A constipação funcional (K59.0) afeta aproximadamente 20% da população mundial, com maior incidência em mulheres e idosos. No Brasil, estudos indicam que até 35% dos adultos apresentam critérios para constipação crônica, sendo uma das queixas mais frequentes nos consultórios de clínica médica e gastroenterologia.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID REMEDIOS-PARA-CONSTIPACAO e quer saber o que significa? Na verdade, o código CID específico para constipação intestinal é K59.0 (obstipação/constipação). Este artigo explica em detalhes o significado desse código, suas subcategorias, sintomas, causas, opções de tratamento, quantos dias de atestado são típicos e quando procurar um médico. Baseado nos critérios de Roma IV e nas diretrizes do Ministério da Saúde do Brasil, o conteúdo é voltado para pacientes que buscam compreender seu diagnóstico e as melhores condutas terapêuticas.
- Código: K59.0
- Descrição: Constipação intestinal (obstipação)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais para K59.0; o código é único. No entanto, a prática clínica diferencia constipação funcional, constipação secundária (medicamentosa, metabólica, neurológica) e constipação por síndrome do intestino irritável (SII) com predomínio de constipação (K58.1).
Paciente: Maria Aparecida, 52 anos, professora aposentada
Queixa principal: “Estou há quase 10 dias sem ir ao banheiro, e quando vou, as fezes são muito ressecadas e preciso fazer muita força. Sinto estufamento e desconforto abdominal.”
Avaliação clínica: Ao exame físico, abdome distendido, timpânico, com dor leve à palpação profunda. Toque retal revelou fezes endurecidas em ampola retal. Exames laboratoriais (hemograma, TSH, glicemia, eletrólitos) normais. Colonoscopia solicitada para descartar obstrução mecânica ou neoplasia – resultado: mucosa colônica normal, apenas acúmulo fecal.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID K59.0 (Constipacao intestinal) – constipação funcional crônica, sem causa orgânica identificada.
Conduta terapeutica: Orientação dietética (aumento de fibras insolúveis – farelo de trigo, frutas com casca, vegetais folhosos; ingestão de 2 a 3 litros de água/dia). Prescrição de laxante osmótico: polietilenoglicol 17g/dia, diluído em 200 mL de água, por 30 dias. Incentivo à atividade física (caminhada 30 min/dia). Retreinamento intestinal: tentar evacuar no mesmo horário, após o café da manhã.
Evolução: Após 4 semanas, paciente relatou evacuações diárias, fezes pastosas, sem esforço. Melhora significativa do desconforto abdominal. A paciente aderiu bem às orientações e manteve o hábito intestinal regular.
Lição clínica: A constipação funcional é comum e geralmente tratável com medidas não farmacológicas combinadas a laxantes osmóticos por curto prazo. O diagnóstico exige exclusão de causas secundárias, especialmente em pacientes acima de 45 anos.
O que é o CID K59.0 na prática médica?
O CID K59.0 (Constipação intestinal) é o código utilizado pela Classificação Internacional de Doenças para designar a condição caracterizada por evacuações infrequentes (menos de 3 vezes por semana), fezes endurecidas, esforço evacuatório excessivo, sensação de evacuação incompleta ou necessidade de manobras manuais para facilitar a eliminação. Na prática clínica, a constipação pode ser aguda (dias a semanas) ou crônica (mais de 3 meses). É um dos diagnósticos mais comuns na atenção primária e está frequentemente associado a hábitos de vida inadequados, uso de medicamentos ou doenças subjacentes.
Subcategorias e variantes do CID K59.0
Embora o CID-10 não possua subcategorias oficiais para K59.0, a prática médica costuma classificar a constipação em tipos clínicos:
- Constipação funcional primária: sem causa orgânica identificável, critérios de Roma IV (pelo menos 2 dos seguintes: esforço em mais de 25% das evacuações, fezes grumosas ou endurecidas, sensação de evacuação incompleta, sensação de obstrução/anorectal, manobras manuais, menos de 3 evacuações/semana).
- Constipação secundária: decorre de medicamentos (opioides, anticolinérgicos, antidepressivos, anti-histamínicos), doenças endócrinas (hipotireoidismo, diabetes), neurológicas (Parkinson, lesão medular) ou metabólicas (hipercalcemia, hipocalemia).
- Constipação por síndrome do intestino irritável (SII): classificada como K58.1 (SII com predomínio de constipação), mas frequentemente associada à dor abdominal e alteração do hábito intestinal.
- Obstipação crônica por disfunção do assoalho pélvico: há dificuldade na coordenação dos músculos pélvicos durante a evacuação, necessitando de biofeedback ou fisioterapia.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da constipação variam em intensidade e duração. Os sinais clássicos incluem:
- Frequência evacuatória inferior a três vezes por semana.
- Fezes secas, duras, em cíbalos ou grumosas.
- Esforço excessivo para evacuar.
- Sensação de evacuação incompleta (tenesmo).
- Distensão abdominal, flatulência e cólicas.
- Necessidade de usar dedos ou outras manobras para auxiliar a evacuação.
Em casos crônicos, pode haver impactação fecal, incontinência por transbordamento (fezes líquidas ao redor do fecaloma) e sangramento anal por fissuras ou hemorroidas secundárias ao esforço. A constipação funcional não apresenta sinais de alarme (sangramento, perda de peso, febre), ao contrário das formas secundárias.
Causas e fatores de risco
As causas da constipação são multifatoriais. Entre os principais fatores de risco e etiologias, destacam-se:
- Hábitos alimentares: baixa ingestão de fibras (< 20-25g/dia), consumo insuficiente de água, excesso de alimentos ultraprocessados.
- Sedentarismo: falta de atividade física reduz o peristaltismo.
- Medicamentos: opioides, anti-inflamatórios, antiácidos contendo alumínio, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos, anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos, suplementos de ferro e cálcio.
- Doenças endócrinas/metabólicas: hipotireoidismo, diabetes mellitus, hipercalcemia, hipopotassemia.
- Doenças neurológicas: doença de Parkinson, esclerose múltipla, lesão medular, neuropatia autonômica.
- Fatores psicossociais: estresse, depressão, ansiedade, distúrbios alimentares.
- Idade avançada: redução da motilidade colônica, uso de múltiplos medicamentos, menor mobilidade.
- Gravidez: alterações hormonais e compressão uterina.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da constipação é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Roma IV. O médico realiza:
- Anamnese detalhada: frequência evacuatória, consistência das fezes (escala de Bristol), esforço, duração dos sintomas, uso de medicamentos, condições associadas.
- Exame físico: palpação abdominal, toque retal (avalia tônus esfincteriano, presença de fecaloma, sangue ou massas).
- Exames complementares (se indicados):
- Exames laboratoriais: hemograma, TSH, cálcio, potássio, glicemia.
- Colonoscopia: para pacientes ≥45 anos ou com sinais de alarme (sangramento, perda de peso, anemia, história familiar de câncer colorretal).
- Manometria anorretal, defecografia e tempo de trânsito colônico em casos refratários ou suspeita de disfunção do assoalho pélvico.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da constipação funcional segue uma abordagem gradual:
- Medidas não farmacológicas: aumento da ingestão de fibras (20-35g/dia) e água (1,5-2L/dia), atividade física regular (pelo menos 30 min/dia), treino evacuatório (sentar no vaso 15-20 minutos após refeições).
- Laxantes osmóticos (1ª linha): polietilenoglicol (PEG 4000) 17-34g/dia, lactulose 15-30 mL/dia, hidróxido de magnésio (leite de magnésia) 30-60 mL/dia. São seguros para uso crônico.
- Laxantes formadores de volume: psyllium (fibra solúvel) 5-10g/dia, metilcelulose. Eficazes, mas podem causar distensão abdominal.
- Laxantes estimulantes (uso eventual): bisacodil, sene, picossulfato de sódio. Indicados apenas por curto prazo (≤1 semana) devido ao risco de dependência e danos ao plexo neural.
- Lubrificantes: óleo mineral (enema ou oral) – evitar uso prolongado por risco de aspiração e deficiência de vitaminas lipossolúveis.
- Enemas e supositórios: glicerina, fosfato de sódio – para impactação fecal aguda.
- Novas opções (2025-2026): lubiprostona (ativador de canais de cloro), linaclotida (agonista de guanilato ciclase C), prucaloprida (agonista 5-HT4) – indicadas para constipação crônica refratária.
Quantos dias de atestado médico?
Para constipação aguda sem complicações, o atestado médico costuma variar de 1 a 3 dias, tempo suficiente para tratamento inicial e repouso se houver desconforto significativo. Para constipação crônica em crise, especialmente com impactação fecal ou dor intensa, podem ser concedidos até 5 dias. Casos cirúrgicos (obstrução intestinal) demandam licença maior, conforme evolução. O médico avaliará cada caso individualmente, considerando a função laboral e a necessidade de exames complementares. É fundamental que o paciente retorne ao trabalho após melhora dos sintomas agudos, mas com orientações para seguimento ambulatorial.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alarme que exigem avaliação médica imediata:
- Sangramento retal (sangue vivo ou fezes escuras/melena).
- Perda de peso involuntária e significativa.
- Anemia (palidez, cansaço, tontura).
- Dor abdominal intensa, progressiva ou com distensão abdominal acentuada.
- Vômitos, especialmente se fecaloides.
- Febre associada.
- Impactação fecal (incapacidade de evacuar, com dor e sensação de massa no reto).
- Constipação de início recente em paciente >50 anos sem causa evidente.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da constipação baseia-se em hábitos saudáveis sustentáveis:
- Consumir diariamente alimentos ricos em fibras: frutas (ameixa, mamão, laranja com bagaço), verduras, legumes, cereais integrais (aveia, linhaça, chia).
- Ingerir pelo menos 2 litros de água por dia (8 copos).
- Praticar exercícios físicos regularmente (caminhada, corrida, natação, pilates).
- Respeitar o reflexo evacuatório: evacuar sempre que sentir vontade, sem adiar.
- Evitar uso indiscriminado de laxantes sem orientação médica.
- Gerenciar estresse com técnicas de relaxamento, meditação ou psicoterapia.
- Revisar medicamentos em uso com o médico; se possível, substituir os que causam constipação.
- 01. Mastigação e fibras: Mastigue bem os alimentos e inclua fibras solúveis e insolúveis em todas as refeições. O farelo de trigo (2 colheres/dia) é eficaz e barato.
- 02. Posição correta no vaso: Use um banquinho para elevar os joelhos acima do quadril (posição de cócoras), relaxando o ângulo anorretal e facilitando a evacuação.
- 03. Hidratação adequada: Água em temperatura ambiente ou chás de ervas (hortelã, camomila) ajudam a amolecer as fezes. Evite café e chá preto em excesso, pois podem desidratar.
- 04. Movimento!: Caminhe 30 minutos por dia, 5x/semana. Exercícios abdominais e yoga (postura do gato-vaca) estimulam o peristaltismo.
- 05. Evite laxantes estimulantes: Bisacodil e sene devem ser usados apenas com prescrição e por no máximo 7 dias seguidos. O uso crônico causa atrofia do cólon e dependência.
Perguntas Frequentes sobre o CID REMEDIOS
O CID REMEDIOS garante quantos dias de atestado?
Considerando o CID K59.0 (constipação), o atestado médico típico é de 1 a 3 dias para quadros agudos. Em casos de impactação ou dor intensa, pode chegar a 5 dias. O médico determinará conforme a gravidade e a função laboral do paciente.
O CID K59.0 é grave?
Geralmente não, mas pode indicar problemas subjacentes. A constipação funcional é benigna e tratável. No entanto, se houver sangramento, perda de peso ou início recente em idosos, pode ser sinal de doença mais séria, como câncer colorretal.
Posso usar laxantes todos os dias?
Laxantes osmóticos (PEG, lactulose) são seguros para uso diário por semanas. Laxantes estimulantes (bisacodil, sene) não devem ser usados continuamente por mais de 7 dias devido ao risco de dependência e lesão do plexo neural.
O que fazer quando o laxante não funciona?
Se após 3-5 dias de uso correto não houver evacuação, procure atendimento médico. Pode ser necessária avaliação com exames de imagem ou desimpactação manual. Nunca aumente a dose por conta própria.
Constipação pode causar hemorroidas?
Sim, o esforço evacuatório crônico aumenta a pressão nas veias anais, favorecendo o desenvolvimento ou agravamento de hemorroidas e fissuras anais. Tratar a constipação ajuda a prevenir essas complicações.
Alimentos que pioram a constipação?
Alimentos ultraprocessados, ricos em gordura e açúcar, carnes vermelhas em excesso, queijos curados, bananas verdes, farinha branca e arroz branco. Prefira integrais, frutas com casca e legumes cozidos.
Gravidez e constipação: o que fazer?
Gestantes devem priorizar fibras, água e exercício leve (caminhada, ioga). Laxantes como PEG e lactulose são seguros na gestação. Evite laxantes estimulantes e óleo mineral. Consulte o obstetra antes de qualquer medicação.
Crianças com constipação: como tratar?
Em crianças, o tratamento inclui aumento de fibras (frutas, aveia, vegetais), hidratação, massagem abdominal e retreinamento intestinal. Laxantes como PEG são seguros sob orientação pediátrica. Evite supositórios sem prescrição.
O CID K59.0 é a mesma coisa que síndrome do intestino irritável?
Não. A SII (K58) inclui dor abdominal recorrente associada à alteração do hábito intestinal (constipação, diarreia ou ambos). K59.0 é constipação sem dor abdominal predominante. Ambos podem coexistir, mas são códigos distintos.
Preciso de colonoscopia para constipação?
Recomenda-se colonoscopia para pacientes ≥45 anos com constipação crônica, para rastreio de câncer colorretal. Também é indicada na presença de sinais de alarme (sangramento, anemia, perda de peso, história familiar positiva).
Remédios caseiros para constipação funcionam?
Alguns podem ajudar, como ameixa seca (rica em sorbitol e fibras), água morna com limão, chá de sene (uso pontual), e sementes de chia hidratadas. Porém, evite automedicação com chás laxativos em excesso, pois podem causar cólicas e desequilíbrio hidroeletrolítico.
O que significa “constipação de trânsito lento”?
É um tipo de constipação funcional em que o trânsito colônico está prolongado (>72h), geralmente diagnosticado por teste de marcadores radiopacos ou cintilografia. Pode necessitar de procinéticos como prucaloprida.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências e Links Úteis
- CID-10 – Classificação Oficial
- MedlinePlus – Constipation (Inglês)
- BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
- CID R11 – Náusea e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID 010 – Tuberculose Pulmonar
- CID 083 – Significado e Cuidados
- CID 200 – O que significa
- CID F41 – Ansiedade
- CID M54 – Dorsalgia
- CID J06 – Infecção Respiratória
- CID J30 – Rinite Alérgica
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