quarta-feira, julho 8, 2026

O Que e Garrotilho

Dado importante

Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 2.340 casos de difteria (garrotilho) no mundo, com 198 óbitos. No Brasil, a cobertura vacinal contra difteria caiu para 76% em 2024, o menor índice em 15 anos, elevando o risco de surtos em regiões com baixa imunização.

O que é garrotilho, causas, sintomas e tratamento: como se manifesta

Você já ouviu falar em garrotilho? Esse nome antigo e popular pode soar estranho, mas ele se refere a uma doença grave e potencialmente fatal: a difteria. Causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, o garrotilho afeta principalmente as vias aéreas superiores, formando uma membrana espessa e acinzentada na garganta que pode obstruir a respiração. Além disso, a bactéria libera uma toxina que se espalha pela corrente sanguínea, podendo danificar o coração, os rins e o sistema nervoso. Embora rara em países com alta cobertura vacinal, o garrotilho ainda representa uma ameaça em comunidades com baixa imunização. Neste artigo, você vai entender as causas, os sintomas, o diagnóstico e o tratamento dessa condição, além de aprender como se proteger.

Resumo rápido

  • O que é: Infecção bacteriana aguda causada pelo Corynebacterium diphtheriae, que forma uma membrana na garganta e libera toxinas sistêmicas.
  • Quando ocorre: Principalmente em crianças não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto; surtos em comunidades com baixa cobertura.
  • Quem trata: Infectologista, clínico geral ou pediatra; casos graves requerem UTI.
  • Urgência: Alta – requer atendimento médico imediato.
  • Tratamento: Soro antidiftérico (antitoxina) + antibióticos (penicilina ou eritromicina) + suporte respiratório, se necessário.
Exemplo prático

Maria Clara, 6 anos, moradora de uma comunidade no interior do Ceará, começou com dor de garganta, febre baixa e moleza. A mãe achou que fosse uma amigdalite comum e deu analgésicos caseiros. Três dias depois, a menina apresentou dificuldade para respirar, rouquidão intensa e um chiado ao inspirar. Na emergência, o médico visualizou uma membrana cinzenta cobrindo as amígdalas e a úvula. O diagnóstico de difteria foi confirmado por cultura. Ela recebeu soro antitóxico e antibióticos, precisou de oxigênio e ficou internada por 10 dias. Felizmente, não houve complicações cardíacas. O caso de Maria Clara mostra como o garrotilho pode evoluir rapidamente e a importância da vacinação em dia.

Atenção: Se você ou alguém apresentar dor de garganta acompanhada de dificuldade para respirar, rouquidão intensa, “cão ladrando” (tosse estridulosa) ou uma placa esbranquiçada/acizentada na garganta que não sai ao tentar limpar, procure imediatamente um pronto-socorro. O garrotilho pode levar à obstrução das vias aéreas em horas. Não tente remover a membrana em casa.

Causas mais comuns

A causa do garrotilho é exclusivamente a infecção pela bactéria Corynebacterium diphtheriae. Essa bactéria é transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas respiratórias – quando um doente tosse, espirra ou fala perto de outra pessoa. O contato direto com objetos contaminados (como copos, talheres ou brinquedos) também pode espalhar a bactéria. O período de incubação é de 2 a 5 dias. A doença se instala preferencialmente nas mucosas da garganta e nariz, mas pode afetar também a pele (difteria cutânea).

Os fatores de risco mais comuns para contrair o garrotilho incluem: falta de vacinação ou vacinação incompleta (a vacina tríplice bacteriana DTP ou a pentavalente protege contra difteria); viagem para áreas endêmicas (como partes da Ásia, África, Europa Oriental e América Latina com baixa cobertura); contato próximo com pessoas infectadas (moradia em aglomerações); e sistema imunológico comprometido. Crianças não vacinadas entre 1 e 5 anos são as mais afetadas, mas adultos sem reforço vacinal também podem adoecer.

Causas graves que exigem atenção imediata

Embora a infecção inicial seja localizada, a toxina diftérica produzida pela bactéria é a grande responsável pelas complicações graves. Quando a toxina entra na corrente sanguínea, pode causar miocardite (inflamação do músculo cardíaco), que leva a arritmias e insuficiência cardíaca; neuropatia (paralisia do palato, músculos oculares, diafragma ou membros); e insuficiência renal. A membrana na garganta pode crescer e obstruir completamente a laringe, causando asfixia – uma emergência que exige intubação ou traqueostomia imediata.

Outra causa grave é a difteria cutânea, que forma úlceras crônicas na pele, geralmente em regiões tropicais. Embora menos tóxica, pode servir como reservatório para a transmissão. Sinais de alerta que exigem atendimento de urgência incluem: estridor (chiado inspiratório), retrações torácicas, cianose (lábios azulados), batimento de asas do nariz, paralisia do véu palatino (voz anasalada e regurgitação de líquidos) e dor no peito.

Como o médico faz o diagnóstico

O diagnóstico do garrotilho é principalmente clínico, baseado na aparência característica da membrana – uma pseudomembrana espessa, aderente, de cor cinza-esbranquiçada, que sangra ao tentar descolar – e nos sintomas respiratórios altos. No entanto, a confirmação laboratorial é essencial. O médico coleta um swab (cotonete) da garganta ou da membrana para realizar cultura bacteriana em meio especial (Loeffler ou Tinsdale). A visualização do Corynebacterium diphtheriae ao microscópio e a prova de toxigenicidade (teste de Elek) confirmam o diagnóstico.

Exames complementares incluem: hemograma (leucocitose com neutrofilia), eletrocardiograma (para avaliar comprometimento cardíaco), dosagem de enzimas cardíacas (CK-MB, troponina) e exames de imagem como radiografia de tórax (para ver extensão da membrana na traqueia). Em casos suspeitos, o tratamento com soro e antibióticos deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar confirmação laboratorial, pois cada hora conta para evitar a toxemia.

Tratamentos disponíveis

O tratamento do garrotilho é uma emergência médica. As principais abordagens são:

1. Administração de soro antidiftérico (antitoxina): neutraliza a toxina circulante. Deve ser dado o mais rápido possível, por via intravenosa, após teste de sensibilidade. A dose varia conforme a gravidade (de 20.000 a 120.000 UI).
2. Antibioticoterapia: elimina a bactéria e interrompe a produção de toxina. A penicilina G procaína intramuscular ou a eritromicina oral/endovenosa são as drogas de escolha, por 14 dias.
3. Suporte respiratório: se houver obstrução das vias aéreas, pode ser necessária intubação orotraqueal ou traqueostomia.
4. Cuidados intensivos: monitoramento cardíaco, hidratação, suporte nutricional e, em casos de miocardite, uso de cardiotônicos e antiarrítmicos.
5. Isolamento respiratório: o paciente fica em quarto privativo até o fim do tratamento antibiótico e duas culturas negativas consecutivas.

O tratamento não é feito em casa. A internação hospitalar é obrigatória. O prognóstico melhora significativamente quando o soro é administrado nos primeiros dias de sintomas. A letalidade global é de 5 a 10%, mas pode chegar a 20% em crianças pequenas e não tratadas.

Cuidados em casa e alívio dos sintomas

Após a alta hospitalar, o paciente com garrotilho precisa de cuidados especiais. O repouso absoluto é fundamental, pois a toxina pode causar danos cardíacos tardios (miocardite subclínica). Evite esforços físicos por pelo menos 4 a 6 semanas. A alimentação deve ser pastosa ou líquida, para facilitar a deglutição, e rica em nutrientes para apoiar a recuperação.

Para alívio dos sintomas, o médico pode prescrever analgésicos e antitérmicos (paracetamol ou dipirona, sempre com orientação). Não use anti-inflamatórios sem avaliação médica, pois podem mascarar complicações. Mantenha a hidratação e umidifique o ambiente com vaporizador para aliviar a tosse. Nunca tente remover a membrana – ela se desprenderá espontaneamente durante o tratamento. Acompanhamento médico periódico é essencial para monitorar o coração e o sistema neurológico.

Quando ir ao pronto-socorro

Você deve procurar o pronto-socorro imediatamente se apresentar qualquer um dos seguintes sinais:

  • Dor de garganta intensa com surgimento de placa branca acinzentada na garganta ou nas amígdalas;
  • Dificuldade para respirar (falta de ar, chiado, “cão latindo”);
  • Rouquidão progressiva ou perda da voz;
  • Dificuldade para engolir, com salivação excessiva;
  • Febre alta (acima de 38,5°C) com mal-estar geral;
  • Pescoço inchado (aspecto de “pescoço de touro” devido a linfadenopatia);
  • Sinais de paralisia (voz anasalada, regurgitação nasal de líquidos);
  • Dor no peito, palpitações ou desmaio.

Lembre-se: o garrotilho é uma doença de notificação compulsória imediata. Se houver suspeita, o serviço de saúde deve ser comunicado para iniciar bloqueio vacinal e investigação de contatos.

Como prevenir

A prevenção do garrotilho é altamente eficaz por meio da vacinação. A vacina contra difteria está disponível no calendário nacional do SUS em três formulações:

  • Pentavalente (DTP + hepatite B + Hib) – administrada aos 2, 4 e 6 meses.
  • Tríplice bacteriana (DTP) – reforços aos 15 meses e 4 anos.
  • dT (dupla adulto) – reforço a cada 10 anos para adolescentes e adultos, e em gestantes a partir da 20ª semana.

Além da vacinação, medidas de higiene como lavar as mãos frequentemente, cobrir boca e nariz ao tossir/espirrar e evitar compartilhar objetos pessoais ajudam a reduzir a transmissão. Se você teve contato próximo com um caso confirmado, deve receber quimioprofilaxia com antibiótico (eritromicina ou penicilina) e ser monitorado por 7 a 10 dias. A vacinação de bloqueio (reforço) é indicada para todos os contatos não vacinados.

Diferença entre garrotilho e condições semelhantes

Muitas doenças respiratórias podem se confundir com o garrotilho. Veja as principais diferenças:

Garrotilho (difteria) × Amigdalite bacteriana (estreptocócica): Na amigdalite, as placas são branco-amareladas, mais soltas e fáceis de remover, geralmente sem formação de membrana aderente. Há febre alta e exsudato, mas raramente causa rouquidão intensa ou dificuldade respiratória progressiva.

Garrotilho × Laringotraqueíte viral (crupe): O crupe é viral (parainfluenza), tem tosse ladrante típica e estridor, mas não forma membrana. Geralmente é autolimitado e melhora com corticoides e vapor. Não há toxemia sistêmica.

Garrotilho × Epiglotite: A epiglotite (por Haemophilus influenzae tipo b) causa obstrução rápida, dificuldade para engolir saliva e posição de tripé (sentado, inclinado para frente). Não há membrana visível, e a língua pode estar protrusa. É uma emergência, mas o tratamento é diferente.

O diagnóstico diferencial é crucial, pois o tratamento específico com antitoxina só se aplica ao garrotilho.

Dicas Práticas

  1. 01. Mantenha a caderneta de vacinação em dia: crianças devem receber as doses da pentavalente e reforços da DTP; adultos precisam de reforço a cada 10 anos com a vacina dupla adulto (dT).
  2. 02. Ao viajar para regiões com baixa cobertura vacinal, tome a vacina pelo menos duas semanas antes da partida.
  3. 03. Em caso de surto na sua comunidade, evite aglomerações e use máscara para reduzir a transmissão respiratória.
  4. 04. Se você foi contato de um caso de difteria, procure a unidade de saúde para receber a profilaxia antibiótica e o reforço vacinal – não espere os sintomas aparecerem.
  5. 05. Fique atento aos sinais de obstrução respiratória em crianças: chiado, retração de costelas, batimento de asas do nariz – esses sintomas exigem avaliação imediata.
  6. 06. Nunca use remédios caseiros ou faça gargarejos para remover a membrana da garganta – isso pode piorar a obstrução e disseminar a toxina.
  7. 07. Após o tratamento, mantenha acompanhamento cardiológico (ECG e ecocardiograma) nos meses seguintes, pois a miocardite pode ser tardia.

Perguntas Frequentes sobre garrotilho

O garrotilho tem cura?

Sim, o garrotilho tem cura, desde que o tratamento seja iniciado precocemente. A administração do soro antidiftérico neutraliza a toxina, e os antibióticos eliminam a bactéria. Com cuidados intensivos, a maioria dos pacientes se recupera completamente. A taxa de letalidade cai para menos de 5% com tratamento adequado.

Quanto tempo dura a doença?

A fase aguda dura de 7 a 14 dias. A membrana costuma desaparecer em 5 a 7 dias após o início do tratamento. Contudo, as complicações cardíacas e neurológicas podem prolongar a recuperação por semanas ou meses. O isolamento é mantido até que duas culturas de garganta deem negativo para difteria.

O garrotilho é contagioso?

Sim, altamente contagioso. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e contato direto com secreções. Uma pessoa infectada pode transmitir a bactéria de 2 a 3 semanas sem tratamento; com antibióticos, a transmissão cessa em 24 a 48 horas. O isolamento respiratório é obrigatório.

Garrotilho é a mesma coisa que difteria?

Sim, garrotilho é o nome popular para a difteria. O termo “garrotilho” refere-se ao som característico de “garrote” ou “engasgo” produzido pela obstrução da garganta. Ambos designam a mesma infecção bacteriana.

Quem já teve garrotilho pode ter novamente?

Sim, a infecção natural não confere imunidade duradoura. Por isso, mesmo quem já teve difteria deve receber a vacina para se proteger. O tratamento com soro antitóxico neutraliza a toxina, mas não gera memória imunológica contra a bactéria.

Qual a diferença entre garrotilho e croup?

O croup (ou laringotraqueíte viral) é causado por vírus, afeta crianças pequenas e provoca tosse “ladrante” e estridor, mas não forma membrana na garganta. O garrotilho causa uma membrana aderente e toxemia sistêmica, sendo muito mais grave. O tratamento difere: o croup usa corticoides; o garrotilho exige antitoxina e antibióticos.

A vacina contra difteria protege por quanto tempo?

A proteção inicial com as três doses da pentavalente é alta, mas diminui com o tempo. Os reforços da DTP na infância e os reforços com a vacina dupla adulto (a cada 10 anos) são essenciais para manter a imunidade. Adultos não vacinados há mais de 10 anos devem tomar um reforço.

Como sei se a minha vacina está em dia?

Verifique sua caderneta de vacinação ou a de seus filhos. Crianças devem ter o esquema completo da pentavalente (2, 4 e 6 meses) e os reforços da DTP (15 meses e 4 anos). Adolescentes e adultos devem ter tomado pelo menos uma dose da dT nos últimos 10 anos. Em caso de dúvida, procure a UBS mais próxima.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil. Data da revisão: maio de 2026.

Última atualização: 25/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.

Leia mais sobre difteria em fontes confiáveis:
MedlinePlus – Diphtheria |
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde |
Hospital Israelita Albert Einstein – Difteria

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