No Brasil, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre homens, com cerca de 65 mil novos casos estimados para 2026. A cirurgia prostática, quando indicada precocemente, pode alcançar taxas de cura superiores a 90% nos tumores localizados.
Você ou alguém próximo recebeu a indicação de uma cirurgia na próstata e não sabe exatamente o que esperar? Esse tipo de procedimento pode gerar muitas dúvidas e até ansiedade. A cirurgia prostática é uma intervenção cirúrgica realizada para tratar condições que afetam a próstata, como hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata) ou câncer de próstata. Neste artigo, explicaremos de forma clara e acessível os principais tipos, riscos, recuperação e tudo que você precisa saber para se preparar.
- O que é: Cirurgia para remover parte ou toda a próstata, aliviando sintomas urinários ou tratando câncer.
- Quando ocorre: Quando o aumento da próstata causa sintomas graves ou quando há diagnóstico de câncer localizado.
- Quem trata: Urologista, profissional especializado em doenças do sistema urinário e órgãos masculinos.
- Urgência: Moderada a alta, dependendo do estágio da doença. Casos de retenção urinária aguda ou câncer agressivo requerem avaliação imediata.
- Tratamento: Ressecção transuretral (RTU), prostatectomia radical (aberta, laparoscópica ou robótica), entre outras técnicas minimamente invasivas.
João, 62 anos, começou a acordar várias vezes à noite para urinar, sentia que a bexiga não esvaziava completamente e, ocasionalmente, notava sangue na urina. Após exames, o urologista diagnosticou hiperplasia prostática benigna (HPB) com volume prostático elevado e sintomas moderados a graves. Como os medicamentos não trouxeram alívio suficiente, o médico indicou uma ressecção transuretral da próstata (RTU). João foi submetido ao procedimento, passou dois dias no hospital e, após três semanas, já notava uma melhora significativa no fluxo urinário e na qualidade do sono.
O que é a cirurgia prostática e quando é indicada
A cirurgia prostática é um termo que abrange diferentes procedimentos cirúrgicos realizados na próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Ela envolve a uretra (canal da urina) e sua função principal é produzir parte do líquido seminal. Quando a próstata aumenta de tamanho – seja por hiperplasia benigna (HPB) ou por câncer –, pode comprimir a uretra e causar sintomas urinários como jato fraco, urgência para urinar, aumento da frequência urinária, especialmente à noite, e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
A indicação da cirurgia depende do diagnóstico e da gravidade. Na HPB, a cirurgia é indicada quando os sintomas são moderados a graves e não respondem ao tratamento medicamentoso, ou quando surgem complicações como infecções urinárias de repetição, sangramento, cálculos na bexiga ou retenção urinária. Já no câncer de próstata, a prostatectomia radical (remoção completa da próstata) é uma opção curativa para tumores localizados e de risco intermediário a alto, especialmente em pacientes com expectativa de vida superior a 10 anos. A decisão é sempre individualizada, levando em conta idade, estado geral de saúde, estágio da doença e preferências do paciente.
Como o procedimento é realizado
Existem diversas técnicas cirúrgicas para tratar a próstata, e a escolha depende da condição a ser tratada, do tamanho da próstata, da experiência do cirurgião e dos recursos disponíveis. As principais são:
- Ressecção transuretral da próstata (RTU): Indicada principalmente para HPB. Um ressectoscópio é inserido pela uretra até a próstata, e o tecido prostático é cortado em pequenos fragmentos, que são removidos. Não há cortes externos e o tempo de recuperação é mais curto.
- Prostatectomia radical (aberta): Remoção completa da próstata e das vesículas seminais. Pode ser feita por incisão abdominal (via suprapúbica) ou perineal. É utilizada no tratamento do câncer.
- Prostatectomia laparoscópica (incluindo robótica): Técnica minimamente invasiva, com pequenas incisões e uso de câmera e instrumentos especiais. O robô cirúrgico (cirurgia robótica) oferece maior precisão, menor perda sanguínea e recuperação mais rápida.
- Enucleação a laser (HoLEP, ThuLEP): Usa energia laser para vaporizar e remover o tecido prostático obstrutivo. Ideal para próstatas muito grandes, com menor sangramento e curta internação.
- Embolização da artéria prostática: Procedimento minimamente invasivo realizado por radiologia intervencionista, que bloqueia o fluxo sanguíneo para a próstata, reduzindo seu tamanho. Não é exatamente uma cirurgia, mas uma alternativa.
O procedimento pode ser realizado sob anestesia geral ou raquianestesia. A duração varia de 1 a 3 horas, dependendo da técnica e da complexidade.
Preparo e cuidados antes do procedimento
Antes da cirurgia prostática, o paciente passa por uma avaliação pré-operatória completa. O urologista solicita exames de sangue (incluindo PSA, hemograma, coagulação e função renal), urina (cultura) e, muitas vezes, exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética. É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes (como AAS, clopidogrel, varfarina) e anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramento. Em geral, esses medicamentos são suspensos alguns dias antes, sob orientação médica.
O paciente deve estar com a bexiga vazia no momento da cirurgia. Pode ser recomendado jejum de 6 a 8 horas antes. Em alguns casos, o médico prescreve antibiótico profilático para reduzir o risco de infecção. Também é importante que o paciente evite fumar e consumir álcool nos dias que antecedem o procedimento, pois isso prejudica a cicatrização e a recuperação. Preparar o ambiente doméstico para o pós-operatório – como ter alguém para auxiliar, deixar medicamentos e itens de higiene ao alcance – também ajuda a tornar a recuperação mais tranquila.
O que esperar durante o procedimento
No dia da cirurgia, o paciente é internado e encaminhado ao centro cirúrgico. Dependendo da técnica, a anestesia pode ser geral (o paciente dorme completamente) ou regional (raquianestesia, em que fica acordado, mas sem dor da cintura para baixo). Durante a cirurgia, a equipe monitora constantemente os sinais vitais. No caso da RTU, o cirurgião insere o instrumento pela uretra e realiza a remoção do tecido prostático em fragmentos. Na prostatectomia radical, são feitas incisões e a próstata é dissecada e removida.
É comum a colocação de um cateter vesical (sonda) ao final do procedimento, que permanece por um a vários dias, para drenar a urina e permitir a cicatrização da uretra. O paciente pode sentir algum desconforto ou cólica leve, controlado com medicamentos. A equipe de enfermagem orienta sobre os cuidados iniciais. A duração total do procedimento costuma ser de 1 a 4 horas, e o paciente é então levado à sala de recuperação pós-anestésica, onde permanece até estar acordado e estável.
Recuperação e cuidados pós-procedimento
A recuperação da cirurgia prostática varia conforme a técnica utilizada. Na RTU e nos procedimentos a laser, o paciente geralmente fica internado de 1 a 2 dias e pode retornar às atividades leves em cerca de uma semana. Já na prostatectomia radical aberta ou laparoscópica, a internação pode ser de 2 a 4 dias, e o repouso domiciliar se estende por 4 a 6 semanas. Durante esse período, é essencial seguir as orientações médicas:
- Evitar esforços físicos, levantar peso (mais de 5 kg) e dirigir nas primeiras semanas.
- Manter a hidratação adequada para ajudar a limpar a bexiga e reduzir o risco de infecção.
- Não usar aspirina ou anti-inflamatórios sem autorização médica.
- Observar a cor da urina: é normal que fique avermelhada nos primeiros dias, mas deve clarear progressivamente.
- Realizar curativos conforme orientação e manter a região genital limpa e seca.
- Retornar ao consultório para retirada da sonda (quando presente) e avaliação pós-operatória.
Atividades sexuais podem ser retomadas após liberação médica, geralmente entre 4 a 6 semanas. A continência urinária (controle da urina) pode demorar semanas ou meses para se restabelecer completamente, e alguns pacientes podem apresentar incontinência temporária. Exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico (fisioterapia pélvica) ajudam na recuperação.
Riscos e complicações possíveis
Como toda cirurgia, a cirurgia prostática apresenta riscos e possíveis complicações, que devem ser discutidos com o médico antes do procedimento. Os principais incluem:
- Sangramento: Pode ocorrer durante ou após a cirurgia. Na RTU, o sangramento é geralmente leve, mas em casos raros pode exigir transfusão.
- Infecção: Infecção urinária ou de sítio cirúrgico. A profilaxia antibiótica reduz esse risco.
- Incontinência urinária: Perda involuntária de urina. É mais comum após prostatectomia radical, mas a maioria dos pacientes recupera o controle em até 12 meses.
- Disfunção erétil: A cirurgia pode afetar os nervos responsáveis pela ereção. Técnicas que preservam esses nervos (cirurgia poupadora de nervos) reduzem o risco, mas não eliminam.
- Estenose de uretra: Estreitamento do canal da uretra, que pode dificultar a micção e necessitar de dilatação ou nova cirurgia.
- Ejaculação retrógrada: Incapacidade de ejacular normalmente, pois o sêmen vai para a bexiga em vez de sair pelo pênis. É comum após RTU e não causa danos à saúde.
- Lesão de órgãos adjacentes: Como reto, bexiga ou ureteres, embora seja rara.
- Reações à anestesia.
O risco de complicações graves é baixo quando a cirurgia é realizada por equipe experiente e em ambiente hospitalar adequado.
Alternativas ao procedimento
Nem toda condição prostática exige cirurgia. Existem alternativas que podem ser consideradas, dependendo do caso. Para a hiperplasia prostática benigna, as opções não cirúrgicas incluem:
- Medicamentos: Alfa-bloqueadores (como tansulosina) relaxam os músculos da próstata e da bexiga; inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida) reduzem o tamanho da próstata a longo prazo. Podem ser usados isolados ou combinados.
- Terapias minimamente invasivas: Ablação por micro-ondas (TUMT), agulhamento transuretral (TUNA), ou vaporização a laser (PVP) – menos invasivas que a cirurgia, com recuperação mais rápida, mas menos eficazes em próstatas muito grandes.
- Embolização da artéria prostática: Bloqueio seletivo do fluxo sanguíneo, reduzindo o tamanho prostático. Indicada para pacientes que não podem ou não desejam fazer cirurgia.
Para o câncer de próstata localizado, as alternativas à cirurgia incluem radioterapia (externa ou braquiterapia), vigília ativa (monitoramento sem tratamento imediato para tumores de baixo risco) e hormonioterapia. A escolha deve ser compartilhada entre médico e paciente, considerando benefícios e efeitos colaterais.
Resultado e o que ele indica
O resultado da cirurgia prostática varia conforme o objetivo. Na HPB, o principal resultado é a melhora dos sintomas urinários: jato mais forte, menos idas ao banheiro, sono de melhor qualidade e esvaziamento completo da bexiga. A taxa de sucesso sintomático é elevada, superior a 85% em 5 anos, embora alguns pacientes possam necessitar de retratamento a longo prazo.
No câncer de próstata, a prostatectomia radical visa a remoção completa do tumor, com margens cirúrgicas negativas e ausência de evidência de doença. O exame anatomopatológico da peça cirúrgica fornece informações cruciais sobre o estadiamento e o risco de recidiva. O acompanhamento inclui dosagens periódicas de PSA para detectar precocemente uma possível recorrência. Quando o PSA se mantém indetectável após 5 anos, as chances de cura são muito altas.
É importante lembrar que resultados funcionais como continência urinária e função erétil podem levar tempo para se estabilizar. A reabilitação urológica e o suporte psicológico são parte importante do processo.
Quando é urgente procurar médico
Embora a cirurgia prostática seja geralmente segura, alguns sinais de alerta exigem procura imediata de atendimento médico ou hospitalar:
- Incapacidade total de urinar após a retirada da sonda, com dor abdominal intensa.
- Sangramento abundante na urina (coágulos grandes ou urina vermelha viva persistente por mais de 24 horas).
- Febre acima de 38°C, acompanhada de calafrios ou dor lombar (sugere infecção grave).
- Dor intensa na região pélvica ou abdominal que não melhora com analgésicos.
- Sinais de trombose venosa profunda (inchaço, dor e vermelhidão em uma das pernas) ou embolia pulmonar (falta de ar súbita, dor torácica).
- Ferida operatória com secreção purulenta, vermelhidão extensa ou deiscência (abertura dos pontos).
Nesses casos, não espere a consulta de retorno agendada. Dirija-se ao pronto-socorro ou entre em contato com o cirurgião imediatamente.
- 01. Converse abertamente com seu urologista sobre todas as suas dúvidas, inclusive sobre função sexual e controle urinário – isso ajuda a alinhar expectativas.
- 02. Se for submetido a prostatectomia radical, pergunte sobre a possibilidade de cirurgia poupadora de nervos, que preserva a potência sexual.
- 03. Antes da cirurgia, compre absorventes urológicos descartáveis – eles serão úteis nos primeiros dias ou semanas para eventuais perdas urinárias.
- 04. Inicie exercícios de Kegel (contração do assoalho pélvico) antes da cirurgia, se autorizado pelo médico, para fortalecer a musculatura e melhorar a recuperação da continência.
- 05. Não retome a direção veicular antes da liberação médica – o reflexo e a segurança podem estar comprometidos, além do risco de dor ou sangramento.
- 06. Mantenha uma alimentação rica em fibras para evitar constipação, que aumenta a pressão na região pélvica e pode causar desconforto.
- 07. Tenha paciência: a recuperação completa da função urinária e sexual pode levar até 12 meses. O acompanhamento com fisioterapeuta pélvico é altamente recomendado.
Perguntas Frequentes sobre cirurgia prostática
Qual a diferença entre RTU e prostatectomia radical?
A RTU (ressecção transuretral da próstata) remove apenas a parte interna da próstata que está obstruindo a uretra, preservando a cápsula prostática. É usada para hiperplasia benigna. A prostatectomia radical remove toda a próstata e as vesículas seminais, sendo indicada para câncer de próstata localizado.
A cirurgia prostática causa impotência sexual?
Pode causar disfunção erétil, especialmente na prostatectomia radical. O risco depende da técnica, da preservação dos nervos e da idade. Na RTU, a impotência é menos comum, mas pode ocorrer ejaculação retrógrada (sêmen vai para a bexiga). Converse com seu médico sobre as chances no seu caso.
Quanto tempo dura a recuperação total?
Para RTU ou laser, a recuperação completa leva de 2 a 4 semanas. Já para prostatectomia radical, são necessárias de 6 a 8 semanas para retorno a atividades normais, e até 12 meses para plena recuperação da continência e função erétil.
Preciso ficar internado? Quantos dias?
Sim, a internação é necessária. Na RTU, geralmente 1 a 2 dias. Na prostatectomia radical, 2 a 4 dias. Técnicas robóticas podem reduzir esse tempo. Em alguns casos de procedimentos a laser, a alta pode ser no mesmo dia.
A cirurgia prostática dói?
Durante o procedimento, a anestesia impede a dor. No pós-operatório, pode haver desconforto pélvico leve a moderado, controlado com analgésicos prescritos. A sensação de queimação ao urinar é comum nos primeiros dias, mas melhora rapidamente.
Quais exames são necessários antes da cirurgia?
Os principais são: PSA, hemograma completo, coagulograma, função renal, urina tipo I e urocultura, ultrassonografia abdominal ou pélvica, e eletrocardiograma. Dependendo da idade e comorbidades, podem ser solicitados exames cardiológicos e de imagem mais específicos.
Posso tomar banho após a cirurgia?
Sim, mas com cuidado. Se houver curativo, ele deve ser mantido seco até a autorização médica. Na presença de sonda vesical, evite molhar o local de inserção. Geralmente, após 48 horas, é permitido tomar banho rápido, secando bem a região.
A cirurgia resolve a prostatite crônica?
Geralmente não. A prostatite crônica é uma inflamação que raramente é tratada com cirurgia. O tratamento envolve antibióticos, anti-inflamatórios, fisioterapia e mudanças no estilo de vida. A cirurgia prostática é indicada principalmente para HPB e câncer.
Qual a chance de precisar de uma segunda cirurgia?
Na RTU, cerca de 10 a 15% dos pacientes podem necessitar de um novo procedimento em 10 anos, devido ao crescimento contínuo da próstata. Na prostatectomia radical, a chance de recidiva local que exija nova cirurgia é baixa, mas pode ser necessária radioterapia de resgate em caso de elevação do PSA.
Posso ter filhos depois da cirurgia prostática?
A cirurgia não afeta a produção de espermatozoides, mas pode causar ejaculação retrógrada (na RTU) ou ausência de ejaculação (na prostatectomia radical, com retirada das vesículas seminais). Se houver desejo de fertilidade, é possível coletar sêmen antes da cirurgia para criopreservação.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
MSD Saúde – Informação confiável sobre saúde da próstata
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