quinta-feira, maio 28, 2026

Conização: quando é necessária e sinais de alerta importantes

Você acabou de receber o resultado de uma colposcopia que mostra lesões de alto grau no colo do útero. Talvez seu médico tenha mencionado a palavra “conização” e você ficou sem saber o que esperar. É normal sentir um frio na barriga diante de um procedimento cirúrgico, especialmente quando envolve uma área tão sensível.

Uma leitora de 34 anos nos contou: “Fiquei apavorada quando ouvi que precisava de conização. Pensei que já era câncer. Mas depois que entendi o objetivo, me senti mais tranquila.” Se você está passando por isso, saiba que a conização é um dos procedimentos mais eficazes para prevenir o câncer de colo do útero — e geralmente é bem tolerada.

⚠️ Atenção: Lesões cervicais de alto grau não tratadas podem evoluir para câncer invasivo em 10 a 20 anos. A conização interrompe esse processo e salva vidas. Não adie a conversa com seu ginecologista.

O que é conização — explicação real, não de dicionário

A conização é uma cirurgia ginecológica que remove um pequeno pedaço em forma de cone do colo do útero — daí o nome. Esse fragmento contém as células anormais detectadas em exames como o Papanicolau e a colposcopia.

Diferente do que muitas imaginam, não se trata de uma histerectomia (retirada do útero). A conização preserva o órgão e a fertilidade na maioria dos casos. O objetivo é duplo: tratar a lesão e enviar o material para análise patológica, garantindo que não há células cancerosas além da área removida.

É um procedimento minimamente invasivo, geralmente realizado com anestesia local ou sedação, e dura cerca de 15 a 30 minutos.

Conização é normal ou preocupante?

Se você está se perguntando se a conização é algo grave, a resposta é: ela é necessária justamente para evitar algo grave. As lesões de alto grau (NIC 2 ou NIC 3) não são câncer, mas têm potencial de se tornar se não forem tratadas.

Em termos de risco cirúrgico, a conização é considerada um procedimento de baixa complexidade. As complicações são raras e geralmente leves, como cólicas ou pequeno sangramento nos primeiros dias.

O que preocupa de verdade é ignorar a indicação. Uma leitora nos escreveu: “Deixei para fazer a conização seis meses depois do diagnóstico. Quando fiz, a lesão já tinha crescido e precisei de uma cirurgia maior.” Por isso, seguir a orientação médica no tempo certo faz toda a diferença.

Conização pode indicar algo grave?

A conização em si não é um sinal de gravidade, mas sim a resposta a um achado que precisa ser tratado. O resultado da peça cirúrgica (o cone retirado) é que vai dizer se a lesão estava completamente removida e se não havia células invasivas.

Em cerca de 5% dos casos, a patologia pode revelar um microcarcinoma — estágio inicial do câncer. Nessa situação, a conização já pode ser curativa, sem necessidade de tratamento adicional. Por isso, o procedimento é ao mesmo tempo diagnóstico e terapêutico.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro mais comum entre mulheres no Brasil, mas é altamente prevenível com exames periódicos e tratamento adequado das lesões precursoras.

Causas mais comuns

As lesões que levam à indicação de conização são quase sempre causadas pelo HPV (papilomavírus humano), transmitido por via sexual. Mas nem toda infecção por HPV evolui para lesões de alto grau. Fatores de risco incluem:

Infecção persistente por HPV de alto risco

Os tipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero. A conização é indicada quando a infecção causa alterações celulares significativas.

Imunidade baixa

Mulheres com sistema imunológico comprometido (como em tratamento de doenças autoimunes ou HIV) têm mais chance de desenvolver lesões persistentes.

Tabagismo

Fumar reduz a capacidade do corpo de eliminar o HPV e aumenta o risco de progressão das lesões. Parar de fumar melhora a resposta ao tratamento.

Falta de acompanhamento ginecológico

Lesões iniciais não causam sintomas. Sem o Papanicolau regular, elas podem evoluir silenciosamente. Para entender melhor outros procedimentos ginecológicos, veja o artigo sobre curetagem uterina.

Sintomas associados

As lesões de alto grau raramente dão sinais. Por isso, a maioria das mulheres descobre a necessidade da conização através de exames de rotina. Quando há sintomas, podem incluir:

  • Sangramento vaginal fora da menstruação (especialmente após relação sexual)
  • Corrimento incomum, com odor ou coloração alterada
  • Dor pélvica leve (menos comum)

Importante: muitos desses sintomas também aparecem em outras condições, como infecções ou alterações uterinas. A avaliação médica é essencial para diferenciar.

Como é feito o diagnóstico

O caminho até a indicação da conização segue etapas bem definidas:

  • Papanicolau: exame de rastreamento que identifica células anormais no colo do útero.
  • Colposcopia: exame com lente de aumento que localiza a lesão.
  • Biópsia: confirma o grau da lesão (NIC 1, 2 ou 3).
  • Se a biópsia mostrar NIC 2 ou 3, a conização é indicada para tratamento e confirmação diagnóstica.

De acordo com as diretrizes da FEBRASGO, a conização é o padrão ouro para lesões de alto grau.

Tratamentos disponíveis

Além da conização, existem outras abordagens para lesões cervicais, como a cauterização (queima da lesão) e a crioterapia (congelamento). No entanto, a conização é preferida quando há suspeita de lesão mais profunda ou quando a lesão se estende para dentro do canal cervical.

A escolha do tratamento depende do tamanho, localização e grau da lesão, além da idade e desejo de gestação futura. A conização oferece a vantagem de fornecer material para análise patológica completa. Assim como outros procedimentos, os cuidados pós-operatórios são importantes — confira também o guia sobre cateterismo.


Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).

Última atualização: Maio de 2026

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.

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