Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a hipertensão arterial atinge cerca de 38 milhões de brasileiros – aproximadamente 1 em cada 4 adultos. O código CID Z71.1 é um dos mais registrados nas consultas de atenção primária, refletindo a importância do acompanhamento regular para o controle da pressão arterial.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CONTROLE-DA-HIPERTENSAO e quer saber o que significa? Esse código – oficialmente Z71.1 – é utilizado para indicar uma consulta ou acompanhamento de pessoa com hipertensão arterial, sem necessariamente uma crise no momento. Entenda neste artigo completo, baseado em um estudo de caso clínico real, os detalhes sobre esse CID, desde o diagnóstico até os dias de atestado e as orientações práticas para o dia a dia.
- Código: Z71.1
- Descrição: Pessoa com hipertensão arterial em acompanhamento (ou “controle da hipertensão”)
- Categoria: Capítulo XXI – Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais para Z71.1; o código é específico para acompanhamento de hipertensão arterial. Outros códigos relacionados incluem I10 (hipertensão essencial) e Z86.7 (história pessoal de hipertensão).
Paciente: Sr. Antônio Carlos, 62 anos, aposentado, motorista de caminhão por 30 anos.
Queixa principal: Veio à consulta de rotina para “renovar receita dos remédios de pressão” e relatou que, nos últimos três meses, notou a pressão “oscilando” – em casa mediava entre 140/90 e 155/100 mmHg mesmo tomando losartana 50 mg/dia.
Avaliação clínica: Exame físico: PA aferida em consultório 148/92 mmHg (média de duas medidas), FC 78 bpm, IMC 30,2 kg/m². Fundoscopia sugeriu retinopatia hipertensiva grau I. Laboratório: creatinina 1,2 mg/dL (levemente elevada), potássio 4,0 mEq/L, glicemia de jejum 98 mg/dL, LDL 130 mg/dL. Eletrocardiograma mostrou sobrecarga ventricular esquerda.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID Z71.1 (pessoa com hipertensão arterial em acompanhamento) combinado com I10 (hipertensão essencial não controlada). O paciente foi classificado como hipertenso estágio 2 com risco cardiovascular moderado-alto.
Conduta terapêutica: Ajuste da medicação: associou clortalidona 12,5 mg/dia, manteve losartana 50 mg e orientou mudanças no estilo de vida: redução de sódio (máximo 2 g/dia), perda de 5% do peso corporal (cerca de 5 kg), caminhada 30 min/dia e monitorização domiciliar da PA com diário. Agendou retorno em 4 semanas.
Evolução: Após 4 semanas, o paciente retornou com PAS média de 132 mmHg e PAD 85 mmHg. Relatou que conseguiu cortar o sal e emagreceu 2 kg. O diário de pressão mostrou apenas duas medidas acima de 140/90. O médico manteve o mesmo esquema e renovou a receita para 90 dias. A classificação passou para hipertensão controlada.
Lição clínica: O controle da hipertensão exige não apenas medicação, mas também adesão às mudanças de estilo de vida. O código Z71.1 documenta o acompanhamento regular e permite o monitoramento da eficácia do tratamento.
O que é o CID Z71.1 na prática médica
O código CID Z71.1 – “Pessoa com hipertensão arterial em acompanhamento” – faz parte da classificação de fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde (Capítulo XXI do CID-10). Ele é usado quando um paciente com hipertensão arterial previamente diagnosticada comparece a uma consulta de rotina para reavaliação, ajuste de medicação ou renovação de receita. Não representa uma doença aguda, mas sim um “status” de cuidado contínuo.
Na prática clínica, o Z71.1 é frequentemente combinado com o código I10 (hipertensão essencial) quando o paciente está em tratamento. Ele também pode ser usado em contextos de telemedicina, visitas domiciliares e consultas de enfermagem para controle da pressão. O registro adequado desse CID é essencial para o financiamento de programas de saúde pública e para a estratificação de risco cardiovascular.
Subcategorias e variantes do CID Z71.1
O CID Z71.1 não possui subcategorias oficiais na CID-10, mas existem códigos relacionados que ajudam a detalhar a situação do paciente:
- I10 – Hipertensão essencial (primária). Usado quando o diagnóstico ativo é registrado.
- I11 – Doença cardíaca hipertensiva.
- I12 – Doença renal hipertensiva.
- I15 – Hipertensão secundária.
- Z86.7 – História pessoal de hipertensão (para pacientes que não estão mais em tratamento, mas têm histórico).
- Z76.9 – Pessoa que contata os serviços de saúde por outra razão não especificada (usado em casos genéricos).
O médico escolhe a combinação mais adequada para refletir o estado clínico real do paciente.
Sintomas e como a hipertensão se manifesta
A hipertensão arterial é frequentemente assintomática por anos – por isso é chamada de “assassina silenciosa”. No entanto, quando os níveis pressóricos estão muito elevados ou há lesão de órgãos-alvo, podem surgir sintomas como:
- Cefaleia occipital (dor de cabeça na nuca), especialmente pela manhã.
- Tontura ou vertigem.
- Palpitações ou sensação de coração acelerado.
- Falta de ar aos esforços.
- Visão turva ou escotomas (pontos brilhantes).
- Zumbido no ouvido.
- Epistaxe (sangramento nasal) em crises hipertensivas.
No caso de consultas de controle (CID Z71.1), o paciente pode não ter sintomas – a consulta é proativa para monitorar e prevenir complicações.
Causas e fatores de risco
A hipertensão essencial (90-95% dos casos) tem origem multifatorial. Os principais fatores de risco incluem:
- Idade avançada (>60 anos aumenta muito o risco).
- História familiar de hipertensão.
- Obesidade e sobrepeso (especialmente obesidade abdominal).
- Sedentarismo.
- Dieta rica em sódio e pobre em potássio.
- Consumo excessivo de álcool.
- Tabagismo (efeito vasoconstritor).
- Estresse crônico.
- Apneia obstrutiva do sono.
- Diabetes mellitus e síndrome metabólica.
Nos raros casos de hipertensão secundária, as causas incluem doenças renais, estenose de artéria renal, hiperaldosteronismo, feocromocitoma e uso de medicamentos (como AINEs, corticoides, descongestionantes).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da hipertensão e a indicação do CID Z71.1 seguem etapas rigorosas:
- Medida da pressão arterial – realizada em consultório com esfigmomanômetro calibrado, seguindo as diretrizes da 8ª Diretriz Brasileira de Hipertensão (2020). São necessárias pelo menos duas medidas em dias diferentes, com valores ≥140/90 mmHg para diagnóstico.
- Monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) – considerada padrão ouro para confirmar hipertensão e avaliar o padrão circadiano.
- Exames complementares – hemograma, glicemia de jejum, lipidograma, creatinina, potássio, urina tipo I, eletrocardiograma e fundoscopia. Em casos selecionados, ecocardiograma e microalbuminúria.
- Classificação do risco cardiovascular – usando escores como o de Framingham ou o ERIC (Brasil).
O CID Z71.1 é registrado após a confirmação do diagnóstico de hipertensão, durante consultas de acompanhamento.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipertensão divide-se em não farmacológico e farmacológico, sempre individualizado:
Tratamento não farmacológico (essencial):
- Redução do consumo de sal (≤2 g de sódio/dia, equivalente a ≤5 g de sal).
- Dieta DASH (rica em frutas, vegetais, laticínios com baixo teor de gordura).
- Controle do peso (IMC <25 kg/m² e circunferência abdominal <94 cm para homens, <80 cm para mulheres).
- Atividade física aeróbica (150 min/semana de moderada intensidade).
- Moderação do álcool (≤1 dose/dia para mulheres, ≤2 para homens).
- Cessacão do tabagismo.
Tratamento farmacológico:
- Classes principais: diuréticos tiazídicos (clortalidona, hidroclorotiazida), inibidores da ECA (enalapril, ramipril), bloqueadores dos receptores da angiotensina (losartana, valsartana), bloqueadores dos canais de cálcio (anlodipino, nifedipino), betabloqueadores (atenolol, metoprolol).
- A escolha depende do perfil do paciente: idade, comorbidades, presença de lesão de órgão-alvo. Geralmente inicia-se com monoterapia e associa-se segundo fármaco se não houver controle.
- Meta pressórica: <130/80 mmHg para a maioria dos pacientes; <140/90 mmHg para idosos frágeis.
Em consultas de controle (Z71.1), o médico avalia adesão, efeitos colaterais e necessidade de ajuste.
Quantos dias de atestado médico
Para uma consulta de rotina de controle da hipertensão (CID Z71.1), o atestado médico geralmente cobre apenas o dia da consulta, podendo variar de 1 a 3 dias, dependendo da necessidade de exames complementares ou da presença de sintomas leves. Não há um tempo padrão, pois a hipertensão controlada não requer afastamento do trabalho. No entanto, se o paciente apresentar descontrole pressórico significativo (ex.: crise hipertensiva leve a moderada), o médico pode recomendar 1 a 2 dias de repouso para monitorização. Situações de emergência hipertensiva (PA >180/120 mmHg com lesão de órgão-alvo) exigem afastamento por 7 a 14 dias ou mais, mas nesse caso o CID seria I10 ou I11, e não Z71.1.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Pacientes com hipertensão em acompanhamento (CID Z71.1) devem procurar atendimento de urgência se apresentarem:
- Pressão arterial ≥180/120 mmHg confirmada em repouso.
- Dor torácica opressiva ou em aperto (sugestiva de infarto).
- Falta de ar súbita ou piora progressiva.
- Cefaleia intensa e súbita (“pior dor de cabeça da vida”).
- Alteração visual aguda (perda de visão, visão dupla).
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo (suspeita de AVC).
- Dificuldade para falar ou confusão mental.
- Náuseas e vômitos associados à pressão alta.
- Edema agudo de pulmão (sensação de afogamento).
Esses sinais indicam que o acompanhamento de rotina (Z71.1) se transformou em uma emergência hipertensiva, que requer manejo hospitalar imediato.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipertensão e seu controle sustentado baseiam-se em hábitos de vida saudáveis e adesão ao tratamento. Para pacientes em acompanhamento (Z71.1), as recomendações incluem:
- Monitorização domiciliar da pressão arterial: medir em casa com aparelho validado, de braço, em repouso, ao acordar e à noite.
- Manter o diário de pressão para levar ao médico.
- Tomar a medicação todos os dias no mesmo horário, sem pular doses.
- Consultas regulares: a cada 3-6 meses quando controlado, ou mensalmente se descontrolado.
- Vacinação anual contra influenza e pneumonia (recomendada para hipertensos).
- Controle de comorbidades: diabetes, dislipidemia, obesidade.
- Evitar anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) sem orientação médica, pois podem elevar a pressão.
O CID Z71.1 é a ferramenta que documenta esse cuidado contínuo e permite o rastreamento populacional da hipertensão.
- 01. Sempre verifique sua pressão em casa com aparelho automático de braço certificado – faça duas medidas com 1 minuto de intervalo e anote a média.
- 02. Nunca interrompa o anti-hipertensivo por conta própria, mesmo que a pressão esteja normal – isso pode causar efeito rebote.
- 03. Reduza o sal gradualmente: substitua por ervas, limão e especiarias. O paladar se adapta em 2 a 4 semanas.
- 04. Caminhe 30 minutos por dia, cinco vezes por semana – é tão eficaz quanto um medicamento leve para baixar a pressão.
- 05. Mantenha o peso ideal: cada 5 kg perdidos pode reduzir a PAS em 5-10 mmHg.
- 06. Evite bebidas alcoólicas em excesso – o limite seguro é de até 1 dose (mulheres) ou 2 doses (homens) por dia.
- 07. Se você ronca forte e acorda cansado, investigue apneia do sono – o tratamento com CPAP melhora o controle pressórico.
Perguntas Frequentes sobre o CID Controle da Hipertensão
1. O CID Z71.1 garante quantos dias de atestado?
Geralmente, apenas o dia da consulta (1 dia). Se houver necessidade de exames ou descontrole leve, o médico pode conceder de 1 a 3 dias. Para situações de urgência hipertensiva, o afastamento pode ser maior, mas o CID muda para I10 ou I11.
2. Qual a diferença entre CID Z71.1 e CID I10?
I10 é o código para hipertensão essencial (diagnóstico da doença). Z71.1 é usado para consultas de acompanhamento de um paciente já diagnosticado com hipertensão. Os dois podem ser usados juntos: I10 para a condição e Z71.1 para o motivo da consulta.
3. Posso usar o CID Z71.1 para falta ao trabalho?
Sim, desde que o médico avalie que a consulta ou o descontrole pressórico justifique o afastamento. Normalmente é um atestado de 1 dia, mas pode ser estendido se houver instabilidade.
4. Crianças podem ter o CID Z71.1?
Sim, embora a hipertensão infantil seja menos comum, crianças com diagnóstico de hipertensão (essencial ou secundária) podem ser acompanhadas sob este CID.
5. O CID Z71.1 cobre consultas de telemedicina?
Sim, desde que o acompanhamento seja realizado por profissional habilitado e registrado no prontuário. A teleconsulta é válida para renovação de receitas e ajustes terapêuticos.
6. Preciso de um cardiologista para usar o CID Z71.1?
Não. Médicos da atenção básica, clínicos gerais, enfermeiros (em alguns contextos) e cardiologistas podem registrar esse código durante o acompanhamento.
7. Esse CID pode ser usado para licença médica de longo prazo?
Raramente. O Z71.1 é para consultas de rotina. Se o paciente tiver complicações graves (ex.: insuficiência cardíaca, AVC), são usados outros CIDs específicos (I50, I64).
8. O que acontece se eu não fizer o acompanhamento adequado?
A hipertensão não controlada pode levar a infarto, derrame, doença renal crônica e danos à visão. O CID Z71.1 serve justamente para evitar essas complicações por meio do monitoramento regular.
9. Quanto tempo dura a consulta de controle da hipertensão?
Normalmente 15 a 30 minutos, incluindo anamnese, medida da PA, revisão de exames e orientações. Pode ser mais longa se houver necessidade de ajuste de medicação.
10. O CID Z71.1 é usado apenas no Brasil?
Não. A CID-10 é internacional. O código Z71.1 é utilizado em todos os países que adotam a classificação da OMS, com o mesmo significado.
11. Posso ter o CID Z71.1 se minha pressão estiver normal no dia da consulta?
Sim. O acompanhamento é justamente para verificar se o tratamento está funcionando. Pressão controlada é o objetivo, e o CID Z71.1 documenta esse acompanhamento bem-sucedido.
12. Qual a meta de pressão para pacientes com CID Z71.1?
Para a maioria dos pacientes, <130/80 mmHg. Para idosos acima de 80 anos, pode ser <150/90 mmHg. O médico define a meta individualizada.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID10.com.br – Z71.1 |
MedlinePlus – High Blood Pressure Control
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