Você tem notado a visão embaçada, como se estivesse sempre olhando através de um véu sujo? As cores parecem menos vivas e dirigir à noite se tornou um desafio perigoso? Esses são sinais clássicos que muitos brasileiros relatam antes de descobrirem que têm catarata. É mais comum do que se imagina, especialmente após os 60 anos, mas pode surgir mais cedo.
O que muitos não sabem é que a catarata não é uma “película” sobre o olho, e sim o cristalino — nossa lente natural — ficando opaco. E essa opacidade só tem um tratamento definitivo: a cirurgia. A simples ideia de uma intervenção nos olhos pode causar apreensão. É normal ficar preocupado e ter dúvidas. Uma leitora de 58 anos nos perguntou recentemente: “Mas doutora, é preciso operar logo ou posso esperar?”
O que é facectomia — além da definição técnica
Na prática, a facectomia é o nome cirúrgico para a remoção da catarata. Mas vai muito além de “tirar algo opaco”. Pense nela como a troca de uma lente interna do olho que ficou embaçada por uma nova, transparente e, muitas vezes, capaz de corrigir outros problemas de visão, como miopia ou presbiopia (vista cansada). O objetivo final não é apenas deixar de enxergar turvo, mas devolver a independência e a segurança para atividades simples, como ler, cozinhar ou passear com os netos.
Facectomia é normal ou preocupante?
A necessidade da facectomia é uma consequência natural do envelhecimento para a grande maioria das pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a catarata relacionada à idade é responsável por cerca de 35% de todos os casos de cegueira no mundo. Portanto, precisar da cirurgia é comum e esperado em uma parcela significativa da população idosa.
O que deve servir de alerta é o momento de fazê-la. A decisão não é baseada apenas em um exame, mas no impacto na sua rotina. Se a visão comprometida está impedindo você de fazer o que gosta ou colocando sua segurança em risco, é o sinal de que a facectomia deixou de ser uma possibilidade futura e se tornou uma necessidade presente.
Facectomia pode indicar algo grave?
A facectomia em si é um procedimento para tratar uma condição específica: a catarata. A catarata, por sua vez, é quase sempre um processo degenerativo natural. No entanto, em casos menos frequentes, a opacidade do cristalino pode ser um sinal secundário de outros problemas de saúde, como diabetes descontrolada ou uso prolongado de certos medicamentos (como corticoides).
Por isso, o oftalmologista fará uma investigação completa antes de indicar a facectomia. É fundamental descartar outras doenças oculares que também causam baixa visão. O Ministério da Saúde reforça a importância do diagnóstico preciso, pois tratar apenas a catarata sem enxergar o quadro completo pode não resolver o problema visual do paciente.
Causas mais comuns da catarata
Entender por que a catarata — e consequentemente a necessidade da facectomia — aparece ajuda a desmistificar o problema.
Envelhecimento (Catarata Senil)
É de longe a causa mais comum. Com o tempo, as proteínas do cristalino se aglomeram, causando a opacidade. É um processo lento e progressivo.
Trauma Ocular
Uma pancada forte no olho pode desencadear uma catarata traumática, que pode surgir até anos depois do acidente.
Doenças Sistêmicas
O diabetes mal controlado altera o metabolismo do cristalino, acelerando o surgimento da catarata. Outras condições, como hipotireoidismo, também podem influenciar.
Uso de Medicamentos
O uso crônico de corticoides, seja oral, tópico ou inalatório, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de catarata.
Sintomas associados que levam à indicação da facectomia
A indicação para facectomia surge quando os sintomas deixam de ser apenas um incômodo e passam a ser um obstáculo. Fique atento se você perceber:
Visão embaçada ou nublada: É o sintoma principal. Piora gradualmente, como se um véu fosco cobrisse os olhos.
Dificuldade com luzes: Faróis de carro à noite criam grandes halos e ofuscamento. A luz do sol pode parecer excessivamente forte.
Cores desbotadas: O mundo perde o brilho. Tons de azul e roxo podem ser especialmente difíceis de distinguir.
Mudança frequente no grau dos óculos: Se sua prescrição de óculos muda constantemente em um curto período, pode ser o cristalino alterando sua forma.
Quando esses sinais começam a dificultar tarefas como ler, assistir TV, costurar ou dirigir, é hora de conversar seriamente com um oftalmologista sobre a facectomia. Para entender outros procedimentos que visam melhorar a função do corpo, você pode ler sobre a rizotomia, um procedimento para alívio de dor crônica.
Como é feito o diagnóstico para a facectomia
O caminho até a decisão pela facectomia passa por uma avaliação oftalmológica minuciosa. Não basta o médico olhar e ver a catarata; é preciso medir seu impacto e planejar a cirurgia com precisão milimétrica.
O exame de fundo de olho com pupila dilatada é essencial para avaliar a densidade da catarata e a saúde da retina. A biometria é um exame crucial que mede o comprimento do olho e a curvatura da córnea para calcular o grau exato da lente intraocular que será implantada. Esse planejamento detalhado é o que garante um bom resultado visual pós-facectomia.
Assim como na oftalmologia, outras especialidades utilizam tecnologias avançadas para diagnóstico. Na ortopedia, por exemplo, a laterofusão é um procedimento de imagem usado para avaliar problemas na coluna.
Tratamentos disponíveis: a cirurgia é a única opção?
Infelizmente, sim. Não existem colírios, exercícios ou comprimidos que façam a catarata regredir. A facectomia é o único tratamento eficaz. A boa notícia é que a técnica evoluiu tremendamente.
A facectomia moderna mais comum é a facoemulsificação. Nela, o cirurgião faz uma microincisão (menor que 3 mm), utiliza ultrassom para fragmentar a catarata e aspira os fragmentos. Em seguida, implanta a lente intraocular dobrável. É um procedimento rápido, geralmente feito com anestesia local em gotas, e sem pontos.
Para quem também tem astigmatismo, existem lentes intraoculares tóricas. Para quem deseja independência de óculos para perto e longe, há lentes multifocais ou EDOF. A escolha da lente é uma decisão personalizada, feita em conjunto com o cirurgião. Se você tem interesse em outros procedimentos oftalmológicos corretivos, conheça mais sobre o LASIK, uma cirurgia a laser para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo.
O que NÃO fazer quando se considera a facectomia
Diante do diagnóstico de catarata, algumas atitudes podem atrasar o tratamento ideal ou até piorar o quadro.
NÃO adie indefinidamente a cirurgia por medo. Uma catarata muito madura (“hipermadura”) fica dura, dificultando a fragmentação e aumentando o risco durante a facectomia.
NÃO acredite em soluções milagrosas. Desconfie de qualquer produto que prometa dissolver ou curar a catarata sem cirurgia.
NÃO ignore os sintomas no outro olho. A catarata geralmente é bilateral. Se um olho foi operado e o outro também está com visão ruim, a facectomia no segundo olho é igualmente importante para ter visão de profundidade e equilíbrio.
NÃO abandone o acompanhamento no pós-operatório. Usar os colírios prescritos e comparecer às consultas de revisão é vital para o sucesso da facectomia e para prevenir complicações.
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre facectomia
A facectomia dói?
Durante a cirurgia, não. A anestesia é feita com colírios e/ou uma injeção leve ao redor do olho, eliminando qualquer dor. Você pode sentir uma pressão ou movimento, mas não dor. No pós-operatório, é comum uma sensação de areia ou leve incômodo, facilmente controlado com os colírios analgésicos prescritos.
Quanto tempo leva a cirurgia?
A facectomia por facoemulsificação é um procedimento muito rápido, geralmente entre 15 e 20 minutos por olho. O tempo total na sala de preparo e recuperação é maior, mas o ato cirúrgico em si é ágil.
Preciso usar óculos depois da facectomia?
Depende do tipo de lente intraocular escolhida. Com lentes monofocais (a mais comum pelo SUS), você provavelmente precisará de óculos para perto. Com lentes premium (multifocais, EDOF ou tóricas), a chance de independência dos óculos para a maioria das atividades é muito alta. Seu oftalmologista discutirá as opções.
Posso ter rejeição à lente implantada?
Não, no sentido clássico de “rejeição” como em um transplante. A lente intraocular é feita de material biocompatível (como acrílico ou silicone) que não provoca reação do sistema imunológico. O que pode ocorrer, em alguns casos, é uma opacificação da cápsula onde a lente está apoiada, tratada facilmente com um rápido procedimento a laser.
Quando posso voltar a dirigir?
A maioria dos pacientes retorna a dirigir dentro de uma semana após a facectomia, mas isso varia conforme a recuperação de cada um e a visão no outro olho. É fundamental ter a liberação do seu oftalmologista, que confirmará se sua acuidade visual já atingiu o padrão legal para dirigir com segurança.
A catarata pode voltar depois da facectomia?
Não. A catarata é a opacidade do cristalino, que é removido por completo na facectomia. O que pode acontecer, como mencionado, é a opacificação da cápsula posterior (membrana que sustenta a lente), causando sintomas similares. Esse quadro, chamado de “catarata secundária”, é resolvido em minutos com um laser no consultório.
Existe idade máxima para fazer a facectomia?
Não existe uma idade limite absoluta. A decisão pela facectomia leva em conta o estado geral de saúde do paciente, não apenas a idade cronológica. Idosos saudáveis de 90 anos ou mais são operados com sucesso quando a cirurgia pode melhorar significativamente sua qualidade de vida e segurança.
Quanto tempo dura o efeito da cirurgia?
O efeito da facectomia é permanente. A lente intraocular implantada não se deteriora com o tempo. A visão alcançada após a recuperação total tende a ser estável pelo resto da vida, a menos que surjam outras doenças oculares não relacionadas, como degeneração macular ou glaucoma.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
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