserção. Geralmente, após 48 horas, é permitido tomar banho rápido, secando bem a região.

A cirurgia resolve a prostatite crônica?

Geralmente não. A prostatite crônica é uma inflamação que raramente é tratada com cirurgia. O tratamento envolve antibióticos, anti-inflamatórios, fisioterapia e mudanças no estilo de vida. A cirurgia prostática é indicada principalmente para HPB e câncer.

Qual a chance de precisar de uma segunda cirurgia?

Na RTU, cerca de 10 a 15% dos pacientes podem necessitar de um novo procedimento em 10 anos, devido ao crescimento contínuo da próstata. Na prostatectomia radical, a chance de recidiva local que exija nova cirurgia é baixa, mas pode ser necessária radioterapia de resgate em caso de elevação do PSA.

Posso ter filhos depois da cirurgia prostática?

A cirurgia não afeta a produção de espermatozoides, mas pode causar ejaculação retrógrada (na RTU) ou ausência de ejaculação (na prostatectomia radical, com retirada das vesículas seminais). Se houver desejo de fertilidade, é possível coletar sêmen antes da cirurgia para criopreservação.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 25/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.

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