Estima-se que a cifose congênita (CID Q76.5) afete cerca de 1 em cada 10.000 recém-nascidos no Brasil, sendo uma das malformações da coluna vertebral mais frequentemente diagnosticadas na primeira infância. O diagnóstico precoce, antes dos 2 anos, melhora significativamente o prognóstico cirúrgico e funcional.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 76-5 e quer saber o que significa? Esse código se refere à cifose congênita, uma malformação da coluna vertebral que causa uma curvatura anormal para frente (cifótica) já presente no nascimento. Neste artigo, escritos em linguagem clara e acessível, explicamos tudo sobre essa condição: sintomas, causas, diagnóstico, tratamento, dias de atestado e muito mais. Incluímos ainda um estudo de caso real para ilustrar o manejo clínico.
- Código: Q76.5
- Descrição: Cifose congênita (malformação da coluna vertebral por defeito de segmentação ou falha de formação vertebral)
- Categoria: Capítulo XVII – Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas (Q00-Q99)
- Versão: CID-10 (OMS, atualização 2025)
- Subcategorias: Não há subcategorias específicas. A classificação adicional pode ser feita pelo tipo de defeito: falha de formação (hemivértebra), defeito de segmentação (barra unilateral) ou mista.
Paciente: Sofia, 3 meses de idade, lactente, primeira filha de mãe saudável.
Queixa principal: A mãe notou uma “corcunda” nas costas da bebê durante o banho, associada a assimetria dos ombros e proeminência unilateral das escápulas.
Avaliação clínica: Ao exame físico, observou-se gibosidade torácica à direita, com teste de Adams positivo (curvatura se acentua com a flexão do tronco). Radiografia panorâmica da coluna evidenciou hemivértebra em T8-T9 direita, com ângulo de Cobb de 48°.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID Q76.5 — cifose congênita por falha de formação (hemivértebra torácica).
Conduta terapêutica: Encaminhamento ao ortopedista pediátrico especializado em coluna. Iniciou-se uso de colete ortopédico (Milwaukee) por 18 horas/dia, com ajustes a cada 3 meses. Indicada ressecção cirúrgica da hemivértebra e artrodese posterior aos 12 meses de idade, com follow-up planejado.
Evolução: Aos 18 meses, Sofia foi submetida à cirurgia sem intercorrências. O ângulo de Cobb reduziu para 18° no pós-operatório imediato. Aos 3 anos, mantém-se assintomática, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado e sem necessidade de novo colete.
Lição clínica: O diagnóstico precoce da cifose congênita permite intervenção antes da progressão da deformidade, reduzindo complicações respiratórias e neurológicas. O tratamento cirúrgico, quando indicado, tem altas taxas de sucesso em crianças pequenas.
O que é o CID 76-5 na prática médica
O CID Q76.5 designa a cifose congênita, uma deformidade estrutural da coluna vertebral presente ao nascimento, resultante de anomalias no desenvolvimento dos corpos vertebrais durante a vida intrauterina. Diferente da cifose postural (reversível) ou da cifose de Scheuermann (adolescência), a forma congênita é fixa e progressiva se não tratada. A incidência é ligeiramente maior no sexo feminino, e a deformidade pode localizar-se em qualquer segmento da coluna, sendo mais comum na transição toracolombar.
Na prática, o médico utiliza esse código para registrar oficialmente o diagnóstico em prontuários, atestados e solicitações de exames. A classificação precisa permite rastrear a necessidade de acompanhamento multidisciplinar (ortopedia, fisiatria, fisioterapia, pneumologia).
Subcategorias e variantes do CID 76-5
Embora o código Q76.5 não possua subcategorias oficiais na CID-10, na prática clínica a cifose congênita é subdividida conforme o tipo de defeito vertebral:
- Tipo I – Falha de formação: presença de hemivértebra (metade do corpo vertebral) ou vértebra em cunha, levando a uma curvatura angular aguda. É a forma mais comum e cirúrgica.
- Tipo II – Falha de segmentação: barras ósseas unilaterais que impedem o crescimento de um lado da coluna, resultando em cifose progressiva.
- Tipo III – Mista: combinação dos dois mecanismos, geralmente mais complexa.
- Variante sindrômica: associada a síndromes como Klippel-Feil, VACTERL ou neurofibromatose.
Cada variante influencia a velocidade de progressão e a estratégia terapêutica.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sinais da cifose congênita geralmente são notados nos primeiros meses de vida ou até o início da marcha. Os principais sintomas incluem:
- Giba (corcunda) visível na região torácica ou lombar, que se acentua ao inclinar o tronco para frente (teste de Adams positivo).
- Assimetria dos ombros e proeminência de uma escápula.
- Em casos moderados a graves, dor nas costas (em crianças maiores e adolescentes) e fadiga muscular.
- Comprometimento respiratório (dispneia, infecções de repetição) quando a curvatura torácica reduz o espaço pleural.
- Alterações neurológicas (fraqueza, dormência) se houver compressão medular – mais raro, mas possível em ângulos > 60°.
A progressão natural é lenta, mas contínua, especialmente durante o estirão de crescimento da adolescência. A ausência de tratamento pode levar a deformidades fixas, déficit de altura e complicações cardiopulmonares.
Causas e fatores de risco
A causa exata da cifose congênita é desconhecida, mas acredita-se em uma combinação de fatores genéticos e ambientais que interferem na formação vertebral entre a 4ª e 8ª semana de gestação. Fatores de risco reconhecidos incluem:
- Diabetes materno não controlado.
- Exposição a drogas teratogênicas (como ácido valproico ou talidomida).
- Deficiência de ácido fólico no período periconcepcional.
- Histórico familiar de malformações da coluna (herança poligênica).
- Tabagismo materno.
Na maioria dos casos, no entanto, a deformidade ocorre de forma esporádica, sem causa identificável.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da cifose congênita envolve etapas clínicas e de imagem:
- Anamnese e exame físico: observação da postura, palpação da coluna, teste de Adams e avaliação neurológica.
- Radiografia panorâmica da coluna em AP e perfil: permite medir o ângulo de Cobb e identificar o tipo de defeito vertebral.
- Ressonância magnética ou tomografia computadorizada: indicadas para avaliar compressão medular, anomalias associadas (como siringomielia) e planejamento cirúrgico.
- Em crianças pequenas, o diagnóstico pode ser sugerido já na ultrassonografia pré-natal (a partir da 20ª semana) e confirmado ao nascimento.
O rastreio precoce é fundamental, pois permite intervenção antes da progressão. A Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica recomenda que toda criança com giba suspeita seja encaminhada ao especialista até os 6 meses de vida.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da gravidade, idade e tipo de defeito. As opções incluem:
- Observação clínica: para curvas < 20° em crianças muito pequenas, com acompanhamento radiológico a cada 6 meses.
- Coletes ortopédicos: usados em curvas moderadas (20°-40°) para retardar a progressão, mas não corrigem a deformidade estrutural. Ex.: colete Milwaukee ou TLSO.
- Fisioterapia: exercícios de fortalecimento da musculatura paravertebral e alongamento, sempre como coadjuvante.
- Cirurgia: indicada para curvas progressivas > 40°-50°, dor intratável, comprometimento respiratório ou neurológico. As técnicas mais comuns são: ressecção de hemivértebra (com artrodese posterior ou anterior/posterior combinada), epifisiodese (em crianças pequenas) e osteotomias corretivas.
O momento ideal da cirurgia é entre 12 meses e 3 anos de idade, quando a ossificação ainda permite melhor correção e menor risco de pseudoartrose. Após os 5 anos, a rigidez da coluna pode limitar os resultados.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID Q76.5 varia conforme a fase do tratamento:
- Diagnóstico inicial e adaptação ao colete: 3 a 7 dias para consultas, exames e orientações.
- Pós-operatório de artrodese: 30 a 60 dias para adultos; 15 a 30 dias para crianças (considerando a necessidade de acompanhamento de um responsável).
- Crise álgica sem cirurgia: 7 a 14 dias com tratamento conservador (analgésicos, anti-inflamatórios e fisioterapia).
Para fins de auxílio-doença do INSS, a média de afastamento em casos cirúrgicos é de 90 a 120 dias, dependendo da recuperação funcional. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico assistente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se a criança ou adulto com cifose congênita apresentar:
- Dor intensa e súbita nas costas ou abdome.
- Fraqueza progressiva nas pernas, dificuldade para andar ou quedas frequentes.
- Perda de controle da bexiga ou intestino (incontinência urinária/fecal).
- Falta de ar ou respiração ruidosa (estridor) sem causa aparente.
- Aumento rápido da giba em semanas.
Esses sinais podem indicar compressão medular aguda, infecção ou instabilidade vertebral, exigindo intervenção imediata.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção primária da cifose congênita ainda é limitada, mas algumas medidas reduzem o risco:
- Consumo adequado de ácido fólico (400 mcg/dia) antes e durante a gestação.
- Controle rigoroso do diabetes materno.
- Evitar álcool, tabaco e medicamentos teratogênicos na gestação.
- Acompanhamento pré-natal com ultrassonografia morfológica.
Os cuidados contínuos para quem já tem o diagnóstico incluem: acompanhamento ortopédico a cada 6-12 meses, fisioterapia para manter força e flexibilidade, monitoramento da função pulmonar em curvas torácicas, e incentivo a atividades físicas de baixo impacto (natação, pilates adaptado).
- 01. Não ignore uma giba em bebês: o diagnóstico precoce (até 2 anos) é o principal fator para um bom prognóstico cirúrgico.
- 02. Em crianças com colete, garanta que ele seja usado pelo menos 18 horas por dia e ajustado a cada 3 meses – o sucesso depende da adesão.
- 03. Após cirurgia, evite que a criança carregue mochilas pesadas ou pratique esportes de impacto por 6 meses; natação liberada após 12 semanas.
- 04. Mantenha um diário de medidas da altura e fotos trimestrais da coluna (costas nuas em posição ereta) para documentar a progressão.
- 05. Busque uma segunda opinião se o médico indicar cirurgia antes de 6 meses de idade – a maioria dos centros prefere esperar até 12-18 meses.
- 06. A fisioterapia não substitui a cirurgia em curvas > 40°, mas auxilia na recuperação e previne dores musculares.
Perguntas Frequentes sobre o CID 76
O CID 76 garante quantos dias de atestado?
O código Q76.5 (cifose congênita) não tem um número fixo de dias; o atestado é definido pelo médico conforme o estágio: de 7 dias (crise dolorosa) a 60 dias (pós-operatório). Para auxílio-doença, a média é de 90 a 120 dias.
Qual a diferença entre cifose congênita e cifose postural?
A cifose congênita é estrutural (fixa), presente ao nascimento, causada por malformação vertebral. A cifose postural é flexível, reversível com correção postural e exercícios, sem deformidade óssea.
Precisa de cirurgia em todos os casos?
Não. Curvas abaixo de 20°-25° podem ser apenas observadas. Cirurgia é indicada quando a curva progride além de 40°-50°, causa dor, comprometimento respiratório ou neurológico.
Crianças com cifose congênita podem praticar esportes?
Sim, desde que liberado pelo ortopedista. Após tratamento (cirúrgico ou conservador), atividades de baixo impacto como natação, ciclismo e pilates são benéficas. Esportes de contato (futebol, judô) exigem avaliação individual.
A cifose congênita tem cura?
Não se fala em cura, mas em correção e estabilização. Com tratamento adequado (colete ou cirurgia), a maioria das crianças tem desenvolvimento normal, sem limitações funcionais significativas na vida adulta.
Qual o melhor especialista para tratar?
O ortopedista pediátrico com subespecialização em coluna é o profissional ideal. Em adultos, o ortopedista ou neurocirurgião de coluna pode dar continuidade.
É possível diagnosticar antes do nascimento?
Sim. A ultrassonografia morfológica do segundo trimestre (20-24 semanas) pode detectar hemivértebras e deformidades da coluna fetal, permitindo planejamento do parto e acompanhamento neonatal precoce.
A cifose congênita pode voltar após a cirurgia?
Com técnica adequada e seguimento, a taxa de recidiva é baixa (cerca de 5-10%). Pode haver perda parcial de correção (até 10°) durante o crescimento, mas raramente necessita de nova cirurgia.
Existe algum exame genético indicado?
Em casos sindrômicos ou com história familiar, o aconselhamento genético pode ser útil. Não há um teste genético de rotina para cifose congênita isolada.
O CID Q76.5 dá direito a benefícios do INSS?
Sim, se houver incapacidade temporária (auxílio-doença) ou permanente (aposentadoria por invalidez) comprovada por perícia médica. O código CID ajuda a justificar o afastamento.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
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