De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2026), o uso inadequado de antibióticos como o Keflex contribui para o aumento da resistência bacteriana, que já causa mais de 700 mil mortes por ano no mundo. Estima-se que, até 2050, esse número possa chegar a 10 milhões.
Você já recebeu uma receita médica com o nome “Keflex” e ficou em dúvida sobre o que era? Esse medicamento é um antibiótico muito usado no Brasil para infecções bacterianas comuns, como amigdalite, infecção de pele ou infecção urinária. Mas é essencial entender como ele funciona, quando é indicado e quais cuidados tomar. Neste artigo, você vai descobrir tudo sobre o Keflex (cefalexina) de forma clara e acessível.
- O que é: Keflex é o nome comercial da cefalexina, um antibiótico da classe das cefalosporinas de primeira geração, usado para combater infecções bacterianas.
- Quando ocorre: Indicado para infecções das vias respiratórias, pele e tecidos moles, trato urinário, ossos e articulações.
- Quem trata: Médicos clínicos gerais, infectologistas, pediatras, ortopedistas, urologistas e dermatologistas.
- Urgência: Moderada – o antibiótico deve ser iniciado sob prescrição médica, e sinais de alergia ou reações graves requerem atendimento imediato.
- Tratamento: Geralmente 1 a 4 gramas por dia, divididos de 6 em 6 horas, durante 7 a 14 dias, dependendo da infecção.
Marina, 32 anos, percebeu uma ferida no braço que ficou vermelha, inchada e quente após um pequeno acidente doméstico. Ela foi ao clínico geral, que diagnosticou celulite infecciosa (infecção bacteriana da pele). O médico prescreveu Keflex 500 mg de 6 em 6 horas por 10 dias. Após 3 dias, a vermelhidão já havia diminuído, e em uma semana a lesão estava quase curada. O caso mostra como o antibiótico age rapidamente quando usado corretamente.
O que é Keflex (cefalexina) e para que serve
Keflex é o nome comercial de um antibiótico chamado cefalexina, pertencente ao grupo das cefalosporinas de primeira geração. Esses medicamentos atuam destruindo a parede celular das bactérias, impedindo que elas se multipliquem e causem infecções. A cefalexina é eficaz contra diversos tipos de bactérias, principalmente as gram-positivas, como Streptococcus e Staphylococcus (incluindo algumas cepas produtoras de penicilinase, mas não o MRSA — Staphylococcus aureus resistente à meticilina). Ela também age contra algumas bactérias gram-negativas, como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, mas de forma limitada.
O Keflex é usado para tratar infecções de intensidade leve a moderada em várias partes do corpo. Por ser um antibiótico oral de boa absorção, é muito prescrito em consultórios e postos de saúde. É importante lembrar que ele não funciona contra infecções virais (como gripes, resfriados ou COVID-19) nem contra fungos. O uso inadequado e sem prescrição contribui para o grave problema da resistência bacteriana, que torna as infecções mais difíceis de tratar.
Como funciona o mecanismo de ação
A cefalexina age inibindo a síntese da parede celular bacteriana. Mais especificamente, ela se liga a proteínas chamadas PBPs (penicillin-binding proteins), que são essenciais para a construção e manutenção da parede das bactérias. Ao se ligar a essas proteínas, a cefalexina impede a formação de peptidoglicano, um componente estrutural fundamental. Sem essa parede, a bactéria não consegue manter sua integridade, o que leva à lise (explosão) da célula bacteriana.
Esse mecanismo é bactericida, ou seja, mata a bactéria diretamente, ao contrário de antibióticos bacteriostáticos que apenas impedem o crescimento. O Keflex é mais ativo contra bactérias em fase de multiplicação ativa. Por isso, é importante manter os níveis constantes do medicamento no organismo, respeitando os horários das doses. A resistência ao Keflex pode ocorrer quando as bactérias produzem enzimas (beta-lactamases) que quebram o antibiótico, ou quando alteram as PBPs, reduzindo a afinidade da cefalexina. Por essa razão, ele não é indicado para infecções por MRSA ou por bactérias produtoras de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL).
Indicações e usos aprovados
O Keflex é aprovado pela ANVISA para o tratamento das seguintes infecções bacterianas:
- Infecções do trato respiratório superior: amigdalite, faringite estreptocócica, sinusite, otite média (em alguns casos).
- Infecções da pele e tecidos moles: celulite, impetigo, erisipela, abscessos superficiais, feridas infectadas.
- Infecções do trato urinário: cistite não complicada, pielonefrite leve (geralmente causadas por E. coli ou Klebsiella).
- Infecções ósseas e articulares: osteomielite (infecção do osso), artrite séptica (desde que o germe seja sensível).
- Infecções dentárias: abscessos dentários, periodontite (como parte de um esquema combinado).
- Infecções genitais: uretrite gonocócica não complicada (embora hoje existam opções mais eficazes).
É fundamental que o diagnóstico seja feito por um médico, que avaliará a gravidade, a localização e o provável agente causador. Muitas vezes, o tratamento é iniciado de forma empírica, baseado nos sintomas e na epidemiologia local. Se o paciente não melhorar em 48-72 horas, pode ser necessária uma cultura com antibiograma para ajustar o antibiótico.
Como tomar: dosagem e administração
A cefalexina é administrada por via oral, em cápsulas (250 mg ou 500 mg), comprimidos ou suspensão oral (para crianças). A dosagem depende do tipo e da gravidade da infecção, além do peso e da função renal do paciente. As doses usuais para adultos variam de 1 g a 4 g por dia, divididas em 4 tomadas (a cada 6 horas). Exemplos comuns:
- Infecções de pele não complicadas: 500 mg de 6/6 horas por 7–10 dias.
- Amigdalite estreptocócica: 500 mg de 6/6 horas por 10 dias.
- Infecção urinária baixa: 250 mg de 6/6 horas por 7 dias.
- Osteomielite: doses mais altas (até 4 g/dia) por 4–6 semanas.
Em crianças, a dose é calculada por peso: geralmente 25 a 50 mg/kg/dia, dividida em 4 doses. Para infecções mais graves, pode chegar a 100 mg/kg/dia. A suspensão oral deve ser agitada antes do uso e mantida em geladeira após reconstituição. É importante completar todo o ciclo do antibiótico, mesmo que os sintomas melhorem antes do fim, para evitar recaídas e resistência. O Keflex pode ser tomado com ou sem alimentos, mas a absorção é um pouco melhor com o estômago vazio. Caso haja desconforto gástrico, pode-se tomar com uma refeição leve.
Efeitos colaterais e reações adversas
Como todo medicamento, o Keflex pode causar efeitos adversos. Os mais comuns são gastrointestinais: diarreia (cerca de 5% dos pacientes), náuseas, vômitos, dor abdominal e dispepsia. Reações alérgicas também ocorrem, especialmente em pessoas alérgicas a penicilinas (reações cruzadas em cerca de 5–10% dos casos). Elas podem variar de urticária e coceira até anafilaxia grave. Outros efeitos incluem cefaleia, tontura, fadiga e, raramente, alterações nas enzimas do fígado.
Um efeito colateral mais sério, embora raro, é a colite pseudomembranosa causada pelo Clostridium difficile, que se manifesta como diarreia aquosa frequente, com sangue ou muco, acompanhada de cólicas e febre. Nesse caso, o antibiótico deve ser suspenso e o médico deve ser consultado imediatamente. Também há relatos de nefrite intersticial (inflamação nos rins), distúrbios hematológicos (como neutropenia) e reações cutâneas graves (Síndrome de Stevens-Johnson), que exigem atenção médica urgente.
Contraindicações e precauções
O Keflex é contraindicado para pacientes com hipersensibilidade conhecida à cefalexina, a qualquer cefalosporina ou a componentes da fórmula. Pessoas com alergia grave à penicilina (anafilaxia) devem evitar cefalosporinas devido ao risco de reação cruzada, embora esse risco seja baixo. Em casos de alergia leve (urticária isolada), o médico pode avaliar o benefício-risco.
Precauções especiais incluem: pacientes com insuficiência renal (a dose deve ser ajustada conforme o clearance de creatinina), doenças gastrointestinais (especialmente colite), gravidez e lactação (categoria B — estudos em animais não mostraram risco, mas não há estudos robustos em humanos; usar apenas se claramente necessário). Durante a amamentação, a cefalexina passa para o leite em pequenas quantidades, podendo causar alterações na flora intestinal do bebê. Idosos e pacientes desidratados também merecem atenção redobrada.
Interações medicamentosas importantes
O Keflex pode interagir com outros medicamentos, alterando seus efeitos ou aumentando o risco de toxicidade. As interações mais relevantes incluem:
- Anticoagulantes orais (varfarina): a cefalexina pode potencializar o efeito anticoagulante, aumentando o risco de sangramentos. Recomenda-se monitorar o INR.
- Probenecida: reduz a excreção renal da cefalexina, elevando seus níveis sanguíneos e prolongando o efeito (pode ser usado deliberadamente para aumentar a eficácia em algumas infecções).
- Metotrexato: a cefalexina pode reduzir a eliminação do metotrexato, aumentando o risco de toxicidade (hematológica, hepática).
- Anticoncepcionais orais: alguns antibióticos (embora não comprovado para cefalexina) podem reduzir a eficácia dos anticoncepcionais; recomenda-se usar método de barreira durante o tratamento.
- Diuréticos potentes (furosemida, ácido etacrínico): podem aumentar o risco de nefrotoxicidade, especialmente em idosos.
- Antiácidos e suplementos de ferro: podem reduzir a absorção da cefalexina; recomenda-se tomar com intervalo de pelo menos 2 horas.
Diferença entre genérico e referência
O Keflex é o medicamento de referência (marca original) produzido pelo laboratório Eli Lilly. Atualmente, existem diversos genéricos de cefalexina no mercado brasileiro, aprovados pela ANVISA. Ambos contêm o mesmo princípio ativo (cefalexina) na mesma concentração e forma farmacêutica, e são considerados bioequivalentes, ou seja, têm a mesma absorção e eficácia clínica. A principal diferença está no preço: os genéricos costumam ser mais baratos.
No entanto, alguns pacientes relatam diferenças na tolerância (ex.: excipientes diferentes podem causar mais ou menos desconforto gástrico). Para a maioria das pessoas, o genérico é uma opção segura e eficaz. É importante comprar medicamentos em farmácias confiáveis e verificar o lote e a data de validade. O uso de medicamentos falsificados ou de procedência duvidosa pode trazer sérios riscos à saúde.
Quando procurar médico
Você deve procurar atendimento médico sempre que apresentar sinais de infecção bacteriana, como febre persistente, dor localizada, vermelhidão, inchaço, pus, dificuldade para urinar ou dor de garganta com placas. Somente o profissional pode avaliar se o Keflex é o antibiótico adequado. Além disso, durante o tratamento, é necessário buscar ajuda se surgirem sintomas como: diarreia intensa e aquosa, erupção cutânea, falta de ar, inchaço nos olhos ou lábios, icterícia (pele amarelada), urina escura ou sangramentos inexplicados.
Pacientes com infecções recorrentes, que não melhoram com o tratamento, ou que pertencem a grupos de risco (imunossuprimidos, diabéticos, gestantes) devem ser acompanhados de perto. Lembre-se: nunca compartilhe antibióticos com outras pessoas, nem guarde sobras para usar depois. O uso racional de antibióticos é uma responsabilidade de todos para preservar sua eficácia.
- 01. Tome o Keflex exatamente nos horários prescritos (geralmente de 6 em 6 horas) para manter o nível sanguíneo estável e evitar resistência.
- 02. Complete todo o ciclo do antibiótico, mesmo que os sintomas melhorem em 2-3 dias – interromper cedo favorece o retorno da infecção.
- 03. Se esquecer uma dose, tome-a assim que lembrar, desde que não esteja próximo da próxima dose. Nunca dobre a dose.
- 04. Guarde a suspensão oral na geladeira após preparo, por no máximo 7 a 10 dias, e agite bem antes de usar.
- 05. Informe seu médico sobre alergias, especialmente a penicilinas, e sobre todos os medicamentos que você usa, inclusive fitoterápicos.
- 06. Não consuma bebidas alcoólicas durante o tratamento, pois podem aumentar os efeitos colaterais gastrointestinais e hepáticos.
- 07. Se você usa anticoncepcional oral, considere usar métodos de barreira (camisinha) durante o tratamento e por 7 dias após.
Perguntas Frequentes sobre o que é Keflex antibiótico e suas indicações
Keflex é o mesmo que cefalexina?
Sim, Keflex é o nome comercial de referência da cefalexina. Ambos têm o mesmo princípio ativo e a mesma ação no organismo. Os genéricos também são cefalexina e podem ser usados com segurança.
Keflex serve para infecção de garganta?
Sim, é um dos antibióticos mais usados para faringite e amigdalite bacterianas, especialmente causadas por estreptococos. Porém, é importante confirmar que a infecção é bacteriana, pois muitas dores de garganta são virais.
Keflex pode ser tomado com Dipirona?
Sim, não há interação grave documentada entre cefalexina e dipirona. No entanto, ambos podem causar reações alérgicas; se você tem histórico de alergia, consulte seu médico.
Keflex passa para o leite materno?
Sim, passa em pequena quantidade, mas é considerado seguro durante a amamentação, desde que o médico avalie o benefício. Pode alterar a flora intestinal do bebê, causando diarreia leve.
Keflex pode causar candidíase?
Sim, o uso de antibióticos pode desequilibrar a flora vaginal e intestinal, favorecendo o crescimento de fungos como Candida. Se surgirem coceira, corrimento esbranquiçado ou placas na boca, procure orientação médica.
Keflex funciona para infecção urinária?
Sim, é eficaz para cistites não complicadas causadas por Escherichia coli e outras bactérias sensíveis. Porém, hoje existem opções com menor resistência (como nitrofurantoína). O médico avaliará o melhor para cada caso.
Keflex pode ser tomado com bebida alcoólica?
Embora não haja reação do tipo dissulfiram (como com metronidazol), o álcool pode aumentar a irritação gástrica e prejudicar a recuperação. O ideal é evitar durante o tratamento.
O que fazer se eu esquecer de tomar uma dose do Keflex?
Tome a dose esquecida assim que lembrar, a menos que esteja muito perto da próxima dose. Nesse caso, pule a dose esquecida e retome o esquema normal. Não tome duas doses ao mesmo tempo.
Keflex é antibiótico forte?
É considerado um antibiótico de espectro médio, eficaz para infecções leves a moderadas. Não é indicado para infecções graves ou hospitalares, que exigem antibióticos mais potentes ou intravenosos.
Posso comprar Keflex sem receita?
Não, a venda de antibióticos no Brasil exige receita médica (tarja vermelha com retenção). A compra sem prescrição é ilegal e perigosa, pois contribui para a resistência bacteriana.
Keflex pode causar alergia cruzada com penicilina?
Sim, pessoas alérgicas a penicilina têm risco maior (cerca de 5–10%) de reação alérgica à cefalexina. Em casos de alergia grave, o uso é contraindicado. O médico deve ser informado.
Keflex mudou a cor da minha urina, é normal?
Sim, a cefalexina pode dar uma coloração amarelada mais intensa à urina, o que é inofensivo. No entanto, se a urina apresentar sangue ou ficar muito escura (cor de chá), comunique seu médico.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
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