Você já sentiu uma dor aguda nas costas ou ao urinar e descobriu, depois de exames, que tem ácido úrico alto na urina? Muitas pessoas convivem com essa alteração sem saber, até que uma crise de cólica renal ou um diagnóstico de gota apareça. O que parece ser apenas um “exame alterado” pode, na prática, ser o primeiro sinal da hiperuricosúria.
É normal ficar preocupado ao receber um resultado de exame de urina com ácido úrico elevado. A hiperuricosúria, que é a excreção excessiva de ácido úrico na urina, é um fator de risco importante para a formação de cálculos renais de ácido úrico, conforme destacam estudos disponíveis no PubMed/NCBI. Além disso, essa condição pode estar associada a distúrbios metabólicos mais amplos, como a síndrome metabólica, que envolve resistência à insulina, hipertensão e alterações nos lipídios sanguíneos. O acompanhamento médico é essencial para diferenciar causas dietéticas de problemas renais ou metabólicos subjacentes.
O diagnóstico preciso vai além do exame de urina isolado. O médico geralmente solicita dosagens sanguíneas de ácido úrico, creatinina e ureia, além de avaliar o pH da urina, que é um fator crucial na cristalização do ácido úrico. Exames de imagem, como a ultrassonografia renal e de vias urinárias, são fundamentais para detectar a presença de cálculos. A Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde oferece diretrizes para o manejo de distúrbios metabólicos que podem orientar a investigação clínica.
O tratamento da hiperuricosúria é multifatorial. A primeira linha de ação envolve mudanças no estilo de vida, como aumentar significativamente a ingestão de água para diluir a urina e reduzir a concentração de ácido úrico. Modificações dietéticas, como reduzir o consumo de carnes vermelhas, frutos do mar, bebidas alcoólicas (especialmente cerveja) e alimentos ricos em frutose, são recomendadas. Em muitos casos, quando as medidas conservadoras não são suficientes ou o paciente já apresenta cálculos, o médico pode prescrever medicamentos como o alopurinol (para reduzir a produção de ácido úrico) ou o citrato de potássio (para alcalinizar a urina e aumentar a solubilidade do ácido úrico).
A prevenção de complicações é um pilar central do manejo. Pacientes com hiperuricosúria devem realizar monitoramento periódico com exames de urina e dosagem de ácido úrico no sangue. Manter um peso saudável através de dieta equilibrada e exercícios físicos regulares ajuda a melhorar a sensibilidade à insulina e a reduzir a produção endógena de ácido úrico. É importante ressaltar que a automedicação com fármacos que alteram a excreção de ácido úrico é perigosa e deve ser evitada, sendo fundamental o acompanhamento com um nefrologista ou urologista.
O que é hiperuricosúria?
Hiperuricosúria é o termo médico para designar a excreção anormalmente elevada de ácido úrico na urina, geralmente definida como mais de 800 mg em 24 horas para homens ou 750 mg para mulheres. Ela pode ser idiopática (sem causa conhecida) ou secundária a condições como dieta rica em purinas, obesidade, gota, síndrome metabólica, doenças renais ou uso de certos medicamentos.
Ácido úrico alto na urina causa pedra nos rins?
Sim, é uma das principais causas. Quando a urina está supersaturada de ácido úrico e, principalmente, se estiver muito ácida (com pH baixo), o ácido úrico tende a cristalizar. Esses cristais podem agregar-se e formar cálculos renais puros de ácido úrico ou atuar como núcleo para a formação de cálculos de outros tipos, como os de oxalato de cálcio.
Quais os sintomas do ácido úrico alto na urina?
Muitas vezes é assintomática. Os sintomas geralmente aparecem quando há formação de cálculos, podendo incluir dor lombar intensa e intermitente (cólica renal), dor ou ardência ao urinar, urina com aspecto turvo ou avermelhada (hematúria), náuseas e vômitos. Em casos de gota, pode haver dor e inflamação nas articulações.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é confirmado pelo exame de urina de 24 horas, que quantifica com precisão a excreção de ácido úrico. Exames complementares essenciais incluem dosagem de ácido úrico no sangue, creatinina, ureia, análise do pH urinário e exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia computadorizada para avaliar a presença de cálculos.
Quais alimentos devem ser evitados?
Deve-se reduzir o consumo de alimentos ricos em purinas: carnes vermelhas, vísceras (fígado, rins), frutos do mar (sardinha, anchova, marisco), caldos de carne concentrados e embutidos. Bebidas alcoólicas (principalmente cerveja) e alimentos/drinks com alto teor de frutose (refrigerantes, sucos industrializados, xarope de milho) também aumentam a produção de ácido úrico.
Beber água ajuda a baixar o ácido úrico na urina?
Sim, de forma significativa. A ingestão abundante de água (2 a 3 litros por dia, salvo contraindicação médica) dilui a urina, reduz a concentração de ácido úrico e diminui o risco de cristalização e formação de cálculos. É uma das medidas mais simples e eficazes no controle da hiperuricosúria.
Hiperuricosúria tem cura?
Depende da causa. Quando é decorrente de fatores dietéticos e de estilo de vida, a correção destes hábitos pode normalizar os níveis. Nos casos secundários a doenças metabólicas ou renais crônicas, o objetivo é o controle contínuo para prevenir complicações, como cálculos renais e danos à função renal, mantendo a condição sob controle a longo prazo.
Qual médico devo procurar?
O clínico geral pode iniciar a investigação. No entanto, para um acompanhamento especializado, os médicos mais indicados são o nefrologista (especialista em rins) ou o urologista (especialista no trato urinário). Em casos associados a distúrbios metabólicos como gota, um reumatologista também pode atuar no manejo. O Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta sobre a atuação das diferentes especialidades.
Encontre clínicas com preços acessíveis.
👉 Ver clínicas disponíveis
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.


