Estima-se que cerca de 1 em cada 3 homens acima dos 50 anos apresente alterações na próstata detectáveis por ultrassonografia pélvica, e a incidência de câncer de próstata no Brasil ultrapassou 70 mil novos casos em 2025, segundo o INCA.
Você já sentiu desconforto ao urinar, dores na região baixa do abdômen ou notou alguma alteração no jato urinário? Esses sintomas podem estar associados a problemas na próstata, na bexiga ou em outros órgãos da pelve masculina. A ultrassonografia de pelve masculina é um exame de imagem fundamental para investigar essas queixas, fornecendo informações detalhadas sem utilizar radiação. Neste guia completo, você vai entender o que é, como é feito, quando é indicado e como se preparar, além de esclarecer as principais dúvidas sobre o procedimento.
- O que é: Exame de imagem por ultrassom que avalia órgãos da pelve masculina (próstata, bexiga, vesículas seminais, uretra posterior e região perineal).
- Quando ocorre: Indicado para investigar sintomas urinários, dor pélvica, alterações no PSA, suspeita de hiperplasia prostática benigna, prostatite, cálculos vesicais ou tumores.
- Quem trata: Médicos urologistas, radiologistas, clínicos gerais e oncologistas, conforme a indicação.
- Urgência: Moderada — pode ser agendado eletivamente, mas sintomas agudos como retenção urinária ou hematúria requerem atendimento imediato.
- Tratamento: Depende do diagnóstico: desde medicamentos (antibióticos, bloqueadores alfa) até cirurgias (ressecção prostática, prostatectomia) e radioterapia.
Seu José, 62 anos, começou a levantar várias vezes à noite para urinar e sentia que a bexiga não esvaziava completamente. Preocupado, procurou um urologista, que solicitou uma ultrassonografia de pelve masculina. O exame mostrou aumento da próstata (hiperplasia benigna) e resíduo urinário elevado. Com o diagnóstico, ele iniciou tratamento com medicamentos e mudanças na dieta. Em três meses, os sintomas melhoraram significativamente. O caso ilustra como a ultrassonografia é essencial para guiar a conduta clínica de forma precisa e não invasiva.
O que é ultrassonografia de pelve masculina
A ultrassonografia de pelve masculina é um exame de imagem não invasivo que utiliza ondas sonoras de alta frequência para visualizar os órgãos localizados na cavidade pélvica do homem. Diferente de outros métodos, não emprega radiação ionizante, sendo seguro e indolor. O procedimento permite avaliar a próstata, a bexiga, as vesículas seminais, a porção inicial da uretra (uretra prostática) e os tecidos moles adjacentes. É um dos exames mais solicitados na prática urológica, tanto na avaliação inicial de queixas urinárias quanto no seguimento de doenças já conhecidas. A ultrassonografia pode ser realizada por via abdominal (com o transdutor sobre a parede do abdômen) ou por via transretal (introdução de uma sonda fina no reto, que fornece imagens mais detalhadas da próstata). A escolha da via depende da indicação clínica e da necessidade de maior resolução para estruturas específicas.
Como funciona e qual sua importância no organismo
O princípio básico da ultrassonografia é a emissão de ondas sonoras que atravessam os tecidos e retornam como ecos, captados pelo transdutor e transformados em imagens em tempo real. Na pelve masculina, essa tecnologia permite identificar alterações anatômicas como aumento prostático, nódulos, cistos, calcificações, espessamento da parede da bexiga, tumores, além de avaliar a capacidade de esvaziamento vesical. A importância clínica do exame é enorme: ele auxilia no diagnóstico precoce do câncer de próstata (quando combinado com PSA e toque retal), na diferenciação entre hiperplasia benigna e maligna, na identificação de prostatite (inflamação da próstata), na detecção de cálculos na bexiga ou próstata, e na avaliação de infertilidade masculina (por exemplo, obstrução dos ductos ejaculatórios). O exame também é fundamental no planejamento cirúrgico e no acompanhamento pós-tratamento, permitindo avaliar a resposta a medicamentos ou procedimentos.
Tipos e variações
A ultrassonografia de pelve masculina pode ser classificada em dois tipos principais conforme a via de acesso:
1) Ultrassonografia pélvica por via abdominal (transabdominal): realizada com o paciente em decúbito dorsal, com a bexiga cheia (repleta). O transdutor é deslizado sobre o abdômen inferior. Permite uma visão panorâmica da bexiga, da próstata (de forma menos detalhada) e dos órgãos adjacentes. É útil para medir o volume prostático, o resíduo pós-miccional e avaliar massas pélvicas.
2) Ultrassonografia transretal da próstata (TRUS): utiliza um transdutor retal de alta frequência, inserido no reto após anestesia local ou lubrificação. Oferece imagens de altíssima resolução da próstata, vesículas seminais e ductos ejaculatórios. É o padrão-ouro para guiar biópsias prostáticas e para avaliar nódulos suspeitos, tamanho precisa e ecogenicidade dos tecidos.
Variações: Além dessas, existem a ultrassonografia com doppler (que avalia o fluxo sanguíneo na próstata e nas vesículas seminais) e a ultrassonografia contrastada (uso de microbolhas para melhor caracterização de lesões). Em casos selecionados, pode-se associar a elastografia (mede a rigidez dos tecidos) para ajudar na diferenciação entre lesões benignas e malignas.
Causas e fatores de risco para doenças pélvicas
As alterações detectadas pela ultrassonografia de pelve masculina geralmente decorrem de condições como hiperplasia prostática benigna (HPB), prostatite (infecciosa ou não), câncer de próstata, cálculos vesicais, divertículos de bexiga, tumores de bexiga, lesões traumáticas e infecções do trato urinário baixo. Os fatores de risco incluem idade avançada (principal fator para HPB e câncer prostático), histórico familiar de câncer de próstata (parente de primeiro grau), obesidade, sedentarismo, dieta rica em gorduras e pobre em licopeno (presente no tomate), tabagismo, exposição a agentes químicos (como agrotóxicos) e infecções sexualmente transmissíveis prévias. Homens de ascendência africana apresentam maior risco de câncer de próstata agressivo. A prostatite crônica pode estar associada a estresse, disfunção miccional e refluxo de urina para os ductos prostáticos. O conhecimento desses fatores ajuda na prevenção e no rastreamento precoce.
Sintomas e manifestações clínicas
Os sintomas que levam à realização da ultrassonografia de pelve masculina são variados e incluem:
– Dificuldade para urinar (jato fraco, hesitação, esforço miccional);
– Aumento da frequência urinária, especialmente à noite (noctúria);
– Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
– Dor ou ardência ao urinar (disúria);
– Sangue na urina (hematúria macroscópica ou microscópica);
– Dor na região perineal, no baixo ventre ou na região lombar;
– Disfunção erétil ou ejaculação dolorosa;
– Perda de peso inexplicada, febre baixa ou calafrios (suspeita de prostatite bacteriana);
– Alteração na ejaculação (diminuição do volume, hematospermia).
Em muitos casos, as doenças pélvicas masculinas podem ser assintomáticas no início, sendo descobertas em exames de rotina (como elevação do PSA). Por isso, a ultrassonografia é uma ferramenta valiosa para detecção precoce.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico das condições pélvicas masculinas começa com a anamnese e o exame físico, incluindo o toque retal. Em seguida, exames laboratoriais (PSA, urinálise, urocultura) e de imagem são solicitados. A ultrassonografia de pelve masculina é geralmente o primeiro exame de imagem, por ser acessível, rápida e livre de radiação. O preparo inclui bexiga cheia para a via abdominal (ingerir 1 litro de água 1 hora antes e não urinar) e, para a via transretal, pode ser necessário enema de limpeza e jejum de 4-6 horas. Durante o exame transretal, o paciente fica em decúbito lateral, e uma sonda fina é introduzida no reto após anestesia tópica. Imagens são obtidas em cortes transversais e longitudinais. Se houver suspeita de malignidade, o médico pode realizar uma biópsia prostática guiada por ultrassom (transretal ou transperineal). A combinação dos dados clínicos, laboratoriais e de imagem permite fechar o diagnóstico com alta precisão.
Tratamentos e abordagens terapêuticas
O tratamento depende diretamente da condição diagnosticada pela ultrassonografia:
– Hiperplasia prostática benigna (HPB): medicamentos como alfabloqueadores (tansulosina, doxazosina) e inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida); em casos refratários, cirurgia minimamente invasiva (Rezum, Terapia com Laser, ressecção transuretral da próstata – RTUP).
– Prostatite: antibióticos (se bacteriana), anti-inflamatórios, alfabloqueadores, fisioterapia pélvica e mudanças no estilo de vida.
– Câncer de próstata: vigilância ativa, prostatectomia radical, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia, dependendo do estágio e agressividade.
– Cálculos vesicais: cistolitotripsia (fragmentação por endoscopia) ou cirurgia aberta.
– Tumores de bexiga: ressecção transuretral (RTU), quimioterapia intravesical, imunoterapia (BCG), cistectomia em casos avançados.
– Obstrução dos ductos ejaculatórios: ressecção transuretral dos ductos (TURED).
O acompanhamento urológico regular é fundamental para ajustar o tratamento e monitorar a resposta.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das doenças pélvicas masculinas envolve hábitos saudáveis: alimentação rica em frutas, vegetais e licopeno (tomate cozido, melancia), redução do consumo de carne vermelha e gorduras, prática regular de atividade física (pelo menos 150 minutos/semana), manutenção do peso adequado, ingestão hídrica suficiente (2 litros/dia, salvo restrições) e não fumar. Para o câncer de próstata, o rastreamento com PSA e toque retal deve ser discutido com o médico a partir dos 50 anos (45 anos se houver histórico familiar ou risco elevado). A vacinação contra HPV reduz o risco de câncer de pênis e outras neoplasias. Homens com sintomas urinários leves devem ser avaliados precocemente. O autocuidado inclui atenção aos hábitos miccionais (não segurar urina por longos períodos, esvaziar completamente a bexiga) e evitar o uso abusivo de álcool e cafeína, que podem irritar a próstata.
Quando procurar ajuda médica
Você deve procurar um médico (preferencialmente urologista) se apresentar:
– Dificuldade progressiva para urinar;
– Necessidade de urinar mais de 2 vezes por noite;
– Dor ou ardência ao urinar persistente;
– Sangue na urina ou no sêmen;
– Dor na região pélvica ou perineal que não passa;
– Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
– Disfunção erétil associada a sintomas urinários;
– Qualquer alteração no jato urinário (fraco, interrompido).
Além disso, mesmo sem sintomas, a partir dos 50 anos é recomendado o check-up urológico anual para avaliação da próstata. Lembre-se: o diagnóstico precoce pode salvar vidas. Não hesite em buscar ajuda se notar qualquer sinal de alerta.
- 01. Prepare-se corretamente: Se for fazer a ultrassonografia pélvica por via abdominal, beba 1 litro de água 1 hora antes e não urine até o exame. Para a via transretal, siga as orientações de jejum e limpeza intestinal.
- 02. Leve seus exames anteriores: Se já fez PSA, toque retal ou outras imagens, leve os resultados para que o médico possa correlacionar os achados.
- 03. Não interrompa medicamentos sem orientação: A menos que seu médico instrua, continue tomando seus remédios habituais, inclusive anticoagulantes (avise o radiologista).
- 04. Converse abertamente sobre seus sintomas: Informe ao médico qualquer desconforto, histórico familiar de câncer de próstata ou alterações íntimas – isso ajuda no direcionamento do exame.
- 05. Mantenha um diário miccional: Anote quantas vezes urina por dia/noite, o volume aproximado e as sensações. Esses dados são muito úteis para o diagnóstico.
- 06. Adote uma dieta amiga da próstata: Inclua tomate cozido, azeite, nozes, peixes ricos em ômega-3, brócolis e chá verde. Evite excesso de carne vermelha, laticínios gordurosos e alimentos ultraprocessados.
- 07. Pratique exercícios para o assoalho pélvico: Contrair e relaxar os músculos do períneo pode ajudar a melhorar o controle urinário e a saúde prostática.
Perguntas Frequentes sobre ultrassonografia de pelve masculina
1. A ultrassonografia de pelve masculina dói?
Não, é um exame indolor. Na via abdominal, você sente apenas a pressão do transdutor sobre o abdômen. Na via transretal, pode haver um leve desconforto devido à introdução da sonda, mas geralmente é bem tolerado, especialmente com anestesia tópica.
2. Preciso estar com a bexiga cheia para o exame?
Sim, para a ultrassonografia por via abdominal é essencial ter a bexiga cheia, pois ela funciona como uma “janela acústica” que permite visualizar melhor a próstata e as estruturas posteriores. Já para a via transretal, a bexiga vazia é preferível.
3. Qual a diferença entre ultrassom de abdômen total e pelve masculina?
O ultrassom de abdômen total avalia órgãos como fígado, vesícula, rins, pâncreas e baço. O de pelve masculina foca exclusivamente nos órgãos pélvicos (próstata, bexiga, vesículas seminais). São exames complementares, mas com indicações diferentes.
4. Posso fazer o exame menstruado? (para homens, não se aplica, mas corrigindo: pacientes do sexo masculino não menstruam)
Para homens, não há restrição relacionada a ciclo menstrual. O exame pode ser feito em qualquer dia, sem interferências hormonais.
5. A ultrassonografia consegue diagnosticar câncer de próstata com certeza?
Ela identifica nódulos suspeitos e alterações na ecogenicidade, mas o diagnóstico definitivo de câncer de próstata é feito pela biópsia (análise do tecido). A ultrassonografia é essencial para guiar a biópsia e aumentar sua precisão.
6. Quanto tempo dura o exame?
Em média, de 15 a 30 minutos, dependendo da complexidade e da necessidade de doppler ou biópsia. O resultado costuma ser liberado no mesmo dia ou em até 24 horas.
7. Existe algum risco ou contraindicação?
Não há riscos significativos. A ultrassonografia é segura, sem radiação. Contraindicação relativa: infecção retal ativa ou cirurgia retal recente (para via transretal). Sempre informe o médico sobre condições como hemorroidas ou fissuras.
8. A ultrassonografia de pelve masculina pode ser feita em qualquer idade?
Sim, desde a adolescência, quando indicado. Em jovens, é mais comum para investigar varicocele, infecções ou dor testicular. Em homens acima de 40-50 anos, é rotina no rastreamento prostático.
9. Preciso de encaminhamento médico para fazer o exame?
Sim, a ultrassonografia de pelve masculina é um exame complementar que deve ser solicitado por um médico (urologista, clínico geral ou oncologista) baseado na avaliação clínica. Não é um exame de rastreamento autônomo.
10. O que significa “resíduo pós-miccional” no laudo?
É a quantidade de urina que permanece na bexiga após o paciente urinar. Valores acima de 50-100 mL indicam esvaziamento incompleto, comum na hiperplasia prostática e em outras obstruções. O acompanhamento ajuda a avaliar a necessidade de tratamento.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Fontes e leitura complementar:
MedlinePlus: Ultrasound of the Prostate
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde: Ultrassonografia da Próstata
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