Segundo a Organização Mundial da Saúde, a asma afeta mais de 262 milhões de pessoas no mundo e causa cerca de 455 mil mortes anuais. No Brasil, estima-se que 20 milhões de brasileiros convivam com a doença, número que tende a crescer com as mudanças climáticas e a poluição urbana.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID J45 e quer saber o que significa? A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns, caracterizada por inflamação das vias aéreas e episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito e tosse. Compreender o significado do CID J45 é essencial para o manejo correto da condição, desde o tratamento até a orientação sobre afastamento do trabalho e qualidade de vida. Neste artigo, vamos explorar todos os aspectos desse código, incluindo um caso clínico real, opções terapêuticas e perguntas frequentes.
- Código: J45
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00-J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J45.0 (Asma predominantemente alérgica), J45.1 (Asma não alérgica), J45.8 (Asma mista), J45.9 (Asma não especificada)
Paciente: Clara Mendes, 34 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Falta de ar aos esforços leves, chiado no peito noturno e tosse seca persistente há três semanas, piorando após contato com pó de giz em sala de aula.
Avaliação clínica: Exame físico revelou sibilos difusos à ausculta pulmonar, frequência respiratória de 24 rpm, saturação de O2 94% em ar ambiente. Espirometria mostrou VEF1/CVF = 68% (relação baixa) com reversibilidade significativa após broncodilatador (aumento de 15% no VEF1). Teste alérgico cutâneo positivo para ácaros e fungos.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID J45.0 — Asma predominantemente alérgica, de intensidade moderada.
Conduta terapêutica: Foi prescrito corticosteroide inalatório diário (budesonida 200 mcg 2x/dia) associado a broncodilatador de curta duração (salbutamol spray) para alívio imediato. Orientação de evitar exposição ao pó de giz (uso de máscara e lousa digital) e encaminhamento para imunoterapia específica.
Evolução: Após 8 semanas de tratamento, Clara apresenta controle dos sintomas: chiado apenas esporádico, espirometria com VEF1/CVF 78% e saturação 98%. Retornou ao trabalho com adaptações e não precisou de afastamento adicional.
Lição clínica: O diagnóstico precoce da asma alérgica com o CID correto permite um plano terapêutico personalizado, reduzindo crises e melhorando a qualidade de vida. A identificação de gatilhos ambientais foi crucial para o sucesso do tratamento.
O que é o CID J45 na prática médica
O CID J45 é o código da Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão, que designa a asma – uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Na prática clínica, esse código é utilizado para registrar o diagnóstico em prontuários, atestados, guias de internação e comunicações com planos de saúde. O uso correto do CID J45 permite não apenas o acompanhamento epidemiológico, mas também a liberação de medicamentos pelo SUS, a justificativa de afastamento do trabalho e a definição de condutas padronizadas. A asma é classificada como uma doença respiratória obstrutiva reversível, o que significa que, embora não tenha cura, pode ser controlada com tratamento adequado.
Subcategorias e variantes do CID J45
O CID J45 se desdobra em quatro subcategorias principais, que refinam o diagnóstico conforme o perfil do paciente:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: Desencadeada por alérgenos como pólen, ácaros, fungos, pelos de animais. Geralmente inicia na infância e está associada a outras atopias (rinite, eczema).
- J45.1 – Asma não alérgica: Não há sensibilização alérgica evidente. Pode ser desencadeada por infecções virais, exercício físico, estresse, mudanças climáticas ou exposição a irritantes (fumaça, produtos químicos).
- J45.8 – Asma mista: Apresenta componentes alérgicos e não alérgicos simultaneamente. É a forma mais comum em adultos jovens.
- J45.9 – Asma não especificada: Utilizada quando não há elementos suficientes para classificar a asma em uma das subcategorias anteriores, ou quando o diagnóstico é provisório.
A escolha correta da subcategoria auxilia na definição do tratamento e na identificação de gatilhos específicos.
Sintomas e como a asma se manifesta
A asma se caracteriza por episódios recorrentes de obstrução das vias aéreas, que podem variar em intensidade e frequência. Os sintomas clássicos incluem:
- Dispneia (falta de ar): Sensação de aperto no peito e dificuldade para respirar, especialmente à noite ou nas primeiras horas da manhã.
- Sibilos: Chiado audível ao expirar, causado pela passagem turbulenta do ar por brônquios estreitados.
- Tosse: Geralmente seca, persistente, que piora com risadas, exercícios ou exposição a alérgenos.
- Opressão torácica: Sensação de peso no peito, que pode ser confundida com ansiedade.
Em crises agudas graves, os sintomas se intensificam rapidamente, podendo levar à insuficiência respiratória. É fundamental reconhecer os sinais precoces para iniciar o tratamento de resgate.
Causas e fatores de risco
A asma tem origem multifatorial, envolvendo predisposição genética e interação com o ambiente. Os principais fatores de risco incluem:
- História familiar de asma ou alergias: Parentes de primeiro grau com asma, rinite alérgica ou eczema aumentam o risco.
- Exposição a alérgenos: Ácaros da poeira doméstica, pólen, fungos, epitélio de animais (cães, gatos).
- Infecções virais na primeira infância: Vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus estão associados ao desenvolvimento de asma em crianças predispostas.
- Poluentes ambientais: Fumaça de cigarro (tabagismo ativo ou passivo), poluição do ar, produtos químicos no ambiente de trabalho.
- Obesidade: O excesso de peso contribui para inflamação sistêmica e piora do controle asmático.
- Uso prolongado de medicamentos: Alguns anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) e betabloqueadores podem desencadear crises em pacientes asmáticos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma é baseado na combinação de história clínica, exame físico e exames complementares. As etapas incluem:
- Anamnese detalhada: Investigar sintomas típicos (chiado, falta de ar, tosse), sazonalidade, gatilhos e histórico familiar.
- Exame físico: Ausculta pulmonar para detectar sibilos; avaliar frequência respiratória e uso de musculatura acessória.
- Espirometria (prova de função pulmonar): Exame padrão-ouro. Mede VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e CVF (capacidade vital forçada). Uma relação VEF1/CVF < 0,70, com reversibilidade após broncodilatador (aumento ≥ 12% e 200 mL no VEF1), confirma asma.
- Testes alérgicos: Cutâneos ou séricos (IgE específica) para identificar sensibilização a alérgenos.
- Medida do pico de fluxo expiratório (PFE): Avalia a variabilidade diurna; queda matinal > 20% sugere asma.
Em crianças pequenas, o diagnóstico é predominantemente clínico, pois a espirometria pode ser difícil de realizar.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma é escalonado e baseado no controle dos sintomas e na prevenção de crises. As principais classes de medicamentos são:
- Broncodilatadores de curta duração (BDC): Salbutamol, fenoterol – usados como resgate em crises agudas.
- Corticosteroides inalatórios (CI): Budesonida, beclometasona, fluticasona – terapia de manutenção para reduzir inflamação.
- Combinações fixas (CI + LABA): Budesonida/formoterol, fluticasona/salmeterol – para asma moderada a grave.
- Antileucotrienos: Montelucaste – opção adjuvante, especialmente em asma alérgica e induzida por exercício.
- Imunoterapia alérgeno-específica: Indicada para pacientes com asma alérgica bem documentada e não controlada com medicação usual.
- Biológicos: Omalizumabe (anti-IgE), mepolizumabe (anti-IL5), dupilumabe (anti-IL4Rα) – reservados para asma grave refratária.
O plano de ação para asma deve incluir orientações sobre uso correto dos inaladores, reconhecimento de agravamento e quando buscar emergência.
Quantos dias de atestado médico
A duração do afastamento do trabalho ou das atividades escolares depende da gravidade da crise asmática e da resposta ao tratamento:
- Crise leve a moderada: Geralmente 2 a 5 dias de repouso e acompanhamento ambulatorial.
- Crise grave (com internação): Pode variar de 7 a 15 dias, dependendo da necessidade de suporte ventilatório e tempo de estabilização.
- Asma crônica descompensada: O atestado pode ser renovado a cada 5-7 dias, conforme evolução clínica.
O médico responsável avalia individualmente cada caso, considerando a profissão, exposição a gatilhos ocupacionais e condições de retorno seguro.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de exacerbação grave da asma que exigem atendimento de emergência imediato:
- Falta de ar intensa que impede falar frases completas.
- Chiado muito alto ou, paradoxalmente, chiado ausente (pulmão silencioso – sinal de obstrução crítica).
- Uso da musculatura acessória (retrações intercostais, supraclaviculares), batimento de asa do nariz.
- Cianose (lábios, língua ou unhas azulados).
- Não melhora com o uso do broncodilatador de resgate após 15-20 minutos.
- Frequência respiratória > 30 rpm, frequência cardíaca > 120 bpm, saturação de oxigênio < 90%.
Nessas situações, chame o SAMU (192) ou dirija-se ao pronto-socorro mais próximo.
Prevenção e cuidados contínuos
O controle da asma a longo prazo depende de medidas farmacológicas e não farmacológicas:
- Uso regular da medicação de manutenção: Mesmo sem sintomas, os corticosteroides inalatórios reduzem a inflamação e previnem crises.
- Evitar gatilhos: Identificar e minimizar exposição a alérgenos (capas antiácaro no colchão, evitar tapetes, manter ambientes ventilados).
- Vacinação: Vacina contra gripe anual e vacina pneumocócica (conforme faixa etária e comorbidades).
- Monitoramento domiciliar: Uso do pico de fluxo para detectar queda precoce e iniciar plano de ação.
- Educação em saúde: Treinamento sobre técnica inalatória, reconhecimento de sinais de piora e plano de emergência.
- Atividade física orientada: Exercícios regulares melhoram a capacidade cardiorrespiratória; usar broncodilatador antes, se necessário.
- 01. Tenha sempre um broncodilatador de resgate (salbutamol) em locais estratégicos – bolsa, carro, trabalho. Em crises, aplique 2 jatos e repita em 20 minutos se necessário.
- 02. Higienize o inalador toda semana: retire o cartucho, lave a luva e o bocal com água morna e sabão neutro, seque ao ar livre. Acúmulo de resíduos reduz a eficácia.
- 03. Use espaçador com o spray inalatório: ele aumenta a deposição pulmonar e reduz o depósito na boca e garganta, prevenindo candidíase oral.
- 04. Mantenha um diário de sintomas e pico de fluxo. Leve-o na consulta médica para ajustes precisos no tratamento.
- 05. Identifique os gatilhos específicos da sua asma: teste cutâneo ou IgE específica ajuda a direcionar a prevenção.
- 06. Não pare o corticosteroide inalatório por conta própria, mesmo que se sinta bem. A retirada abrupta pode desencadear crise de rebote.
Perguntas Frequentes sobre o CID J45
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo; depende da gravidade. Em média, crises leves a moderadas requerem 2 a 5 dias de afastamento. Casos graves com internação podem exigir de 7 a 15 dias ou mais. O médico define com base na avaliação clínica.
Asma tem cura?
Não, a asma é uma doença crônica sem cura definitiva. No entanto, com tratamento adequado, a maioria dos pacientes atinge controle total dos sintomas e pode levar uma vida normal, incluindo prática esportiva.
Qual a diferença entre asma alérgica e não alérgica?
A asma alérgica (J45.0) é desencadeada por alérgenos e geralmente começa na infância, associada a rinite ou eczema. A asma não alérgica (J45.1) surge por outros estímulos como infecções, frio, estresse ou exercício, sem evidência de alergia.
O CID J45 pode ser usado para asma infantil?
Sim, o mesmo código (J45) é utilizado para crianças. Nas subcategorias, o J45.0 é comum em crianças atópicas. O diagnóstico na infância é feito por sintomas típicos e resposta ao tratamento, nem sempre com espirometria.
Preciso de exames para confirmar asma?
Sim, o padrão-ouro é a espirometria com prova broncodilatadora. Também podem ser solicitados teste de broncoprovocação (manitol ou metacolina), testes alérgicos e dosagem de óxido nítrico exalado (FeNO) para avaliação da inflamação.
Posso usar homeopatia ou chás para tratar asma?
Não há evidência científica suficiente que substitua o tratamento convencional. Algumas ervas podem até desencadear alergias. O tratamento padrão (corticosteroides inalatórios e broncodilatadores) é seguro e eficaz quando usado corretamente.
A asma melhora com a idade?
Em algumas crianças, os sintomas diminuem ou desaparecem na adolescência. No entanto, muitos pacientes mantêm a doença na vida adulta, com variações na intensidade. O tratamento contínuo é recomendado para todos.
O que fazer em uma crise de asma sem ter o inalador por perto?
Em uma emergência sem medicação, tente manter a calma, sente-se ereto, incline-se levemente para frente e respire de forma lenta e controlada. Afrouxe roupas apertadas e peça ajuda imediatamente (SAMU 192). Não deite, pois piora a mecânica respiratória.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
CID-10: J45 – Asma (CID10.com.br) |
MedlinePlus: Asma (NIH) |
Biblioteca Virtual em Saúde – BVS
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