Estima-se que 12% da população brasileira adulta apresente algum tipo de gastrite crônica ao longo da vida. O CID K522 (outras gastrites especificadas) corresponde a aproximadamente 8% dos diagnósticos de gastrite nos serviços públicos de saúde, com maior prevalência em mulheres acima dos 40 anos e em pacientes com infecção por Helicobacter pylori não tratada.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID K522 e quer saber o que significa? Este código refere-se a “Outras gastrites especificadas”, uma condição inflamatória da mucosa do estômago que não se enquadra nos tipos mais comuns (como gastrite aguda ou crônica superficial). Neste artigo, explicamos de forma clara e completa os sintomas, as causas, o tratamento e tudo o que você precisa saber sobre o CID K522, com base nas diretrizes da CID-10 e nos protocolos do Ministério da Saúde. Acompanhe o caso clínico real e entenda como lidar com esse diagnóstico.
- Código: K522
- Descrição: Outras gastrites especificadas
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K522 não possui subcategorias oficiais na CID-10; entretanto, inclui entidades como gastrite granulomatosa, gastrite eosinofílica, gastrite linfocítica, gastrite por estresse (crônica), entre outras especificadas.
Paciente: Sra. Helena M., 47 anos, professora do ensino fundamental.
Queixa principal: Dor epigástrica em queimação há 3 meses, piora após refeições gordurosas, náuseas matinais e sensação de estufamento. Relata também episódios de diarreia esporádica e perda de peso não intencional de 4 kg no último mês.
Avaliação clínica: Exame físico: dor à palpação profunda no epigástrio, sem sinais de irritação peritoneal. Endoscopia digestiva alta revelou mucosa gástrica com eritema em mosaico e pequenas ulcerações lineares no antro. Biópsia mostrou infiltrado eosinofílico intenso (>20 eosinófilos por campo de grande aumento), ausência de H. pylori. Exames laboratoriais: eosinofilia periférica leve, IgE total elevada, teste alérgico positivo para leite e ovo.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID K522 — Outras gastrites especificadas (gastrite eosinofílica).
Conduta terapêutica: Dieta de exclusão de leite e ovo por 6 semanas, associada a corticoide oral (budesonida 9 mg/dia) por 8 semanas com redução gradual. Prescrito também omeprazol 20 mg/dia para proteção gástrica e orientação nutricional com diarista.
Evolução: Após 4 semanas, paciente relatou melhora significativa da dor e náuseas. Repetiu endoscopia aos 3 meses: mucosa gástrica normalizada, biópsia sem eosinófilos. Mantém dieta de exclusão e corticoterapia em desmame.
Lição clínica: Gastrites específicas (como a eosinofílica) exigem diagnóstico diferencial cuidadoso; o tratamento direcionado à causa (alérgenos) pode levar à remissão completa, evitando cronificação.
O que é o CID K522 na prática médica
O código K522 é utilizado na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10) para designar “Outras gastrites especificadas”. Isso inclui formas de inflamação da mucosa gástrica que têm características histológicas ou etiológicas bem definidas, mas que não se enquadram nos tipos mais frequentes (como gastrite aguda hemorrágica, gastrite crônica superficial ou gastrite atrófica). Exemplos comuns são a gastrite eosinofílica, gastrite granulomatosa (associada a doenças como sarcoidose ou Crohn), gastrite linfocítica e gastrite por radiação. Na prática, o médico utiliza o K522 quando o laudo anatomopatológico descreve um padrão histológico específico que não corresponde aos códigos K520 (gastrite aguda) ou K521 (gastrite crônica superficial/atrófica).
É importante destacar que o K522 é um código de exclusão: ele só deve ser usado após a exclusão das causas infecciosas (como H. pylori) e das gastrites autoimunes (K500). Por isso, o diagnóstico sempre exige endoscopia com biópsia e análise histológica detalhada.
Subcategorias e variantes do CID K522
Embora a CID-10 não divida o K522 em subcategorias numéricas, a prática clínica reconhece várias entidades que se enquadram nesse código:
- Gastrite eosinofílica: infiltração da mucosa gástrica por eosinófilos, frequentemente associada a alergias alimentares ou atopias.
- Gastrite granulomatosa: presença de granulomas não caseosos na mucosa; pode ser secundária a sarcoidose, doença de Crohn, tuberculose ou infecções fúngicas.
- Gastrite linfocítica: predomínio de linfócitos intraepiteliais, associada a doença celíaca ou infecção por H. pylori em alguns casos.
- Gastrite por radiação: decorrente de radioterapia em tumores abdominais.
- Gastrite química (refluxo biliar): causada pelo refluxo de bile para o estômago.
- Gastrite isquêmica: rara, por redução do fluxo sanguíneo gástrico.
O reconhecimento da variante é fundamental para direcionar o tratamento específico.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas das gastrites classificadas como K522 variam conforme o subtipo, mas geralmente incluem:
- Dor ou queimação na parte superior do abdome (epigástrio), que pode piorar com alimentação ou em jejum.
- Náuseas e vômitos ocasionais.
- Sensação de plenitude gástrica precoce (empachamento).
- Perda de apetite e perda de peso involuntária (especialmente na gastrite eosinofílica e granulomatosa).
- Na gastrite eosinofílica: diarreia, cólicas abdominais e eosinofilia no sangue periférico.
- Na gastrite linfocítica: associação com doença celíaca – pode haver diarreia crônica e deficiências nutricionais.
- Sangramento digestivo (melena ou hematêmese) é menos comum, mas pode ocorrer em formas erosivas.
Os sintomas são inespecíficos e podem se confundir com úlcera péptica, dispepsia funcional ou até mesmo câncer gástrico precoce. Por isso, a endoscopia é indispensável.
Causas e fatores de risco
As causas das gastrites classificadas no K522 são diversas e dependem do subtipo:
- Gastrite eosinofílica: reação alérgica mediada por IgE a alimentos (leite, ovo, soja, trigo, amendoim) ou a alérgenos inalatórios. Fatores de risco: história pessoal ou familiar de asma, rinite alérgica, eczema.
- Gastrite granulomatosa: doenças sistêmicas como sarcoidose, doença de Crohn, tuberculose, sífilis, infecções fúngicas. Fatores de risco: imunossupressão, contato com tuberculose.
- Gastrite linfocítica: frequentemente associada à doença celíaca (intolerância ao glúten) ou à infecção por H. pylori.
- Gastrite por radiação: histórico de radioterapia na região epigástrica (ex: linfoma, câncer de pâncreas).
- Gastrite química: refluxo biliar crônico, uso de AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) ou consumo excessivo de álcool.
- Gastrite isquêmica: aterosclerose avançada, sepse, baixo débito cardíaco.
Os fatores de risco gerais incluem idade avançada, tabagismo, estresse crônico, dieta inadequada (ricos em gorduras e processados) e uso frequente de medicamentos que agridem a mucosa.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID K522 é essencialmente histopatológico, ou seja, depende da análise de fragmentos da mucosa gástrica obtidos por endoscopia digestiva alta. O passo a passo inclui:
- História clínica e exame físico: avaliação dos sintomas, alergias, medicamentos, doenças associadas.
- Exames laboratoriais: hemograma (eosinofilia?), IgE total e específica, função hepática, sorologias para doenças granulomatosas.
- Endoscopia digestiva alta: visualiza a mucosa; podem ser observados eritema, erosões, friabilidade, nódulos ou aspecto de “mosaico”.
- Biópsias múltiplas: colhidas no antro, corpo e fundo gástrico; o patologista identifica o tipo de infiltrado inflamatório (eosinófilos, linfócitos, granulomas).
- Testes específicos: para H. pylori (teste da urease, histologia ou PCR); pesquisa de doença celíaca (anticorpos anti-transglutaminase, dosagem de IgA).
- Exames de imagem: em casos suspeitos de sarcoidose ou Crohn (TC de abdome, enterografia).
Somente após a confirmação histológica e exclusão de outras causas é que o médico registra o código K522.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID K522 é direcionado à causa específica:
- Gastrite eosinofílica: dieta de exclusão de alérgenos identificados (leite, ovo, trigo, soja); corticoides orais (budesonida ou prednisona) por 6-12 semanas; anti-histamínicos ou estabilizadores de mastócitos em casos refratários.
- Gastrite granulomatosa: tratar a doença de base (ex: corticoides para sarcoidose, terapia anti-TNF para Crohn, tuberculostáticos para tuberculose).
- Gastrite linfocítica: associada à doença celíaca: dieta sem glúten estrita; se H. pylori positivo, erradicação com antibióticos.
- Gastrite química: suspender AINEs, reduzir álcool; usar protetores gástricos (omeprazol, pantoprazol) e procinéticos (domperidona) para refluxo biliar.
- Gastrite por radiação: tratamento sintomático com protetores gástricos, sucralfato e dieta pastosa; raramente necessário corticoide.
- Suporte nutricional: em todos os casos, recomenda-se fracionamento das refeições, evitar alimentos irritantes (café, frituras, pimenta) e mastigar bem.
O tempo médio de tratamento varia de 4 a 12 semanas, com reavaliação endoscópica para confirmar a cicatrização.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID K522 depende da gravidade dos sintomas, do subtipo de gastrite e da resposta ao tratamento. Em geral:
- Quadro leve a moderado: 3 a 7 dias de afastamento do trabalho para repouso gástrico e início da medicação.
- Quadro grave (com hemorragia, vômitos intensos ou perda de peso significativa): 10 a 15 dias, com possibilidade de prorrogação conforme evolução.
- Casos que exigem dieta de exclusão e ajuste ambulatorial: o médico pode conceder 5 a 10 dias iniciais e reavaliar.
Atestados mais longos (acima de 15 dias) geralmente requerem perícia médica (INSS) ou relatório detalhado. O código K522 não tem um prazo fixo; a decisão é clínica e baseada na capacidade do paciente para realizar suas atividades laborais.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alarme que indicam necessidade de atendimento médico imediato:
- Vômitos com sangue (vermelho vivo ou borra de café).
- Fezes escuras, pastosas e malcheirosas (melena).
- Dor abdominal intensa e súbita, que irradia para as costas.
- Dificuldade para engolir (disfagia) ou dor ao engolir.
- Perda de peso não intencional superior a 5% do peso corporal em 1 mês.
- Febre alta associada a dor abdominal.
- Icterícia (olhos ou pele amarelados).
- Sinais de desidratação (boca seca, urina escura, tontura).
Nesses casos, procure uma emergência hospitalar ou seu médico imediatamente.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora nem todas as formas de gastrite do CID K522 sejam preveníveis, algumas medidas reduzem o risco e a gravidade:
- Evitar o uso crônico de AINEs (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco) sem proteção gástrica.
- Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento e atividade física.
- Manter uma dieta balanceada, rica em fibras e pobre em gorduras saturadas, alimentos ultraprocessados e condimentos fortes.
- Identificar e evitar alimentos que desencadeiam alergias ou intolerâncias.
- Tratar adequadamente doenças de base (doença celíaca, sarcoidose, Crohn).
- Realizar endoscopia de controle conforme orientação médica (geralmente a cada 1-2 anos se houver metaplasia ou atrofia).
- Não fumar e moderar o consumo de álcool.
O acompanhamento regular com gastroenterologista é essencial para monitorar a evolução e prevenir complicações como estenose gástrica ou transformação neoplásica.
- 01. Nunca ignore sintomas dispépticos persistentes. Uma endoscopia precoce pode diagnosticar gastrites específicas antes que evoluam para lesões irreversíveis.
- 02. Se você tem alergias alimentares conhecidas e apresenta sintomas gástricos, discuta com seu médico a possibilidade de gastrite eosinofílica (CID K522).
- 03. O tratamento da gastrite granulomatosa exige o controle da doença sistêmica – não foque apenas no estômago.
- 04. Mantenha um diário alimentar por 2 semanas para identificar possíveis gatilhos alimentares, especialmente na gastrite eosinofílica.
- 05. Siga rigorosamente o esquema de medicação e a dieta prescritos; a adesão determina o sucesso terapêutico.
- 06. Em caso de atestado, negocie com seu empregador a possibilidade de home office ou trabalho leve durante os primeiros dias, se possível.
- 07. Realize a endoscopia de controle no prazo indicado – mesmo sem sintomas, a mucosa pode não estar completamente curada.
Perguntas Frequentes sobre o CID K522
O CID K522 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. O médico define conforme a gravidade: geralmente 3 a 15 dias, podendo ser prorrogado. Casos leves: 3-5 dias; moderados: 7-10 dias; graves: 10-15 dias. Atestados superiores a 15 dias exigem perícia do INSS.
Qual a diferença entre CID K522 e gastrite comum?
O CID K522 é reservado para gastrites com causa ou padrão histológico específico (eosinofílica, granulomatosa, linfocítica, etc.), enquanto as gastrites mais comuns (aguda ou crônica superficial) são classificadas em K520 ou K521.
O CID K522 pode virar câncer?
Algumas variantes, como a gastrite linfocítica associada à metaplasia intestinal, podem aumentar ligeiramente o risco de adenocarcinoma gástrico. O acompanhamento periódico reduz esse risco.
O CID K522 é contagioso?
Não. As gastrites classificadas como K522 não são transmitidas de pessoa a pessoa. A gastrite granulomatosa por tuberculose pode ser contagiosa, mas a lesão gástrica em si não transmite a doença.
Posso tomar omeprazol por conta própria?
Não. O omeprazol (ou outros inibidores de bomba de prótons) pode aliviar sintomas, mas sem diagnóstico correto, pode mascarar doenças graves. O uso prolongado sem indicação aumenta o risco de osteoporose e deficiência de vitamina B12.
Quanto tempo leva para curar uma gastrite K522?
Depende da causa. A gastrite eosinofílica pode responder em 4-8 semanas com dieta e corticoide. Já a gastrite granulomatosa pode levar meses, dependendo do controle da doença base.
Gastrite K522 pode causar sangramento?
Sim, embora menos frequente que nas gastrites erosivas agudas. Erosões ou ulcerações lineares podem sangrar e provocar melena ou anemia ferropriva.
É possível ter CID K522 e não sentir nada?
Sim, especialmente nas fases iniciais da gastrite linfocítica ou granulomatosa. Muitos pacientes descobrem o diagnóstico incidentalmente em endoscopia de rotina.
O tratamento do CID K522 exige internação?
A maioria dos casos é tratada ambulatorialmente. Internação é necessária apenas se houver hemorragia ativa, vômitos incoercíveis, desidratação grave ou complicações cirúrgicas.
Qual médico trata o CID K522?
Gastroenterologista. O clínico geral pode iniciar a investigação, mas o acompanhamento especializado é fundamental para definir o subtipo e o tratamento.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Artigos relacionados:
- CID R11 – Náuseas e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID 010 – Tuberculose Pulmonar
- CID 083 – Significado e Cuidados
- CID 200 – O que significa
- CID F41 – Ansiedade
- CID M54 – Dorsalgia
- CID J06 – Infecção Respiratória
- CID J30 – Rinite Alérgica
- CID K21 – Refluxo
- CID N39 – Infecção Urinária
- CID G43 – Enxaqueca
- CID J45 – Asma
- Omeprazol para que serve
- Dipirona para que serve
- Ibuprofeno para que serve
- Amoxicilina para que serve
- Azitromicina para que serve
- Nimesulida para que serve
- Paracetamol para que serve


